@barbaraharvey
Wade suspirou depois de passar pela última encruzilhada da rua que teria de passar antes de chegar na entrada da boate de Barbara -- havia quase propositalmente enfiado o carro no poste, para acabar com aquela dor terrível que era a de escutar a mulher sem parar de falar. Quer dizer, ela até parava vez ou outra, sim, mas apenas para poder digitar alguma coisa no seu celular caríssimo, com o som do teclado e das mensagens ligado no último, para que ele ouvisse não só as unhas longas batendo contra o vidro da tela, mas também todo o tec tec tec das teclas pressionadas e os barulhinhos de notificações. Para piorar, era sexta à noite, então o caminho até o lugar estava abarrotado de outros motoristas, tornando o trajeto mais demorado do que deveria, e uma grande motivação para que a mulher continuasse reclamando. ❛❛ —- Da próxima vez, senhorita Harvey, sugiro que a senhora contrate o serviço de helicóptero. ❜❜ Wade sugeriu, entredentes e irritado, praticamente amassando o volante nos dedos, mas aquilo só serviu para desgastar ainda mais a paciência da mulher. Que inferno. Devia ter jogado pedra na cruz mesmo. Sofreu mais dez minutos de pura agonia até finalmente conseguir estacionar o carro nos fundos da Red Night, na garagem reservada para ela. Saiu do carro, abriu a porta para ela muito mais controlado do que o normal -- não queria ter outra maçaneta cara amassada --, mas o rosto impassível de quem estava indubitavelmente puto. ❛❛ —- Chegamos, senhorita. Se puder fazer o favor de descer... ❜❜


















