Capítulo 5+6+7+8
Confesso que me senti levando meus filhos a um passeio. Tentei ao máximo ignorar esse tipo de pensamento, mas foi impossível, já que volta e meia eles davam gritinhos animados após verem um brinquedo ou outro, chegava até a ser engraçado. Mas algo ali não estava certo. Aliás, nada ali estava certo, aonde que eu estava com a cabeça? Maddox segurou a minha mão e fez com que eu os seguisse até um brinquedo que girava as pessoas no ar. Fantástico. Agora mesmo que eu estava me sentindo um pai de filhos hiperativos.
- Acho que eu vou vomitar. - Maddox se apoiou em Agnes, que por sua vez se apoiou em mim.
- Acho melhor nos sentarmos. - Eu os puxei para um banco próximo ao brinquedo, a última coisa que eu queria agora era limpar vômito da minha camisa.
- Concordo com o velho. - Agnes levantou a cabeça e me encarou. A expressão de enjoada que ela tinha no rosto chegava até a ser preocupante.
Sentamos no banco, e pude perceber que um sorriso começava a se formar no rosto de Maddox. E de repente o garoto começou a rir de forma descontrolada e Agnes começou a rir junto. Só eu que não tinha entendido a piada? Eu perdi alguma coisa?
- Deve ser estranho para você, não é mesmo? - Ele disse apoiando a cabeça nos ombros de Agnes.
- Duas pessoas rindo do absoluto nada? É, um pouco.
- Não... Sair com nós dois. Você está em um encontro triplo. Você nunca deve ter feito isso antes.
- Para ser honesto... Não. - Quem em sã consciência acharia isso normal para início de conversa?
- Você já deve ter percebido que... as coisas não são muito normais quando se tratam de Agnes e eu, não é mesmo? - Agnes começara a fazer carinho no rosto de Maddox. Que merda é essa?!
- Hm... Não sei se eu estou acompanhando a conversa.
- Estamos gozando com a sua cara, porra. - Agnes quebrou-me da minha transe.
- Ah... - A minha cabeça imaginou milhares de coisas e eu não sei se estava pronto para absorver nenhuma delas.
Começou a chover e eu não estava mais no clima para ficar em um parque de diversões, sendo enganado por duas crianças o tempo inteiro. Me levantei do banco, deixando Agnes e Maddox sem uma resposta que realmente me fizesse voltar e ficar com eles. Eles são estranhos, estranhos demais. Não do tipo que você se interessa pela loucura, esses daí estão fora de si. Eu não estou pronto para isso.
- Elliot! - Ouvi a voz de Agnes me chamando e quando me virei, ela estava ensopada por causa da chuva. - Nos perdoe.
- Vocês tem que entender que não são mais crianças. Certas brincadeiras pegam mal. Muito mal. - Meu tom de voz saiu mais autoritário do que deveria. Merda.
- Nos perdoe. - Maddox apareceu por trás dela. - Vamos voltar para casa, está bem?
- Está. - Um sorriso se formou em meus lábios e os levei até a sua casa.
A chuva estava forte demais, tivemos que pegar um táxi na rua mais perto do parque de diversões e quase não conseguimos voltar para a vizinhança. Na hora de me despedir, dei um abraço rápido em Maddox e acenei para Agnes, que aparentemente havia descido um pouco as barreiras de comunicação para mim. Pelo menos isso.
- A gente se fala amanhã? - Maddox berrou do outro lado da rua.
Eu simplesmente fiz um gesto positivo com a mão e me virei para a porta de casa, tateei os bolsos e não achei a minha chave. Ótimo.
- Hey... - Eles já haviam entrado.
Corri na chuva até a porta da casa dos irmãos, que ficava há alguns metros da minha. Toquei a campainha na esperança que eles pudessem me acolher até a manhã seguinte. Se eles recusassem eu ficaria na rua, já que não era uma pessoa muito sociável e além deles, só conhecia a senhora com cinco gatos da outra rua.
- Já sentiu saudades? - Agnes secava seu cabelo com uma toalha. - O que foi?
- Estou trancado do lado de fora de casa. - Quero me enterrar em um buraco e nunca mais sair. Um homem da minha idade pedindo ajuda para adolescentes.
- Pode passar a noite aqui se quiser. É só você dormir na sala. - Maddox apareceu sem camisa na sala.
- Perfeito! Por mim já está ótimo.
