Capítulo LXV
Seis dias depois...
Existem fases da vida em que você descobre que o fundo do poço não é um lugar tão ruim assim e que na verdade, você seria bem capaz de cavar para ver até onde aquilo chegaria. Ela chegara ao ponto de se torturar daquela forma, enquanto esperava pelos dias passarem, estirada em sua cama e encarando o teto do quarto.
O mais difícil é que não parecia passar... Nem os dias e nem a dor no peito. E aquela sensação de abandono, parecia ser crescente. Não importa o que fizessem por ela, não importa o que dissessem a ela.
A comida não parecia ter gosto, os dias não pareciam passar, os remédios pareciam não fazer efeito. Ela não aguentava mais se sentir daquela forma e muito embora, estivesse ciente da causa daquilo tudo, Daisy não estava tão certa se queria se sentir melhor.
Não se aquilo significava... Esquecer Harry.
Ela não queria esquecer seu namorado, não queria esquecer aquele um ano e tantos meses que tiveram, juntos. Ela o queria de volta! Ela só queria que aquela dor maldita fosse embora, se fosse porque Harry havia voltado pra ela, caso contrário, não. Preferia continuar daquela forma...
Embora fosse uma tortura passar seus dias se perguntando, se ele sofria tanto quanto ela, Daisy sinceramente acreditava que se ela continuasse assim, focada nele, o destino arrumaria um jeito de resolver as coisas.
Superestimado não é? Ela também se achava uma idiota por mesmo após uma semana, sendo ignorada, manter suas esperanças. Mas bem, ninguém nunca falou sobre justiça. No amor vale tudo... Golpe baixo, humilhação.
E era assim que se sentia naquele momento... Como se tivesse levado um soco no estômago, enquanto já estava caída.
- Ei, é o Harry. Eu não posso atender agora, deixa seu recado, que eu vou te retornar quando puder.
- Harry, você pode, por favor, vir me ver? – Pediu baixo, com os olhos bem fechados, implorando a Deus que ele, daquela vez desse alguma importância para suas mensagens de voz. – Por favor, eu preciso de você... A gente tem que conversar querido.
Antigamente ela não se prestaria a isso. Ela deixaria Harry sossegado, no canto dele e sofreria sozinha em casa, até que então ele a procurasse e a pedisse desculpas, mas ela sabia que Harry não a procuraria, por isso decidiu o fazer.
Ela perdeu a conta de quantas mensagens havia deixado na caixa postal dele e era na verdade, uma surpresa que ele não tivesse mudado de número. Daisy, porém, não desanimou... Tolamente acreditava que uma hora ou outra, ele cederia. Iria escutar, ficar preocupado com ela e ir vê-la e daí, ela poderia o lembrar de todas as coisas boas sobre o relacionamento deles e Harry iria querer, novamente, ficar com ela.
Não existia isso... Era incabível para Daisy que um dia Harry a amasse e no outro dia, não parecia ter certeza daquilo. Aliás, pela forma que ele repetira que a amava mil vezes enquanto terminava com ela, Daisy acreditava, mas ele estava sendo tolo por terminar com ela – iludido, se achava que terminando, eles a deixariam em paz.
Eles nunca a deixariam em paz, ela concluíra após estar indo para fisioterapia com sua mãe e Nate, e ter sido clicada.
Eles ficaram lá, de longe claro, porque James e Blanca Perón-Cooper entraram com ação judicial, alegando abuso contra a vida particular de Daisy Cooper, e os fotógrafos que estavam nos carros que bateram neles, estavam sendo processados.
Claro que eles terem levado aquilo a justiça havia melhorado. Ela pelo menos não tinha mais câmeras sendo levadas ao rosto, mas assim que chegara um memorando com a data de sua ida até o fórum, no mesmo dia, estava sendo denegrida pela mídia.
Ela agora não era só mais uma ninfeta interesseira, ela era também uma vadia. Ela havia, ‘segundo amigos próximos da universidade’, traído Harry com o garoto que ele batera no dia da festa. De repente, todas as fotos dela com Oliver na faculdade, que nunca tinham vindo a público, foram divulgadas e o povo britânico estava furioso.
