“ oh, morte e tempo, eles tocam e tocam como sinos ao pôr do sol caindo! eles terminam a música, eles corrigem o errado (...) ” I. M.'r. L. S, william ernest.
às vezes, gustaaf percebia tarde demais o modo que perdia o olhar sobre aqueles que consigo iam para todos os cantos do mundo que decidisse ir. eram servos, sim, segui-los e servi-los eram sua função, e nunca foi seu o questionamento do porquê. perguntava-se, no entanto, e importante frisar que somente às vezes, o que se passava na mente daqueles.
cansavam-se? torturavam-se? arrependiam-se? pensavam, de fato?
eram breves estes momentos, de toda forma. raramente tinha sido notado encarando e somente uma única vez foi levado à um caminho de final infeliz. provavelmente, os funcionários do castelo dos países baixos sabiam bem deste segundo e, certamente, alertavam uns aos outros, pois nessas raras vezes em que foi pego encarando, nunca mais recebeu o mesmo sorriso por qual um dia enamorou. hoje eram pigarreio, desvios de olhares e o medo de desenvolver quaisquer sentimentos pelo príncipe gustaaf, porque nunca haveria qualquer outro final que não o infeliz.
o coçar de garganta daquela vez tem o mesmo efeito de todos os outros: um estalar de língua e uma respirada funda. não entendiam que, àquela altura, o próprio nobre também já havia aprendido a lição e entendido seu lugar. nunca mais havia ousado se permitir qualquer coisa com plebeus. sua mãe não havia hesitado em fazê-lo entender, de forma que parecia piada que aquela mesma mulher fosse tão apaixonadas e relacionada à criaturas tão delicadas - se é que flores pudessem ser chamadas de criaturas.
o segundo pigarreio, no entanto, é de sua parte e é seguido da voz grave que brada para que parem os cavalos. o mordomo é posto em alerta, mas é lento: gustaaf é como tsunami ao descer, jogando à merda toda preparação e formalidade que costuma acompanhar aquele simples ato de deixar a carruagem. cego, abalado e, por algum motivo incoerente, levemente irritado, os pés param somente dentro da lojinha de faixada tão conhecida. lá está ela, afinal: sua mãe o lembrando, novamente, que seu lugar continuaria o mesmo não importando o território que estivesse e que seus questionamentos sobre pensamentos de seus criados sequer deveriam existir.
ela não era nenhuma megera, não, mas não era perfeita. tinha os espinhos e demais defesas de algumas daquelas flores.
— oras! sério? até aqui?! — a língua materna se rende.











