"POSSO SABER POR QUE ESTÃO APONTANDO PRA ELA ? !" a diretora gritava.
"FOI ELA, DIRETORA ! ELA TÁ FAZENDO UM MONTE DE COISA ERRADA NO COLÉGIO."
Melody gritava junto com os outros alunos enquanto tomava a frente puxando o celular.
"OLHA, DIRETORA ! Olhe essas fotos que estão circulando na internet ! Foram todas tiradas aqui no colégio ! Ela está se agarrando com meninos AQUI DENTRO DO COLÉGIO !"
Quando a Melody falou isso pude ouvir mais gritos me xingando.
Agora eu entendi, muitas meninas estavam achando que eu era uma "vadia" e que ia "roubar" o pretendente delas.
Algumas eram fãs do Nathaniel, Castiel, Kevn e companhia.
"PODE ME EXPLICAR ISSO ??" a diretora veio em cima de mim, Melody sorria vitoriosa.
Eu estava sem o que falar, estava gaga.
Vi os meninos saírem do meio daquele pessoal alterados.
"ISSO É UM ABSURDO ! ELA NÃO FEZ NADA !" Castiel gritava.
"Quem está por trás dessa conta do Instagram ??!" O Nathaniel também estava muito alterado.
"M-Mesmo que tivesse acontecido algo, tem foto aí que é de fora do colégio, e ninguém tem nada a ver com a vida dela . . . " Nossa o Ken deu as caras.
"A QUESTÃO É: NO COLÉGIO NÃO." a diretora gritava.
Rosa se meteu "Diretora, fazem coisa muito pior debaixo do seu nariz, começando pelo seu cachorro, fica a dica" A Diretora explodiu mais.
Não dava pra entender mais nada, todos gritavam.
"Isso tudo é montagem." Uma voz se sobressaiu entre todas as vozes. Era a voz do Armin.
Todos ficaram em silêncio, inclusive os meninos.
"Como é montagem ?" a diretora estava furiosa ainda porém, curiosa.
"Uma pessoa que consiga manipular imagem pode facilmente fazer uma montagem dessas, não precisa ser nenhum profissional." Ele puxou uma foto da diretora no PSP dele. Era ela fazendo pole dance.
"SENHOR ARMIN, O QUE SIGNIFICA ISSO ?!? VOCÊ SERÁ SUSPENS-"
"Não tem porque me suspender diretora, só fiz essa imagem pra provar pra senhora que tem como fazer uma montagem perfeita de qualquer situação. Provavelmente foi alguém querendo criar confusão." Eu fiquei tão feliz com essa defesa do Armin.
E ele é sempre apático e tranquilo quanto a situação.
Nesse momento outra voz se destacou das demais.
"NÃO É MONTAGEM NÃO ! É TUDO VERÍDICO !!" Era . . .A Peggy ??
"Como a senhorita pode dar certeza ?!" a diretora perguntou curiosa pra Peggy.
"E-Eu . . . Só deduzi . . . Eu entendo de montagens e . . . Não tem cara de ser montagem."
A reação da Peggy me deixou curiosa . . . Ela é bem intrometida e adora bancar a repórter . . . Será que foi ela ?
"Bem, diretora, fica ao seu critério acreditar em mim ou não." Armin falou voltando pro meu lado.
A diretora pensou um pouco e em poucos minutos ela mandou todos se sentarem, pois iríamos decidir o tema da peça.
"Parece que a diretora desencanou das fotos" Armin cochichou pra mim.
Eu peguei a mão dele e apertei agradecendo.
Mas aí me toquei que estava um pouco pegajosa . . .
Eu soltei aos poucos e torci pra não ser o que eu estava pensando . . . Eu até agora não sei o que era aquilo, mas . . . Espero de verdade que não seja o que eu pensei . . .
Ele estava muito corado, e eu puxava muito vômito.
Bem, todos se acalmaram e se sentaram.
A Diretora começou a falar sobre a tal peça, ela estava muito irritada.
Pelo que ela falou a peça seria em 2 dias e ela havia esquecido totalmente.
Já tinha mandado convites pra todos os pais.
Essa diretora é maluca ??
Ela não dá atenção pra nada que acontece na escola e ainda vem com essa de peça de última hora.
Ela disse pra decidirmos uma peça qualquer o mais rápido possível, e que teríamos 2 dias pra ensaiar, arrumar figurino e preparar cenário.
Cara, eu definitivamente quero ir embora daqui.
Melody me metralhava com o olhar à distância.
A diretora disse que hoje não teríamos aula e que iríamos ficar ali decidindo tudo . . .
Como se fizesse diferença, quase nunca temos aula.
Os meninos, a Rosa e o Alexy vieram correndo direto em mim.
"Maninhooo, o que foi aquilo ?! Arrasou ! Não conhecia esse seu lado." Alexy falou enquanto abraçava o Armin.
"Já deu, chega." Armin estava muito corado e afastava o Alexy desesperadamente.
Os meninos se aproximaram.
"Precisamos descobrir quem está tirando essas fotos pelo colégio." o Nathaniel falava.
"Peraí, então não eram montagem ? Celes tá panhando os boys todos mesmo ??" Alexy falou rindo.
Nesse momento todos nós viramos ao mesmo tempo falando um "não" enorme pro Alexy.
"As fotos foram tiradas de forma que dá entender coisas diferentes da realidade." Lysandre tomou frente.
"Não exatamente, né . . . Todos nós sabemos que a foto que tiraram dela comigo era exatamente o que parecia. Se não fosse pela entrada do viadinho loiro eu e ela teríamos concluído o que começamos." Castiel falava, eu chutei ele na canela.
"Aff gente, para com essa briga ridícula. A reputação dela que está em jogo." A Rosa se meteu.
"Eu só falei a verdade. Quem não gama em mim ? Esses caras são todos uns bundões sem atitude." Castiel falava rindo.
Ali eu quis cortar o barato dele pela raiz.
"Vem cá Castiel, você é tão sem atitude quanto todos eles, se não mais. E pra tudo. Então cala a boca."
"E-E-Eu tenho atitude . . . " Ken falou gaguejando.
"Atitude de lesma só se for." Castiel como sempre não consegue calar a boca.
"A verdade é que o único com atitude é o Lysandre que conseguiu beijar ela . . . " Rosa falou.
Nessa hora pude ver o Lys ficando corado e eu com certeza fiquei tanto quanto.
"NÃO ! ELE TEM MERDA NENHUMA DE ATITUDE ! ELA QUE É PIRIGUETE E PUXOU ELE ! OLHA ESSA MERDA DE FOTO DIREITO ! ELE TA COM MÓ CARA DE ESPANTO E ELA PUXANDO ELE ! ESSA FOTO NÃO TEM COMO DIZER QUE FOI MAL ENTENDIDO." Castiel gritava, eu queria voar no pescoço dele.
"V-Você sabe que tinham me drogado nesse dia ! E ainda quero saber quem foi !" Eu falei olhando com raiva pra ele e pro Nathaniel. Castiel se calou nesse momento.
Alexy coçou a cabeça nessa hora e jogando o cabelo pra trás falou "então no fim, descobrimos que nenhum dos rapazes tem atitude nenhuma ? Que vergonha . . . Pior que vocês brigam entre sí por causa dela mas nenhum toma iniciativa"
Todos os meninos começaram a gritar falando que não tinham interesse em mim e coisas do tipo, exceto o Ken.
"Por favor né, eu não sou tonto e reparo bem as coisas gatos. Custa uma atitudezinha volta e meia ? Então façam alguma coisa . . . De preferencia AGORA." ele apontava pra mim.
Eles gritavam mais e todos corados, e estavam já discutindo entre eles. Que eles tinham atitude, e virou uma discussão ridícula sobre isso.
Nesse momento Alexy gritou "vou dar aula pra vocês, lição única e que não vai se repetir." foi quando o . . . Alexy me puxou e me beijou.
Eu . . . Fiquei tonta, OI ?!
A ultima pessoa que eu esperava que fosse me beijar era o . . . Alexy.
Meu 3° beijo na vida foi com meu amigo gay . . . Eu sou uma fracassada.
Os meninos ficaram em silêncio. Nenhum deles falava mais nada só olhavam com cara de espanto pro Alexy, assim como eu também olhava.
"Viram ? Agora eu vou no banheiro, com licença e boa sorte pra vocês." Ele saiu todo saltitante.
Eu me sentei junto de todos os meninos que permaneceram calados por um longo tempo.
Depois de muito tempo calados, o primeiro decidiu falar.
"E-Eu só não arrebento aquele viado de porrada porque se não ele me acusa de homofobia ou agressão à mulher." Castiel dizia irritado.
Meu Deus . . .
A diretora distribuiu fichas onde continham nomes de histórias populares.
Ela dizia que eram as opções que tínhamos pois eram as fantasias que o colégio tinha disponível.
E ela destacava várias vezes pra fazermos tudo com pressa pois tínhamos pouco tempo. Diretora doente . . .
Ao ver as opções vi que tínhamos, havia Alice no País das maravilhas, Chapeuzinho vermelho e Bela adormecida.
Teríamos que decidir tudo em pouco tempo e sozinhos, pois a diretora disse que não se meteria.
Serão só os alunos, o professor Boris e Faraize.
Bem, pra mim tanto fazia sinceramente, eu só queria ir pra casa logo.
Mas na votação eu escolhi Bela Adormecida, afinal, eu gosto daquelas roupas de época. Acho muito bonitas.
Armin disse que queria Alice, mas o Castiel falou que se fosse pra fazer algo ele iria querer ser o lobo mal da chapeuzinho.
Nisso o Nathaniel disse que queria fazer bela adormecida comigo de princesa.
Melody se meteu e começou a gritar que eu não era digna de ser princesa enquanto Castiel caía em cima do Nathaniel falando que eles iam fazer chapeuzinho.
Tudo termina em confusão nesse colégio . . . Eu que não ia me meter.
Foi quando Lysandre se meteu.
"Porque não fazemos todas as peças ? Assim agrada a todos e todo mundo sai com o papel que quer."
Mas que ideia é essa, Lysandre ? Como vai misturar 3 peças totalmente diferentes ??
"Eu vou ser o chapeleiro louco ! PEDI PRIMEIRO !" Armin se empolgou com a ideia e gritou.
Ele me cutucou provocando que eu tinha que escolher meu papel.
Como o Nathaniel disse que eu devia fazer a princesa (que era a que eu queria mesmo). Eu decidi fazer a chapeuzinho vermelho.
"E-eu fico com a chapeuzinho vermelho . . . "
Aos poucos todos se organizaram e por fim, todos já tinham seus papeis (os mais espertos ficaram com os melhores)
Porém, chegou o momento de discutir: COMO DESENVOLVER ESSA HISTÓRIA ??
"O Lysandre escreve, ele é bom escrevendo." Castiel falava.
"Não sem minha supervisão. Sei bem que vai querer fazer com que o Lysandre escreva coisas que lhe agradam, Castiel"
"VAI TOMAR NO CU, SEU LOIRO VIADO !" e os dois começaram a se bater de novo . . . Esses dias eles estão demais . . .
"CHEGA ! LYSANDRE, ESCREVE LOGO." a Rosa gritou.
Lysandre começou a escrever sob pressão.
Castiel e Nathaniel tentavam mandar . . . Eu tinha medo do que iria sair . . . E pior que não tínhamos muito tempo pra pensar em algo . . . Graças a essa diretora e essa coordenação maravilhosa que faz tudo em última hora.
Aliás, Faraize e Boris não fazem nada a respeito das brigas, gritarias e tudo.
Só ficam conversando e rindo.
Faraize ate demonstra um pouco de preocupação, mas era mínima.
Então finalmente o roteiro foi entregue . . .
Lysandre tirou cópias e mais cópias e distribuiu pra todos.
Nathaniel, Armin e Castiel se meteram muito durante a criação dele.
Eu comecei a ler, e ao ler . . . Meu Deus, o que foi aquilo ?
Eu não podia acreditar que aquela seria nossa peça. Eu tinha certeza que quando levassem aos professores eles reprovariam . . .
Mas eu estava errada.
Os professores adoraram . . . Eu me esqueço sempre daquilo que a Debrah escreveu no meu diário, que eu sou um ímã pra coisas bizarras . . . Eu queria tanto que aquilo fosse um modo de falar .. . Mas pelo visto é um "fato científico".
Começamos os ensaios imediatamente.
Eles me colocaram pra ter 3 papeis ao mesmo tempo.
Por eu ser a chapeuzinho consequentemente eu ganhei o papel de Alice e de Bela adormecida.
Eu fui pra casa processar tudo isso e, infelizmente com toda essa confusão de peça, eu e Armin não tivemos tempo pra vir aqui em casa e conversar sobre as filmagens.
Combinamos que quando a peça acabasse ele iria vir aqui e iriamos resolver nosso combinado.
Por hoje é só. Vamos ver como será o dia de amanhã. . .
Hoje foi mais um dia de ensaio, não pude escrever muito aqui, e estou exausta.
Sei que deixei de escrever por 2 dias, mas é incrível como o pessoal daquela escola me cansa.
Amanhã será a peça.
Os pais de todos foram chamados. Será que terei minha chance de provar pra minha mãe que temos que ir embora daqui ?
Eu queria ter falado melhor com o Armin, aliás, mal pude falar com todos.
Meu único contato foi ensaio de fala nos 2 últimos dias inteiros e bem, tive mais contato direto com a Rosa hoje, ela ajustou todas as roupas ao meu corpo.
Melody parecia um cão raivoso, eu tenho medo do que ela é capaz de fazer . . .
Realmente não tive novidades. Foi um dos dias comuns.
Hoje finalmente teve a peça !
Sério . . .Eu conheci os pais de todos ! Foi uma experiência muito estranha . . . Bem . . .
Antes de mais nada, eu fiquei com uma cópia da história do Lysandre, claro, vou colar aqui no diário, acho que é algo que merece ser guardado . . . Não posso negar que após acabar a peça e reler essa historia que ele escreveu, eu me diverti . . . Então lá vai as páginas escritas pelo Lysandre como roteiro.
Os meninos, enquanto o Lysandre escrevia, ficaram em cima (no caso, Armin, Castiel e Nathaniel foram os únicos)
E eles se meteram MUITO na hora que o Lysandre escreveu sobre os personagens de cada um dos 3.
Me atrevo à dizer que eles mandaram o Lysandre escrever frases específicas . . . Havia algumas frases que não batiam com o resto da escrita do Lysandre.
Fora as vezes que eu via os meninos tomarem a caneta do Lysandre e escreverem no bloco.
Por fim, pude ver Nathaniel ditando e o Lysandre escrevendo tudo que ele ditava . . . Eu tive medo de ler, principalmente depois de ver que a peça ficou com o nome de "chapeuzinho adormecida no país das maravilhas" . . . Mereço . . .
Abrindo a porta do carro, Harry olhou novamente para o endereço que Edward, seu assessor, o conseguira. Não parecia ter nada de errado... O número da casa, o nome da rua, a referência. Tudo batia.
O que aquilo não parecia era ser a casa da família que sua namorada descrevia... Honestamente, eles lhe pareciam uma família de mafiosos, comandada por um gangster pelo que Daisy o dissera e aquela era a casa de uma família comum... Uma casa linda, aconchegante e que Harry muito provavelmente, viveria maravilhosamente feliz!
- Simon... Isso parece à casa de uma família de mafiosos, caçadores de recompensas, cujo chefe é um gângster mal encarado?
- Senhor... Estamos na parte nobre de Bristol. Está mais para a casa do prefeito, do que para a de um mafioso. Até porque, mafiosos não têm tempo para cuidarem de roseiras.
Com aquilo em mente e fazendo uma nota mental de zombar dos exageros e enorme drama de sua namorada – tudo bem, eles podiam fazer uns negócios meio suspeitos, mas não era daquele jeito que Daisy pensava ser – caminhou em direção à porta. Sem sequer hesitar, aliás, sentindo-se extremamente inquieto e empolgado com aquilo, Harry tocou a campainha.
Ele escutou barulho do lado de dentro, vozes altas, masculinas, femininas e até mesmo uma infantil. Ele se sentiu repentinamente nervoso quando escutou passos e então a porta se abriu, revelando uma mulher, de sorriso simpático, uniformizada.