Entrei na casa deles e Maddox já foi me oferecendo algumas roupas para que eu pudesse vestir. É incrível como as coisas acontecem de uma hora para a outra. Nunca que eu iria imaginar que um dia essa situação fosse acontecer comigo. Ele me deu uma camisa e uma boxer seca e eu fui para o banheiro me trocar. Coloquei um short por cima da minha cueca e troquei a camisa, quando voltei Agnes estava subindo as escadas e Maddox estava vindo em minha direção.
- Já vamos dormir. Mas antes, eu vou te trazer um travesseiro e um cobertor, está bem?
E assim ele o fez. Alguns minutos depois desceu as escadas com um travesseiro e um cobertor, fino, porém um cobertor. Eles já haviam me acolhido na casa deles, eu não podia reclamar de nada. Sorri para Maddox e ele foi descansar. E eu deveria fazer o mesmo. Me deitei no sofá, e liguei a televisão em um volume baixo, para que não incomodasse os irmãos. Quando percebi caí no sono.
Tranquilamente.
Dormi tranquilamente por umas duas horas até que a televisão deu uma espécie de erro que fez com que ela chiasse no maior volume o possível.
E merda, eu não sabia como consertar.
Subi as escadas, procurando por Maddox, afinal, ele é o dono da casa, ele sabe se virar com seus eletrodomésticos. Andei pelos corredores, abrindo lentamente as portas, com medo de invadir a privacidade de alguém.
Primeiro quarto: Um banheiro, vazio.
Segundo quarto: Um quarto, porém vazio. Cores neutras na parede.
Terceiro quarto, o último do corredor: Maddox e Agnes dormindo juntos na cama, de pijama.
Imediatamente saí do quarto e fechei a porta, me apoiando nela logo em seguida e caindo até o chão, quase que me escorando nela.
- Por... Por que?
Final do POV de Elliot.
O sol podia ser visto através da fina cortina da sala. Elliot desejava amargamente não ter visto as cenas da noite anterior, mas infelizmente o que estava dentro da sua cabeça não podia ser mais apagado.
Agnes e Maddox juntos.
Isso poderia ser... possível?
Se outra palavra pudesse realmente ser usada nessa situação. E para ser honesto consigo mesmo, não conseguia achar nenhuma outra. Eles eram irmãos, isso era errado demais. E por mais inocente que poderia parecer para eles, será que eles não percebiam que para os outros poderia significar algo completamente diferente? Será que eles simplesmente não enxergavam isso?
- Bom dia. - Agnes cortou Elliot de seu transe, ainda sentado no sofá, encarando a janela. Se deparou com a garota abrindo as cortinas e sorrindo. - Dormiu bem?
Ele não respondeu, permaneceu imóvel, fazendo com que Agnes fizesse uma careta e fosse em direção à cozinha. "Não quer falar, não fale então", saiu andando.
- Bom dia! - Maddox se aproximou de Elliot, fazendo com que eles se cumprimentassem. - Que bom que não me deixou no vácuo.
Elliot se manteve em silêncio, não querendo falar com nenhum dos irmãos. Eles se entreolharam e perceberam que havia algo estranho acontecendo e resolveram agir. Agnes se sentou ao lado de Elliot e o encarou.
- O que houve?
- Vocês é que deveriam se perguntar isso. O que há com vocês? - Se descontrolou, não conseguindo se conter após encará-la nos olhos.
- O que você disse? - Maddox se aproximou.
- Ontem eu procurei você. E adivinha aonde eu te achei? Na cama, com ela! - Apontou para Agnes e os irmãos se entreolharam novamente.
Era como se eles não vissem um real problema naquilo. Como se fosse algo rotineiro e comum. Por que não era comum para Elliot também? Eles não conseguiam entender.
- E daí? - Agnes se virou para o escritor. - Fazemos isso toda noite. Eu durmo na cama com ele.
- Você é irmã dele. - Elliot disse pausadamente, como se estivesse explicando algo à uma criança. - Irmã.
- Continuo sem entender aonde você quer chegar. - Ela sorriu, de forma inocente.
- Desisto. - Elliot se deitou no sofá.
- Não... Eu entendo que Maddox é meu irmão. Mas compreenda: Não somos irmãos de sangue. Eu o conheço desde que nossos pais se casaram. Não somos irmãos de sangue, Elliot. - Explicou.
- Isso te tranquiliza? - Maddox riu.