Ela não era mais uma boa namorada, uma boa garota ou uma boa possível Duquesa. Eles, que aos poucos pareciam estar a aceitando, por seu jeito reservado e longe das muitas confusões que as ex-namoradas e inclusive, Harry, se meteram quando tinham a idade dela, todo mundo parecia ter se esquecido de porque ela era uma boa opção.
Ninguém mais se importava.
- O que acha de irmos ao cabeleireiro?
A pergunta pegou-a desprevenida e Daisy ergueu os olhos para sua mãe, que usava suas roupas de ginástica e abastecia seus armários da cozinha.
Lily parecia ter tomado pela primeira vez em sua vida, como prioridade máxima, ser mãe. É claro, que ela ainda conciliava aquilo com suas duas horas e meia de musculação e aeróbica, mais o pilates na parte da tarde, mas ainda assim, ela vinha sendo mais mãe, do que Daisy conseguia se lembrar em vinte anos – vinte e um anos, em poucas semanas.
- Não quero. Obrigada.
- Ah vamos lá... – Insistiu Lily. – Você aproveita e faz as unhas, se depila, faz um corte nessa sua juba minguada e podemos até puxar umas mechas cor de mel. O que acha?
- Não fico bem loira.
- Não disse loira, eu disse mel... E disse mechas!
- Ainda assim...
- Ok, ombré está super na moda também!
- Eu disse não!
Lily arregalou os olhos pelo tom que Daisy usara, mas por fim dera de ombros e voltou sua atenção para as sacolas de supermercado que estava esvaziando. Mais que imediatamente, Daisy suspirou, sentindo-se culpada por ter gritado.
Ela sabia como era difícil tentar curar alguém, que não queria ser curado. Sabia como era difícil tentar entender a dor alheia, quando nunca havia sentido algo parecido. Mais do que nunca, se sentiu parecida com Blanca, quando perdera seu avô...
Ela também ficara daquele jeito. Derrubada, magoada e a um pulo de ficar doida.
- Desculpa, mãe.
- Sem problemas. – Lily disse com pouco caso.
Daisy sabia que ela não estava comovida com seu grito, mas ainda assim se sentiu na obrigação de se desculpar. Suspirando, ela digitou o número de Harry outra vez em seu celular, para escutar a mesma mensagem de voz e não ser atendida.
Dessa vez, ela não deixou recado ninguém. Apenas grunhiu frustrada e retomou a uma crise de choro.
Crises de choro haviam se tornado algo frequente em seus dias... No começo, Nate ficava sentado ao seu lado, com um copo de água, porque ela sentia dores e falta de ar, mas estava sendo tão comum e rotineiro, que ela havia se adaptado, havia aprendido a fazer pausas, para pegar fôlego, para então começar a chorar de novo.
E o pior acontecia, quando ela começava a tremer e daí se tornava uma crise de pânico e com muita dificuldade, ela ia ao banheiro social que era o mais próximo da sala e despejava liquido, apenas liquido, no vaso sanitário, enquanto vomitava – porque ela também não comia, ela não conseguia comer.
Ajoelhada diante do vaso sanitário, ela escorou a testa e fechou os olhos, porque atrás dela tudo girava. Sabia que era porque estava fraca, porque nada descia e nada ficava em seu estômago por muito tempo.
Parecia insanidade se sentir daquele jeito, mas ela se sentia. Ela sabia que estava acabando consigo mesma e que provavelmente as pessoas pensavam mal dela, afinal, era só um cara... Um cara como qualquer outro cara.
Todo mundo já foi chutado. Todo mundo já levou um fora. Todo mundo já criou expectativas e a vida lhe puxou o tapete... Todo mundo já havia estado no lugar dela e quase ninguém se sentira daquele jeito.
Era culpa dela, afinal. Ela havia ficado tão pé atrás no começo e então abaixou as guardas de uma vez só. Devia ter sido um pouco mais cuidadosa... Se ela tivesse sido mais cuidadosa, não estaria daquele jeito.
Ela havia prometido a si mesma, que depois de Sebastian, ela estava proibida a ficar naquela zona de derrota outra vez... Mas Daisy só era boa em cumprir as promessas que fazia para os outros – nunca para si mesma.
