Pelo livre pensar. Pela liberdade em dizer aquilo que nos move e nos comove. Pela expressão não justa da palavra. Por um dizer que não esteja nos parâmetros. Pela não normalização. Pela não binariedade. Pelo valor além das palavras. Pela desconstrução do pensar. Pela criação. Pela filosofia da banalidade.
Por uma nova forma de viver. Por uma nova forma de se encontrar. Por um novo pensamento. Pela não territorialidade da ideia. Pela itinerância do pensar. Pela itinerância do construir. Pela proximidade construída. Pelo quebrar das barreiras.
Pela união de artistas e dos não-artistas. Pela união do pensar abertamente. Pela liberdade de errar e incorporar o erro. Pelo que nos torna humanos. Pela ansiedade de criar. Pela novidade. Pelo fim do academicismo. Pelo fim da prisão mental. Pelo fim das escolas categóricas.. Pela livre inspiração e associação.
Pelo trabalhar incessante do inconsciente. Pela liberdade desse inconsciente. Pelos olhos de Édipo. Pelo perdão da palavra. Pelo ato falho construtivo. Pela ideia massacrante. Pela expressão dos anseios. Pela projeção da consciência. Pelo reconhecimento. Pelos espelhos móveis. Pela paixão por si. Pela compreensão do outro. Pelo fim do estranho. Pelo novo de novo. Pela ritournelle.
Pelo paradoxo inexplicável. Pelo tempo abstrato. Pela compreensão das Histórias. Pelo fim do sangue oprimido. Pela liberdade de ser o que se é.
Pela hipótese não comprovada. Pela arte não retratada. Por aquilo que não está nos livros nem nas bibliotecas. Pelo que antes era considerado estranho e agora é considerado novo. Pelo estranho dentro do ninho. Pelo ativismo. Pela força da união. Pela imagem pauperizada de sentido. Pela repugnância das entranhas humanas. Pelo escárnio e mal dizer da política brasileira.
Pela construção de um novo patamar. Pelo que conquistamos com lutas. Pelo que conquistamos com ações. Pela esquizofrenia. Pela necessidade de continuar lutando. Pela horizontalização dos saberes. Pela implosão. Pela vontade de falar com todos e para todos. Pelos rejeitados, oprimidos, marginalizados, ignorados, invisíveis. Pelos que são agredidos por suas existências. Pelo ânus. Pelo abjeto libertador.
Somos todos ânus.
SOBRE O TEXTO: Texto-manifesto para a publicação da possível revista anaiszine (outubro/2020). Texto escrito por mim, com revisão de Carolina Grego.