- Posso ajudar? – Ela perguntou depositando o olhar sobre ele. Primeiro foi simpático, até que então ela começou a reconhecê-lo e se tornou um pouco perturbado.
- Ah sim, pode. – Sorriu Harry, tentando evitar qualquer desconforto. – Aqui é a casa dos Cooper, não é?
- Sim senhor. Uh... O senhor gostaria de...?
- Harry? – Escutou a voz que ele mais queria e teve a visão da oitava maravilha do mundo. Ou de seu mundo.
Daisy apareceu, sorrindo surpresa, com os olhos cristalinos arregalados. Usava seu pijama ainda, com um roupão por cima e nos pés as pantufas de mínions. Os cabelos estavam presos num coque alto e ela tinha olheiras, mas Harry nunca esteve tão feliz em vê-la.
- Oh meu Deus! O que você está fazendo aqui?! – Ela disse assim que se jogou em cima dele, circundando os braços ao redor de seu pescoço e ficando na ponta dos pés. – Nós conversamos essa madrugada, seu cretino!
- Surpresa! – Disse sorrindo de volta e então, arqueando as sobrancelhas disse. – Beijo de ‘olá’? Eu não mereço um, após um voo insuportavelmente longo?
Daisy riu e o beijou e ele inclinou-se para baixo, tentando facilitar a situação para ela. Ele havia sentido falta daquilo, do contato com os lábios, das línguas se envolvendo, do calor de seu corpo e da forma como Daisy agarrava-se a ele, desesperada por mais, desesperada para ficar perto dele o tanto que fosse possível.
- Daisy?! Daisy quem é na porta? – Escutou a voz de uma mulher, soar de dentro da casa e os dois separaram-se imediatamente.
Harry sorriu quando percebeu que ela estava corada e cumprimentou seu oficial de proteção rapidamente com um ‘Olá Simon’ enquanto colocava as mechas atrás do cabelo. Ele também sentiu a mão dela envolver a sua e Daisy arrastá-lo para dentro.
- Daisy... Não acha que tem que falar com sua avó, primeiro? Perguntar se o Simon pode...? – Indagou se sentindo pouco a vontade de invadir a casa da família de sua namorada, mas ela cortou-o.
- Está tudo bem. Acredite em mim. – Disse Daisy sorrindo. – É uma casa grande Simon... Divirta-se.
- Eu vou. – Sorriu o Oficial, antes de tomar caminho para o segundo andar.
Quando eles chegaram até a sala, Harry viu uma mesa de jantar cheia, posta com o café da manhã e um monte de par de olhos sobre ele. Engolindo em seco, ele não imaginou que fosse ser assim, definitivamente não imaginou.
Ele imaginou uma mesa com a avó de Daisy, Nate, James, Lily e Carl. Ele não imaginou aquilo tudo...
- Cara, eu só lamento não ter uma câmera...
- Shhhh! Nathaniel! – Disse à mulher que encabeçava a mesa.
-x-
Blanca olhou-o dentro dos olhos, com um sorriso e o viu sorrir, constrangido de volta. Teve que segurar o riso, porque mesmo ela tinha que admitir que a situação poderia ter sido menos constrangedora, se ele tivesse tido um pouco de sorte...
Mas bem, ele estava na casa dos Cooper. Eles não eram conhecidos por terem sorte.
- É... – Daisy começou sem jeito. – Então... Pessoal, esse é o meu namorado Harry. E Harry, essa é a minha família!
Sua neta encolheu os ombros, enquanto todos ainda mantinham seus olhares aturdidos no rosto – exceto por Nate que parecia estar achando aquilo uma grande piada e também James que continuou enfiando a comida na boca, como se aquela fosse uma situação comum.
Lily e Carl haviam partido na noite anterior de volta para a casa e Blanca presumiu que aquele seria o momento que talvez a mãe de seus netos fosse fazer o movimento. Decidiu então, poupar os dois jovens à sua frente, daquele constrangimento.
- Olá. É um prazer conhece-lo. – Ficou de pé e caminhou até os dois vendo o alívio no rosto do jovem.
- O prazer é todo meu, senhora Cooper. – Disse Harry apanhando sua mão depressa e a apertando com suavidade.
- Você já tomou café da manhã Harry? – Indagou, arqueando as sobrancelhas.
- Eu? Ah, não senhora. Eu pousei e fiz caminho pra cá. – Disse ele com pouco caso.
- Pois bem, então vai se juntar a nós. Eu mesma faço questão de colocar mais um lugar à mesa.
Piscou para Daisy que sorriu ansiosa enquanto segurava a mão do namorado e tratou de encaixá-lo entre ela e a pequena Valentina que havia grudado na recém descoberta, prima.
Blanca tornou a ocupar seu lugar na cabeça da mesa, próxima de sua irmã e as duas trocaram olhares significativos, enquanto avaliavam a situação. Era uma mania Perón, eles sempre analisavam todo o terreno, antes do plantio.
Harry parecia mais a vontade, porém tenso. Ele lançava olhares receosos em cima de seu filho que continuava comendo, como se nada tivesse acontecido, como se Daisy não estivesse fazendo as apresentações de membro por membro – e inclusive, já havia passado por James e ele nem se pronunciara.
O olhar dela recaiu em sua neta que pelo olhar se desculpou com o namorado pela falta de tato de seu pai e tornou a fazer as apresentações.
- Uau! Eu nem sabia que ela tinha primos... – Comentou Harry.
Eles riram e Blanca permaneceu calada enquanto sua família encontrava uma forma de envolver Harry naquela bagunça de café da manhã. Ela ainda queria analisa-lo na presença de sua família e o mais importante, de sua neta.
Era provavelmente a prática, mas ele era um bom ator. Ele provavelmente tivera muitas técnicas aperfeiçoadas com os anos lidando com a imprensa. Se ela não tivesse fisgado a mão de Daisy discretamente apertando o joelho dele e os sorrisos passionais que ela o dirigia sempre, Blanca até diria que ele estava lidando perfeitamente bem com aquilo.
Em meio à sua avaliação de terreno, ela também percebeu o motivo de sua neta andar suspirando pelos cantos, conversando em sussurros no telefone e com aquele brilho nos olhos que irradiava e contagiava a todos!
Ele era cavalheiro, engraçado, gentil, doce e olhava para Daisy como se nunca tivesse visto algo mais belo do que ela. Ele a olhava de forma apaixonada e devotada. E ela não ficava para trás é claro...
Fazia tempo desde a última vez que vira um casal tão bonito, tão sincronizado e apaixonado. Era gratificante! O amor estava em falta no mundo – o amor ainda era o mesmo, mas as pessoas pareciam cada vez menos capazes de senti-lo.
-x-
Ele não podia acreditar que aquele garoto resolvera aparecer ali. Logo após há perca de sua mãe, como se a casa já não estivesse lotada, como se já não tivessem um monte de problemas pra resolver! Agora, além de terem que fazer sala para os Perón, os Perón tinham que fazer sala para Sua Alteza Real.
No café da manhã ele disse que só estava de passagem porque mais tarde ele teria um compromisso, mas aquela “passagem” já estava durando mais do que uma hora...
- Você devia disfarçar. – Escutou a voz de Eleonor.
James que estava lavando a louça do café da manhã numa tentativa de se ocupar e evitar qualquer contato com o namorado de sua filha, revirou os olhos quando sua prima se aproximou. Ela era dois anos, mais nova que ele, mas desde a infância foi metida a sabe tudo e mandona.
- Eu não vejo qualquer razão. Até porque eu gostando ou não gostando do namorado da minha filha, não faz a menor diferença pra ela.
- Bem... Se serve de consolo. – Eleonor colocou mais uma bandeja cheia de xícaras de chá na frente dele, todas usadas, porque eles estavam no jardim naquele momento. – Ele é um amor.
Por que aquilo deveria servir de consolo? Era o que James teve vontade de perguntar. Ele só não achava o ideal para Daisy que era tão nova, relacionar-se com um homem nove anos mais velho e ainda por cima público, como se já não fosse ruim o bastante!
Ela não tinha mais vida, James percebeu. Ela havia jogado um futuro brilhante em Oxford pela janela e estava em Westminster – Westminster! Pelo amor de Deus, mesmo Nate havia feito algo melhor e ido para Leeds, mas não! Ela colocou em prioridade um namorado, sem vergonha, que poderia dá-la o pé na bunda quando quisesse.
Ela não saía sem ele ou sem pessoas do círculo dele. Havia um tal de Skippy que estava sempre ao redor, dela e de seu filho inclusive e mesmo a melhor amiga sem juízo de sua filha, parecia ter embarcado naquela onda! Engravidou de um Conde sei lá das quantas e agora teria que se casar! Àquelas meninas... Duas moças, bonitas, jovens, inteligentes, com futuros brilhantes jogados na lata de lixo porque queriam a vida fácil, queriam ser... Esposas.
Daisy não estava preocupada com emprego, com faculdade, com seu futuro. Não! Ela achava que ia se casar, que ia ser uma duquesa, porque obviamente o cara tinha que usar a lábia para prendê-la – ele não era tão bonito e o estresse da mídia não compensava a fortuna, até porque viver uma vida em prol de etiqueta e protocolo não parecia a cara de sua filha.
Era um absurdo para James... Sua filha, sua garota! Ela era linda, linda, linda! Por dentro e por fora, dava um show em todas as namoradas que aquele namoradinho, o Príncipe Playboy Mau Caráter, tivera. E ainda assim, lá estava ela, presa a ele, cometendo o maior erro de sua vida e se permitindo apaixonar por ele.
James achou que era a hora de se juntar às pessoas porque ele não queria passar a ideia de que se incomodava – porque não, não o incomodava, Daisy que namorasse quem ela quisesse!
- Ah Jimmy... Estávamos falando de você. – Sua mãe, que com os óculos escuros, estava com as atenções voltadas para Harry, assim como o resto da família, disse assim que ele passou pela porta. – Você já viajou há tantos lugares... Já esteve em Lesotho? É assim que se pronuncia rapaz?
- Sim, senhora. – Respondeu Harry.
Os olhos de James decaíram-se sobre a mão do “rapaz” que estava sobre o joelho de sua filha e dos braços dela envolvendo o dele. Ele escutou Eleonor soltar uma risadinha e cutucar o irmão, Roberto e a mãe Carmen, que revirou os olhos resmungando algo em espanhol.
Bando de filhos da puta, todos rindo dele... E o perguntavam ainda porque a família lhe era dispensável. Honestamente, pra quê afinal aquilo servia? Pra humilhação? Para instigar seu estresse? Não obrigado...
Deus ele mal podia esperar para aquela gente ir embora...
- James? – Repetiu sua mãe, dessa vez não usando o apelido.
- Desculpe mãe... – Franziu o cenho balançando a cabeça negativamente. – Não, eu nunca estive por lá.
- Oh é uma pena! Pelo que Harry descreveu, é exatamente um dos lugares que você deveria ter considerado passar, antes. – Disse Blanca se voltando novamente para o namorado de sua filha. – Você disse que hoje é o baile de dez anos da sua instituição de caridade, não é mesmo? Sentebale?
- Exatamente. – Ele respondeu acenando com a cabeça sorrindo. – Nem posso acreditar que já tem tudo isso...
- Você deve estar orgulhoso. – Comentou Javier enquanto fumava seu inseparável charuto. Mais de setenta anos nas costas e estava vivo, Deus sabe como.
- Muito orgulhoso! – Disse Harry acenando com a cabeça e então, para o desespero de James, ele se voltou para sua pessoa. – O senhor ainda está no Brasil não é? Passarei pro lá em Julho, durante a turnê.
- Bem, levando em consideração que eu estou aqui agora, eu não estou no Brasil. – Resmungou.
- James... Responda a pergunta educadamente. – Blanca falou, mais que imediatamente.
- Não, eu não vou ficar no Brasil mais! Eu cessarei meu contrato. Vou ficar por aqui. – Respondeu de má vontade, revirando os olhos.
Todos ficaram em silêncio, provavelmente se perguntavam qual era a razão de ele ser rude com o namorado de sua filha – claro, porque todos ali enxergavam os prós, ninguém estava vendo o que estava acontecendo com Daisy, ninguém via o futuro acadêmico brilhante sendo jogado na lixeira, uma socióloga de primeira sendo desperdiçada porque preferia namorar! Um vexame.
- Não liga pra ele. – A voz de Daisy saiu mórbida e lenta. – Ele não pode evitar agir como um babaca.
-x-
Das janelas da cozinha, ela pôde ver Harry preso numa conversa com seus primos mais jovens enquanto os irmãos de sua avó, seus tios e Roberto, Eleonor, Fred e sua esposa, Nara, estavam todos reunidos na mesa de piquenique, rindo de algum caso que a pequena Valentina contava.
Sorrindo, ela se deu conta de que aquele era provavelmente o retrato de família que Harry merecia ter – e também o que ela queria dar a ele.
E teria corrido tudo bem, se James não tivesse decidido estragar tudo outra vez...
Quando o viu entrar na cozinha, revirou os olhos e guardou a caixa com os remédios que sua avó precisava tomar e encheu um copo de água, às pressas.
- Me desculpe, está bem? Eu não pretendia ofendê-lo ou coisa assim. – Resmungou James passando a mãos pelos fios grisalhos.
- Tanto faz. – Daisy disse em tom seco e pegou a bandeja com os remédios e o copo de água.
- Daisy, eu realmente lamento. – Disse James numa bufada.
- Ah é? – Daisy colocou a bandeja sobre a pedra e então avançou na direção do pai.
Ele naquele momento não parecia pai, parecia moleque – talvez sempre tivesse sido, considerando as recentes atitudes, e ela nunca se dera conta! Apenas pensava que ele não valia nada, pra ser honesta.
James se encolheu diante de sua atitude, de seu olhar e seu tom de voz. Ele desviou, olhando para um ponto fixo da parede e Daisy riu sem humor porque ele havia provocado a fera e agora temia encarar.
- Você é nojento. É ridículo e eu não suporto você! – Daisy ergueu os braços. – Eu estou aqui até agora por causa da minha avó e dos Perón, porque eu queria ter passado por aquela porta, assim que você chegou. E outra coisa! Você me pediu desculpas pelo o que aconteceu no jantar com você e meu irmão e agora faz esse papelão na frente de todo mundo, com o meu namorado que você sequer cumprimentou quando chegou?! No dia do jantar você e Nate me deixaram constrangida e magoada! E foi Harry que passou a noite inteira me consolando e dizendo que estava tudo bem e que famílias brigam! Famílias brigam mesmo, mas você?! Você é um caso a parte! Tudo o que faz é querer bancar o bom moço, brincar de ser pai depois de vinte anos e tudo porque eu agora sou tecnicamente ‘pública’ porque agora você tem motivo pra ficar preocupado. Adivinha? Não tem mais! Você está morto pra mim ok? Eu não me importo com você, não me importo se vai ficar aqui ou se vai pra puta que pariu, apenas não me procure! E pare de depositar sua porra de dinheiro, porque eu não preciso daquilo mais faz muito tempo e se lhe é importante, resgato o acumulado e transfiro para a sua conta.
Cuspiu tudo em cima dele num só fôlego. Não o deu chances para interrompê-la e se explicar, não deixou que ele pronunciasse qualquer coisa, porque era aquilo que vinha querendo dizer a ele, fazia tempo.
Recolheu a bandeja e marchou na direção do jardim ignorando os chamados – Daisy! Daisy volta aqui! – que vinham por trás dela... Não, ela estava cansada disso. Ela não era nenhuma santa, Deus sabia que não, mas também não tinha que se submeter àquilo.
- Ei vó, eu não sei se está faltando algum remédio ou coisa assim. Eu acho que trouxe tudo. – Disse enquanto depositava as bandejas com delicadeza na frente dela. – Mais tarde, você tem que tomar o rivotril, não esquece.
- Não me peça para me lembrar de tomar aquela porqueira Daisy. – Disse sua avó com amargura.
- Ah mulher... – Suspirou Carmen e tocou seu ombro. – Você tem setenta anos Blanca, não trinta. Você não tem escolha.
- Por isso meu Romeo era contra visitas ao médico... – Resmungou Blanca colocando a primeira pílula embaixo da língua. – Quem procura acha.
- Há, meu avô vive dizendo isso!
Daisy olhou sobre o ombro e sentiu seus músculos imediatamente relaxarem quando seus olhos se encontraram com os dele. Harry sorriu de lado e ela sentiu a mão dele buscar a sua, o que a fez suspirar satisfeita.