- Eu fiz um suco meio gororoba pra você... – Disse Lily quando em passos curtos e incertos, Daisy voltou para a sala, fazendo caminho direto ao sofá e ao seu cobertor.
- Não quero, obrigada.
- Você não tem que querer, só vai tomar e pronto. Fim da história. – Lily disse com inflexibilidade e de uma forma tão natural que deixava Daisy aborrecida.
- Mas eu já disse que não quero... – Ela não estava com muitas forças naquele momento pra falar tão alto, quanto a retrucara momentos atrás.
- Então você não vai tomar seus remédios para dor. Porque eles não podem ser tomados de estômago vazio...
Mordendo seu lábio inferior, Daisy cruzou os braços e desviou o olhar. Parecia que Lily havia encontrado uma forma de conseguir o que queria, através de pressão psicológica.
Os analgésicos eram o que permitia a Daisy dormir, dormir e dormir - acredite, ela estava apreciando seu sono o máximo que podia, porque era o único momento que ela sentia paz e nenhuma dor.
E eles também como era suposto para ser feito, aliviavam a dor. Embora tivesse melhorado muito, ela ainda não estava cem por cento. Precisava dos remédios, antes que sua costela doesse mais ou que seus músculos doloridos, piorassem. E também sua dor de cabeça, que vinha com uma superforça inacreditável.
- Me dê o suco.
-x-
Ele havia deletado outra mensagem de voz dela. Na verdade, nem havia tido coragem de ouvi-la porque sabia que era como as três primeiras – chorosas, desesperadas e provavelmente o colocariam numa posição que teria que reunir todo seu autocontrole, para não liga-la.
Colocando seu celular de lado, ele pegou o telefone em sua mesa e discou para a secretária.
- Chame Edward, por favor.
Ele não tinha outra opção. Precisava fazer alguma coisa e precisava que seu assessor, o desse um caminho.
- Mandou me chamar Harry? – Edward disse entrando sem receios na sala.
- Yeah, eu preciso de um número novo para início de conversa e antes que pergunte, eu tenho meus motivos e eles não lhe dizem respeito.
- Claro. – Edward acenou com a cabeça.
- E eu preciso... Sei lá, eu preciso de algo que possa ajudar a tirar o foco da minha... – Tomou fôlego pra pronunciar – Ex-namorada. Eu estive pesquisando e por mais que estejam sendo processados, por mim e pelo pai dela, ainda está em abundância, mais do que deveria estar. Cressida não demorou a ser esquecida, pelo que eu me lembre!
- Bem Harry, Cressida de longe foi uma de suas namoradas que gerou mais polêmica. Chelsy é fotografada até hoje...
- Esporadicamente. Em eventos ela é clicada e eles a citam como minha ex-namorada. Daisy sofreu um acidente, está com um processo em andamento e se recuperando. Ela precisa de paz!
- Você não pode fazer nada... Não podemos fazer um anúncio. – Edward disse firme. – Sua avó foi muito clara ao me repreender, por ter usado a conta da Clarence House para emitir um comunicado que você e Cress tinham terminado.
- Eu entendo, mas deve ter algo que eu possa fazer... – Harry cruzou os braços. – Eu terminei com ela, para ser deixada em paz.
- Pelo número de recados que ela tem deixado em seu correio de voz, eu não acho que ela queira ser deixada em paz.
Harry arqueou as sobrancelhas para Edward. Desde quando ele andava tendo acesso ao seu correio de voz particular?
- Desculpe. – Ele murmurou. – Bem, não há nada que possamos fazer. Ela tem que lidar com isso sozinha, como sempre fez.
Isso era o que mais o irritava! Querer fazer alguma coisa a respeito, mas não poder porque afinal, ele era príncipe! Ele tinha a quinta voz mais importante dentro das decisões monárquicas que tinham que ser tomadas. Ele foi o Capitão de um ótimo pelotão e serviu seu país em guerra, ele foi dado como exemplo de soldado! Mas ainda assim, não, ele não podia fazer nada, porque ele ainda era um príncipe, ele não era casado com Daisy e supostamente, ela deveria ser dada só como mais uma!
