Um rascunho sobre os bolsonaristas
Antes dos portugueses colonizarem o Brasil, aqui havia um território cheio de gente. Gente nativa desse território. Gente que vivia em relativa harmonia. Quando os brancos chegaram, chegaram com tecnologia bélica e um senso ético muito peculiar: através das mais variadas desculpas (religiosas, morais!?), pensaram que não haveria problema em invadir aquele território, ignorar a sabedoria daquele povo e seu processo civilizatório, dizimar e escravizar os restantes. não satisfeitos, ainda trouxeram, à força, de outro continente, pessoas que consideravam inferiores para também escravizá-las, não importando se eram agricultores, príncipes ou guerreiros: todos viraram escravos.
Um dia, trezentos anos depois de algo que nunca deveria ter começado, essa sociedade deu um passo para o lado: devido a pressões externas, acabou por terminar oficialmente com aquele modelo de escravidão. Nesse ponto, as pessoas que achavam normal terem outros seres humanos, serem POSSUIDORES de outros seres humanos, tiveram que acostumar-se com a ideia de que aquilo deixou de ser legal, pelo menos naquele formato. Acontece que, até hoje, mais de cem anos depois, muitos não se conformam com o fato de não poderem mais ter escravos pra lhes servir nas tarefas menos interessantes do cotidiano, pra açoitar caso essas tarefas não tenham sido bem feitas, pra vender ou matar quando estivessem velhos demais, pra estuprar aquelas que quisessem enquanto as julgassem atraentes.
Aqueles portugueses, verdadeiros exploradores da terra e da capacidade alheias são os pais desses brancos ricos, desses pobres burros, desses inocentes manipuláveis, dessa estupidez orgulhosa que é o brasileiro que hoje se satisfaz com o governo Bolsonaro: depois de tantos anos de recalque, conseguem voltar a exercitar seu sadismo, causando o sofrimento daquela parcela da população que começou a ser explorada lá atrás e que, mesmo passados tantos anos, ainda não aprendeu a reagir.