B L A C K O U T
O alarido de começo de Baile que invadia o extenso salão cessou subitamente. A surpresa estampou os semblantes daqueles presentes, mas isto foi algo que não pode mais ser captado. A elegância com que as moças desfilavam, como belos predadores, ou olhos cobiçados que procuravam estes movimentos, deixaram de ser a cena mais assistida, e foi um denso véu negro que inebriou aos convidados. Um blackout chocou aos desavisados, e criou esperanças para aqueles amantes da noite. Nem mesmo isto foi empecilho para os corações festeiros, que não demoraram a contagiar os demais e envolve-los em mais animadas danças. A única luz presente no ambiente emanava da mesa de banquete, cujo velas iluminavam as pontas e alguns pontos específicos, nada que realmente auxiliasse a perder a magia do anonimato. Talvez aquele incidente tivesse sido proposital, ou apenas um acaso da noite lúgubre, de um modo ou outro, parecia existir um sentimento coletivo: ninguém realmente se importava.