- Certo... Quer saber, acho que vou pra academia mais cedo hoje...
Ele não queria ficar ali por muito mais tempo. Mais uma hora trancado naquele gabinete, googlando o nome de Daisy obsessivamente para se certificar de como ela estava e ele então, acabaria correndo para o prédio dela a fim de vê-la.
Ele não podia ceder. Não podia.
-x-
- Eu não entendo! – Dizia Philip nervosamente, enquanto eles refaziam como de costume, o ritual do chá das cinco. – Ela era uma menina tão espirituosa... Enfim, eu senti que Harry tinha acertado. Você sabe qual era a minha opinião sobre aquela zimbabuense que ele namorou... Aliás, zimbabuense ou sul-africana? Eu sei lá, não me importa! E também aquela outra, alpinista social... Cressida Bonas. O nome dessa menina cheira a merda e a família dela também!
- Philip! – Elizabeth bradou nervosamente, com o vocábulo de seu marido. – Isso lá é coisa que se diga?
- Você já trocou mais de duas palavras com a mãe dela?! Eu me lembro bem de Charles, ele tinha por volta de dezoito anos e aquela assanhada, vivia atrás dele! Eu o disse claramente... A foda não vai compensar a dor de cabeça que essa mulher vai lhe dar, e pela primeira vez na vida, seu filho mais velho deu ouvidos a alguma coisa que eu falei e pode pergunta-lo, certeza absoluta que ele não se arrepende de ter partido pra outra.
Elizabeth suspirou fortemente e permitiu que seu marido resmungasse tudo o que tinha que resmungar. Ele amaldiçoou seu neto Henry e amaldiçoou o incrível azar de Charles, que havia impregnado nele.
-... Isso veio de Charles! Charles é que tinha esses problemas com mulheres. E também Diana, mulher difícil... Não basta Henry ter nascido ruivo, ele tinha que ser uma dor de cabeça.
- Henry não é uma dor de cabeça.
- É claro que é... Mas isso veio da mãe dele.
- Philip... – Disse em tom de alerta.
Ela sabia que seu marido só estava frustrado. Philip via muito de si em Harry e ele não tinha receios em inflar o peito de orgulho todas as vezes que podia exibir Andrew e Harry por aí, seus dois únicos – filho e neto – que estiveram em guerra, que serviam ao seu país.
Ela também sabia que ele só estava procurando culpados porque para Philip, o problema nunca era Harry. Nem quando ele estampou vergonhosamente as capas dos tabloides, praticamente nu, apenas tapando suas intimidades, ele considerou aquilo culpa de Harry.
‘É culpa dos imbecis que ele tem como Agentes de Proteção! Contrate novos, aquela gente não serve pra nada!’.
Seu marido era um homem de muita energia, personalidade e gênio difícil. Ele mesmo não sabia do que estava falando, enquanto culpava os pais de Harry e seu casamento fracassado, para os problemas que seu neto tinha em manter seu relacionamento numa linha estável.
- Ela é uma garota excelente. Você viu a pontaria daquela menina, ela não perdia um! Eu pensei que estaríamos aumentando a família em breve... – Compartilhou Philip.
Elizabeth sorriu compreensiva e tocou a mão de seu marido. Ele havia ficado tão empolgado com o fato de que Daisy mostrara tanta competência em dar um tiro, que não dava a mínima para o fato de que a garota mal conseguira almoçar mais tarde, por se sentir tão mal pelo que fizera.
Ela também sabia que ele se preocupava com Harry e que estava cansado das pessoas sempre cochicharem pelas costas, que o Wales caçula morreria solteiro, bêbado e drogado. Elizabeth, fielmente, acreditava que não. Ela sabia que havia uma boa moça para seu Harry por aí...
E por mais que pareça egoísta, ela realmente queria que fosse Daisy. Mais do que qualquer outra daquelas lindas meninas que ele a apresentara, ela queria Daisy em sua família – porque, ela já queria incluí-la na família.
