Nome: Benedito José Viana Nunes
Data de Nascimento: 21 de dezembro de 1929
Faleceu em 27 de fevereiro de 2011
Chegamos ao fim do MAIOR BELENENSE DE TODOS OS TEMPOS e como eu sabia que o foco de vocês é apenas a zuêra, resolvi ignorar a votação e colocar aqui a minha singela homenagem a um dos meus maiores ídolos belenenses (quem não tiver satisfeito e achar que fui injusto um recado: FODA-SE). Trata-se de ninguém menos que Benedito Nunes.
“Benedito Nunes é o tipo de homem que não cabe em uma vida”. Essa frase retrata claramente a importância deste ser humano. Quem foi Benedito Nunes? Segundo um trecho retirado de uma matéria do Jornal Diário do Pará Benedito Nunes foi um homem de muitas facetas, Benedito era filósofo, professor, crítico de arte e escritor. Foi um dos fundadores da Faculdade de Filosofia do Pará, da UFPA. Lecionou literatura e filosofia em outras universidades do Brasil e do exterior. É membro fundador da Academia Brasileira de Filosofia (1989). Recebeu dois Prêmios Jabuti de Literatura: em 1987, pelo estudo da obra de Martin Heidegger que culminou em Passagem para o Poético; e em 2010 pela crítica literária A Clave do Poético. Em 2010, pelo conjunto da obra, foi agraciado com o Prêmio Machado de Assis. É autor de O drama da Linguagem, uma leitura de Clarice Lispector; O tempo na narrativa; Introdução à Filosofia da Arte; O dorso do tigre (ensaios literários e filosóficos); João Cabral de Melo Neto (Coleção Poetas Modernos do Brasil); Oswald Canibal (Coleção Elos); Passagem para o poético; A filosofia contemporânea; No tempo do niilismo e outros ensaios e Crivo de Papel (ensaios literários e filosóficos).
Por mais que eu tente jamais conseguiria escrever uma homenagem mais bonita e tocante com palavras, quanto ao que o Dr. Sérgio Martins Pandolfo escreveu em “BENEDITO NUNES. A DOCE FILOSOFIA DO MESTRE”.
“Benedito José Viana da Costa Nunes, um nome muito grande para um homem de pequena estatura física e compleição franzina, mas um gigante em arcabouço moral e intelectual - por isso que nos circuitos sociais e profissionais era tão somente o professor Benedito Nunes ou, para os mais chegados, e carinhosamente, “Bené” - deixou-nos definitivamente às 9h do dia 27 de fevereiro passado, aos 81 anos, após curto período de internação hospitalar para tratar-se de uma úlcera, de que advieram complicações respiratórias. Intelectual de primeira grandeza era filósofo, escritor, crítico literário e de arte e, acima de tudo, professor. Em pleno viço intelectual Benedito fora agraciado, ainda em 2010, com o “Prêmio ‘Machado de Assis’”, concedido pela Academia Brasileira de Letras, troféu maior do silogeu, pelo conjunto de sua obra. Também recebera, no mesmo ano, o prêmio “Jabuti”, categoria crítica literária, com o trabalho “A Clave do Poético”.
Em 2009, pelos oitenta anos, Benedito fora triplicemente homenageado pela Universidade da Amazônia: indicado para receber o título de Doutor Honoris Causa; tema exclusivo da revista “Asas da Palavra” e personagem central da exposição “Benedito Nunes, o filósofo da Amazônia – 80 anos de sabedoria”. Nos últimos tempos aprestava-se para o lançamento, em junho próximo, de três volumes da coleção “Diálogos de Platão”, em edição bilíngue (grego/ português), de que, regozijadamente, foi um dos principais organizadores. Pioneiro do ensino da filosoafia entre nós, Benedito foi fundador da Faculdade de Filosofia da UFPA, da qual foi professor durante muitos anos, merecendo mais mais tarde da Universidade o honroso galardão de Professor Emérito.
Conhecemo-lo já como o mestre competente, que sempre foi, na década de 1950, no Colégio Moderno, quando fazíamos o científico, como lente da disciplina Filosofia. Àquela altura o ensino dessa matéria era integrante da grade curricular. Acompanhamos a trajetória do Mestre ao longe e ao perto, através das notas midiáticas dando conta de seus feitos, suas participações professorais e literárias, viagens à Europa, máxime à França, para ministrar cursos, e premiações, que foram inúmeras ao longo de sua vida e não caberia enumerar aqui no bojo limitado deste artigo.
Bené era um solitário, quase um ermitão, que se “refugiava” em sua estufada biblioteca, onde passava horas ou dias a fio, em íntimo e abeberante conluio com os milhares de livros dispostos em inúmeras estantes, nas quais ele sabia exatamente onde encontrar cada volume desejado. Era um autodidata, estudava de tudo por conta própria. “Seu impressionante conhecimento em nada lhe inflava o ego ou enfatuava a personalidade. Seu trato era gentil, simples, cordato, atributos que conviviam com o sábio de pensamento vigoroso, de observações atiladas, de escrita rigorosa...”, a replicar o jornalista Elias Pinto.
Em 2006, em feliz reencontro, tivemos a oportunidade de manter curto, mas substantivo diálogo com o Professor Benedito, aquando do lançamento da obra “Crônica de duas cidades. Belém e Manaus”, que fez em parceria autoral com o escritor manauara Milton Hatoum. Apresentava excelente disposição e perspicácia de raciocínio, a par de invejável memória (lembrava-se perfeitamente de nosso tempo de estudante, de nosso nome, alguns fatos ligados à nossa vida profissional e à de nossa genitora, Clara Pandolfo, de quem fora contemporâneo de magistério no Moderno, junto com Francisco Paulo Mendes (outro ícone cultural do Pará) e acerca de quem perguntou sobre a saúde e ocupações que entretinha...
Um dos maiores pensadores da Amazônia, e mesmo do Brasil, conhecido e admirado por seus pares, deixou-nos uma obra literária e filosófica robusta e consistente composta por 25 livros publicados e vários a publicar por editoras do País e forâneas, outros organizados por ele, colaborações em livros nacionais e estrangeiros, além de traduções. Dentre suas obras pode-se pôr destaque, igualmente, nas de caráter ensaístico sobre Clarice Lispector, Drummond, Pessoa, Rosa, Heidegger, Nietzsche e os nossos parauaras Dalcídio Jurandir, Max Martins, Ruy Barata, Haroldo Maranhão e Francisco Paulo Mendes.
O professor Benedito Nunes foi casado com a também professora Maria Sylvia Nunes, parceira querida que ele escolheu ainda nos bancos universitários e que foi, durante a vida inteira, sua eficiente colaboradora, companheira e incentivadora, e de cujo conúbio não proveio descendência.
Bené foi-se da vida terrena, do contacto físico com seus inúmeros amigos, discípulos e admiradores, mas jamais sairá do coração e da lembrança de todos nós que o queríamos para sempre. Vai-se o mito, fica-nos o legado imperecível de sua obra”. Aqui você encontra o texto ( http://migre.me/ahMeY ).
Não importa o fim de mundo que você mora. Sempre existirá alguém incrível, pra você admirar para o resto dos tempos. É dessa maneira que encerro com chave de ouro o MAIOR BELENENSE DE TODOS OS TEMPOS.