Kindness
With: @bm-matthewc
Havia almoçado ligeiramente rápido naquele dia, um dos poucos em que não pulava refeições como habitualmente fazia e depois reclamava de fome. Era um loop que já durava quatro anos, não seria agora que o mortiferum mudaria. E como havia dito no twitter, assim que acabou a refeição, tomou Angélique pela mão e com a garota seguiu até a lanchonete que havia fora do colégio. Precisava de uma dose de café mais do que nunca, sabia que a garota também já que tinham ido dormir no mesmo horário. Mas Ricky também tinha uma missão: levar café para Matthew. Claro, depois de uma breve discussão sobre quem iria pagar aquele café, de onde Maverick saiu vitorioso na disputa. Chegou até mesmo a sorrir triunfante quando encarou o celular e a última resposta do docente.
Mas não havia muito tempo para desfrutar da companhia da francesa, e também precisava levar o café de volta. Uma vez tendo retornado ao colégio, se despediu da garota, já que se encontrariam novamente na sala de aula logo em breve. E quando havia dito sobre “brotar” na sala do docente, estava falando no sentido literal da palavra, foi questão de segundos que sua figura sumiu em meio àquela névoa negra para se materializar novamente na sala de Matthew. E esperava não matá-lo muito de susto com aquilo, mesmo que fosse algo que divertisse o alemão. — Desculpe a demora, hyungnim. — A face quase sempre séria carregava um sorrisinho sacana pela pequena brincadeira feita ao chegar ali.
'Cansaço' era uma boa palavra para resumir o dia de Matthew até o atual momento. As aulas, geralmente calmas, estavam exigindo uma paciência extra do professor. Se não estivesse enganado, já era a quarta vez que um aluno interrompia sua falação sobre alguns feitiços proibidos usados durante A Primeira Guerra Mágica. O rosto, quase sempre tranquilo, havia tomado uma coloração avermelhada. Ele simplesmente detestava que conversassem sobre assuntos banais em sua aula; o que diabos poções para fazer o cabelo crescer tinham a ver com as trevas? Estava pronto para dar uma bronca nas meninas inquietas no fundo da sala quando o sinal do almoço tocou. O educador, mais aliviado do que qualquer um ali, suspirou. Lidar com adolescentes era uma tarefa difícil, mas tudo valeria a pena no final do dia. Sabia disso. Enquanto o momento não chegava, o britânico optou por se distrair no celular, mesmo não sendo grande fã. Bastaram apenas duas rolagens pelo aplicativo que os estudantes tanto gostavam para se deparar com um comentário de Ricky sobre café. Precisava de um, e muito. Não se acanhou em mandar algumas mensagens ao mais novo – eram íntimos, afinal – e garantir sua bebida, embora não tivesse conseguido a vitória na discussão acerca de quem pagaria por elas.
Alguns minutos se passaram desde então. O homem, agora entretido em ler notícias mágicas no aparelho, não notou quando o alemão se materializara na sala de repente. Foi só ele abrir a boca para Matthew esbravejar um palavrão, completamente assustado. — Você quer me matar de susto? — Questionou, encarando o rosto deleitoso do rapaz pela brincadeira. Era impossível manter uma postura séria diante dele, então não se esforçou. Acabou rindo junto, as traquinagens de Ricky sempre lhe rendiam boas lembranças no fim das contas. — Tenho uma coisa para você! — Antes que pudesse se esquecer, meteu a mão no bolso e tirou dali algumas notas amassadas. Quando o outro abriu a boca, pronto para contestar, continuou: — Não é pelo café. É para você comprar alguns doces, ou sei lá... — Balançou o papel na esperança de ser aceito. Gostava de agradar o mais novo, principalmente pelos favores que ele fazia.












