Meros adolescentes, grandes corações, dignas almas, eternos poetas.
Eu estava sentada no capô do meu carro conversando com o Hector sobre coisas totalmente desnecessárias, mas que era divertido ate por que “olhar o vento” era divertido quando se estava com o Hector.
- Hector! – uma loira o chamou e ele se surpreendeu ao vê-la.
- e aí – ela me olhou intrigada – namorada?
- não minha, mas de Travis – ela ficou pasma, branca como um fantasma – Amber, essa é a Chloe uma antiga amiga nossa, Chloe essa é Amber.
- oi – eu sorri descendo do capô e a cumprimentei
- você disse namorada do Travis?
- você parece surpresa – eu dei um risinho falso
- Travis não é de... hum... – ela pensou em como dizer aquilo – de rótulos.
- você parece conhecer ele bem
- Chloe “baleia” Tompson – ela fez uma reverencia – melhor amiga de Travis Roosevelt e Hector Malvone.
- melhor amiga? Achei que ele não fosse de rótulos
- bem, eu sou uma exceção, como você.
- mas o que te traz aqui? – Hector cortou o clima tenso que crescia
- advinha? – ela riu empolgada – meu pai conseguiu uma promoção no emprego, viemos morar aqui, quando soube fiquei mais que feliz e...
- Chloe? – a voz rouca disse atrás de nos e um brilho diferente se encontrava no olhar dele
- senhor! – ela pulou em seu colo – Roose! – ele riu a abraçando
- eu ouvi bem, você vai morar aqui? – ele disse a soltando
- não achou que eu fosse ficar longe por muito tempo não é? – todos eles riram e eu me senti excluída, jogada de lado, fora de campo.
- ei Abby, vamos no fliperama? – ele me olhou carinhoso
- não dá, combinei já com a Bela...
- vai me largar pela Bela Ohio? Aposto que ela não beija tão bem como eu... – ele se aproximou rindo passando a mão em minha cintura
- por favor, de vela não! – Hector reclamou e eu dei um riso baixo
- talvez – eu disse baixo – terei que investigar
- ei! Beijo de garotas! Eu topo! – Hector nos separou e me olhou estranhamente interessado
- você é nojento – eu o empurrei
- vai se ferrar Hector – Travis riu e me puxou pra longe deles
- tem certeza que não quer ir?
- meu pai ligou pro pai dela marcando esse “encontro de amigas”, não quero mais encrencas lá em casa, não quando sei que elas vão cair sobre nosso namoro
- seu pai é um saco! – ele murmurou cruzando os braços
- eu sei – eu dei um selinho nele – agora vá e ganhe uma Ferrari pra mim
- tá engraçadinha né? Chloe iria gostar de conhecer você melhor...
- vamos ter outras oportunidades Trav... Afinal, ela vai morar aqui
- é, tem razão – ele sorriu de canto, me abraçou e me deu um beijo caloroso – te pego a noite pra darmos um role gatinha – ele gritou já se afastando
- ESTA COMEÇANDO A FALAR COMO O HECTOR! – eu gritei de volta
- SORTE A DELE! – Hector se meteu e eu dei risada alto, fui ate o ginásio onde sabia que encontraria a Bela
- e aí Bel, vamos? – eu disse assim que a vi saindo
- nossos pais... – ela murmurou com desgosto
- ei! É tão ruim minha companhia?
- você também não parece feliz com essa tarde, alem do mais, tinha planos melhores
- eu não estou feliz com a ideia de que foi necessário nossos pais pra nos unir – ela falou rápido – gosto de você Amber, mas só por que esta namorando não quer dizer que tem que esquecer suas amigas
- amigas? onde? – eu disse irônica
- vamos logo pra acabar com isso
Entramos no meu carro e eu a levei pra Tortas Belo Monte, não era longe e a comida era deliciosa. Ela aprovou quando experimentou a torta de coco, ate pediu uns três pedaços e eu rir desse lado esfomeado dela.