- Dois homens sábios. – Disse Blanca com um sorriso calmo. – Eu me lembro do casamento da sua avó. Eu tinha uns doze anos eu acho... Me lembro do da sua mãe também! Eu já era casada e a Inglaterra parou. Você parece um pouco com ela, apesar de que, me perdoe, suas orelhas são terríveis como as de seu pai.
Daisy corou, mas viu Harry jogar a cabeça pra trás numa gargalhada e ser acompanhado pelos outros, quando eles notaram que o Príncipe levava o comentário indiscreto da avó de sua namorada, na esportiva.
- Yeah! Meu irmão teve mais sorte nesse quesito... – Harry disse pensativo. – Mas ele está ficando careca desde os vinte e cinco, então eu me considero um cara de sorte.
- Deve ser um pai coruja! – Comentou sua avó ainda tomando suas pílulas. – O bebê é lindo... É difícil de acreditar que aquela coisa miúda vai ser Rei um dia.
- Daisy disse algo assim. – Harry cutucou-a na costela e sorriu. – Eu inclusive vim agradecer por me receberem e... Me despedir.
- Se despedir? – Repetiu Javier.
- Por quê? – Carmen indagou.
- Isso é um absurdo, fique para o almoço. – Insistiu Blanca.
- Seu evento não é à noite? – Ajudou Eleonor.
Daisy sabia por que ele queria ir. Ele estava cansado e tinha que passar os detalhes de sua turnê para o escritório de St. James, que enviariam tudo para a avó de Harry – aceitação, números, pontos altos e baixos.
Ela não o via desde a noite que Harry viajara para os Estados Unidos ao casamento de Guy e honestamente, eles não haviam passado tanto tempo juntos quanto ela gostaria e levando em consideração que ela não estaria o acompanhando naquela noite, Daisy estava até de mau humor.
- Eu sei, eu adoraria ficar, mas eu tenho algumas coisas importantes para resolver. Eu apareci de surpresa, o que foi um pouco rude...
- Não foi rude, foi adorável. – Blanca se postou de pé com um pouco de ajuda de seu irmão e seu sobrinho preferido, Roberto.
- Bem, obrigado. – Harry sorriu. – Mas ainda assim, eu preciso ir. Eu só queria ter o prazer de conhecer a família da Daisy e também de revê-la, depois de tanto tempo...
- Ah! – Daisy voltou-se para Harry. – Você pode levar Wonka pra sua casa? Ele está sozinho no apartamento, porque Walt está visitando a família e a vizinha está o alimentando e eu confio que ela esteja fazendo isso bem, mas... Ah você sabe.
- Preocupação de mãe, é claro. – Harry rolou os olhos. – Você trouxe a chave?
- Yeah. Eu vou buscar minha cópia... – Daisy estava apressando-se em direção a casa, quando sua avó postou-se de pé.
- Daisy! Olympia, um minuto...
Não soube o motivo, mas um sorriso surgiu em seu rosto. Sua avó a chamava de Olympia quando era pequena por alguma razão – talvez fosse o mais carinhoso que ela soubesse chegar, na época.
E também porque ela adorava apelidar.
- Eu vou subir com você. Eu quero colocar um casaco... – Explicou.
- Ela quer dar a opinião dela sobre você, mas não vai dizer isso na sua frente. – Nate disse aproximando-se. – Vó, você está se sentindo bem? Não tem comido direito, consegue subir as escadas?
Blanca estancou no lugar e então o encarou de cima a baixo, colocando as mãos sobre os quadris e mantendo a expressão séria sobre seu neto. Daisy prendeu o riso.
- Nathaniel... Eu poderia parir você, se eu quisesse.
- Ugh, desnecessário Blanca. – Ele revirou os olhos.
- Você estava implorando. – Ela disse e tornou a caminhar, seguindo Daisy.
Contudo, apesar de que todo mundo estava rindo de Nate, ele não estava muito errado. O percurso até o segundo andar, havia sido exclusivamente sobre Harry e a primeira impressão que ele deixou em sua avó.
- Educado, simpático e com uma pinta meio... Arrogante, admita. – Ela apontou o dedo para Daisy.
- Sim, ele tem uma pinta de antipático, mas é só até ele abrir a boca. – Suspirou Blanca. – Ele me parece um bom homem e me parece gostar demais de você... Eu acho que você escolheu bem.
- Eu escolhi não é? Obrigada por ver isso. – Disse com uma pitada de revolta ao se lembrar de James.
Ao abrir a porta do quarto que estava dormindo, ficou surpresa por Blanca ter a seguido, mas até que se deu conta de que não havia casaco algum, ela só queria uma desculpa.
- Seu pai poderia ter tido um comportamento melhor, é verdade. – Concordou Blanca. – O que meus olhos capturaram foi você gritando com ele Daisy?
- Foi. – Respondeu sem se sentir envergonhada, enquanto sentava-se a cama e abria a bolsa em busca de sua cópia da chave. O que Harry fizera com a cópia dele, era um mistério. – Eu... Argh, eu só joguei tudo em cima dele. James passou dos limites.
- Ele... Ele se preocupa. – Blanca disse com cuidado. – Eu me preocupei quando a vi tão exposta daquele jeito...
- A senhora se envergonhou, pode falar. – Daisy sorriu.
- Não, eu não sinto vergonha da minha carne. Eu fiquei com medo do que eles poderiam fazer com você... – Blanca franziu o cenho. – Considerando o histórico inteiro, da família e do que vimos acontecer com o casamento dos pais dele.
- Não é como no casamento dos pais dele. – Disse firme.
- Sei que não. – Blanca disse com um aceno. – Mas você não quer que lidemos com isso de forma...
- Vovó, podemos não falar disso? Eu agradeceria. – Daisy pediu o mais educadamente que podia, porque ela não queria Blanca, que era conhecida por ser temperamental, choramingo e praguejando outra vez. Não quando elas estavam indo bem.
- Como quiser. – Blanca deu de ombros.
- Achei! – Suspirou Daisy, quando encontrou a chave. – Eu me sinto até mal pelo Wonka, mas ele adora ficar com Harry. Ele tem um gramado enorme em casa...
Enquanto arrumava sua bolsa e aproveitava para pegar sua mala de roupa suja que aproveitaria para despachar com Harry, escutou novamente sua avó dizer.
- Esse baile... Você não foi convidada? – Replicou Blanca curiosa.
- Convidada fui, eu ia como acompanhante... Mais ou menos né – Franziu o cenho. – Mas eu não vou mais.
- Por que não? Não tem um vestido? – Indagou Blanca, pensativa.
- Não é nada disso. Eu comprei um vestido, mas é porque considerando os últimos acontecimentos, eu conversei com Harry e o disse que o melhor pra mim era ficar com minha família...
Blanca então se voltou para Daisy com uma expressão aturdida. Daisy, empalidecida, revisou palavra por palavra que acabara de ser proferida e não encontrou qualquer problema. Será que havia ofendido sua avó?
- Você... Você não está considerando perder esse baile por minha causa, está?
- Não, não por sua causa vó. – Daisy negou com a cabeça – Por causa de tudo... Está todo mundo aqui, é tudo recente ainda. A senhora não comeu por dois dias e...
- Bem, eu estou inteira que eu saiba! E também, como você mesma disse, está todo mundo aqui Daisy. – Blanca franziu o cenho. – Não pode deixar de acompanhar seu futuro marido, num dia tão importante para ele...
Daisy decidiu não comentar com a avó para evitar dizer aquilo, porque honestamente, ela evitava dizer aquilo para si mesma há um bom tempo – desde o susto da gravidez falsa, Daisy se preocupou muito em manter os pés fixos no chão.
- Vovó... Não é tão importante assim. Digo, namoradas não são permitidas a frequentar esse tipo de evento. Apenas noivas e esposas. – Apontou. – E certo que não é nada Real, é na verdade parte do serviço filantropo de Harry e nós nem sequer chegaríamos juntos, mas... Bem, não é tão importante assim.
- É claro que é! É o trabalho duro de seu namorado. – Blanca insistiu. – Você tem que ir. Há um monte de pessoas aqui para enfiarem o rivotril na minha goela, não se preocupe.
- Não é isso vovó...
- Daisy! Você não poderia ficar aqui para sempre de qualquer forma. – Blanca bufou. – Você tem um emprego... Sua folga acaba em dois dias. Dois dias a mais ou a menos, não vai... – Ela tomou fôlego. – Não vai trazer seu avô de volta. Eu não estou bem, não estou mesmo, mas estou lidando bem... Eu tenho seus tios, tenho seus primos, seu irmão... E tenho James.
- Ainda assim, eu deveria ficar... Porque, afinal...
- Porque e afinal, nada. Você deveria ir, não entenda mal, foi adorável a sua presença, mas... Não acha que merece isso? Não se veem há quase um mês! Ou mais! – Blanca suspirou. – Vá pra casa, eu vou ficar bem.
-x-
Num instante ele estava preso numa conversa com Nate que estava explicando com maiores detalhes o que acontecera naqueles dias – porque Daisy não queria falar sobre aquilo por considerar desnecessário, quando Harry sabia que era porque a afetava – e então, no outro instante, estava sendo convidado para fumar, com o pai de sua namorada.
Ele primeiro olhou para Nate que desviou imediatamente e resmungou algo sobre ‘aprofundar seu espanhol com Hector’ e saiu, deixando-o o sozinho com James e sem qualquer desculpa para evitar aquele momento.
- Claro. – Pegou-se dizendo.
Harry nunca teve problemas com a família de suas namoradas. Nunca teve problema em conhece-los e tornar a convivência agradável, mas, embora ele não soubesse o motivo, James não parecia muito inclinado a dá-lo qualquer liberdade para interagir e criar um bom clima de convivência entre os dois.
À princípio eles não disseram nada. Harry permaneceu seguindo o pai de sua namorada e até porque, se ele havia o convidado para uma atividade conjunta, obviamente ele quem deveria puxar assunto. E depois da forma que havia se portado, Harry estava receoso com o que deveria e não deveria falar.
Ele a viu – Daisy – gritar com o pai, dentro da cozinha. Ele não escutou porque estava longe, mas seus olhos estavam na janela e ele viu a forma como Daisy jogou a bandeja sobre a bancada e avançou em James – Harry até achou que ela iria bater na cara dele – mas não, ela apenas gritou.
Os ombros de James ficaram caídos, a boca aberta e os olhos – iguais aos de sua namorada – estavam arregalados. Ele também, não era o único a observar. Blanca assistia tudo, sem piscar e mantendo a atenção, como se estivesse tentando fazer leitura labial e num momento, reparou que Harry também assistia a briga. Ela não disse nada, porém.
- Gostou da Itália? – Perguntou James casualmente enquanto fumava.
- Sim, é sempre bom. – Disse com tranquilidade.
- Eu já fui pra lá... Gostei muito.
- O senhor já deve ter ido há muitos lugares. – Harry comentou, percebendo que seu próprio cigarro estava apagado. Enfiando as mãos no bolso, tirou o isqueiro e o acendeu. Dando uma tragada, acrescentou então. – Forte! Muito forte.
- Há! Um cubano me deu isso. – James disse. – Você não provou dos charutos deles ainda...
- Eu não sou um fã de charuto. – Admitiu. – Eu gosto do tabaco mesmo, maço comum, comprado em qualquer esquina. É mais um hábito realmente ruim que eu deveria largar, do que um prazer...
- Bem, se você estivesse em busca de prazer, eu lhe diria para fumar maconha.
- Eu fumei quando estava no ensino médio. – Harry disse e o viu rir.
- Quer saber? Eu puxo até hoje, quando estou de saco cheio. – Bufou James e então ele estancou no lugar.
Harry se deu conta de que eles estavam recostados no muro, de frente para a lateral da casa, onde havia uma sacada e uma parede coberta de videiras – como em Highgrove.
- Eu acho que... Que tenho que me desculpar com você. – Franziu o cenho, ao escutar o que James disse. – Eu me desculpei com Daisy pelo vexame no jantar e quando você chegou aqui, eu não fui dos mais agradáveis. Desculpe-me.
- Sua casa, sua família, eu cheguei de surpresa e é um momento que o senhor precisa de tranquilidade para sofrer seu luto. Eu não devia ter sido tão presunçoso... Eu só... Nem pensei. – Admitiu, porque havia sido realmente aquilo. Ele não pensou, apenas fez.
- Nah, acredite, perder meu pai não me incomoda tanto quanto você acha. – James garantiu e então tragou, para finalmente encará-lo.
‘Mentira’ foi o que Harry teve vontade de dizer, mas ficou calado. Ao invés disso colocou o cigarro entre os lábios de novo e dessa vez, mais lentamente, tragou, segurando-a um pouco para então soltá-la.
James estava fazendo o mesmo e eles, por isso, estavam em silêncio outra vez. Contudo, aquilo deu a Harry a oportunidade de visualizá-lo melhor...
Daisy e Nate eram ele na aparência! Os fios cor de chocolate – apesar de que os de James eram grisalhos – e os olhos cristalinos que provavelmente eram herança do falecido avô, já que Blanca possuía olhos castanhos. Ele não era alto também e os lábios, o formato do queixo eram idênticos aos de sua namorada e seu irmão mais velho.
Eram tão tremendamente parecidos que chegava a lhe assustar.
- Sabe... Cuide dela. – Suspirou James enquanto fumava. – Ela pode conseguir alguém melhor do que você sabe disso né?
É, ele sabia. Havia uma insegurança do caralho dentro dele que sempre o dizia aquilo e algumas vezes, aquilo o colocara na merda com Daisy, mas tudo bem, Harry estava aprendendo a trabalhar aquilo. Ele só não sabia o que cabia ao pai de sua namorada comentar uma coisa daquelas.
- Eu estou bem ciente disso. – Confirmou-o. – Eu sou louco por ela. Honestamente, o senhor não me conhece e não sabe o quão longe eu iria por ela...
- Bem, pois é... Vocês dois deviam se preocupar com isso. O quão longe iriam pelo outro. Devem tomar cuidado para isso não passar de um limite saudável... – James jogou o cigarro no chão e o esmagou com o pé. – Não estou aqui para dar um de pai ranzinza e ciumento, mas é meu dever zelar pelo bem estar dela. Àquelas fotos foram um absurdo. Eu estava pronto pra pegar o primeiro voo para a Inglaterra...
- Eu não tenho nada com aquelas fotos. Foi o ex-namorado.
- Bem, ele não teria as publicado se ela não estivesse com você. – Apontou James sabiamente. – Olha, só quero que você seja maturo e responsável nesse relacionamento, porque se ela se machucar a culpa vai ser sua. Ela tem vinte anos, vocês têm diferença de nove anos com o outro, e isso é muita coisa.
Aquilo o irritou. Honestamente, ele sabia que era o pai de sua namorada, sabia que o devia respeito, porque afinal, se ele queria se casar com Daisy, primeiro tinha que se certificar de que a família dela o aprovava. Apesar de que o pai dela não era o maior exemplo paternal do mundo, Harry não queria se colocar no meio de nenhum dos dois – até porque o sangue, no fim das coisas, é mais denso que a água.
- Eu farei o possível. Não posso prometer que ela vai ficar intacta... Ela provavelmente já amadureceu uns anos estando comigo, porque realmente, eu sou mais velho nove anos e isso incomoda algumas pessoas, asseguro que não é só o senhor. – Harry concordou. – Mas... Estar comigo significa tudo isso. Eu sou publico, eu chamo atenção, eu tenho pessoas vigiando minha vida e pessoas que perdem seu tempo e dinheiro me perseguindo, você tem noção disso? Então, eu não posso prometer que ela estará completamente livre de qualquer pressão ou trauma, mas posso assegurar que vou tentar de tudo para fazê-la tão feliz quanto sei que o senhor gostaria que fosse.
Harry se deu conta de que James ainda tinha algo a dizer, ele tinha o cenho franzido e parecia querer levar aquela discussão longe – e honestamente, ele não estava fugindo de um bate boca com aquele homem, porque já estava o estressando.
E muito provavelmente os dois prosseguiriam, se não tivessem escutado Daisy.
- Algum de vocês viu meu namorado? Harry!
Ele então achou melhor ir atrás de Daisy antes que ela os encontrasse trocando farpas com o outro.
