Mais um tesouro do fundo do baú do C12. Aqui posso dizer que foi a primeira ou uma das primeiras tentativas de memorar minhas imemoráveis memórias. Meses antes de nascer, de fato, este blog.
O texto é um depoimento que escrevi na época da exibição do segundo C12 a ir ao ar... literalmente. O tema foi o vôo 168, que matou 137 pessoas em Pacatuba. Escrevo sobre minha experiência na produção do programa (eu ainda não era do time de repórteres).
Empolgação muita.
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Nos bastidores. Por trás das câmeras acontece boa parte do trabalho que resulta na emoção que nossa equipe vai passar a levar para sua casa todas as quintas-feiras a partir deste 07 de junho. O trabalho da produção do programa especial sobre os 30 anos do acidente com o Boeing da Vasp em Pacatuba foi emocionante do início ao fim.
Confesso que pouco sabia a respeito quando o Nonato Albuquerque e a Juliana Castanha chegaram apresentando a proposta para a equipe. Nem sonhava em nascer na época do ocorrido e só havia praticamente um personagem cujo nome foi reverberado nos ecos do tempo, o senhor Edson Queiroz.
Então começou todo o trabalho da produção. Meu parceiro de trabalho foi o Jackson Pereira, o último câmera a integrar a equipe (e o mais empolgado também). Fomos descobrir histórias por trás daquele acidente. Encontrar anônimos que também perderam as vidas. Foram 137 pessoas que tiveram que interromper sonhos, famílias, amigos, memórias.
Já começo a me emocionar enquanto escrevo só de lembrar os depoimentos dos parentes quando entramos em contato com eles. Entrar em contato. Questão difícil de abordar. Como pedir para que pessoas compartilhassem sua dor diante das câmeras? Nessas horas o trabalho dos produtores precisa de mais tato, toda sensibilidade é pouca. Eram pessoas que não conhecíamos os rostos porque a comunicação era por telefone. Vozes que no decorrer de conversas revelavam mágoas ainda não superadas.
Uma das histórias mais emocionantes para mim foi a da família Temporal. Quatro pessoas ligadas à família morreram na tragédia. Conversei com a dona Eugênia por telefone e ela contou que entre as vítimas estava a irmã, Rosana, com apenas 19 anos e recetemente casada. O marido não a acompanhava. Eugênia enviou prontamente para nossa equipe fotos do casamento de Rosana. Assim que as vi, fui tomada por uma comoção que me deixou num estado de pesar por algum tempo.
Além das fotos, Eugênia enviou também cartas psicografadas tanto de Rosana quanto do outro irmão que também estava no voo, Affonso. Não há como não se comover. Não sou espírita, mas acho curioso como pode haver comunicação com os mortos. Saber que quem partiu guarda ainda uma memória, que está bem de alguma forma e que tem uma mensagem para você. Não cura a dor da perda, mas deve ser um pequeno conforto para a alma.
Nem todas as famílias com as quais tentamos conversar conseguiram expor os sentimentos diante das nossas lentes. Entre lágrimas, uma de nossas personagens disse ao câmera Jackson que sentia ainda forte a dor de haver perdido o pai. Não quis gravar depoimento conosco. Sabemos o quanto é difícil rememorar fatos marcantes e respeitamos.
Outro contato muito aguardado pela produção o de um dos filhos do piloto do acidente. A tentativa de encontrá-lo foi como atirar no escuro. De onde partir? Tentamos amigos-de-amigos-que-talvez-pudessem-conhecer-alguém-que-tivesse-algum-contato-com-um-deles (ufa!). Tentamos possíveis locais de trabalho dos filhos, possíveis relações de trabalho do piloto na época... E nada. Não conseguimos. Ok, estávamos quase conformados, mas na quarta-feira, dia 06, a Juliana chega com um sorriso enorme contando que tinha conseguido a entrevista. Acho que esse será um dos pontos mais enriquecedores do programa.
Fomos também buscar por histórias de pessoas da cidade de Pacatuba, averiguar lendas. Conseguimos levar um bombeiro que participou do resgate dos corpos do acidente serra acima para relembrar com a equipe os momentos daquele junho de 1982. Também na cidade, nossas câmeras Patrícia e Larissa conseguiram personagens interessantíssimos, como o Antony, com quem tive oportunidade de trocar umas palavras por telefone. Um senhor simpático que estava na praça, permitam-me, da pacata Pacatuba no momento do acidente e hoje preserva a memória da tragédia num museu.
Entre todas as preocupações da produção, a maior delas é, sem dúvida, encontrar personagens para contar histórias e compor conosco o Câmera 12. Mas também temos o desafio de pensar em imagens. Essa edição do programa está cheia momentos que renderam imagens comoventes. Mas não posso deixar de comentar o momento que mais provocou euforia na nossa equipe: o voo sobre Pacatuba. Meu superparceiro Jackson conseguiu fechar um voo sobre a cidade e logo choveram manifestações de desejo de ir até lá e experimentar a sensação de ver o local do acidente numa panorâmica aérea. Até eu gostaria de ter ido, confesso. Mas as honras foram feitas pelos câmeras Igor Gadelha e Rogério Maia. Imaginem as imagens que renderam!
Essas e outras imagens captadas pelas nossas lentes vão fazer parte da edição que vai ao ar nesta quinta-feira, 14. Ansiosa para vibrar junto com a equipe. Sem contar nem erros nem acertos. Cada tentativa valeu a pena!
(Junho/2012)