Ela estava certa de que aquela mocinha de voz baixa e sorriso contagiante seria um dia parte de sua família. Ela tinha que admitir que estava ansiosa para que Harry sossegasse e enfim pudesse o presenteá-lo com um ducado significativo e dá-lo mais responsabilidades Reais, mas mais do que isso, ela queria aquilo porque sabia que seu neto e aquela garota se amavam, eles cuidavam e eram bons para o outro.
Fazia tempo desde que ela vira Harry tão envolvido, focado e maturo. Ele era outro homem, depois de ter conhecido aquela garota.
-... São os genes Windsor! Raça desgraçada...
- Nós somos os Windsor, espero que esteja se lembrando disso, Philip. – Disse estreitando os olhos para o marido, um pouco amargurada por ele estar proferindo aquelas coisas do nome de sua família.
- Pouco importa! Se ele tivesse sido mais Mountbatten, teria mantido essa garota ao lado dele. – Philip disse claramente. – Ele já estaria casado com ela!
- Ela é jovem... – Elizabeth rolou os olhos e tirou os óculos de grau do rosto. – Por que é que você não sossega um pouco e toma seu chá que já deve estar frio?
- Como eu vou me preocupar com chá, sendo que Harry não parece disposto a arrumar uma boa moça, um bom casamento e me dar bons bisnetos que seguirão os passos corretos?
- Por passos corretos, você diz se tornarem militares ativos não é? Ah Philip, quando é que você vai superar isso? Edward simplesmente não levava jeito...
- Frouxo! Ele não aguentou a pressão e correu...
- Ele não é frouxo. Simplesmente não nasceu para isso!
-... Ele e Charles! Dois frouxos! – Deu um tapa na mesa e então se ergueu. – Desculpe-me querida, mas eu preciso de uísque e não de chá.
-x-
Uma voz distante disse para ela acordar e aos poucos, muito hesitante, ela abriu os olhos para se ver em seu quarto e ter Lily sentada na beira da cama, com a mão em seu rosto, fazendo carinho em sua bochecha.
- Você tem visita querida...
Parte dela se acendeu e ela acreditou piamente que fosse Harry. Ela chutou a preguiça para longe e acelerou para fora do quarto, ainda de pijamas – que havia sido o traje permanente que ela adotara enquanto cumpria seu repouso – e seguiu o corredor. Era ele! Ela estava tão certa daquilo...
Ele havia se arrependido. Ela podia imaginar que ele havia trazido pizza e flores, para deixa-la feliz, mas Daisy não queria pizza e não queria flores, queria ele. Ela o diria para nunca mais fazer aquilo com ela e iria prendê-lo em seu quarto por longas horas e eles transariam como nunca tinham transado antes.
Mas sentado no sofá, não era Harry. Era na verdade, Helen, que cantarolava baixinho, segurando um embrulho de mantos azuis no colo.
Daisy estacou no lugar, boquiaberta. Apenas assistindo a cena de sua amiga com uma mamadeira em mãos, cantarolando e balançando o bebê. Por sorte, Helen ainda não havia a percebido, porque se ela não tivesse passado tantos segundos assistindo tão de perto aquele momento de mãe e filho, Daisy não acreditaria que era sua amiga.
Ela não acreditava que Helen poderia usar aquelas roupas de malha, folgadas e sem decotes. Não podia acreditar sequer que sua melhor amiga louca e sem juízo, sabia como carregar um nenê e mostrar tanta precisão e confiança, no que fazia.
- Ei... – Ela disse baixinho e enfim ganhou a atenção de Helen.
- Ei piranha. – Ela disse sorrindo e então adiantou-se.
Daisy foi até a amiga e com todo o cuidado do mundo abraçou-a, para então se voltar para o nenê, com os olhos cheios de lágrimas e um sorriso.
- Dominik... Oi... Estou interrompendo alguma coisa?
Helen riu, mas Daisy não prestou atenção. Seus olhos estavam vibrados no pedacinho de gente que Helen segurava. Rechonchudo, rosado, com duas esferas azuis e cabelo loiro ralo.
- Meu Deus, ele é lindo... – Disse ainda emocionada e pegando na mãozinha dele, que apertou seu dedo indicador. – Helen, ele é a coisa mais preciosa que eu já vi...