- vou explodir – ela murmurou se encostando de jeito desengonçado na cadeira estufando a barriga
- pelo menos vai explodir feliz
- verdade, isso é uma delicia, virei aqui outras vezes
- você esta diferente da antiga Amber
- eu gosto – ela deu de ombros
- olhe Bela, desculpe ter dito aquelas coisas, sei que deveria dá uma chance a nossa amizade
- é claro que devia, sou uma ótima amiga, ate banho eu tomo – ela deu um riso sincero, era engraçada sua risada que eu rir disso e não do que ela falou
- por isso proponho uma... Primeira chance a nossa amizade.
- uma amizade de verdade, digo – ela pensou bem na proposta
- parece legal – ela respirou fundo e ergueu a mão – você toma banho não é?
- todos os sábados – ela riu tão alto e tão engraçado que eu não me aguentei e tive que rir junto.
Passamos o resto da tarde juntas, ouvindo musica e cantando alto. As seis eu a deixei em casa e fui pra minha, estava fazendo a atividade de Química quando Travis me liga.
- e aí gatinha – era a voz do Hector
- tá grossa, que foi? Ainda não comeu?
- eu já, e voce? Me ligou pedindo pra comprar sua raçao?
- hilária você, há há há.
- ando praticando um pouco
- ó animal, me respeita, afinal você me ligou, o que é?
- vai encontrar a gente no Tortas, de lá nos vamos pra um barzinho que vai ter um show bem legal de uma banda de rock
- pensar é o caralho Welling, se arruma logo – ele desligou.
Tomei um banho rápido, comi uma fruta e fui escolher o que vestir. Não queria perder tempo com roupa, nada exagerado, sei lá, sabia que essas festas de rock as pessoas não exageravam no look. Escolhi uma blusa branca simples* uma calça rasgada* uma bota preta* e uma toca*_*
- e aí – eu disse quando os vi juntos, Chloe usava um vestido vermelho de renda* e uma sapatilha branca*
- tá gata, dei valor agora – o Hector riu
- então antes você não dava? – eu apoiei a mão no peito – magoou meus sentimentos
- não quando você me chama de animal
- tá linda mesmo – Travis se levantou, usava apenas uma sandália de dedo preto, uma calça jeans e uma regata preta
- você ta... – eu o olhei dos pés a cabeça
- gostoso – ele completou com um sorriso malicioso nos lábios, Hector usava uma bermuda clara, uma regata branca e uma camisa por cima estampada estilo Havaí.
Eu os vi comer enquanto Hector me pirraçava comendo e falando ao mesmo tempo.
- você não existe mesmo – eu massageei a testa
- já foi pior – a Chloe riu
- tenta ser igual a mim querida – Hector disse de forma irritantemente gay, eu fui ate o balcão e pedi farinha, a garçonete achou estranho, mas me entregou, coloquei um pouco na boca, cheguei bem perto do Hector e gritei: farinha. Resultado? Foi farinha pra tudo que é lado, inclusive na cara dele. Eu comecei a rir muito alto enquanto limpava minha boca.
- você é uma idiota – ele gritou
- acho que nunca serei como você não é
Depois de terminado, nos fomos pro tal show. Não era um barzinho como Hector havia dito, era um galpão no meio do nada, cheio de pichações e vidros quebrados. Reconheci um dos desenhos do Travis, era um garoto de cabelos escuros abraçando uma loira e ela sorria pra ele de forma bizarra, tanto que o sorriso saltava do rosto da loira. Embaixo do desenho estava assinado como “TR”. Supôs que era dele por conta das iniciais.
- é seu? – eu apontei pro desenho e ele confirmou sorrindo
- por que o sorriso salta do rosto dela?
- porque ela esta feliz – ele falou como se fosse obvia a resposta
Entramos depois de “furar” uma fila enorme, quando o segurança viu ele e o Hector nos deixou entrar. Ele nos guiou ate o balcão e pediram uma Heineken.
