mother nature
@bm-julia
as cores nunca pareceram tão forte como fazem agora. é aquela mesma época do ano, novamente. é preciso parar, fechar os olhos e respirar fundo. nisto, o aroma das flores, madeira e terra o afundam em sinestesia. deuses, por que sua vida tomou aquele rumo? já perguntou-se e fez-se de coitado muitas vezes - tal questionamento, no entanto, é algo que não mais faz. não faria nada mudar, afinal de contas; não traria nada de volta. não o libertaria.
ele encosta sobre a cerca de madeira que divide a trilha das flores no chão. ao menos a maior parte, já que as plantas pareceram não se conter e invadiram além da cerca. em mãos, tem o sketchbook qual costuma usar para as anotações e rabiscos no clube de aprendizado sobre animais mágicos. garranchos, melhor dizendo (nunca foi muito bom com desenhos). o casaco protege do vento frio e esconde o cabelo com o capuz. por que está ali? esta sim é uma pergunta qual, até, faz alta. rir, mas é percebível o amargor. queria fugir das pessoas quando sente-se assim frágil, e no momento seguinte se pega no lugar que deveria ter evitado.
tudo ali o faz lembrar dela. e a lembrança dela o faz querer chorar. logo, o plano de se distrair-se com a matéria extra termina sendo uma falha. mais uma vez, clyde se lembra que é um MASOQUISTA.