Acordei com o quarto meio escuro , atordoada , com uma dor de cabeça horrível como se alguém tivesse me espancado a noite toda , dor em todo meu corpo e fiquei naquela posição mesmo . Não sabia onde estava até ver o Bruno chegando de mansinho perto de mim .
Bruno : Oooi garotinha ?
Eu : Oi , onde eu tô ?
Falei bem baixinho , lentamente . E Bruno também estava falando baixo para a minha glória .
Eu estava toda cheia de agulha na veia , tomando sangue e soro , que legal !
Bruno : Você tá no hospital , passou dois dias desacordada .
Eu : Uau !
Bruno : Você acha mesmo que nós iriamos deixar você morrer ?
Eu : Achei que não iriam me socorrer a tempo .
Bruno : Nunca mais faça isso ok ?
Eu : Ok , pensei precipitadamente talvez ?
Bruno : Talvez ? Analiveh eu juro que se você fizer isso outra vez eu corto meus pulsos também e me deito ao seu lado !
Olhei incrédula pra ele .
Eu : Tudo bem , entendi ! Me perdoa ?
Bruno : Tudo bem , o que importa é que você está bem e aqui comigo !
Bruno beijou a minha testa .
Eu : Veio mais alguém ?
Bruno : Sim , todo mundo !
Pensei logo no Lucas , será que ele soube ? Será que ele se preocupou comigo ? Acho que não , deve tá lá beijando aquela loira fura olho .
Eu : Mas , eles estão aí ? Agora ?
Bruno : Mas , vão já vim , então te prepara !
Eu : Ok ! E você ?
Bruno : Eu passei a noite com você né ?
Eu : Ata , as duas noites ?
Bruno : Não , ontem quem ficou com você foi o Pedro .
Eu : Ata . E eu perdi alguma coisa ?
Bruno : Bastante , mas eu não vou te dizer agora porque você acabou de acordar e o Mateus e Pedro estão doidos pra te verem .
Eu : Eles já tão aí ?
Bruno : Sim !
Eu : Manda entrar !
E então Pedro entrou escandalizando .
Pedro : MEU AMOR, VOCÊ ACORDOU !
Eu : Não grita porra !
Pedro : Foi mal ! (Sussurrando)
Mateus : Nada de amor , tá doido ?
Bruno : É verdade , nada de amor , sabe voar ? Vou já te jogar do último andar do hospital !
Pedro : Só pra constar pra vocês dois , eu cheguei primeiro !
Ri .
Eu : Ok né ? Já chega !
Mateus : Fico feliz que tenha acordado e esteja sorrindo .
Pedro : É eu também , finalmente você está quaaaaaase de volta , só falta ficar gostosa como era antes !
Bruno deu uma tapa na cabeça do Pedro .
Ri mais ainda das besteiras do Pedro e do ciúmes do Bruno .
Ainda doía um piuco quando eu ria então parava imediatamente quando soltava uma risada forte .
Mateus : O que aconteceu ?
Eu : Como assim ?
Me ajeitei na cama pra me sentar , Bruno e Pedro me ajudaram .
Mateus : Pra você ter feito isso !
Ele apontou para os meus pulsos com pontos .
Eu : Ah !
E foi aí que eu lembrei do meu pai , caraca meu pai está em coma .
Eu : Foi por tudo , tudo que aconteceu , eu não aguentava mais ficar chorando o tempo todo e acabei brigando com você e ainda me telefonaram dizendo que meu pai tinha sofrido um acidente de carro , fora que eu percebi que eu sou tão horrível que minha mãe verdadeira nem me quis e me abandonou .
Falei tudo rápido e fiquei sem ar , quando puxei o ar fortemente falei de novo .
Eu : Só queria parar de sofrer , parar de ser inútil .
Mateus : Você não era inútil , pare de pensar dessa maneira !
Bruno saiu .
Pedro : Eu não queria falar isso Analiveh , porém você foi muito egoísta . Porque não pensou em mim , nem no Mateus e nem em ninguém . Parou pra pensar como ficaríamos se tivesse morrido ? Acho que não né ? Me desculpe mais uma vez , não quero que fique chateada comigo , mas por favor , pense antes de fazer qualquer coisa . Por favor , tanto para o seu bem quanto para o nosso . Sei que me afastei de você por bastante tempo , mas nunca deixei de gostar de você . Vivemos momentos maravilhosos , tanto quando namorávamos , quanto quando éramos amigos .
Pura verdade tudo que ele disse , também nunca deixe de gostar dele , sempre me divertia com Pedro ao meu lado , sendo amigo ou namorado .
Mateus : Nós te amamos muito pra deixar que isso aconteça , vamos cuidar de você , sempre e sempre . Quando te conheci ri tanto de você , quando caiu em cima de mim e me deu um arranhão nas costas de aniversário . E ainda perdeu seu celular .
Nesse momento eu já estava chorando de emoção .
Bruno voltou .
Mateus : E quando fui procurar você parecia uma doidinha gritando com todo mundo por causa do celular perdido e ainda tava molhada .
Ri .
Eu : Eu tava molhada por culpa de um namorado abestalhado que eu tinha que me jogou na piscina .
Olhei para o Pedro instantaneamente . Rimos os quatro .
Mateus : Pois é foi no mesmo dia em que conheci a minha loira linda , quer dizer ... eeeexxx né ? Enfim .
Ele ficou com uma expressão triste .
Bruno : Isso porque vocês não sabem como eu conheci essa desastrada .
Revirei os olhos .
Eu : Lá vai !
Bruno : Estava me mudando para o lado da casa dela , no momento em que eu estava entrando na minha nova casa uma menina de skate morena estava me olhando porque ela ficou perdidamente apaixonada por mim ...
Mateus : Aham ... senhor modéstia !
Pedro : Nem se acha ...
Eu ri , o pior de tudo é que era quase verdade , quase porque eu não estava perdidamente apaixonada por ele , eu só me atraí .
Bruno : Aí quando eu olhei pra ela , não desgrudou os olhos de mim e acabou dando de ombro no caminhão de mudanças . Sério não consegui conter a minha gargalhada nessa hora ... E eu ainda fui ajudar . Ela ficou toda irritadinha comigo , só não sabia que aquela menina chata que eu conheci seria uma parte bem concreta da minha vida .
Mateus/Pedro : Oooooonnnnnwwww que fofo !
Isso é porque ninguém sabe como eu conheci o Rafael .
Eu : Eu amo vocês seus putos !
Eles me abraçaram e os três falaram ao mesmo tempo .
Meninos : Também te amamos !
E então Rafael , Di , Paloma e Anabella entraram .
Rafael : Eeeeeeeeeeiiiiiiiiii o quê que tá acontecendo aqui ? Ninguém me chama pra participar do abraço ! Palhaçada !
Di : Poxa , nem eu ? Logo eu que sempre fui o melhor amigo de todos ?
Eu : Poxa ! O melhor fofoqueiro de todos né senhor Mampelli ? Hahaha
Di : Assim você me magoa !
Rimos e eles vieram me abraçar .
Rafael : Você está melhor ?
Eu : Sim , sim !
Anabella e Paloma vieram me agarrando .
Anabella : Estávamos com saudades !
Eu : Também estava com saudades da minha loira e da minha ruiva .
Paloma : Até que em fim você acordou !
Eu : Noooossa , parece que eu passei mil anos desacordada .
Rimos .
Senti falta de outras cinco pessoas , mas só perguntei por quatro ?
Eu : E cadê meu irmão e minha loira ? E o casal virgem ? Falando nisso ... eles já transaram ?
Todos riram .
Anabella : Não , eles ainda não fizeram isso .
Paloma : A Lawanne ainda está vindo com o James .
Eu : Com o James , por quê ?
Percebi o mateus fechando a cara . Que droga , odiava tanto o fato deles terem terminado .
Rafael : Parece que ela tava na sua casa arrumando suas coisas .
Di : E você tá me devendo por toda a eternidade !
Eu : Eu ? Por que já ?
Todos riram .
Mateus : A gente fez uma aposta e o Di perdeu .
Eu : E o que ele teve que fazer ?
Anabella : Lavar seu banheiro !
Ri .
Eu : Se fodeu ! Hahahaha
Di me deu língua .
E então , James e Lawanne chegaram junto com o casal virgem .
Eu : Minha loira !
Lawanne : Sua filha da puta !
Levei um susto , não só eu como todo mundo .
Eu : Pô , também tava com saudades !
Lawanne : Por que tu fez isso periquita ? O que eu em ti ? Sabia que tu me deu um susto do tamanho de um mundo ? Nunca mais faça isso ! Eu tava morrendo de saudades !
Ela me abraçou e eu correspondi , fechando os olhos e sentindo ela relaxar por me ver viva .
James : Seu irmão quase teve um infarto , ele pode ser adotivo , mas foi ele que te aguentou desde pequena !
Eu : Então , pode dizer para o meu irmão que eu o amo muito ! E que tava morrendo de saudades dele !
James : Ele disse que ficou feliz em saber disso e disse a mesma coisa pra você !
Me deu um abraço e um beijo na testa que mais pareceu uma chupada .
James : Ah , mamãe ligou ... ela tá muito preocupada contigo !
Eu : Você contou ?
James : Não , porém você vai apanhar pra caralho !
Eu : Ah valeu ! Filho de uma égua !
Rimos .
Eu : E aí casal virgem , como que tá ?
Geovanna : Ai para !
Victor : Também estávamos com saudades , hahaha !
Todos estavam rindo , fiquei olhando em volta ... só faltava uma pessoa para completar toda a minha alegria , apesar de ter todo mundo ali do meu lado , ele era quem eu mais queria , mas o que eu menos queria ao mesmo tempo . Que merda !
Ficamos conversando por um bom tempo ali , até o doutor chegar e acabar com a bagunça porque tava na hora de eu comer e tomar meus remédios .
Naquela noite quem ficou comigo foi o Mateus .
Enquanto eu tava comendo Mateus tava de cabeça baixa e eu já sabia o motivo .
Eu : Não fica assim , é só uma fase !
Mateus : Eu conheço essa fala !
Ele riu .
Eu : Pois é ! Mas agora eu falo isso pra você , realmente é só uma fase , ela vai voltar , vocês se amam .
Mateus : Eu não sei não , ela pareceu tão decidida enquanto terminava comigo , e tá bem melhor do que tava comigo . A gente só brigava , talvez estivesse certa em querer ser feliz .
Eu : Não pensa desse jeito , ela te ama sim , só ficou com raiva de todas as brigas , enjoada daquilo .
Mateus : Mas ela que fazia as brigas .
Eu : Talvez ela só quisesse que você a confortasse , tranquilizasse-a , fazendo para a briga e dar amor para a mesma .
Mateus : É e eu não fiz isso .
Eu : Ela vai voltar , não se preocupa !
Mateus : Ok , vou esperar ! Agora você mocinha , vai dormir , porque hoje foi um dia cheio e tem que descansar !
Sorri .
Eu : Obrigada , por tudo ! Por ter me salvado junto com Bruno !
Mateus : Tenho certeza que faria o mesmo por mim !
Olhei de cara feia pra ele .
Mateus : Analiveh !
Me repreendeu . E eu ri muito .
Eu : Eu faria siiiiim seu chato , por vocês dois e todos os outros .
Ele me deu um abraço e um beijo na bochecha . Sorri e agradeci a Deus por todas essa pessoas maravilhosas na minha vida .
Terminei o nó da gravata e fiquei por um tempo observando o meu reflexo no espelho.
Eu não podia acreditar que eu estava realmente fazendo isso.
Flashback
- E eu sou seu. - Eu disse, dando de ombros. - Não há como fugir do que é seu.
Harry se jogou nos meus braços novamente, e chorou mais uma vez. Eu realmente não conseguia entende-lo as vezes. Então eu apenas o mantive ali e beijei seus cabelos.
- Draco... - Ele disse após alguns minutos, sentando-se na cama - Casa comigo?
" O QUE? NÃO! NÃO! NEM PENSAR! ELE SÓ PODE ESTAR FICANDO LOUCO... SER PROMOVIDO A NAMORADO E DEPOIS A NOIVO EM UM ÚNICO DIA É DEMAIS PRA MIM... EU NÃO VOU FAZER ISSO... NEM FOD..."
Eu fiquei estático pelo que pareceu ser muito tempo.
Harry deve ter percebido o meu olhar aterrorizado, porque logo emendou:
- Eu sei que estou indo muito rápido. – Ele disse, torcendo o lençol em suas mãos – Mas eu achei que você me... Quer dizer, achei que não se importaria de... Você sabe... E não é algo imediato, só queria saber se existe a possibilidade de você... não sei, um dia, sentir vontade de... Sei lá... Passar o resto da vida comigo. – Ele disse pausadamente antes de erguer o rosto e me encarar com os olhos cheios de água – Mas você não precisa dizer "sim". – Ele deu de ombros antes de completar – Não quero pressionar você.
Ele me deu um beijo no rosto e deitou-se de costas pra mim
“Merda, merda, merda, me...”
- Eu te amo, Draco. – Ele sussurrou.
Fim do Flashback
Quem diria que por trás daqueles olhos verdes existia um grande manipulador? Pois é, esse era Harry Potter. É claro que eu também fui bastante influenciado pelo fato dele ter passado o resto da semana circulando semi-nu pela casa e fazen...
- O noivo está pronto? - Ouvi batidas na porta e logo uma cabeça surgiu, olhando para dentro do quarto – Filho? Eu posso entrar?
Não respondi, apenas esperei que ela entrasse no quarto antes de dizer:
- E então, como estou?
- Lindo. – Ela disse, sorrindo – Você sempre está lindo, eu fiz um ótimo trabalho.
- Eu sou obrigado a concordar! – A voz de Harry soou atrás de minha mãe, que se virou assustada.
- Nada disso mocinho! Os noivos não podem se ver antes do casamento... – ela dizia, e eu pude ouvi-la empurrando-o pra fora, foi quando eu me virei e... Eu o vi.
- Por favor, Narcisa, eu preciso falar com ele, é um caso d...
- Mãe, deixo-o entrar. – Eu disse, recebendo um olhar severo – Por favor?
Ela saiu do quarto, nos deixando sozinhos.
Eu pensava que era impossível Harry ficar mais bonito, mas eu estava errado. Eu nunca havia visto algo tão belo em toda a minha vida, Harry usava um terno preto com detalhes em vermelho. Céus, ele parecia uma pintura. Um anjo.
- Draco, nós precisamos conversar.
Potter P.O.V.
Eu finalmente havia criado coragem pra dizer. Não podia me casar com ele sem que ele soubesse. Mas agora, olhando para ele, tudo parecia bem mais difícil do que eu havia imaginado.
Draco se sentou na cama, me olhando atentamente com um sorriso estranho no rosto.
- O que foi?
- Você está absolutamente lindo hoje. – Ele disse com simplicidade.
E foi então que eu olhei atentamente para Draco.
Senti minhas pernas tremerem.
Deixei meus olhos vagarem pelo seu rosto e seu corpo por alguns instantes apenas apreciando a ideia de que a figura linda à minha frente era meu futuro marido e então sendo surpreendido com o pensamento de que em alguns instantes eu estaria colocando tudo isso em risco.
- Draco, eu tenho que te dizer algumas coisas – disse, me sentando ao seu lado na cama
- Har...
- Por favor, não me interrompa. – Eu pedi, olhando-o por um instante e decidindo dizer tudo de uma vez, sem pausas – No dia do seu julgamento... Quando te levaram para a outra sala... Eu... Eu os segui... Eu estava lá, eu vi o que fizeram... Eu vi... Eu... Eu estava preso à cadeira, foi Helena, ela estava lá e fez um feitiço e... – Suspirei profundamente, percebendo que havia falhado na minha tentativa de dizer tudo de uma vez, e que envolver Helena na história só pioraria as coisas que já estavam bastante sem sentido – Eu vi o que fizeram a você, eu vi e não pude fazer nada, eu não fiz nada e depois desmaiei e... – Céus, eu já estava chorando. Draco não me abraçou ou secou minhas lágrimas como sempre fazia, apenas permaneceu ali calado, me observando de uma maneira estranha – E quando te levaram e eu pude sair da sala... Eu não disse a ninguém. Eu não denunciei o que fizeram e eu... Eu não te procurei! – Eu estava soluçando – Me desculpe Draco! Por te fazer sofrer, por não te procurar, por mentir, por te mandar embora... Eu não... Me desculpe. – torci o lençol em meus dedos, ainda sem encará-lo – Mas eu não te abandonei! Eu juro! Eu ia para a sua casa todas as noites, eu via você dormindo, e você parecia feliz... Helena me disse que você estava feliz e eu não queria... Interromper. Não depois do que havia feito no julgamento.
