titanas altercationem.
6 de agosto, quarta-feira às 18h34 — titationem.
Todo mês, quando o Titationem era anunciado, Old Mother Jung parecia obter um ar diferente. Matthew já havia se acostumado com essas semanas, onde todos os alunos estavam mais inquietos que o normal. As opiniões sobre o evento eram sempre divididas: alguns gostavam da ideia de duelar, enquanto outros reclamavam abertamente ao professor. Ele, particularmente, achava uma época interessante. Não faltava à nenhuma batalha e procurava auxiliar os jovens da melhor maneira possível. E assim como eles, o britânico também tinha sua participação no torneio. Passara os últimos dias ocupado preparando sua performance. Era sempre um desafio trazer algo diferente e fascinante – não gostava de fazer nada que fosse ordinário.
Quando o dia chegou, Campbell não pôde negar a ansiedade. Era seu dever mostrar aos alunos os perigos da mágia negra e os melhores meios de combatê-la, e o Titationem era sempre uma ótima oportunidade para isso. Assim que as aulas acabaram, o educador fez seu caminho até o pátio. O pequeno palco onde se apresentaria já estava cercado pelos adolescentes, com um baú velho e chamativo no centro. — Silêncio! — Esbravejou, interrompendo imediatamente as conversas barulhentas. Agora que tinha a atenção de todos voltada para si, aproximou-se do cadeado complexo que denunciava um conteúdo nada agradável. Logo que a tampa se abriu, um fantasma de aparência indefinida saiu voando entre os alunos, provocando gritos. — Se vocês prestam atenção em minhas aulas, devem saber que isso é um Geistkopieren. — Os olhos ligeiros acompanharam com muita calma o vulto preto, o que era cômico e contraditório considerando o caos que causava pela multidão. — Para quem não leva os estudos a sério… — O tom de voz de Matthew mudou drasticamente. — Ele é um fantasma capaz de imitar qualquer criatura das trevas, às vezes até suas habilidades. — As palavras do professor se concretizaram milésimos depois. A imagem nebulosa se transformou em uma completamente diferente, tomando a forma de um humano magro, com os ossos à mostra e a aparência deteriorada, em clara decomposição. Tratava-se de um Morto-vivo; quando os Nefastus tentam trazer alguém de volta à vida e não são bem sucedidos, o ritual acaba numa criatura horrível e de poderes letais.
Antes que o monstrengo pudesse dar uma volta completa pelo local – e assustar ainda mais os alunos –, Matthew encarou os rostos tensos. A diversão da vez seria convidar alguém para ajudá-lo a lidar com o zumbi. Bastara apenas duas espiadas pela aglomeração para decidir seu mais novo assistente. — Você. Suba aqui. — O dedo indicador se ergueu e todas as cabeças viraram, curiosas, para a direção apontada. Era Jung Chaewon. A morena seguiu relutante para o palco sob seu olhar rígido, que não se deixava levar pelas expressões piedosas. De repente, o educador bradou palavras aleatórias para chamar a atenção do bicho. Ele pareceu se irritar pela atitude, já que tomou uma velocidade absurda em direção ao palco. Em contraste às feições do homem, que não pareciam preocupadas, as de Chaewon agora transpareciam puro desespero. O Morto-vivo ficava cada vez mais próximo conforme os segundos se passavam, prestes a colidir com ambos; ela fechou os olhos numa tentativa de se defender, e… — Duratus! — A figura horrenda congelou a centímetros dos dois, sob comando de Matthew. — Então, o que eu devo fazer para me livrar dele? — Questionou, encarando a aluna, mas a resposta não veio. Embora soubesse como a garota era dedicada aos estudos, sua timidez impedia que as palavras se formassem. Com pressa, empurrou o corpo feminino para a direção oposta e se afastou dali, quebrando o feitiço em seguida e deixando o espírito passar livremente entre os dois. — Vamos lá, Chaewon! — Ele ia, agora, de encontro aos alunos. Pelo rosto contorcido em raiva, parecia prestes a atacar qualquer um. E era exatamente a sensação que Campbell queria causar nos alunos desde o começo: o medo. Assim eles aprenderiam, com certeza, o quão importante era estudar a defesa contra as criaturas das trevas e, principalmente, a não mexer com elas. — R-Rursus Nativis? — Chaewon palpitou, nervosa pela pressão. Na mesma hora, o Morto-vivo se preparava para golpear uma estudante. O loiro concordou com a cabeça e insinuou para que lhe ajudasse no feitiço. Antes que fosse tarde demais, se juntaram num coro: — Rursus Nativis! — Uma luz verde e brilhante tomou conta do pátio rapidamente. Quando tudo ficou nítido novamente, uma explosão de risadas ecoou pelo lugar: a criatura virara um coelho inofensivo. O feitiço era capaz de transformar o monstro em animais pequenos e às vezes até em plantas, mas somente se o bruxo quisesse mesmo se livrar do perigo. Agora que não havia mais ameaça, guardou o bicho no baú novamente.
Orgulhoso, Campbell massageou o ombro da aluna para demonstrar sua satisfação. Antes que pudessem sair do pátio, murmurou uma palavra inaudível. Em efeito dela, espíritos inócuos voaram em direção ao céu colorido, desfazendo-se no ponto mais alto em fogos pequenos. Entre aquela mistura confusa de aplausos e conversas, suspirou. Embora alguns alunos demonstrassem gostar da adrenalina, outros encaravam-o com uma pitada de raiva. Não segurou o riso diante da situação, estava contente.














