Não sei como começar isso, não pesquisei as regras, mas vamos lá. Vai ser eu dizendo o que eu for lembrando e pans. Vamos de tópicos que eu trabalho melhor assim.
POV cheio de triggers, nada muito explícito, mas menções e algumas descrições podem ser lidas. São eles: violência rape e outros aí
Ele foi escrito em março/abril tenho minhas testemunhas aka citados no POV então qualquer semelhança com algum caso atual é coincidência
Alguns personagens citados não existem mais no RPG, mas marcaram minha personagem portanto não foram excluídos do POV. Os FCs ocupados pelos novos personagens não tem a mesma relação com a personagem principal.
Os pensamentos, reações e conclusões da minha personagem NÃO REFLETEM A MINHA OPINIÃO SOBRE O ASSUNTO. Não acho bonito, abomino, não desejo para ninguém.
Não quero ofender ninguém, desde já peço desculpas se você já sofreu/conhece alguém que já passou por isso. Não é minha intenção menosprezar, fazer gracinha ou qualquer outro motivo que não para desenvolvimento.
Se você ficou interessado e não quiser ler tudo/não se sente confortável com o assunto, pode chegar no privado e eu faço um resumo bem bonito e leve.
Aceito também opiniões, se você for insistente que nem eu pra ler essa enormidade.
E… é isso. TEJEM AVISADOS.
Os saltos se aproximaram, o pé esbelto cutucou onde mais doía nas costelas e o recado fora entendido antes das palavras envenenadas da mão. Sobe um sermão inacabável, sob insultos e depreciação, a herdeira dos Gong foi para o quarto. A trilha sonora continuando no despir das roupas e piorando em intensidade. Corpo marcado, colorido de roxo e verde, a marca sutil nos pulsos, tudo e cada um aumentava a voz da mais velha em algumas oitavas. O banho assistido fora outro tormento, as lágrimas misturando-se a água que a envolvia por inteiro. E o toque para ela sair, a toalha passada com força pelo corpo, a impaciência para lidar com o corpo da filha em estado de letargia. O cansaço travando os músculos acostumados ao trabalho duro, a vergonha de baixar os braços que cobriam seu corpo e… E… ChaeRin não tinha como fazer objeções aos argumentos pétreos da mãe. O vestido logo foi enfiado pela cabeça, adequando-se às suas curvas com a perfeição que só o seu estilista sabia. E, por algum motivo, era um longo muito fechado, coberto, como se a mãe soubesse que ela viria num estado não muito adequado a apresentações em público. Era a primeira vez que ela a ajudava a se vestir, a colocar a maquiagem sobre a pele machucada, mesmo que a garota de cabelos verdes fizesse todo o trabalho. Uma dupla eficiente, claro, que não dividia nada além da pressa e perfeição para a festa crucial de ambas as suas vidas.
Um trabalho surpreendente. O rosto intacto não precisou de mais nada além da maquiagem elegante, do vestido clássico recatado e dos saltos agulha enormes. ChaeRin era a boneca que sempre buscou evitar, a porcelana da pele clara como alabastro dando um tom ainda mais surreal às feições distantes e melancólicas. Era uma deusa em uma prisão de vidro, distante demais de quem estava logo ao redor e sofrendo internamente do castigo que ninguém era capaz de ver. Cadê o seu sorriso, Gong? Perguntou o pai do outro lado da sala, admirando a filha pela primeira vez naquela noite. Os lábios tremeram, as mãos se uniram à frente da cintura e o rosto levantou num sorriso errado. Estranho. Nada seu, mas que fizera ambos os progenitores soltarem ruídos de aprovação. Estavam prontos, mas, acima de tudo, a filha era um sucesso. Sentada no banco traseiro ela não via nada pelo vidro, não enxergava nada no negrume de seus pensamentos, mas os ouvidos chiavam e ardiam com os ruídos de fantasmas sem rosto. O corpo lembrando e associando o som com seu respectivo ritmo e invasão, do modo como era tocada e chamada.