Draco estava com os olhos fixos no chão, respirando compassadamente, parecendo muito concentrado.
- Bem... Você pode ir embora se quiser. Você pode me procurar quando quiser conversar sobre isso... Sobre o que eu fiz. – Me levantei, indo até a porta – E eu vou entender se você não quiser mais se casar comigo.
- É só isso? – Ele disse, antes que eu chegasse até a porta.
- O que?
- É só isso o que você tem pra me dizer? - Ele disse, ainda olhando pra baixo.
- Não aja como se não tivesse importância, Draco! Eu te conheço, eu sei que você está furioso! E eu sei que...
- Sim, eu estou. – Ele disse, levantando o rosto para me olhar – Quando você falou sobre o julgamento você me fez lembrar. Me fez lembrar da tortura, da dor... – Sua cara se contorceu, e eu pude ver que ele estava revivendo aqueles momentos e isso me fez sentir ainda pior - ... e do vazio. Me fez lembrar de como eu me sentia naquela época, do quanto a minha vida era miserável depois que você foi embora – “de novo” ele sussurrou. Draco se levantou, rompendo com a calma aparente de momentos atrás– E ainda disse que eu parecia feliz! – Draco disse sorrindo sadicamente e arremessando um vaso contra a parede oposta à minha.
- Draco, você est...
- EU NÃO ESTAVA FELIZ, HARRY! – Ele interrompeu jogando um abajur no chão – Você não faz ideia de como a vida pode ser horrivelmente amarga! – Ele gritou, e eu estava ficando cada vez mais assustado – Você não sabe de nada, Potter! Você não sabe como é a vida sem... Você!
- Dra...
- Todas as coisas que você disse e tudo o que me fez lembrar... Foi horrível, foi a merda de um pesadelo e me deixa furioso! – Ele disse exasperado – Mas o que me deixa ainda mais furioso é você achar que isso vai fazer com que eu deixe de me casar com você!
- Mas você...
– Você fala como se eu fosse um santo, como se nunca tivesse magoado você, nunca tivesse cometido erros! – Ele dizia enquanto circulava pelo quarto – Será que você não percebe que nada daquilo foi pior do que estar longe de você? – Ele perguntou me olhando profundamente – Eu passaria por tudo aquilo de novo pra ter você, Harry. – Ele disse, sentando-se na cama – Céus, eu estou até me casando! – Ele apontou para si mesmo, sorrindo cansado – Tem como ser mais brega a cliché do que isso? Eu até escrevi votos!
Eu ri, e ele me acompanhou. Nós parecíamos exaustos. Eu não me lembrava qual tinha sido a última vez que eu havia passado por um turbilhão de emoções como esse.
- Então... – Draco se levantou, caminhou até mim e se abaixou, apoiando-se em um joelho – Casa comigo, Harry?
*Narração Anderson*
Eu e Giovana beijávamos num ritmo intenso, e então subi seu vestido passando a mão em suas pernas, puxei seu corpo pra mais perto de mim, então parei um pouco o beijo e desci minha boca até seu pescoço, com minha mão por trás do seu cabelo, mordi e beijei todo seu pescoço. Desci uma alça de seu vestido e desci minha boca até seu ombro beijando o mesmo. Desci então, as duas alças do seu sutiã e continuei descendo minha boca por seu corpo, em cada centimetro de seu corpo. Coloquei minha mão em suas costas e desabotooei seu sutiã, desci-o todo e então continuei a descer minha boca até seu seio, chupando-o e mordiscando-o enquanto deixava uma mão por cima de sua calcinha, masturbando-a. Gio soltava leves suspiros e fechava os olhos de prazer. Tirei minha boca de seu seio por um momento e desci-a até sua calcinha. Comecei a descê-la até o fim, e joguei-a de lado. Subi suas pernas pela minha cintura, encaixando nossos corpos perfeitamente. Subi e desci minhas mãos por suas coxas, e então desci minha boca por elas até chegar em sua b*t, e deixei minha boca ali. Comecei com breves linguadinhas em sua b*t e e então comecei com algumas breves chupadas, Gio se contorcia, enquanto se agarrava aos lençóis. Puxei seu corpo mais pra perto, encaixando ainda mais minha boca em sua b*t. Abri-a bem com as mãos e dei seguidas linguadas por ali, fazendo-a delirar. Dei um chupão forte, pegando toda sua b*t e em seguida, tirei minha boca dali. Tirei minha bermuda e cueca juntos, e peguei meu membro em minha mão, coloquei o preservativo e enfiei ele todo em Gio. Encostei minha boca na sua e comecei os movimentos lentamente, tirando e colocando tudo novamente, e então, aumentei o ritmo, enquanto ouvia sua respiração já ofegante. Coloquei minhas mãos em seus seios enquanto mantia o ritmo acelerado, até gozar. Dei um beijo longo em Gio, e sorri pra ela.
*Narração Elidio*
Depois de almoçarmos, eu e Dani deitamos juntos e acabamos pegando no sono. Começou a chover muito forte e acordei com o barulho da mesma. A casa havia escurecido e lá fora a chuva caia insanamente. Deixei Daniel dormindo, e fui fazer um lanche, e já eram 16:00.
- Lico? - Daniel me procurava.
- Estou na cozinha, Dani. - gritei respondendo.
Dani foi até a mim e me abraçou por trás.
- Vim pegar sorvete, você quer? - Lico perguntou pegando os 2 fora da geladeira.
- Eu quero. E na boca ainda. - Dani dizia mordendo minha orelha.
Me virei sorrindo e dei um selinho demorado em seus lábios.
- O sorvete é meu, vai ter que tomar de mim se quiser - eu disse mostrando a lingua, e então corri atrás dele. Pulei nas costas de Lico e puxei-o pra trás.
- Você sempre ganha. - Lico dizia fingindo estar magoado.
- Você que não sabe correr. Lerdo! - Dani dizia segurando para não rir.
- Bobo! Chato! Feio! - eu retruquei rindo e mostrando lingua.
- Ridiculo! Insuportável! Eu só quero seu sorvete! - Dani continuou.
- Pega uma colher pra você, essa é minha! - respondi.
Dani foi à cozinha e pegou uma colher, então. Sentamos no chão e começamos a devorar o sorvete. Passei um pouco de sorvete na boca de Daniel.
- Para de fazer sujeira, seu chato. - Daniel dizia rindo.
- Sorvete e Daniel, não tem nada melhor. - eu dizia rindo de lado.
Quando acabamos o sorvete, nos levantamos e Daniel pediu que eu ligasse o video-game.
- Pra que? - perguntei.
- Vamos esquentar as coisas. - Daniel disse pegando as 3 garrafas de vinho. Enquanto ele pegava coloquei o FIFA 14, e apostamos quem perdesse beberia 2 taças. Eu esperava ganhar todas, porém, Daniel já começou vencendo 3 partidas. Bebi a minha parte, e continuamos a jogar. 1 hora, 2 horas se passaram e o vinho havia acabado, eu já estava um pouco alterado pois o Dani bebeu apenas 6 copos.
- Acabou o vinho, acabou.. - eu disse apontando pra garrafa indiciando um choro.
- Você já tá meio alterado hein, Lico. - Dani disse.
- E… Eu vou levantar. - tentei me equilibrar e levantar porém cai.
- Então você está frágil, é? Vou aproveitar muito de você. - Dani disse se aproximando de mim.
- Vai fazer o que comigo? - eu disse com as palavras embaralhadas.
- Tudo! - Daniel respondeu enquanto me beijava. Não estava muito consciente do que estava acontecendo, porém, parei o beijo e apesar da dificuldade, me levantei.
- Eu vou ficar pelado. - eu disse embaralhando as palavras. Tirei minha blusa e joguei no chão. Cambaleei um pouco pro lado, e ri de mim mesmo. Rebolei para Dani enquanto tirava minha bermuda. Dani ficava apenas me encarando e dava pra ver seu membro duro por baixo da bermuda. Daniel então, tirou sua roupa e ao me ver pelado, me.puxou pra cima.
- Ai, Dani! Seu grosso! - eu dizia numa voz provocante.
- Grossão mesmo. Gostoso. - ele respondeu passando a mão por todo meu corpo.
- E… Eu quero fazer uma coisa. - eu disse puxando Daniel para perto da máquina de lavar. Liguei a mesma, e mandei Daniel sentar. Subi no colo de Daniel e ele então colocou seu membro dentro de mim. A medida que a máquina balançava, eu sentia seu membro todo dentro de mim enquanto Daniel apertava minhas coxas e beijava meu pescoço.
- “A gente tamo voando” - eu dizia em forma de gemido.
Daniel não respondeu nada, e apenas seguiu com as fortes penetradas, até gozar. Sai de cima de Dani, e me deitei no chão, e puxei-o pra cima de mim. Daniel então me deu um selinho demorado, passou suas mãos por minha coxa e colocou sua boca em meu membro. Sua lingua passava por todo ele, enquanto ele fitava meus olhos. Sorria pra ele, enquanto minha mão na nuca guiando seus movimentos. Guiei sua cabeça de forma que aumentasse os movimentos de sua boca. Tirei meu membro um pouco de sua boca, e passei-o por seu rosto, “surrando-o”. Até que coloquei-o todo de novo em sua boca e gozei. Assim que Dani engoliu, ele subiu por minha coxa com mordidas e eu me contorcia de rir, pois estava sentindo cócegas.
- Alguém precisa tomar banho, comer alguma coisa, porque a ressaca amanhã será tensa. - Dani disse me guiando para dentro de casa novamente. Como eu estava sem conaeguir me equilibrar, Dani me pegou no colo e fomos para o banheiro de cima. Fomos até o chuveiro, e Daniel, literalmente, me deu banho. Gentilmente, Dani me vestiu e me colocou deitado no sofá.
- Vou preparar um lanche pra você viu, amor? - Dani disse beijando minha testa. Assim que o fez, Dani foi para a cozinha. - Lico, você ainda come Nescau Cereal? - ele perguntava intrigado.
- Sim, eu ainda amo. Pode fazer pra mim. - eu pedia
Dani então me serviu, e depois de comer, eu, literalmente, deitei no colo de Dani e dormi com ele acariciando meu rosto e cabelo.
*Narração Elidio* Quando acordei na manhã seguinte, Dani acordou junto comigo. Sorri ao vê-lo do meu lado e dei um selinho demorado em seus lábios. - Bom dia, DanDan. Dormiu bem? - eu perguntei ainda sorrindo. - Melhor impossivel. - ele retribuiu o sorriso. Nos levantamos e fomos até a cozinha preparar um café da manhã para a gente. Me sentei na mesa enquanto Dani fazia o café. - Dani.... Hoje eu terei que sair. - eu disse com um tom tenso. - Onde você vai, Lico? Por mim tudo bem. - Dani disse concordando. Eu estranhei a atitude de Dani, pois ele nunca aceitava muito bem o fato de eu querer sair com ele, no quesito ciúmes, ele era um dos maiores que eu conhecia. - Eu vou sair com Anderson. - menti. - Só não demore, e eu não precisarei ter ciúmes. - Dani disse brincando. Daniel então serviu o café da manhã e tomamos o mesmo, juntos. E então, Gio me mandou uma mensagem dizendo para irmos comprar o presente agora, pois mais tarde ela e Anderson queriam passar um tempo a sós. - Dani... Eu já vou, ok? Não demoro, meu DanDan. - eu disse enquanto o abraçava e o beijava. Dani retribuiu meus beijos e então sai em seguida. Haviamos combinado de eu passar de carro na casa de Andy e buscar a Gio. Em poucos minutos, cheguei e a avistei já me esperando na porta de sua casa. Ela se despediu de Andy e entrou no carro. - Onde a gente compra essas coisas, Gio? - perguntei. - Na galeria do rock. E ainda dá pra eu comprar algo pro Andy. - ela disse animada. Pelo pouco tempo que conhecia Giovana, eu nunca tinha visto ela tão feliz. Ela parecia uma pessoa mais leve e alegre, agora. *Narração Daniel* Antes que eu inventasse qualquer desculpa para sair e ir comprar o presente de Elidio, ele acabou saindo primeiro. Eu havia pedido para o Bruno me ajudar na compra do presente de Lico. Mandei uma mensagem à Bruno que viesse me encontrar aqui, para então, irmos comprar. Bruno não me respondeu, mas em 10 minutos alguém batia na porta. - Oi, Bruno. Vamos logo. - eu disse saindo de casa. - Eu nem vou usar meu óculos porque sem ele ninguém me reconhece. - eu disse rindo. - E eu vim com uma roupa mais séria pra ninguém perguntar se sou seu filho. - Bruno respondeu brincando. - Uma blusa azul bebê é um traje sério pra você? Tá bom viu. - eu disse ironizando-o. Bruno fez uma careta e seguimos até uma loja oficial do Corinthians que tinha ali perto. - Se você pudesse, era só comprar a loja toda. Elidio ia dar pra você toda hora. - Bruno dizia rindo. - Para, Bruno. A gente pensa em.outras coisas além disso. - retruquei. *Narração Elidio* Em 40 minutos, chegamos ao tal lugar e entramos. - Olha, Elidio, um kit do Ac/Dc. - Giovana disse correndo pra dentro da galeria. - Gio - eu disse indo atrás dela. - É aniversário de namoro meu e do Dani ou seu? - disse fechando a cara. - Me desculpa, me empolguei... - ela disse. Entramos e procuramos pela loja toda e não achei nada legal, e que me atraisse, então resolvemos sair dali. Quando então, avistamos uma loja de instrumentos. - Vamos ali, Elidio. - Gio disse apontando. Segui-a até lá e fomos à seção de guitarras. - Você sabe que quando comprar o Daniel vai dar mais atenção à ela do que à você né? - Gio disse. - Não vai nada, eu só não conseguirei dormir mais. Olha o tamanho dessas coisas, imagine o barulho... - eu disse apontando pra uma preta. - Lico, é uma guitarra normal. - Gio dizia rindo de mim. - Acho que essa daqui combina com ele. - ela apontava pra guitarra. - Eu estou achando ela muito grande... - eu disse analisando-a. - Elidio - Giovana dizia gargalhando - É uma guitarra comum, bobinho. - Então vamos levar... Já que você insiste. - concordei. *Narração Daniel* Entramos dentro da loja, e fomos na seção de camisas. - Tem umas bem bonitas viu... - Bruno dizia passando a mão pelas camisas. - Bom dia, posso ajudar em alguma coisa? Que bonitinho, seu filho novo assim já ter gosto por futebol - a atendente dizia enquanto admirava Bruno. - Ele não é meu filho, querida. - retruquei. - E eu quero essas camisas - fui tirando algumas dos cabides. - Aquela toalha de banho, essas cuecas aqui também... - fui indicando o que eu queria. - Leva aquele mascote também, Dani. - Bruno dizia. - Pega ele lá, Bruno. Enquanto peço outras coisas. - respondi. Mostrei o tamanho das camisas, as cores e outras coisas para a moça ir separando, e percebi que o Bruno estava demorando. Virei-me de frente e o vi pulando tentando alcançar a prateleira. Escondi meu rosto nas mãos, de vergonha e fui até lá ajudá-lo. - Eu ia alcançar, Daniel. - Bruno disse cruzando os braços. Fomos até o caixa e paguei pela compra. Fomos até o supermercado, para eu comprar algumas coisas para fazermos um jantar romântico. - Bruno, o que se faz em um jantar romântico? - eu disse enquanto entrávamos no mercado. - Lasanha congelada que não. - Bruno disse ironizando. - Vou comprar sorvete porque o meu bebê ama. - eu disse indo até o produto. - Bebê? Vocês são nojentos. - Bruno disse com uma cara de nojo. - Eu não sei fazer muita coisa de comida. Não presto pra isso. Ficaremos no vinho então. - respondi pegando as mercadorias e colocando no cesto. Fomos até o caixa pagarmos e então quando saimos despedi de Bruno e voltei para casa de Lico. Quando entrei na mesma, a casa