- Não me diga. – Disse ela, toda cheia de orgulho. – Ele é lindo mesmo. Ele é tão calmo Daisy, ele nem chora... Ele só resmunga e pronto.
- Você deve estar tão feliz!
- Tão, tão, tão feliz... – Concordou Helen, com um sorriso. – Eu só vou pô-lo para arrotar e então você poderá carrega-lo, eu sei que você está se coçando.
E era verdade, Daisy tinha que admitir, e quando finalmente Dominik arrotou e Daisy enfim se sentou para segurá-lo nos braços, ela sorriu para o bebê que estava sonolento. Era tão pequenininho, tão frágil. A dependência dele era em Helen e embora ele estivesse em seu colo, seus olhinhos estavam em sua mamãe que o olhava como se ele fosse uma dádiva divina.
E ele era. Dominik era o anjo de Helen...
- Ele é tão lindo... – Disse, sorrindo. – E você também está ótima! Eu acho que nunca vi você tão bonita.
- É uma pena que eu não possa dizer o mesmo. Desculpe perguntar, mas qual foi à última vez que lavou o seu cabelo? Sinto que eu poderia fritar um ovo na sua cabeça.
O correto seria ela se sentir ofendida, mas pelo contrário, Daisy sorriu e encostou a cabeça no ombro de Helen.
- É bom ter você aqui...
-x-
- Uau! Você está levando a sério esse lance de entrar em forma...
Harry que estava socando um saco de areia e suando feito um porco, parou pela primeira vez pelo que pareciam ser horas e olhou por sobre o ombro, rolando os olhos quando viu Skippy.
- Ei, Skip. – Disse voltando a socar o saco, numa tentativa de deixar claro que ele não estava para conversa.
De todos seus amigos, Skippy e Jake pareciam ter feito um acordo mutual de que a inércia deveria ser representada com sucesso, e os dois levavam a sério seu papel como representantes da mesma. Ok que Jake vez ou outra, levava um puxão de orelha de Zoe que era uma adepta e também professora de yoga, mas Skippy era provavelmente o cara que nunca havia colocado o pé numa academia.
- Como você está hein?
- Suando feito um porco.
- Isso, eu já percebi. – Skippy disse, segurando o saco para Harry socar mais a vontade. – Eu digo... Como está, de verdade.
- Legal.
- Você está legal?
- Por que eu não estaria legal?
- Porque você acabou de terminar com sua namorada, a garota que você encheu a porra do meu saco, dizendo que ia se casar com ela e...
- Cara, agora não. – Parou de socar o saco de areia e encarou Skippy irritado, desejando que seu personal não tivesse desmarcado de última hora, daí ele estaria ali para enxotar Skippy e forçar Harry a manter o foco no treino. – Sério, eu estou malhando. Depois a gente conversa.
- Não Harry... Não dá pra conversar depois. Me escuta, cara, você está cometendo um enorme erro!
Ele estava tão cansado disso. Por que as pessoas continuavam repetindo aquilo para ele?! Ele estava tão certo do que estava fazendo! Ele era o Príncipe ali, ele que era perseguido pela mídia e tinha que assistir suas namoradas serem dilaceradas publicamente.
Aquela gente não sabia de nada, nada pelo que ele passava e ainda se sentia no direito de vir dizer que ‘ele estava cometendo um enorme erro’.
Bando de sem serviços...
- Eu não estou cometendo um erro. – Disse com firmeza. – Você não estava naquele carro... Você não viu como ela chorava apavorada dentro do carro! Você não viu a cara do pai dela, quando ele chegou no hospital. Você não viu como o irmão dela olhou pra mim! Você não viu o estado que ela ficou! Ela teve uma hemorragia interna, sabe o que é isso?! Ela poderia ter morrido!
- Harry... – Skippy cautelosamente olhou ao redor, porque de longe, ele era um de seus amigos mais cuidadosos e discretos. – Todo mundo está sujeito a isso... Eu já sofri acidente de carro, todo mundo conhece alguém ou já passou por isso.