O estado automático dizia, em sua definição,que tal objeto tinha todas as funções programas em seu básico. Não precisa de nenhuma ordem muito complexa para utilizar um método fácil associado a milhares de sinais que o deixavam adequado. Automático era deixar a cargo do corpo familiar em suas reações de assumir o próprio controle, de se deixar perder em pensamentos e observa tudo de longe, sem se meter nas alavancas e botões que se mexiam sozinhos. ChaeRin queria encontrar esse estado em si mesma, o cansaço tão pesado em seus membros trêmulos que o mundo a sufocava, mas não achava aquele ponto em que tudo passava à facilidade do descontrole. Estava presa à própria realidade, tendo que pensar e sentir e conviver com pessoas cujos sorrisos não era capaz de corresponder em igual esplendor e exuberância de sua centelha agora apagada. Ninguém sabia, no entanto, a diferença que uma alma podia fazer nos mesmos gestos e a Gong, muito esperta, não lançava olhares ao noivo mais do que o necessário. Mais do que um sorriso doce sob olhos cheios de amor dolorido e um bico infantil e adorável pedindo beijo. A ChaeRin que conheciam não sabia respeitar tais pudores, certo? Não era estranho mostrar-se apaixonada a esse ponto para os convidados, nem se recolher com estupenda compostura à recatada dama entrelaçada ao braço forte do futuro marido.
E era por ele que ainda mantinha o teatro de fantoches, mesmo que falhasse miseravelmente em manter a promessa que tinham feito na privacidade de um mundo o qual queria voltar desesperadamente. Uma promessa única e absoluta, ainda mais que o compromisso de casamento. Duas pessoas podiam se amar por completo, sem entregar totalmente, e não se submeter aos laços do matrimônio. E, acima de tudo, o amor nada valia sem a confiança. De dividir o peso invisível de planetas nos ombros de dois herdeiros com toda a vida planejada e trilhada à frente. As paredes eram reforçadas demais para escaparem, o chão impenetrável, mas bastava o encalço de um e as mãos esperando lá em cima, para vencerem. ChaeRin não queria olhar, não queria ver a reprimenda nos olhos escuros pelo segredo que carregava dando tanta bandeira. O que não foi dito entre os dois preenchendo o ar de tal maneira que o ar não chegava aos pulmões com força suficiente. Que a respiração ficava tão leve e alterada, o ponto de um ataque de pânico, que ela impedia de irem para um lugar mais reservado e valia-se da ajuda de um familiar, dele ou próprio. Outras pessoas eram a chave, colocar tanta gente entre ela e JaeHyung que ficaria impossível ter um momento à sós. Um momento para a barreira frágil como papel romper e ela, enfim, desmaiar em braços que a acalentariam -- e que em nada merecia.
O evento foi longo, exagerado e cafona. Em outras palavras, foi um sucesso que repercutiu por todas as emissoras e canais de comunicação por meses e meses. A roupa dos convidados, o amor entre o casal, o poder daquela união, a aliança dos pais e o pedido de casamento. O amaldiçoado e abençoado pedido de uma mão que já era dele antes mesmo de pisarem no salão suntuoso coberto de mármore e pedras preciosas.
ChaeRin se sentia exposta. Ridícula em seu vestido vermelho brilhante com mil olhos cavando em cada pedacinho de si. A sensação igual, idêntica, àquela na sala escura e visão obstruída, de uma cozinha sem aparato doméstico ou culinário. E ela olhava ao redor, os lábios tremendo de medo por não achar um rosto amigável. Um rosto conhecido em sua pequena lista de dois nomes. Por ter desaparecido por dois dias inteiros Jihyeon estava fora, em casa, provavelmente acompanhando furiosa a transmissão ao vivo do noivado.
O outro nome...