estava toda silenciosa, e escura. - Lico? - chamei por ele. Gritei seu nome até chegar na sala, e vê-lo com um laço de presente enrolado na cintura. - Feliz 1 mês de namoro, teu presente sou eu. - ele dizia enquanto rebolava. - Eu não acredito no que estou vendo... - eu disse rindo. - E essas compras? Você também se lembrou? - ele disse animado. - Sim, essa sacola do Corinthians é tudo pra você. E essa outra é pra... Pra gente se divertir. - eu disse sorrindo de lado. - Obrigada, Dani. Eu te amo! - Lico disse pulando em meus braços e me enxendo de selinhos. - Vamos me ajudar a guardar no meu quarto.... - Lico disse me pegando pela mão e me guiando até lá. Quando entrei percebi um volume debaixo da coberta. - O que é isso, Lico? Espero que não seja seu amante. - eu disse olhando pra ele. - Olhe ai e você saberá, Dani. - Lico disse olhando pra cama. Tirei a coberta e tinha outra embaixo, tirei mais uma e achei outra, e assim sucessivamente. Depois de umas 8, eu vi uma guitarra ali. - Licoooooo - eu gritei - Que foda! Meu Deus, Lico - continuei a gritar e.enquanto pulava. - Os outros acessórios dela estão lá na cozinha. - Lico disse. - Cozinha? - perguntei levantando uma sobrancelha. - Não acredita? Vá lá conferir. - Lico.disse piscando de lado. Desci em direção a cozinha, e não vi nada. Apenas um bilhete na geladeira dizendo: "não abra.", assim que eu o li, abri a geladeira. Ela estava tomada com vários tipos de queijo, e vários pacotes de pães de queijo congelados, no freezer. Embaixo ainda tinha um bolo enorme de chocolate, e um champagne na porta da geladeira. Então, vi Elidio se aproximar de mim por trás e beijar meu pescoço. - Gostou? - Lico dizia em meio aos beijos. - Bolos só são em aniversário, Lico. - eu disse sério. - Brincadeira, é óbvio que eu amei. Obrigado, Lili. - eu disse me virando e beijando-o. - Tem mais coisa! Venha comigo! - Lico dizia me guiando até o telefone fixo, e me mostrou a gravação da caixa postal: "Você ligou para Elidio e Dani, se não atendermos, não insista." Soltei uma risada ao ouvir e então ele me mostrou algo em sua mão. Uma foto revelada nossa, e um papel colado com os dizeres: "Eu sei que é você e mais ninguém, DanDan. Do seu eterno amor, Lili." e meus olhos encheram d'água. - Você é demais. - eu disse abraçando-o e beijando todo seu pescoço. - Você que é, 6 potes de sorvete, onde vamos guardar isso tudo? - Lico dizia rindo. - Aqui cabe 4 - disse apontando pro freezer. - Os outros 2 a gente come tudo. - disse rindo. - Comprei na empolgação. Lico então sorriu e me abraçou, apertei seu corpo no meu e continuei a enchê-lo de beijos. - Você fica me mimando, quando eu acostumar... - Elidio disse apertando meunariz de leve com a ponta dos dedos. - É meu dever. Boneca. - respondi rindo. Guardei todas minhas compras, e a geladeira estava completamente entupida, e então fui fazer algo de almoço pra gente. - Eu não quero almoçar, quero bolo, Dani. - Lico disse. - Não está na hora de comer besteira, depois eu faço, tá bom? - eu disse firme. Elidio concordou com a cabeça, e continuei a preparação de nosso almoço. *Narração Anderson* Enquanto Gio estava fora com Elidio, convenci minha mãe a se mudar hoje mesmo, e comprei um vinho para a gente. Arrumei todo meu quarto, e outras partes que foi possível da casa e esperei-a chegar. - Andy? Cheguei! - Gio anunciava. - Oi minha princesa. - eu disse indo em direção à ela e selando seus lábios. - Sua mãe arrumou tudo aqui, hein? - ela respondeu olhando tudo em volta. - Na verdade... Ela se mudou. E, foi eu que fiz. - disse orgulhoso. - Está aprovadissimo no quesito empregada. - Gio sorriu. - Agora, deixe-me te mostrar o que eu já estava querendo... - falei enquanto a pegava no colo. - Eu sei andar, Anderson. Vou ficar mal acostumada. - Gio respondeu em meio às risadas. - Fica calada, mulher. - respondi rindo também. Levei-a até meu quarto, e coloquei-a em minha cama. Peguei a taça de vinho dela e entreguei-a, e peguei a minha. Me sentei ao seu lado, e peguei em seu queixo. - Eu me prometi que nossa primeira vez seria especial. Para você sempre se lembrar de mim, e quero que corra tudo bem. Quero tanto que... - eu disse abaixando o braço e pegando uma caixa de camisinhas e mostrei-a. - Idiota! - Gio dizia rindo. - Só pelo fato de ser com você já será especial. Obrigada por me fazer tão bem. - Gio disse olhando em meus olhos, e em seguida a beijei. (Continua.)
Dudu: Ele disse que já tá resolvendo tudo e que vai voltar assim que der.
Dudu contou a novidade, sério. Não teve nenhuma reação de alegria ou alívio e também não parecia esperar isso de mim. Acho que finalmente temos o desgosto em comum pela mesmo pessoa, mesmo que essa pessoa seja nosso pai.
Eu: Se ele voltar...
Dudu: Eu to bem na casa de Nick. Muito bem, bem como nunca estive... ou talvez só quando a mãe ainda era viva. Não vou trocar isso pra morar com um cara torto tipo ele. Voltei a ter uma família, Madu.
Era exatamente essa resposta que eu esperava ouvir e fiquei muito feliz por isso. Tinha muito medo que meu pai conseguisse fazer a cabeça de Dudu e o fizesse voltar pro inferno que é viver em sua companhia. Não acho que meu irmão tenha que ficar preso pelo resto da vida simplesmente por ser nosso pai. Na verdade, ele não precisou fazer muito esforço pra ser pai.
Quero dizer, o único esforço foi convencer minha mãe a dar pra ele e mais nada.
Eu: Se ele entrar em contato contigo de novo, me avisa. Não deixa ele se aproximar muito de ti e mantém a cabeça no lugar. Nada de ficar ouvindo os discursos moralistas e mentirosos dele, OK?
Assentiu.
Fomos sentar nos escorar em qualquer lugar disponível porque o clima não era dos melhores. Não consegui tirar meu pai da cabeça depois daquilo. Ele podia mesmo obrigar Dudu a morar com ele, já que ele é menor de idade, mas se os pais de Nick brigassem na justiça pela guarda, de jeito nenhum que meu pai ganharia.
Ele é só um velho bêbado e, até onde eu sei, agora sem nada no bolso. Os pais de Nick são ricos, simpáticos e a gente consegue sentir a felicidade deles de longe. Nenhum juiz tiraria Dudu daquela casa. É o que eu espero.
Poderia me obrigar a ir morar junto também, mas isso nem vai passar pela cabeça dele. Deve é comemorar quando souber que não precisa mais me bancar.
Não percebi o tempo passar com tanta merda pra pensar.
Não falei com Luck depois da nossa “briga”, mas duvido muito que ele tenha ficado realmente puto. A gente não precisa mais pedir desculpas um pro outro. Acho que nossa amizade já passou de estágio. E isso não vai mudar nunca, ou até nossa amizade acabar.
Parei e bebi um gole grande pensando nessa possibilidade desastrosa.
Me imaginar longe de Luck é tão ruim quanto imaginar Dudu fora da minha vida. Tentei realmente parar de pensar essas merdas porque isso não podia acabar bem. Foi impossível não voltar a pensar em Lipe.
Filho da puta.
Por que é que me fez gostar dele e depois foi embora? Foda-se que talvez eu tenha 50% de culpa nisso. Foda-se. Ele não podia ter ido. Era como se o dia do “será que sou uma vadia?” estivesse se repetindo de novo. Só que dessa vez mais intensamente, porque eu já tinha memórias suficientes pra me corroer pelo resto do dia. Afinal, aquele abraço aconchegante não é qualquer um que tem. O jeito com que ele penteava o cabelo e eu o bagunçava até deixar do jeito que gosto.
Minha respiração tava acelerando de um jeito estranho, peguei o copo da mão de Dudu e virei. Me arrependi na mesma hora. Minha garganta gritou que eu estava sendo estúpida e rejeitou a bebida. Cuspi de volta e devolvi a Dudu. Ele olhou pro copo com cara de nojo, mas eu não liguei. Precisava me acalmar de algum jeito e foi aí que eu vi um maço de cigarros na minha frente. As pessoas fumam quando estão nervosas, tem que funcionar comigo também.
Peguei um e acendi com o isqueiro que estava do lado. Não sei de quem era, mas foi idiota de deixar jogado e agora é meu. Coloquei o isqueiro no mesmo bolso do celular pra não perder e continuei a fumar. Um de cada vez, com calma e aproveitando cada tragada. Respirando fundo e deixando a fumaça tomar conta da minha visão.
Logo depois consegui uma cerveja e fiquei feliz, intercalando entre os dois. Percebi que fazia um tempo considerável que eu não ficava bêbada. No máximo brisada, do tipo “cadê Lipe? Preciso procurar. Cadê?” E acabar sendo encoxada por um hipster babaca, mas nada demais. Não sei se era um progresso. Não sei se isso merecia um brinde, só sei que continuei bebericando aqui e ali sem me preocupar em ter acabado de sair de um hospital.
.
Acordei com alguma coisa roçando em mim. Abri os olhos, sonolenta e fui ver o que me incomodava. Era Nick. Estávamos no quarto de Luck e ele dormia atravessado na cama como se tivesse tentado encontrar uma posição confortável, mas dormiu antes disso. Acabou deixando o boné em cima de mim. Peguei o boné e voltei a dormir.
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- Maduzinha?
Eu: Hm? – abri os olhos de novo, ainda agarrada com o boné.
Luck: Preciso da tua ajuda pra arrumar tudo antes que os caras dos móveis cheguem. Eles me ligaram e vão chegar em vinte minutos.
Eu: Por que tu não me avisou antes que eles iriam chegar tão cedo?
Luck: São quatro da tarde.
Eu: Ah. – levantei devagar, com a mão na cabeça. Não sabia o que fazer com o boné, já não via Nick por ali. Então o coloquei na cabeça. Luck ficou me olhando estranho, mas deu de ombros.
Fui até o banheiro e joguei uma água na cara. Percebi a quantidade de lixo que tinha pela casa. Nem tinha tanta gente assim, mas tem babaca que se abusa, puta merda. Respirei fundo e peguei um saco grande de lixo que achei no banheiro e coloquei meu tênis depois de ouvir o grito de Luck.
Luck: UM IDIOTA QUEBROU TRÊS GARRAFAS NA SALA. NÃO VEM DESCALÇA. FILHO DA PUTA.
Fui até lá ver o estrago e colocamos a mão na massa.
Duas almas cansadas, como a gente, não conseguiram fazer muita coisa. Mas a casa ficou apresentável. Quatro sacos grandes de lixo cheios foi o que sobrou da noite passada. Coloquei-os na frente do prédio e voltei. Me joguei ao lado de Luck no sofá.
Estávamos cansados e Luck provavelmente com dor de cabeça, pela cara que fazia. Então conseguimos um breve silêncio no AP. Até ouvir a buzina do caminhão na frente do prédio. Luck saiu correndo e falou antes de sair.
Luck: Pelo menos eles atrasaram.
Verdade. Não conseguiríamos limpar tudo em vinte minutos nem fodendo.
Trazer tudo pra dentro foi um trabalho de, pelo menos, duas horas. E mais uma hora pra arrumar, móveis pra cá e pra lá. Haja força nos braços. Os caras foram embora quando já era noite e Luck ainda não estava satisfeito.
Luck: PORRA! EU PAGO O DOBRO DO QUE ELES ESTÃO ACOSTUMADOS E NÃO FAZEM A PORRA DO TRABALHO DIREITO.
Eu: O trabalho deles é trazer até aqui...
Luck: VOU RECLAMAR MESMO E FODA-SE. GASTEI MEU DINHEIRO NESSA PORRA E TENHO O DIREITO...
Parei de ouvir quando liguei o chuveiro e fechei a porta. O banheiro estava tão mais bonito com tudo organizado. Toalhas novas e brilhantes.
OK. Posso ter exagerado na hora do "brilhando", mas eu já ficava feliz na organização. É impressionante como o Luck consegue ser uma “bagunça organizada”. E não só organizada, como perfeccionista. Isso era bom. Nosso AP parecia uma casa de verdade agora. Talvez ainda com um cheiro suspeito do antigo inquilino, mas duvido que isso mude morando com quem moro.
Tinha algumas coisas esquisitas, é claro. Como as almofadas verde limão que Luck insistiu que eram legais colocar no sofá velho. Mas em geral, ficou tudo muito lindo. E ver tudo assim, foi como um tapa na cara “Tu tá sozinha agora. Tá na hora de te virar, manola. Se liga” O dinheiro de Luck não ia durar pra sempre e eu nem gostaria de usufruir disso por muito mais tempo. Sei que por Luck eu poderia ser escorada, e ele ainda pagaria tudo pra mim, mas não me sentia bem nem com a ideia dessa situação. Parecia errado.
Saí do chuveiro e voltei até a sala. Luck cochilava no sofá. Cheguei até ele e tentei acorda-lo gentilmente, mas não funcionou.
Eu: LUCK!
Luck: Quê? – ele levou um susto.
Eu: Vamos comer alguma coisa.
Luck: Eu também to com fome, mas não tem nada na geladeira. – ele bocejou e eu sentei junto dele – a gente podia ir na casa de alguém pra comer.
Eu: Quem? – perguntei descrente.
Luck: Sei lá. Teu namorado, vamos lá. – ele falou a última frase como se tivesse lembrado da existência dele.
Eu: Ele não é meu namorado e a gente brigou.
Luck: Ah, vai tomar no cu.
Eu: Quê? – tentei entender o que fiz de errado.
Luck: Não quero saber da tua briga, mas tu tá errada porque agora a gente não tem onde comer. Orra. Vamo na casa daquele amigo teu que tá aturando o Dudu por nós.
Eu: Fica muito longe e o nome dele é Nick.
Luck: O quão longe?
Eu: Ele mora na mesma rua que eu morava.
Luck: Na rua das mansões? Jura? O moleque se deu bem então. Deve estar morando numa puta casa. – ele riu e logo parou – não temos onde comer. Poderíamos ir em algum restaurante, mas deve tá tudo cheio nesse horário.
Ele fez cara de deprimido.
Eu: To perdendo a fome já.
Luck: Amanhã a gente faz compras. – ele falou pra si mesmo.
Eu: Lindo. E hoje a gente passa fome.
Luck: Culpa tua. Se não tivesse terminado o namoro, já estaríamos a caminho da casa do Lipe.
Eu: CALA A BOCA, LUCK. NÃO ME ENCHE. – fiquei puta só de ouvir o nome dele. Mas é claro que o Luck não ia deixar quieto.
Luck: EU TE ENCHO SIM. TO COM FOME, PORRA! E FOI TU QUE ME ACORDOU.
Eu: PEDE UMA PIZZA E PRONTO, CARALHO!
Luck: Por que eu não pensei nisso antes? – pegou o celular e pesquisou o número de pizzarias mais próximas.
Silêncio depois disso.
Me estressei com Luck por motivo nenhum, mas ele enche o saco.
Eu: Por acaso tem prato e talheres? – perguntei pra tirar a tensão do momento.
Luck: Que mané prato, Maduzinha. Come com a mão mesmo.
Pelo jeito só eu sentia a tensão. Dei de ombros e esperamos a pizza ansiosamente. Quando chegou, eu desci e sofri pra carregar a caixa e a garrafa de refrigerante pro AP, mas cheguei viva e varada de fome.
Luck: Que dia. Puta que pariu. – ele falou enquanto abríamos a caixa e nos sentávamos pra comer.
Eu: Tu ainda pensa em alugar o terceiro quarto?
Luck: Claro, por quê? – ele limpou a boca e me olhou.
Eu: A Lola pediu pra ficar com ele.
Luck: Lola? Ruiva gostosinha? – ele puxou da memória.
Eu: Sim... eu acho.
Luck: Tudo bem. Gostei dela – fez cara de segundas intenções e voltou a comer.
