Foi um dia em outubro ou novembro de 2012, creio. Não lembro bem quando. Mas aconteceu quando a Juliana Castanha anunciou que iria cobrir as férias do colega Julião Junior, no Jornal Jangadeiro. E que, por isso, ficaria afastada de nós por um mês. Não era um afastamento físico. Ela estaria na redação. Só não poderia mais se dedicar ao C12.
Veio, então, o e-mail dela perguntando as disponibilidades dentro do grupo de 12 estudantes para cobrir a ausência temporária dela.
Como desde aquele tempo o tcc é meu entrave, meu único, me candidatei. Lembro de ter proposto de dividir a tarefa. Mas acabou que foi escolhida uma pessoa só. Eu.
Creio que a opção por mim deva ter sido pela minha alta disponibilidade. Já não tinha aulas presenciais. Poderia ficar todos os dias cumprindo expediente.
Abrindo uma brecha para contar como era nosso esquema de trabalho. Na minha época de seleção, a primeira turma do C12, fomos escalados para trabalhar 6 horinhas, apenas, por semana. No final das contas, saía 12 pelo preço de 1. Nos distribuímos de modo a ter sempre alguém durante a semana inteira trabalhando na produção e nas externas.
Foi aí que teve início meu salto de paraquedas no universo dos roteiros de TV.
Tínhamos dois coordenadores, Juliana Castanha e Nonato Albuquerque. Saindo temporariamente a Ju, teria o Nonato para comandar a equipe.
No entanto, eu sabia da agenda lotada do Nonato e que ele não poderia estar presente da mesma forma como a Ju sempre esteve.
Pude observar também o período de experiência que minha amiga Nina, também camerada, tinha passado durante as férias da Ju. Nessa época a Ju a escalou para ter voz de comando na turma.
Lembro o sufoco que a Nina passava por esperar vaga na agenda do Nonato, por exemplo. Entre outros sufocos por outros motivos que não cabem agora.
Decidi não esperar. Não queria trabalhar aos domingos. A presença da Ju na redação dava mais segurança. Qualquer coisa, tinha pra onde correr. Mesmo que ela não me pudesse dar muita atenção.
Então fui. Me lancei com cara e coragem e escrevi só os roteiros durante um mês. Ou seja, por 4 programas.
Até tentei escrever algum com o Nonato, mas não consegui acompanhar o ritmo dele. Eu não tinha experiência alguma e a cabeça dele fervia a ponto de não precisar ver as imagens para ter noção do que escrever.
Eu não. Eu precisava ver tudo. Imagem por imagem. Transcrever cada suspiro que meus colegas e entrevistados davam. Só depois disso conseguia começar a pensar em como montar o roteiro e escrevê-lo.
Outro detalhe a destacar é que os programas não eram editados na Jangadeiro. O que aumentava ainda mais a pressão pelo tempo.Tudo precisava estar pronto com antecedência para que os meninos da produtora Polegar Opositor pudessem realizar o trabalho de edição.
No roteiro deveria constar, além as falas em off, toda a sequência do programa, com indicação do entrevistado que entraria em cada momento e, também, o momento exato da fala dele. Um trabalho e tanto para quem não tinha experiência.
Meu maior sofrimento era nos dias de quarta-feira, quando íamos, Nonato e eu, assistir ao programa na produtora e fazer os ajustes finais antes da exibição oficial (na quinta-feira). Quando a gente chegava, se o editor mudasse uma vírgula do que eu tinha colocado no roteiro, eu ficava p*** da vida. Ficava pensando: tanto trabalho, tanto sofrimento e ele muda com essa facilidade!
Passava horas pesarosa achando tudo muito injusto até, depois, voltar a mim e perceber que realmente as mudanças feitas não eram grandes mudanças e, de fato, ficaram melhores do que eu havia proposto.
Claro que acontecia de o editor não prestar atenção ao que eu escrevia e simplesmente pular trechos do roteiro. Devo ressaltar novamente minha falta de experiência e dizer que eu escrevia roteiros enormes com todas as falas transcritas. Evidente que ninguém tem paciência de ler tudo quando trabalha com pressão do tempo.
O programa que eu mais me revoltei foi o "Anjos de dezembro". Ele modificou a ordem e a forma de como entrariam determinados trechos. Além de tudo, a trilha sonora ficou pavorosa! Totalmente fora do clima. Depois de protestos, meus e do Nonato, ele colocou uma música natalina. Mesmo assim, a trilha sonora não é o ponto forte desse programa.
Hoje, acho que o "anjos" é o meu programa favorito entre os 4 do período. Especialmente o final com aquelas crianças fofuchinhas desejando feliz natal.
Gosto também do programa canino... acho que esse se aproxima mais do "gostar de fato".
Mas nenhum deles está ao meu agrado em 100%. Sempre acho que poderia ter feito melhor. Que bom!
Foram estes os programas durante esse período, na sequência cronológica de exibição.