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Broxada Sinistra #106
@poemasapagados2
Lições que nunca iriam te ensinar
Boa noite.
No capítulo de hoje de "Lições que nunca iriam te ensinar" vamos tratar de um tema quente. Na verdade um terma morno, meio frio quase. Todo mundo deve ter te dado uma lição sobre o que fazer na primeira transa, não é mesmo? O que ninguém nunca te disse foi "O que fazer na primeira broxada!"
Isso mesmo! Porque ela vai acontecer! E vai ser horrível! Siim! Deprimente, triste...
Corta pra um casal na cama. Ele aparentemente frustrado e ela com cara de pena. Até que ela chega com todo o carinho pra ele, alisando sua cabeça e diz:
Amorzinho... (Pausa romântica) Não liga pra essas coisa não... (Pausa Romântica) Pega suas coisas e vai embora?
(Volta pro apresentador.) Vamos lá. O que você precisa entender é que a broxada é um estado de espírito do homem. Quando imerso nesse estado de espírito, é inútil resistir. O homem atento pode evitar os constrangimentos percebendo prematuramente se ele se encontra nesse estado antes de marcar o próximo coito. E nunca tente explicar a broxada pra mulher. Ela não vai entender. Mas pensa... se fosse ao contrário... você entenderia?
(Corta pro casal. Ela deitada com a cabeça em cima do travesseiro, de 4, e o cara atrás dela. A câmera pega só o rosto dos dois.)
Ele - Opa... o negócio aqui não quer abrir não..
Ela - Ah não, é?
Ele - Não mesmo. Já tentei de tudo, mas não quer saber de abrir não. Acontece direto isso aí?
Ela - Não... na verdade é a minha primeira vez.
Ele - Porra, então deve ser doença... bora na farmácia comprar uma pomada.
Ela - Não, não... é normal.
Ele - NORMAL?
Ela - É porra... normal. Agora faz um négócio pra gente comer que eu vou jogar um videogame.
(Volta pro apresentador.) Mas se o homem não foi sábio o suficiente de prever a vinda da broxada e, mesmo assim, acabou agendando umazinha bem para aquela noite, não se preocupe. Ainda há jeito de se resolver o problema, porém você vai ter que ter muito cuidado pois o timing é fundamental. Vamos voltar ao nosso casal. (a cena fica no casal transando papai e mamãe enquanto o narrador continua.)
A broxada se inicia quando as duas cabeças mandam sinais para o homem ao mesmo tempo durante a transa. Durante o ato sexual, apenas a cabeça de baixo deve enviar comandos ao sistema nervoso (dá um close no edredom onde deveria estar o pau do cara e uma voz começa a falar - come ela, come ela, isso, come ela! come ela de jeito! isso, dá nela! Coooome...)
Quando a broxada acontece, notamos um ruído nessa comunicação (a câmera sai do close no edredom e vai no rosto do cara). A voz dele diz em voice over, representando seu pensamento - Porra, se eu puxar a cama um pouco mais pra cá dá pra por um criado mudo aqui..
(Volta pro apresentador.) Se o homem perceber rapidamente o surgimento dos pensamentos broxantes e malignos ele pode reverter ainda a situação. Geralmente o que ocorre é o homem começar a se sentir desajeitado, apertar o seio da parceira muito forte, estica muito a perna e tem câimbra, enfia o dedo no cu e machuca a parceira, enfim, o festival da vergonha começa a se desenrolar. Mas tudo é reversível áté o momento que ela pergunta: (corta pro casal, ela de quatro virando pra trás)
- Aconteceu alguma coisa?
(Volta pro apresentador.) Ao menor sinal de reconhecimento da broxada pela parceira, ela se torna irreversível É por isso que muito homem coloca a culpa na mulher. Mas a culpa não é dela não. Ela nem sabe o que tá acontecendo. E mulheres, não esquentem a cabeça pensando que foi a roupa de vocês, o cabelo, o cheiro de bacalhau, a gordurinha escapando pra fora da calça, nada disso. Tem sempre um homem disposto a amar de coração aberto e pinto em riste uma gordinha fedida!
Mas voltando, a mulher, reconhecendo o tumulto causado pela broxada, faz com que o pinto amoleça instantaneamente. O homem, por instinto, assume então a universal cara de broxa. Universal sim porque transcende a cultura, raça, cor, o que seja. A cara de broxa é a mesma pra todos, e ela é facilmente reconhecida: é a mesma cara de quem perde pênalti. (nessa parte enquanto o narrador vai falando, o cara que broxa faz cara de que perdeu penalti. a cena congela e coloca-se várias fotos de caras que perderem penaltis ao lado, em sequência.)
(Volta pro apresentador.) A próxima fase é o constrangimento. Muito constrangimento, para todos. (Corta pro casal, com a voz do narrador. eles seguem reprensentando o texto narrado). Ninguém se olha no olho, a comunicação fica comprometida por alguns segundos. Um clima horrível, ela não sabe se pula da cama... ele não sabe se pula a janela... Até que chega o momento em que o homem ganha forças e resolve estabelecer o seu álibi.
- Sabe o que que é, amor? Eu bati o carro hoje de manhã, cheguei atrasado numa reunião importante, perdemos um negócio de 200 mil, to com a corda o pescoço, nao paguei a parcela do seguro do carro que eu bati.... ta complicado...
- Tudo bem meu amor! **essa fala pode ter uma feição, uma melodia e um gestual que lhe dêem uma característica de bordão, pra que fosse repetido da mesma forma a seguir**
(Volta pro narrador.) Tudo bem meu amor! Para que a relação sobreviva, é fundamental que a mulher aceite e abrace o álibi do homem como se fosse seu, não importa quão absurdo seja. (volta pro casal)
- Sabe o que é, amor? Eu fui por a camisinho no pinto, o pinto achou que era touca e dormiu...
- Tudo bem meu amor!
- Sabe o que é, amor? Eu bati meia dúzia de punheta hoje de manhã vendo o programa da Ana Maria Braga e deu uma cansada...
- Tudo bem meu amor!
(Volta pro narrador.) Vivido o constrangimento e decidido o álibi, sumam da vista um do outro. Vai um pro banho, o outro pra cozinha, dêem um jeito. (corta pro casal, o cara levantando da cama, ela dentro do banheiro com a porta aberta).
- Amor, vou na cozinha preparar alguma coisa. Que que cê quer?
- Tem amendoim? Ovo de codorna? Catuaba?
(Volta pro narrador.) Tá errado! Lembrem-se que a broxada, como todo ritual, se alimenta de atenção. Vamos voltar ao nosso casal e ver como acabar de vez com o monstro da broxada. (Volta pro casal, mesma cena anterior).
- Amor, vou na cozinha preparar alguma coisa. Que que cê quer?
- Tudo bem meu amor!
(Ele sorri e se manda pra cozinha. Volta pro narrador.) Pronto. 20 minutinhos longe um do outro, um suco, uma aguinha, um banho, tudo isso deve resolver seu problema. Se os sintomas não desaparecem, procure um médico.
No "Lições que nunca iriam te ensinar de hoje" vocês apenderam o que fazer na sua primeira broxada. Não percam semana que vem: como saber se a mulher gozou ou não.
Corta pro casal. A mulher em cima dele gritando feito uma louca, exageradaça por vários segundos, quando ela fica em silêncio o cara lança um "Tá bom", um "ah vá", ou algo que o valha que o ator pensar na hora e fim.