- você não pode beber – Travis me olhou e Hector me encarou de forma desafiadora – sempre faz merda
- falou o cara que pode me dar lições de moral não é? – eu me espremi no balcão e pedi uma também.
Depois de umas três garrafas eu e o Hector já estávamos falando a mesma língua, ou eu estava falando o idioma dele o que é bastante constrangedor.
O tal show marcado começou, o nome da banda era Escorpiões Amaldiçoados. As pessoas começaram a pular e a empurrar umas as outras, achei que estavam brigando mas percebi que era só... como diz... forma de curtir? Sei lá, não recebi um manual de comportamento em festas de rock.
Mas a musica era contagiante, vibrava meu corpo tanto que comecei a dançar e puxei Travis junto. Chloe e Hector se aproximaram e dançamos ate a “muvuca” passou perto de nos e um cara me empurrou derrubando cerveja em mim. Travis segurou ele pela gola da blusa e lhe deu um murro, se eu estivesse sã eu não iria aceitar aquele tipo de atitude, mas eu só rir quando vi o grandalhão no chão. Travis segurou minha mão e me tirou da pista.
- e aí, se divertindo? – ele me entregou uma garrafa de água e eu só soube o tanto de sede que estava quando dei o primeiro gole, eu afirmei com a cabeça
- com você eu sempre me divertido amor – ele beijou minha testa – vi que você gosta de dançar hein
- talvez – eu dei um riso e ele me beijou, um calor subiu por meu corpo
- talvez eu te leve em uma boate – ele sussurrou em meu ouvido – mas tenho medo de estragar sua festa
- você é muita linda, chamaria atenção e eu não gosto de ver outros te olhando, como aquele idiota ali – ele lançou um olhar malvado pra um loiro que estava um pouco distante de nos, mas me olhava como se quisesse me comer
- bem, então que tal você me beijar pra mandarmos um recado pra ele e pra todos que tem duvida de quem eu sou? – ele me olhou rindo
- de ninguém, mas hoje vou abrir uma exceção pra você – falei já com os lábios no dele o beijando.
Ele beijou fervorosamente e eu devolvi os beijos de forma intensa também, sua mão desceu ate minha cintura e apertou meu corpo no dele. Eu já estava sem fôlego quando o Hector meteu a mão em nosso beijo.
- tenho uma dica pro casal: vão para um quarto
- pela primeira vez ele disse uma coisa certa – Chloe gritou como resposta e me olhou de um jeito estranho ou talvez fosse apenas o álcool
- concorda? – eu o olhei rindo e ele me olhou maliciosamente irritante
- são muitos talvez – Hector concluiu nos olhando
- vai se ferrar – Travis murmurou e ele nos mostrou o dedo do meio
Depois de dançarmos muito, e nos beijarmos também nos fomos embora já amanhecendo.
- suponho que nenhum de nos vai pra escola... Hoje – Chloe disse bocejando
Travis deixou Hector e Chloe em suas casas, quando chegou minha vez ele seguiu pra cabana
- ei, esta esquecendo de mim?
- não, você quer ir pra casa? – ele perguntou e o tom de sua voz era suplicante
- só quero uma cama macia
Depois de alguns minutos chegamos a cabana, ele me pegou no colo e me levou pro quarto. Se deitou do meu lado e eu me aninhei ao seu peito. O relógio no meu pulso indicava que era 4h59.
- 1min pras cinco – eu murmurei
- você esta usando meu presente
- eu gosto – eu dei risada baixa, nos não dissemos nada por um tempo – Trav?
- oi meu bem – ele beijou o alto da minha cabeça, eu me levantei e me sentei em seu colo. Comecei a beija-lo, ele riu entre o beijo e o respondeu, eu tirei sua regata e passei a unha devagar por seu abdômen, ele riu me deitou na cama com cuidado – boa noite...
- ou bom dia – ele deu risada e acariciou meu rosto, eu me aninhei em seu peito e dormir.