As lágrimas voltaram aos olhos, felizmente acompanhando o discurso cheesy de um homem ajoelhado aos seus pés. Do único homem em sua vida. Jaehyung estava lindo, lindo, tão belo que doía o coração apertado no peito. Os lábios moldando palavras sem sentido para os ouvidos zumbindo de ChaeRin, sorrindo a cada fim de frase, incitando-a a dar um própria com aquele jeito de torcer os lábios provocante. Os dedos segurando a caixinha de tal jeito, tão único, que mais uma facada foi desferida no peito. De mais medo ser colocado na pilha que a impedia de sair correndo e se esconder no primeiro nicho escuro e vazio. A preocupação, aquele brilho discreto e intenso no fundo dos olhos, com seu silêncio nada tendo a ver com uma rejeição em cadeia nacional.
Ele sabe. Ele sabe. Ele só pode saber.
De alguma maneira ele sabia o que tinha acontecido, do abuso indescritível de horas e horas sem saber o que era dia ou noite. O que era saber do próprio nome ou ter esperanças de salvação. De algum jeito, como ele sempre conseguia, Jaehyung tinha posse do que estava escondendo.
Momentos, milésimos de segundo, transformaram em segundos. A respiração tensa de milhares de convidados fazendo a pele extremamente maquiada se arrepiar de temor. Rápido rápido rápido. Transforme a careta em sorriso. Doce ChaeRin. Cobriu os lábios com as mãos, os dedos tocando os lábios para lembrar o que era o quê naquela boca estática. Serei misericordioso. As lágrimas escorreram pelas bochechas, Jaehyung ameaçava levantar e o sim fraco ganhou potência no microfone que ele carregava para fazer o pedido. Quando ele cresceu de altura, ChaeRin se jogou em seus braços, chorando copiosamente enquanto abraçava-se ao pescoço do noivo. E lá estava ele, fazendo do jeito certo, escondendo o rosto no pescoço e murmurando baixinho-
ChaeRin se afastou e segurou o rosto dele entre as mãos, olhando uma última vez antes de... Antes de ficar... Seus lábios se conectaram com facilidade, os dedos entrando nos cabelos e as lágrimas deixando salgado o gosto da língua. “Jaehyung... Oppa.” Brincou com a palavrinha, imprimindo o tom adolescente da provocação no elevador, das palavras pesadas de luxúrias e das risadinhas das escapadas nas festas tediosas. “ Saran'haeyo. ” O dedo ganhou a pesada e ornamentada joia, flashes cegaram ambos. Mil poses, mil pessoas, pais e mãos ao redor dos noivos organizando a disposição e pose dos dois. Agora sim estava no automático. O pior já passado, a desolação do futuro chamando em sua doçura e escuridão do quarto trancado.
Fugir. Precisava fugir. Desaparecer assim que pudesse. E, contrariando todas as expectativas, a mãe deu a abertura para que ela pulasse num carro e fosse direto para casa. Os convidados se dispersavam depois do fim da festa, o carro discreto misturando-se entre eles e um Jaehyung preso pela mãe e seu falatório interminável de documentos importantes. Afinal, Gong era só uma herdeira de reserva e Jae, um ativo e necessário na empresa.
A estrada se passou como um borrão, os empregados pularam para os lados quando ela passou correndo e a porta rangeu com a força que foi fechada. O trinco virado ao máximo na tranca. ChaeRin arrancou o vestido de maneira atrapalhada e correu para o armário. Enfiou a primeira roupas, depois mais uma, depois um casaco, depois mais outros. Roupa em cima de roupa para cobrir a nudez da pele machucada, exposta como em carne-viva. Gritando de sensibilidade que só piorara na noite de gala. Cobertor. Sacola da farmácia. A banheira do banheiro adjacente virou ninho, O corpo diminuto e alquebrado da herdeira encaixando-se dolorido contra o material rígido protegido pela manta peluda invernal. Se escondeu, jogando outra manta por cima, e mais outra, até desaparecer no calor que não era suficiente para o frio que congelava os ossos.
Amanhã.
Amanhã tomaria a bomba de pílulas do dia seguinte.
Sabe aquele cheiro de talco que eu dizia que seu cabelo tinha, pois então agora eu também tenho, sabe a saudade que eu disse que não sentia mais? pois agora tenho, mas nada disso você precisa saber, nada disso é preciso ser mencionado, sei que não há mais nada a ser dito.