Elliot abriu um sorriso. É, isso de certa forma o tranquilizava. E bastante, para ser honesto consigo mesmo e com os irmãos. O fato de não terem o mesmo sangue correndo em suas veias o deixava menos... Culpado? Se perguntava porque sequer considerava a hipótese de ter algo com eles, eram praticamente crianças. "Isso é doentio", pensou.
De qualquer forma, se levantou e foi ao banheiro. Lavou seu rosto e quando voltou fez algo para comer, já que os irmãos insistiram tanto que comesse algo.
- O que vocês costumam fazer? - Perguntou curioso.
- O Maddox faz faculdade um pouco longe daqui e eu de fotografia. - Agnes sorriu e comeu sua torrada.
- Faculdade de Cinema. - Ele se virou para o homem. - É uma das minhas paixões.
- E você, Elliot? O que faz? O que você realmente faz, não esse negócio falido de escritor.
- Isso é o que eu faço... Nada mais, nada menos do que isso. - Disse sem graça. "Negócio falido de escritor"?
- E não pretende fazer mais nada? Não tem mais nada que te mova?
- Que me mova?
- É. Você tem que fazer algo mais do que ficar enfurnado em um quarto escrevendo. - Maddox lançou um olhar preocupado para Elliot. - Você não tem amigos, sei lá?
- Para ser honesto? Não.
Os irmão se entreolharam, sorriram um para o outro, quase como se tivessem uma sintonia perfeita entre si, como se estivessem lendo os pensamentos um do outro, e foi aí que Agnes abriu a boca e resolveu falar.
- Você poderia morar com a gente. Nós três, em uma casa, o que acha? - E ela ficou ali, o encarando.
- É sério isso?
- Por que não seria? - Maddox perguntou de uma forma verdadeiramente inocente.
- Se vocês... Estiverem falando sério, eu aceito. Não sei aonde diabos estou com a cabeça, mas aceito. - E as palavras saíram de sua boca de uma forma tão simples que nem pode acreditar.
- Ótimo! - Agnes sorriu e abraçou Maddox. - Agora só falta você conseguir entrar em casa... Mas isso você resolve depois, aí você vem para cá. Pode trazer as suas coisas assim que você conseguir.
"Eu devo estar perdendo o juízo."
Elliot começou arrumando as suas coisas e ao mesmo tempo perguntando-se "Será que eu finalmente perdi o juízo? Logo aos trinta? Será essa uma crise da meia-idade? O que está acontecendo?" A cabeça dele girava, mas o coração dele batia tão rápido que ele parecia nem ligar. Essa era uma daquelas decisões que marcam a sua vida para sempre. É pegar ou largar.
Arrumou as malas e as levou para a frente da casa dos irmãos, não demorando muito para que eles atendessem a porta. Estavam ansiosos demais para deixarem Elliot ali, plantado em frente da mesma. Eram como crianças, esperando um novo brinquedo chegar, e talvez de fato, fosse realmente isso.
Elliot, o mais novo brinquedinho dos irmãos Bittencourt.
- Aonde eu deixo as minhas coisas? - Perguntou à Maddox.
- Eu vou levá-las para o seu novo quarto, um antes do meu e de Agnes. Eu o esvaziei para você. - O rapaz sorriu e levou as malas para cima, deixando Agnes sozinha com o escritor.
Ela não falou nada, só observou o homem de cima a baixo, procurando defeitos, peças defeituosas, sabe-se lá o que Agnes estava observando, mas parecia estar se divertindo com aquilo.
- O que foi? - Ele sorriu de nervoso, ainda encarando a menina.
- Meu irmão pode estar cem porcento de acordo com esta ideia, mas eu ainda não estou, então você vai ter que me impressionar. - Agnes disse em um tom sério. - Leve-nos para jantar.
- O que?!
- Você escutou, leve-nos para jantar, para sair, alguma coisa, Elliot! - Agnes deu um tapa leve no ombro do homem, que ainda estava chocado.
Apalpou os bolsos, procurando sua carteira e virando para o outro lado, contando quanto de dinheiro tinha. "Merda", sabia que se os levasse para sair e fazer algo caro aquela noite, provavelmente não teria como sobreviver direito no dia seguinte. Mas por outro lado, estava na casa deles não é mesmo? Poderia comer da comida deles e... Bom, valeria a pena.