- Não. A única pessoa que eu conheço, além de mim e Daisy, que já sofreu uma perseguição por paparazzi e acabou acidentado, é a minha mãe. E ela nem está aqui pra contar história. Então, não venha pra cima de mim, pensando que pode dizer qualquer coisa, sobre isso!
-x-
Harry chifrudo; a Rainha ordena o fim do relacionamento; Will diz para Harry seguir em frente e Kate satisfeita porque parece ser a chance de Pippa.
Fontes do palácio revelaram ao Daily Mail que o romance do Príncipe Harry e de Daisy Cooper chegou ao fim, desde o escandaloso tumulto causado pelo Príncipe, após bater, repito, bater – um soco muito bem sucedido no nariz do estudante de Direito, Oliver Cohen.
O Príncipe Playboy ganhou esse apelido na mídia por sempre se envolver nesse tipo de escândalo (clique aqui para ler o TOP 10 escândalos da Família Real, Príncipe Harry está encabeçando a lista com o vexame de Vegas) mas foi naquela noite de outubro que ele bateu seu recorde.
Como se não bastasse o soco, em um momento o Príncipe literalmente atacou um paparazzi que ofendeu não só a sua namorada, ou melhor ex-namorada, como também sua mãe!
“Ele ficou louco. Ele aceita qualquer coisa que tenham a dizer sobre ele, mas não é segredo que Harry sempre foi protetor com Daisy e ainda é, mesmo depois que terminaram. Mas quando o fotógrafo colocou A Princesa do Povo no meio da discussão, Harry esqueceu seus títulos. Ele ia defende-la como filho e não como Príncipe”.
Ouch! Bem, todo mundo sabe que não se mete a mãe dos outros no meio da briga, não é mesmo?
Mas o auge da noite foi simplesmente a perseguição que o carro que o Príncipe e a, agora, ex-namorada estavam. Dois dos carros dos fotógrafos que estavam os seguido, bateu neles e o carro com o quarto na linha de sucessão a coroa literalmente capotou e colocou em risco a vida de Daisy Cooper, que foi às pressas internada no hospital de St. Mary com uma hemorragia interna quase irreversível e uma costela quebrada.
“Ele estava muito assustado” Contou a fonte “Ele não sofreu nada, estava intacto, mas ele estava muito assustado pela namorada. Ele e o motorista ficaram lá até que a família da moça chegou... E eles não pareciam felizes”.
Não era esperado que estivessem felizes, afinal, a garota estava lutando por sua vida numa sala de cirurgia, mas o que a fonte que estava no hospital, acrescentou foi.
“O irmão dela parecia pronto para matar o Príncipe e também o pai da menina, ele encarou Harry e então um médico chegou e eles foram saber do estado da ex-namorada do Príncipe”.
Sem dúvidas foi um período difícil para a família da senhorita Cooper, para levar a Viscondessa Hamilton a deixar sua máscara de gelo em casa e ir aos prantos no hospital ver sua filha, ou trazer seu pai que é um médico que ganhou a vida e o amor dos que pouco tinham, viajando pelo mundo.
De qualquer forma, a situação delicada da moça, não parece ter tido qualquer significado para a família de Harry.
“A Rainha não gostou de saber que seu neto vinha sendo feito de bobo. Ela acha o comportamento de Daisy inadmissível e exigiu a Harry que pusesse um fim naquela história. Ele não ficou feliz, mas por fim aceitou e até porque, que homem quer ser feito de bobo?”.
Ao que parece a Doce Daisy, não é tão doce assim. Eu não queria julgá-la pelas fotos que uma vez estiveram em circulação – aquele bafafá das fotos dela fumando de sutiã e calcinha, cujo os direitos foram dados a senhorita Cooper e eu ainda desconfio muito que tenha sido um ‘presentinho’ de seu ex-namorado – mas depois desse enorme escândalo, parece que ela está mais para Daisy Vad... Deixa pra lá.
“William simpatizou-se com a dor de Harry e ele também gostava muito de Daisy, mas foi bem claro ao irmão, na hora de dizer que é para ele seguir em frente” A fonte acrescenta também “Kate está nas nuvens! Ela também gostava de Daisy, mas ela gosta mais de sua irmã, Pippa que segundo fontes, é a próxima vítima de Harry, agora que ele desapegou das loiras”.