Eu: Não faz essa cara. Duvido que ela ficaria contigo, na boa.
Luck: Mas por quê? Qual o problema comigo? – ele perguntou com a boca cheia.
Eu: Pffs.
Luck: Fala, caralho.
Eu: Sei lá. Só tenho essa sensação. E se tu fosse um pouco inteligente, não tentaria dar em cima de alguém que tu vai ver todos os dias. Não só ver todos os dias, mas conviver na mesma casa. A não ser, é claro, que vocês se casem.
Silêncio.
Luck: Tu tá delirando, Madu. Já tomou teus remédios?
Eu ri e deixei quieto. Não eu não havia tomado o remédio e foda-se. Quero dizer, to melhor. Bem melhor. Mesmo com o acúmulo de problemas.
Quando terminamos de comer, Luck insistiu em instalar a nova TV, mesmo tendo tentado várias vezes.
Luck: Tem que ter um jeito de instalar isso aqui, não é possível,
Eu tentei ajuda-lo, mas não tinha muito a ser feito. No fim, deixei ele sozinho e fui até meu quarto arrumar o que faltava.
Luck comprou uma estante muito perfeita, onde dava pra guardar CDs, LPs e livros. Pena eu não ter muito pra completar ela. Acabei deixando muita coisa pra trás e nem havia percebido. Se tivesse ganhado essa mesma estante ano passado, quando ainda morava na minha antiga cidade, eu a preencheria numa boa.
Preencher aquela estante parecia a coisa certa a se fazer. E eu ia conseguir em pouco tempo, sentia isso. Sentei na minha nova cama de casal e fiquei olhando pra estante vazia até Luck me chamar.
Sentamos no sofá velho e ficamos assistindo os filmes que passavam no momento. Conforme enjoávamos, Luck trocava de canal. Até achar um onde passava Laranja Mecânica. Ele comemorou fazendo uns gestos estranhos com as mãos e gritou de emoção.
Luck: Esse filme é muito foda, Maduzinha.
Depois disso ficou falando junto com os personagens como uma segunda voz. Eu acho, só acho, que talvez ele tenha visto o filme dezenas de vezes. Quando terminou, dormi ali mesmo, sem ligar pro desconforto ou pro cheiro suspeito do sofá velho.
.
Acordei assustada com o estrondo.
Abri os olhos rápido e percebi que continuava no sofá e que o barulho tinha vindo da cozinha, onde Luck xingava baixinho enquanto mexia nas panelas.
Eu: Vai cozinhar?
Luck: Eita, porra. Achei que tivesse dormindo. – ele colocou a mão no peito e respirou por um minuto. Eu ri com o susto que ele levou e me levantei.
Luck: Comprei panelas, mas ainda estamos com os armários vazios.
Eu: Muito inteligente. – zuei enquanto caminhava até o banheiro e enxaguava o rosto.
Minha cara não estava tão ruim. Coloquei uma roupa decente e voltei pra sala.
Eu: Tu ainda tem dinheiro?
Luck: Sim, é claro.
Eu: Vamos ao mercado, então.
Luck: Quê?
Eu: A gente não pode sobreviver de pizza. – ele me olhou e assentiu como se tivesse pensado nessa possibilidade.
Me seguiu até o elevador e nos direcionamos ao mercado mais próximo. Pegamos um carrinho e começamos a andar pelos corredores, olhando para os lados.
Luck: Hm... Devíamos ter feito uma lista de compras.
Eu: Até parece que tu saberia o que escrever nela.
Luck: Ah, é.
Silêncio.
Luck: FEIJÃO! Vamos precisar de feijão – ele colocou 5 kg de feijão dentro do carrinho e silêncio de novo.
Eu: Tu sabe fazer feijão?
Luck: Não... e tu?
Eu: Também não.
Luck: Puta que pariu. Tu devia saber dessas coisas.
Eu: Eu? Por quê?
Luck: Porque sim. Tu é mina.
Eu: Tu é “mino” e devia saber jogar futebol, porém...
Luck: Cala a boca, Madu. – eu ri.
Sabia que ele sempre quis saber jogar, mas era uma bosta em esportes tanto quanto eu.
Continuamos vagando pelos corredores e colocando uma coisa ali outra coisa aqui dentro do carrinho. A verdade é que nem eu, muito menos Luck, sabíamos o que estávamos fazendo.
Eu: Ali tem miojo. Acho que devíamos levar uns dez. – ele assentiu e pegou no mínimo uns vinte.
E foi daí em diante que tivemos a decência de comprar alimentos instantâneos.
Luck: Espero que Lola saiba mesmo cozinhar. Senão é só isso que iremos comer. – ele olhou pro carrinho com o olhar triste.
Voltamos a caçar comida.
Luck: Aquele não é o Cobain?
Eu: Quem? – perguntei enquanto arrastava tristemente o carrinho pelos corredores. Olhei para onde Luck apontava. Era Kurt, com uma menina na sessão de bebidas. – por que tu chama ele de Cobain?
Luck: Não é óbvio?
Eu: Hm. É.
Decidi apenas continuar meu caminho triste de comida rápida pelos corredores. Foi quando esbarrei em um garoto (aparentemente mais novo que eu) trabalhando ali que lembrei de uma coisa.
Eu: Luck.
Luck: Hm. – dessa vez ele carregava diversos pacotes de Doritos e bolachas.
Eu: Me lembrei de uma coisa agora.
Luck: Do quê? – ele saiu correndo e voltou com os braços cheios de Toddynho.
Eu: Kurt tá me devendo uma.
Luck: Daquela vez que tu trabalhou pro pai dele?
Eu: Sim. Ele disse que qualquer coisa que eu precisasse era só pedir.
Luck: Ele não parece um cara que diria uma coisa dessas, mas prossiga.
Eu: É. Acho que foi a única vez que o vi sendo gentil. Ele tava meio desesperado também. – fiquei pensativa.
Luck: E tu vai pedir o que pra ele?
Eu: Pra me ajudar a achar um emprego. – Luck deixou os cereais que carregava cair e me olhou sério.
Luck: Tá maluca? Tu não vai confiar nele pra uma coisa tão importante. Eu não vou deixar. O máximo que ele arranja pra ti é trabalho de stripper.
Eu: Para de fumar, Luck.
Luck: Falando nisso, foi tu que fumou meu beck que tava na minha gaveta?
Eu: Não. Foi o Lipe.
Luck: Filho da puta. Eu achei estranho, porque tu não costuma fumar. Não tenho muita coisa por aqui, sabia? Não conheço ninguém nessa porra de cidade pra me reabastecer.
Eu: E eu lá tenho culpa? – perguntei ainda com Kurt na cabeça.
Olhava para os lados e não o via em lugar nenhum. Decidi voltar ao corredor das bebidas. Luck me seguiu mesmo sem saber o que eu pretendia e continuava reclamando.
Luck: Quando vim pra cá, confiei em ti. Achei que tu tivesse feito uns amigos importantes e que poderiam me ajudar nisso, mas o máximo que percebi naquela festa foi aquele babaca que tu me comparou e...
Eu: KURT! – ele olhou pra trás e Luck parou de falar.
Kurt sorriu e caminhou devagar até nós, com a guria ao lado.
Kurt: Tudo bem, Madu? – ele me cumprimentou com dois beijos no rosto e uma mão na cintura. Chamou ele, agora aguenta Maria Eduarda.
Eu: Queria falar contigo... sozinha.
Kurt: Olha, se for sobre Lipe... – ele tirou o sorrisinho da cara e revirou os olhos, mas eu o interrompi.
Eu: NÃO. Não é sobre Lipe. – fui mais grossa do que esperava, mas Kurt não teve reação alguma. Só assentiu e caminhou até o corredor do lado. Eu o segui.
Eu: Lembra do dia que substituí a Gretchen?
Kurt: Mas é claro. – óbvio que ele lembra. Pergunta idiota.
Eu: Disse que eu podia pedir qualquer coisa...
Kurt: Eu lembro do que disse, pode pedir o que quiser.
Eu: Preciso de um emprego e seria o favor ideal se tu me ajudasse com isso.
Ele respirou fundo como se esperasse um pedido melhor e assentiu.
Kurt: Vou ver o que consigo fazer por ti.
Eu: Ah... eu não quero exigir nada, mas...
Kurt: Não vou te colocar como faxineira de um bar de esquina, Madu. Relaxa – ele sorriu.
Eu: Obrigada. – agradeci enquanto voltávamos.
Kurt: Eu vou te ajudar porque to te devendo uma, se não tivesse, não faria isso nem fodendo. Não sei pra que tanta insistência em trabalhar quando tu tem uma mina de ouro morando contigo. – ele indicou Luck com a cabeça.
Ignorei.
Luck e a guria, que acompanhava Kurt, estavam rindo e conversando como melhores amigos. Revirei os olhos pensando na rapidez daquele moleque.
Sem se despedir, Kurt colocou a mão nos ombros da menina e saiu. Antes de desaparecer por completo gritou o que eu não tive coragem de perguntar:
Kurt: Te ligo amanhã mesmo. Pode relaxar.
Peguei o carrinho e continuei meu caminho, com Luck me perseguindo. Ele me observava pelo canto dos olhos, sem dizer nada, mas deixando claro tudo o que passava pela cabeça dele no momento. Luck é bem previsível. É capaz dele não falar nenhuma palavra até que eu pergunte. Por isso deixei quieto. Até a mulher da caixa estranhou o clima e eu fingi não notar.
Chegando no AP, eu não aguentei mais o silêncio e olhei direto pra ele.
Eu: Fala, Luck. Pode falar.
Luck: EU NÃO ACREDITO QUE TU TÁ CONFIANDO NAQUELE FILHO DA PUTA DO CARALHO! – ele ergueu os braços e berrou como se tivesse entalado.
Eu: Não sei mais onde procurar.
Luck: TU NEM PROCUROU, PORRA.
Eu: Luck, eu não conheço nada aqui. Te acalma. Eu lembrei desse favor que ele me devia, se der certo ótimo, se não eu procuro em outro lugar, entendeu?
Luck: Tá bom. – ele deu de ombros, acendeu um cigarro e saiu.
Não. Nada de “tá bom”. Suspirei. Não tinha certeza de que esse favor daria certo, mas eu não podia deixar passar. Quem sabe essa não era a solução. Foi fácil de conseguir, achei que teria de implorar a Kurt. Que ele não concorda com essa história de eu querer trabalhar não é novidade.
Sentei no sofá velho e cheio de pó para pensar no que fazer. Respeito Luck mais que qualquer um nesse mundo. E agora eu deixei ele puto. Acho que de verdade dessa vez. Ou não. Olhei reto e vi nossas compras no balcão.
Comida. Nunca soube cozinhar, mas também nunca tentei. Poderia aprender e fazer alguma coisa legal pro Luck ficar de boca cheia e deixar de ser puto comigo.
Pesquisei diversos vídeos na internet e acabei tentando fazer uma lasanha. Sei que Luck adora. Quero dizer, todo mundo gosta de lasanha. Nos vídeos parecia muito fácil, mas logo quando peguei os ingredientes percebi que a minha lasanha não ficaria tão bonita quanto a da tia do youtube.
Preparei tudo e coloquei no forno. Sentei nervosa, olhando para o fogão novo. Vinte minutos depois, Luck entrava pela porta e olhou estranho pra cozinha bagunçada.
Luck: O que aconteceu? Que cheiro é esse? – eu apontei e ele foi ver. – isso é lasanha? Tu fez lasanha?
Ele começou a rir descontroladamente. Estava prestes a mandar ele se foder quando veio me abraçar.
Luck: Tu é uma figura, Maduzinha.
Eu não disse nada e dei de ombros. Organizamos as coisas e coloquei pratos no balcão que serviria de mesa pra nós.
Eu: Se eu chamasse Dudu, tu ficaria puto de novo?
Luck: Tudo bem. – peguei meu celular – e eu não fiquei puto. Só decepcionado. Ainda to. Não gosto do Cobain. Por mais que o nome dele seja foda.
Dudu: Não posso ir agora, Madu. Ainda to na escola. Mas daqui a pouco eu passo por aí, pode ser?
Eu: Escola?
Dudu: É. Primeira semana de aula. Tu não sabia?
Eu: Claro, só tinha esquecido.
Dudu: OK. Daqui a pouco eu chego aí... Ah, o Nick vai junto. Tchau.
Desliguei.
Eu: Luck, tu sabia que essa é a primeira semana escolar?
Luck: Não sei nem que dia é hoje.
Pelo menos não era só eu.
-
Luck: MADU, O MOLEQUE TÁ CHAMANDO NO PORTÃO.
Eu: Vai lá abrir.
Ele bufou e desceu enquanto eu terminava de colocar mais dois pratos no balcão.
Minutos depois Dudu e Nick entraram atrás de um Luck rindo atoa. Não entendi o porque até ver o que os dois estavam usando.
Eu: Mas que porra é essa?
Nick: Nossa obrigação é usar isso, não zua.
Eu: OK. – assenti e tentei não olhar mais praquele uniforme bizarro. Era verde limão e azul. Realmente esquisito, mas dei de ombros.
Nick parecia meio pra baixo, seria mancada fazer piada. Luck não parou pra pensar nisso, é claro. Mas eu deixei quieto.
Sentamos a mesa e Dudu desandou a falar sobre como a escola era grande e bonita. Nick só concordava com a cabeça e eu fingia interesse.
Dudu: É muito foda. Tu devia estudar lá com a gente, Madu.
Hell no?
Eu: Não acho que conseguiria pagar uma escola dessas. – ele abriu a boca e eu continuei rápido – E nem me encaixaria lá.
Dudu: Claro que se encaixaria, por que não?
Luck: Porque é colégio de playboy. Cheio de moleque idiota que se acha superior por nascer num berço de ouro. Tem pessoas que não são assim? Provavelmente, mas são tão poucos que não dá nem pra considerar. Os professores exigem tanto de ti, como se tu fosse um robô e não pudesse mexer um dedo sem autorização. Até parece que isso é ensino. – Luck que havia ficado quieto até agora se manifestou agressivo – Madu é inteligente demais pra pertencer a um lugar tão limitado a gente pau no cu.
Silêncio.
Dudu parecia estar ficando bravo e Nick sorria.
Luck: Tá rindo de que, maluco?
Nick: Tu acabou de descrever exatamente como minha escola é sem ter estado lá. – ele parecia impressionado.
Luck: Nunca estive na tua, mas vivi saindo de uma escola e entrando em outra. Essas escolas de playboy são tudo igual. Quanto mais caro tu paga, menos liberdade tu tem pra ser tu mesmo. Eles querem é que tu seja um logotipo pra poder mostrar pros outros. “Olha como nossos alunos são comportados e humildes”, mas saindo dali é tudo um bando de mimado do caralho.
Silencio de novo.
Dudu tava com cara vermelha de raiva e Nick parecia mesmo admirar Luck mais que tudo nesse momento. Aquela cena tava estranha, então tentei trocar de assunto. Mas o clima tava pesado mesmo. Quando pairou o silêncio de novo olhei pro Nick e reparei que ele estava sem boné. Lembrei que tinha deixado no meu quarto e levantei para buscar.
Quando voltei, coloquei-o na cabeça dele e sentei de novo, olhando a reação que ele teria.
Nick: Não sabia onde tinha deixado. – ele sorriu e agradeceu ajeitando o boné pra não tapar os olhos.
Foi o primeiro sorriso que eu vi ele dando desde que chegou e fiquei satisfeita. Depois disso, o tempo passou rápido. Quando os dois resolveram ir embora, já anoitecia. E ao me despedir de Nick, cochichei séria.
Eu: Se precisar de alguém, sabe que sou tua amiga, certo? – ele pareceu surpreso, mas assentiu, sorrindo.
Luck: Teu irmão continua o mesmo coxinha de sempre. – ele disse fechando a porta e sentando no sofá.
Fingi que não ouvi e decidi organizar a cozinha. Não levou muito tempo pra eu me irritar e sair de casa levando os cigarros de Luck escondidos. E me sentei em frente ao prédio, escorada na parede amarela. Fumava com calma. Observar a fumaça saindo da minha boca e de dissipando com o frio da rua era viajante e até libertador. Como se fosse a coisa mais importante a se reparar no momento.