- Que seja. - Elliot sorriu. - Levarei vocês dois para jantar. Antes eu preciso ir para a editora, verificar algumas papeladas. Em resumo, preciso verificar se vão me contratar novamente, mas quando eu voltar de noite, nós três vamos sair para o L'Alouette. Satisfeita?
- Certo, serve. - Sorriu vitoriosa e saiu correndo escadas acima para contar a novidade para o seu irmão.
- Eu vou falir. - Fechou os olhos e passou a mão na cara, sentindo seu dinheiro voar por aí. Sabia que se não o contratassem novamente, estava ferrado.
A noite havia chegado e Agnes vestia um vestido preto, um daqueles que quando o tipo de garota que Agnes é veste, todas as cabeças se viram para encará-la. Maddox usava uma camisa social qualquer quadriculada e calças escuras, enquanto Elliot vestia um blazer preto e camisa branca, com uma calça também escura. Pegaram um táxi e foram em direção ao centro da cidade, para que pudessem comer no restaurante.
- Já chegamos? - Agnes olhou para o lado de fora do táxi.
- Sim. - Elliot sorriu ao perceber as expressões impressionadas de ambos os irmãos. - Chegamos.
Sentaram-se em uma mesa no fundo, com velas no centro. Era o clima perfeito, as luzes estavam baixas e não havia muito barulho no local. As paredes eram de vidro e em volta do restaurante era possível ver uma piscina o rodeando, e peixes passando para lá e para cá.
- Tenho que confessar... Este lugar é bem legal. - Maddox bebeu um gole do vinho.
- É... Eu vim aqui no primeiro encontro com a minha ex-noiva.
- Você já teve uma noiva?! - Os irmãos disseram em coro.
- É... Há um ano atrás, não deu muito certo. - Deu de ombros, voltando a comer.
Conversaram por algumas horas, até que pediram a conta, e dividiram-na entre os três, lógico que Agnes e Maddox não deixariam Elliot se ferrar por conta própria, não eram tão maus assim. Pegaram um táxi de volta para casa e no caminho, já estavam um pouco embriagados.
- Eu vou deitar por aqui mesmo. - Maddox se jogou no sofá, caindo no sono em uma questão de minutos.
- Elliot... - Agnes o chamou para subir as escadas, e ele obedeceu.
Aos poucos, assim que entraram no quarto, a garota foi se despindo, fazendo com que o escritor ficasse perplexo, somente a encarando, sem fazer nenhum movimento, e quando percebeu, ela estava vestindo somente suas roupas íntimas em frente a ele.
- Dormiremos juntos. Não no sentido sexual, no sentido literal. Mas você não pode me tocar, você não pode fazer nada. - O encarou nos olhos. - Você pode ficar de roupas íntimas.
Elliot se despiu até ficar de cuecas e se deitou na cama com a garota, ele não sabia se aquilo estava realmente acontecendo ou se era um sonho, mas que estava gostando daquilo... Oh céus, certamente estava. E então adormeceram.
Adormeceram agarrados.
"Parece que você nem ao menos quer estar aqui!"
"Talvez eu não queira!"
A cena se repetia e se repetia na cabeça de Elliot, várias e várias vezes. Foi em que dia da semana mesmo? Ah, como poderia se esquecer? Foi chutado na véspera de natal. Foda, Foda, Foda. Não valia a pena ficar triste por Karoline, já que ela nunca ligou de fato para ele. Mas óbvio que ele ficou, e como não ficaria? Viveu anos com aquela mesma mulher e do anda ela acha que ele não faz mais esforços para manter a "chama" do relacionamento acessa? Ele andava ocupado, e apenas isso, oras. Custava ela entender? Ele estava fazendo a porra dos esforços necessários, ela que não enxergou.
Será?
Voltando ao presente, levantou-se da cama, observando a figura nua de Agnes ainda adormecida na cama, estática. Ela era perfeita. De uma forma ridiculamente clichê, parecia que fora desenhada antes de nascer. Cada fio de cabelo. Dos pés à cabeça. Ele queria tocá-la, mas sabia que se caso o fizesse, estaria quebrando as supostas regras que ela impôs.
- Ela é bonita, não é? - Elliot olhou para trás e Maddox estava apoiado na porta, com os braços cruzados. Os olhos fixados na irmã, sem expressão alguma, vidrados. Aquela expressão chegava a assombrar Elliot de alguma forma.