Ai, ai, ai!
Quanta encrenca hein? A equipe do DM deseja melhoras a Daisy Cooper e muita força para sua família.
- Como essa gente consegue dormir a noite?!
- Eu não sei... Eu pensei que o limite havia sido quando alegaram que Harry era filho de James Hewitt. – Disse Charles enquanto com um suspiro frustrado fazia um sinal para que levassem o notebook para bem longe dele. Tirando seus óculos de leitura, encarou Camilla. – O pior é que eles realmente terminaram.
- Mas não por isso... – Replicou Camilla, negando com a cabeça. – Essa menina não merece ter que passar por isso... Acusaram-na de algo muito sério, Charles! Adultério! Acusaram-na de trair Harry.
- Eles não são casados, não é adultério. Para a mídia ele é só mais um corno...
- Ainda assim. – Camilla murmurou. – Eu sei o que ela vai ter que lidar. É tão injusto... Eu gostei tanto dela.
- Nem me fale. – Coçando o queixo pensativo, confidenciou-a. – William pegou Harry... Daquele jeito sabe?
- Bêbado, empesteado a tabaco?
- Sim...
- Estaria mais surpresa se ele não estivesse desse modo.
Charles sabia das razões de seu filho. Ele havia sido nobre, mas havia sido burro... Aquela menina não queria ser protegida, ela sempre deixou aquilo bem claro. Ela sempre fez o que achava ser o melhor para os dois e nunca pareceu incomodá-la.
Ele não tinha certeza se faria muito diferente... Quando ele perdeu Di, Charles imediatamente se lembrou do dia que eles assinaram a carta de divórcio.
‘Sempre vou te amar...’ foi o que ela lhe disse e ele a disse de volta.
Eles haviam mergulhado num casamento marcado, cheio de revolta e muito triste, mas eles tiveram bons momentos. Eles foram, um dia, bons amantes e bons amigos e logo após a separação, revezando-se e cada um dando seu melhor para ser pai e mãe, eles criaram uma convivência agradável.
E então ela foi arrancada de sua vida e da vida de seus meninos.
Não era fácil... Daisy tinha sorte por estar viva e ele estava certo de que no momento ela provavelmente estava muito revoltada com aquilo.
Olhando então para a mulher que ainda desgostosa comia seu salmão, ele agradeceu baixinho por ainda não ter tido que escolher entre o que era certo e no que era fácil, quando se tratava dela.
- Você está bem?
- Sim... Estou ótimo.
-x-
- O que você está fazendo hein Daisy?
A pergunta calma e cuidadosa de Helen fez Daisy tirar os olhos de Dominik que agora ressonava gostoso em seus braços, pela primeira vez em tempos. Ela ergueu o rosto e olhou para Helen, com os ombros encolhidos ao ver as feições preocupadas da amiga.
- Você não está nada bem... – Disse Helen suspirando. – Você não parece você.
E ela deveria estar bem depois da última semana? Deveria estar cantando aos quatro ventos e sorrindo mais do que uma cheeleader de ensino médio?
- Eu não sei o que vocês querem de mim. Eu tenho o direito de ficar mal...
- Você tem o direito de ficar de que jeito quiser, mas eu também tenho o direito de estar preocupada. Você é minha melhor amiga... Uma das dindas de Dominik.
Sorrindo de leve, acariciou o rostinho do bebê adormecido.
- Obrigada, mas não há nada que se possa fazer.
- É isso que você usa como conforto? Ok.
- Não é conforto Helen... Eu realmente não tenho mais nada o que fazer. Ele me ignora, ele não escuta o que tenho a dizer.
- Bola pra frente garota... Não dá pra passar o resto da vida assistindo reprise de Doutor House no Netflix.
- Observe-me.
- Daisy!
- Helen... – Fechou os olhos fortemente e disse a amiga. – Eu não quero falar sobre isso.
Porque a única pessoa que ela queria falar sobre aquilo era Harry e ele não queria falar com ela.