Quanto mais escurecia, mais a rua das Galáxias ia enchendo e tomando o formato que eu conheci primeiramente. Eu sorria ao olhar onde fui parar. Acho que nunca vou encontrar lugar melhor.
E enquanto eu olhava o movimento, reparei em um velho olhando para o chão. Ele deixou alguma coisa cair e não conseguia achar com a escuridão embaixo das árvores. Estava mesmo muito fácil dele ser assaltado e eu temia por ele. Resolvi vestir minha capa de super-heroína e ajudar o pobre velho. Ao chegar mais perto, ouvi os resmungos sobre “chaves”. Elas brilhavam no chão. Me abaixei e peguei, sem reação.
Eu: Senhor, está aqui suas chaves.
Velho: Pois me dê logo, já to atrasado.
Antes que eu lhe entregasse o molho, olhei diretamente nos olhos e consegui perceber, mesmo com a escuridão, que o velho era cego. Devolvi e ele foi embora, resmungando.
Eu: Ingrato. – cochichei pra mim mesma.
Quando ia voltando, vi Luck com a cabeça pra fora da janela do meu quarto olhando para os lados. Não sabia dizer se estava maravilhado pelo que via ou se me procurava.
Antes de voltar, passei em um bar pra pegar alguma coisa pra beber. Sabia que havia comprado no mercado mais cedo, mas não estava a fim de subir. Fiquei indecisa se eu poderia entrar com o cigarro, mas via gente saindo e entrando com cigarro na boca, então arrisquei.
E deu tudo certo. O carinha não encrencou com minha idade, pelo menos. Acho que ele não se importava. Peguei minhas duas garrafas e voltei pra frente do prédio. Me escorei na parede novamente e fiquei por lá. Quem me olhava de longe poderia achar que tava deprimida ou sei lá, mas não era nada disso. Me sentia aliviada por ter resolvido um dos meus problemas, mas também me sentia apreensiva por Dudu. Será que ele tava voltando a ser o que era antes? Ou nunca mudou de verdade? E isso era o que perturbava Nick?
Chacoalhei a cabeça e tentei não pensar nisso quando vi Luck descendo. Tava perfumado e com um grande sorriso no rosto.
Eu: Vai onde todo arrumado assim? – perguntei sem que ele me visse.
Luck: PUTA QUE PARIU! – ele deu um pulo. – Que caralhos tu tá fazendo aí, Madu?
Ele me olhou com cara de quem esperava uma resposta.
Eu: Não to fazendo nada, ué.
Luck: Tu tá fumando.
Eu: Pois é.
Luck: MEUS cigarros.
Eu: Pois é.
Ele bufou e sentou ao meu lado, em silêncio. Pegou um e acendeu também.
Luck: O que acha que tá fazendo?
Eu: Sentada, olhando o movimento. – ele me olhou, sério. Dei de ombros.
Luck: Tu anda muito fuck the police. Curti no começo, mas agora tá me preocupando.
Eu: Mas eu só...
Luck: Me deixa terminar. Quando te conheci, quase te obriguei a colocar um pingo de álcool na boca. Fumou pouquíssimas vezes e maconha quase nunca. Só mesmo quando estava perto de pessoas que tu conhecia. O que aconteceu com essa Maduzinha que tinha juízo?
Eu: Acho que essa Maduzinha tá um pouco fodida no momento. – eu ri sem saber o porque – tu não espera que eu continue a mesma pro resto da vida, certo?
Luck: Mas olha pra ti agora. Jogada na rua, parecendo sem forças pra levantar e enfrentar tudo. Não é essa a Madu que eu conheço e admiro pra caralho.
Eu: Mas é essa a Madu que eu sou hoje. Uma covarde. – olhei diretamente nos olhos dele.
Luck: Eu duvido. – ele fez que não com a cabeça – tu só tá fodida agora. E vai ficar fodida até resolver levantar a bunda do chão.
Eu: Eu tentei fazer alguma coisa, tu sabe. Isso me sobrecarregou tanto que parei no hospital.
Luck: O teu problema é pensar demais e fazer de menos. Fica aí achando que todas as merdas na tua volta tem a ver contigo e os problemas que estão na tua cara e que tu pode resolver, ficam de lado.
Silêncio.
Luck: No que tu tava pensando antes deu chegar? – dei de ombros. – fala, porra.
Eu: Lipe.
Luck: Lipe, claro. Então, o que te impede de ir até a casa dele e pedir desculpas?
Eu: Mas tu nem sabe o que aconteceu.
Luck: Foda-se. Se tu ficar se apegando aos detalhes, nunca vai ficar completamente satisfeita. Não interessa se a culpa é dele ou tua. Tu tá sentindo a falta do moleque e eu tenho certeza que ele sente tua falta também. Se tu pedir desculpas e der um beijos, vocês voltam a ficar de boa como antes e um problema a menos na lista.
Pausa pra tragar.
Luck: Em vez de ficar se remoendo pelos problemas que aparecem a todo instante, tenta resolver um por um. Começa pelo mais simples e que vai te deixar mais forte pra enfrentar os outros. Enfrenta tua vida como uma mulher e não como uma pirralha alienada.
Ele suspirou, pegou a garrafa da minha mão e se levantou. Beijou minha testa, carinhosamente e seguiu em direção a confusão mais para o fim da rua. Bebendo minha cerveja.
Fechei os olhos tentando desaparecer dali ou, pelo menos, fazer eles sumirem. Nada. Senti uma mão segurando cada braço meu. - O que vocês querem?- perguntei irritada. - Parece que o casalzinho brigou feio.- a voz fina da Nicole me irritou. Pra caralho. - E você Vinicius, o que tu quer? - A gente precisa conversar de verdade. A Nicole colocou a mão na boca e sorriu. - Parece que o mocinho descobriu que estava namorando uma vadia, que não liga pra nada. A raiva me subiu a cabeça, puxei o braço que o Vini tava segurando e dei um soco no olho dela. - Sua vadia!- me deu um tapa. - Ah, não, você não fez isso. - Alaska, não.- o Vinicius tentou me alertar. - E você vai fazer o que?- ela me olhou em desafio. - Não desafia ela, você vai se dar mal, Nicole.- ele tentou fazer o mesmo com ela. - Eu não tenho medo dessa aí.- apontou para mim. - Essa aí?- levantei a sobrancelha. - Não se faça de surda. - Daqui a pouco eu vou fazer você ficar. - Claro!- ironizou. - Já chega! Parti pra cima dela, ela era muito mulherzinha lutando. Quando minha mão tava doendo de bater nela a segurei pela blusa. - O que você estava dizendo, Nicole? - Eu não tenho medo de você. Sorri e limpei o pouco de sangue que escorreu pela minha boca com o dedo. - Você ta querendo apanhar de novo né? - Não. - Então some da minha vida. Larguei e ela caiu de bunda no chão. Fui empurrando a rodinha que tinha se formado entre a gente enquanto me arrumava e fui pra mesa de bebidas. O primeiro copo que eu virei doeu um pouco por causa do machucado da boca, mas já no terceiro tava amortecido. - Aquilo foi fo-da!- a Marina se jogou em cima de mim. - Aquela puta me irrita. - A gente não conseguiu ver toda a luta porque os carinhas ficaram tudo envolta de vocês pra ver. - Cadê as outras meninas? - No banheiro, mas já tão vindo. - Preciso relaxar um pouco. Alguém me cutucou nas costas, me virei e era um menino lindo demais! - Oi?- falei. - Então, meus amigos me desafiaram a pedir seu numero e um beijo, eles dizem que eu não pego ninguém e pá.- apontou para um grupo de mauricinhos.- Por falar nisso você foi muito foda batendo na Nicole. - Você conhece ela? - Estudei com ela. Olhei para o grupo de novo, estavam olhando como se eu fosse dar um tapa nesse garoto ou coisa do tipo, me voltei a ele de novo. - Qual o seu nome? - Adam. Estendi a minha mão e ele apertou. - Alaska. Me empresta seu celular. Ele me olhou sem entender e me deu, anotei meu numero. - O numero que você pediu. - E o beijo? - Ta aqui. Fiquei na ponta dos pés, entrelacei minhas mãos no seu cabelo e dei um beijo longo e não muito lento. No fim ele sorriu, voltou com os amigos, que estavam me olhando estranho, e eu voltei com a Marina. - Agora tô relaxada!- falei me esticando e depois a abraçando pela cintura. - Uma delicia aquele ali, pena que era meio mauricinho. - É, beija bem até. - Acho que o Vinicius ficou meio puto.- apontou para um canto onde ele estava. Ele viu que estávamos olhando pra ele, cutucou uma loira e quando ela virou ele a beijou. Ele quer jogar? Certo. Toquei no ombro de um loiro gatinho, ele se virou e sorriu. - Você é a menina da luta, né?- falou todo empolgado. - Sou sim. Eu sei que é meio estranho, mas meu ex ta me olhando nesse momento, posso te beijar? - E tu ainda pergunta? Me puxou pela cintura e tascou um beijão de tirar o fôlego. Sorri e voltei para a mesa, onde as meninas todas estavam. Me virei de novo para o Vini, ele se certificou de que eu estava o olhando, de novo, e beijou uma ruiva. Eu estava magoada, mas não ia chorar. Um garoto meio skatista chegou em mim. - Seu namorado?- apontou para o Vinícius. - Brigamos e ele esta tentando me provocar. - Sei como é, sabe a ruiva que ele acabou de pegar? - Sei. - Terminamos hoje a tarde e ela também ta tentando me fazer ciúmes. - Babacas. - Concordo. - Quer fazer ciúmes neles? - Quero e você? - Quero. Ele se aproximou até sentirmos a nossa respiração e nos olhamos no olhos alguns instantes antes de ele me beijar lentamente. Ele me apertava contra seu corpo perigosamente e eu gostava disso. Terminou e se afastou apenas a ponto de ver meus olhos. - Tenho uma ideia: e se a gente fosse lá pra cima? - Eles vão ficar mortos.- concordei. - Com certeza, senti eles olhando a gente até agora. - Vamos. Foi me puxando até uma escada, subimos e lá encima era cheio de pufs e mesinhas, nos sentamos em um dos pufs e ficamos abraçados. Não demorou nem dez minutos e eles estavam no puf ao lado do nosso. O lugar era bem calmo, as pessoas lá ou conversavam ou só se pegavam mesmo, tinha um bar todo iluminado e no resto a luz era mais baixa. O garoto se virou para mim e como estávamos muito próximos a ponta dos nossos narizes se tocaram. - Esquecemos de nos apresentar. Me chamo Kauã. - Alaska. - Vou pegar bebida, tudo bem? - Claro. Ele saiu e eu vi quando a garota foi atrás dele, revirei os olhos. - Essa Julie é uma gostosa.- o Vini falou me dando um sorriso cafajeste. - Legal.- fingi desinteresse e dei de ombros. Kauã voltou meio irritado. - Vamos sair daqui, Alaska? Olhei para o Vinicius e depois pra ele. - Vamos. Dei um sorriso falso para os outros dois e fui com ele. Estávamos andando sem direção pela rua quando eu tive uma ideia. - Posso te levar a algum lugar? Me olhou fingindo desconfiança. - Você é uma assassina? - E se eu for?- olhei em desafio. - Aí vai ser mais legal.- rimos. Nos levei até o lugar do Renan. Cara, eu acho que devia dar outro nome pra esse lugar, mas agora é muito empenho. Abri os braços e dei uma giradinha . - E ai? O que achou? - Meio mágico, sabe? - Exatamente. Sentei no banco e coloquei as pernas esticadas nele, ele se sentou ao meu lado e colocou elas no seu colo. Ficamos olhando as luzes da cidade, até que ele quebrou o silêncio. - Por que terminaram?- perguntou sem se virar. - Ele falou algumas coisas sobre mim na minha cara e depois transou com aquela guria que eu briguei, sabe? - E você não fez nada? - Digamos que eu tenha um ex namorado que ainda goste de mim e seja recíproco, nós transamos num avião voltando pra casa. Se virou pra mim com um sorriso. - Já fiz isso também, bem daora. - Aham... mas e você? - A gente se desentendeu. - Acha que vocês vão voltar? - A gente sempre acaba voltando, não importa o tamanho da briga, e você? - Não tenho tanta certeza assim. - Você gosta mesmo dele? - Aham e você dela? - Sim.- descansou o braço na na minha coxa - Você não é a patricinha que eu esperava encontrar por lá. - Nunca fui muito disso, sempre fui aquele tipo de guria que anda mais com os guris, mas tem algumas melhores amigas. Nunca liguei praz consequências, ele jogou isso na minha cara. - Você é o tipo de guria que é o contrario da Julie, minha ex. Afirmei com a cabeça e a levantei olhando as estrelas. Comecei a brisar pensando como seria legal comer as estrelas- Hã?!- e quantas será que elas eram. - Eu gosto disso.- sua voz me puxou da brisa. - Do quê? - Do seu tipo. Você é basicamente igual a mim, só que linda, tem um corpão, - vagou os olhos pelas minhas pernas até os meus olhos- e tem esses olhos. Corei e deixei um sorriso escapar. - Você não é feio. Sorriu e se aproximou do meu rosto colocando uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha, mordi meus lábios sorrindo. Não sei por que, mas meu coração acelerou quando senti sua respiração na minha e depois sua boca na minha. Enquanto me beijava ele não tentou nada demais e eu agradeço por isso. Sua mão estava na minha nuca e a minha no seu peito. Nossas bocas descolaram e estávamos ofegantes. Ele sorriu pra mim de novo e depois ficou olhando o céu azul, já eu comecei a olhar uma moita e pensar "Cara, eu devia ter trazido maconha." Ele olhou rápido pra mim, opa! Acho que falei aquela última parte meio alto. - Não sabia que você fumava. - Pois é, fumo faz tempo pra caralho. Você não? - Puf, não seria Kauã se não fumasse.- rimos. - Um dos meus melhores amigos me deu um pacotinho, mas acabei deixando em casa. - Acabei com o que eu tinha hoje. - Parece que vamos ficar meio sóbrios. - Eu não me importo. - Nem eu.- sorri pra ele. Meu celular começou a tocar, era o numero da Mari, atendi. - Oi Mah. - Alaska? Onde tu ta? - Tô pela rua, por que? - O Vinicius ta enchendo nosso saco perguntando de você e a gente vai pra casa. - Diz que eu vou dormir fora. - Vais mesmo? - Não, só não quero que ele vá lá pro apê. - Tudo bem. - Tchau. - Tchau. Desliguei e suspirei. - Aconteceu alguma coisa?- pegou a minha mão. - Nada demais, minha amiga me ligou dizendo que ele ta enchendo o saco delas. Acho melhor ir pra casa. - É muito longe daqui? - É na frente da praia. - Eu te acompanho. - Tudo bem então. Levantamos e ele abraçou meus ombros enquanto caminhávamos. - Me conta um pouco de você.- falou com a boca no meu pescoço. - Sou do Brasil, ando de skate, gosto de maconha, sei o básico do surf, curto festa, bebida e odeio que me digam o que devo ou não fazer. Agora você. - Sou daqui mesmo, fugi de casa com dezesseis porque tava cansado de ser espancado pelo meu pai, ando de skate também, já participei de alguns campeonatos, curto maconha, bebida e festa, me apego muito fácil. - E a sua mãe? - Fugiu quando eu tinha três anos. - Deve ter sido difícil. - E foi. Chegamos ao meu prédio, subimos e paramos em frente à porta. - Quer entrar? - Não ta muito tarde? - Não. - Sorri. - Pode ser então. Entramos e me virei pra ele. - Ta afim de fazer o que? - você que sabe. - Tem bebida na geladeira, maconha e uma piscina, que tal? - Ótimo. - Ok, então pega as bebidas enquanto eu coloco um biquíni e pego as coisas. - Ta. Deixei ele ali, fui para o meu quarto, vesti um biquíni laranja, peguei a maconha, o isqueiro e a seda, e encontrei ele no deck colocando as bebidas na mesa. - Demorei muito? - Nem.- se virou para mim- Você ta linda. - Obrigada. Ele tirou a camiseta e porra! Qua corpo do caralho! - Pelo visto você não ficou pra trás não.- deixei escapar. Ele sorriu, pegou uma garrafa e trouxe uma pra mim. - Um brinde!- falou levantando uma garrafa de vodka.- À superação ao pé na bunda!- brindamos, entornamos as garrafas na boca e nos beijamos.