Ele não o respondeu, apenas se virou novamente, encarando o corpo de Agnes, ainda dormindo. Não havia muito a ser dito naquele momento, aliás... Maddox já havia dito tudo que Elliot poderia dizer, para ser completamente honesto.
- Vá beijá-la. - Ordenou à Elliot.
- Como?!
Maddox simplesmente encarou Agnes, e esperou que Elliot o obedecesse. E como era o esperado, ele o fez. Se aproximou da cama, ainda um pouco receoso, toda hora se virando para trás e encarando o rapaz, e sussurrando "Não posso".
- Claro que pode.
Aproximou seus lábios dos de Agnes, porém recuou no momento em que se deu conta do que estava fazendo. Agnes tinha dezessete anos, dezessete. Ela abriu os olhos e o encarou, em cima dela, e não fez nada, apenas continuou encarando-o como se esperasse alguma reação do homem, como se ela estivesse ouvindo tudo e ainda estivesse esperando pelo beijo, mas isso não aconteceu. Estava sob Agnes, mas conseguira se conter.
- Eu preciso... tomar banho e ir resolver uns assuntos. -Disse se afastando da cama com rapidez.
A garota se sentou na cama, ainda nua, com um olhar ingênuo no rosto, isso enquanto Elliot saia praticamente correndo do quarto, de cueca, passando por Maddox, que vinha em direção ao quarto.
- Você é uma decepção para mim, senhor Elliot.
- Você é um doente! - Elliot finalmente parou e segurou no pescoço de Maddox. - Você me entrega a sua irmã simplesmente assim? Ela é a porra da sua irmã!
- Eu não me importo. - Um sorriso cínico surgiu nos lábios do rapaz. - Aposto que você ficou excitado, não é mesmo? Tocá-la... Beijá-la... Ficar em cima de seu corpo. Não minta para mim. - Aproximou seu rosto do de Elliot.
- Você me enoja. Vou sair, não sei quando volto. - Foi em direção ao quarto em que suas malas estavam, para trocar de roupa e assim que o fez, saiu de casa, levando consigo um maço de cigarros.
Seu telefone começou a tocar. Inicialmente achou que era algum dos irmãos ligando para que ele voltasse para casa, mas o número não era o da casa deles, e lhe parecia familiar. Resolveu atender, já que já estava um pouco embriagado. Havia tomado algumas garrafas da bebida mais barata do bar da esquina.
- Alôor? - Elliot quando bêbado fica insuportável.
"Você bebeu? Ai que ótimo, logo quando pensei que teria uma conversa civilizada com você."
- Karoline? É você do outro lado da linha? É você?!
"Aonde você está? Fique aonde está que eu vou te buscar"
E então Elliot passou o endereço para a ex-noiva e em alguns minutos um carro alto e bonito preto apareceu na rua, e dentro dele estava a mulher.
- Entre logo, não quero ficar muito tempo neste muquifo de rua com o meu carro. - Encarou Elliot de cima a baixo.
Ela serviu café para ele, e deixou com que ele descansasse em seu sofá por alguns minutos. Isso foi o suficiente para que ele melhorasse um pouco da embriaguez. Obviamente não foi o suficiente para que ele melhorasse totalmente, mas ao menos já conseguiria conversar com ela normalmente.
- Por que você estava bebendo? Nunca foi de beber. De fumar sim. Beber não. - Ajoelhou-se à sua frente.
- Prefiro não falar. De qualquer forma... Quanto tempo. - Elliot deu um "tchau" com as mãos, e sorriu de forma boba e infantil. - Olá!
- Você não está bem, não é?
Elliot simplesmente encarou Karoline, que por sua vez se aproximou dele. Foi uma questão de segundos, uma maldita questão de segundos até que lábios se juntassem e roupas fossem jogadas ao chão. E quando se deram conta, já estavam no quarto, colando seus corpos.
Karoline por cima do embriagado Elliot, gemendo alto. Foi bom, isso nenhum dos dois poderia negar. Mas também, nenhum dos dois gostaria de lembrar que houve um flashback naquela noite.
Ele acordou um pouco depois, naquela mesma madrugada. Olhou para o lado, vendo sua ex-noiva, e imediatamente pegando suas roupas e achando a porta na escuridão. Não ficaria ali mais um segundo sequer.
A vida de Elliot Campano estava oficialmente virando uma bagunça.










