Capítulo 11 - Let It Be
- O que querem que eu toque? – perguntei
- O que souber tocar. – Niall respondeu, convencido, encostando no sofá
- Tudo bem. – ele parecia estar duvidando de mim, então estava disposta
Comecei a introduzir Let It Be do Beatles. Ficaram todos me encarando, começou a bater uma timidez maldita. Olhei para o chão e para ele fiquei olhando durante toda a música. Comecei a cantar. (Dê pausa na música do tumblr lá em cima e pressione play no início do post .Imagine ela cantando e tocando daquele jeito. Sei lá, me identifiquei com a voz e imaginei ela cantando então imaginem também.) Lembrei de quando minha mãe cantava essa música para eu dormir então foi a primeira que aprendi a tocar no violão, o que sempre me deixou pensativa. Enquanto tocava e cantava timidamente, percebi o Niall comentando algo com o Zayn, dei um sorriso malicioso. Terminei o show. Ninguém falava nada.
- Obrigada. – sorri, devolvendo seu violão
- A sua voz... Me recuso. – disse Louis
- Eu não sabia que você cantava. – Harry me cutucou
- Eu não canto, isso é um bônus. Faço de vez em quando.
- A garota é gata, sabe cantar, dançar, tocar violão. O Harry acertou na loteria dessa vez. – disse Zayn, irônico
- Para com isso, ele vai ficar tímido. – o abracei, para descontrair
- Onde aprendeu a tocar? – perguntou Niall
- Sozinha. – dei de ombros
- “Sozinha”. – me imitou – Que humilde.
- Você canta muito bem, Rose. – Samanta sorriu
- Obrigada. – agradeci, simpática
- Nós também cantamos, não sei se o Harry chegou a comentar. – disse Liam, enquanto bebia algo
- Sim, ele me disse.
- Sério? Vocês cantam? Isso é incrível! Porque não participam de algum programa de TV? – Vivian se empolgou, enquanto olhava fascinada para Liam
- Não esquentem, minha amiga viaja direto.
- Nós já pensamos nisso, mas achamos que não estamos preparados o suficiente. – Niall
- Ah, parem com isso. Tem algum áudio de vocês cantando? Preciso ouvir. – cruzou as pernas, super interessada
O assunto começou a se formar entre eles, olhei para Harry e dei um sorriso. Retribuiu, fazendo um sinal com a cabeça para irmos para a varanda. Levantei.
- Nós vamos pegar um pouco de ar. – falei
Nem perceberam a gente saindo, falei sozinha. O clima estava fresco então eu não ia entrar la de novo durante um bom tempo.
- Se importa? – peguei um cigarro
- Não. – respondeu, se apoiando na mureta
Sentei na mureta, ao seu lado, me apoiando na pilastra que tinha atrás.
- Como consegue gostar de fumar? Nada contra, o Zayn também fuma. – me olhou rapidamente, porém desviou o olhar.
- Digamos que eu não gosto, mas eu fumo para fugir um pouco dos problemas. Não fumo direto, só de vez em quando.
- Que rebeldia. – soltou uma risada fofa
- Você que pensa. – o olhei
- Está pensando em que?
- Na vida.
- O que tem a vida? – levantou
- Acho que comigo é meio injusta. – olhei para o céu, soprando a fumaça – Por isso prefiro ficar só pensando.
O ocorrido da última noite veio a tona, me deixando um pouco mal.
- Quem pensa demais, acaba não fazendo nada.
- Acho que fazer nada é melhor do que fazer e se ferrar.
- Como sabe que vai se ferrar?
- Porque eu me ferrei até hoje. – levantei, jogando o resto do cigarro fora – Eu já perdi muita coisa na vida, não quero perder mais uma.
- Você não vai perder, a não ser que continue pensando mais do que o necessário. – colocou as mãos no bolso, dando um meio sorriso
- Porque você faz isso comigo? – o encarei
- Você mexe comigo. – falou baixo, segurando em meu cabelo
- Eu mexo com todos. – olhei seus lábios, quero beijá-lo. Não, não quero.
- Idiota. – riu – O jeito que você mexe comigo não é o mesmo jeito que você mexe com os outros.
- Não se faça de certinho Harry Styles. Eu entendo seu jeito. – fui me aproximando dele – Só não entendo porque insiste.
- Porque não sou de desistir. – me encarou
- Olhe para mim, o que eu vou acrescentar na sua vida? Eu não posso crescer com você, eu não posso caminhar ao seu lado, vivo no fundo do poço, não entendo porque insiste numa coisa que sabe que nunca vai dar certo! – deixei uma lágrima cair – Isso só me faz sofrer mais ainda. – fiquei de costas, para disfarçar a lágrima
Ficou em silêncio. Olhou as horas e ajeitou a camisa, pigarreando.
- Você fica no fundo do poço porque quer. – ajeitava o relógio
- O que? – virei
- Se sou a primeira pessoa a tentar te ajudar, porque recusa? Porque fica sendo digna de pena? Eu não estou tentando te ajudar por pena e sim porque sei que você pode dar a volta por cima, você é capaz disso e só quero abrir seus olhos, mas não posso fazer nada se insiste em deixa-los fechados.
- Você não sabe pelo que eu passei, deve ter tudo o que quiser na mão, seus pais devem ter feito tudo por você até hoje. Deve ser um riquinho mimado pelos pais, faz faculdade disso, mora sozinho e etc. – debochei, confesso, sou escrota – Não sabe nada da vida, nem deve ter saído das fraldas. – o encarei, dessa vez foi pra valer
- Ta jogando baixo. – riu, irônico
- Cala a boca! – alterei um pouco a voz, sorte que a música dentro da casa estava alta
- Claro. – balançou os ombros, sorrindo
Me puxou pela cintura, me grudando totalmente nele, grudando seus lábios no meu. Me senti fraca, meus olhos se fecharam automaticamente, relaxei. Sua boca macia, se encaixava perfeitamente na minha. Dei passagem para sua língua, que ao encontrar a minha, fez meu coração bater tão forte que quase saiu pela boca. Eu não entendi esse meu nervosismo, era só um beijo, um beijo comum. Porém aparentava ser muito aguardado por ambos os lados. Deixei minhas mãos passearem por seus cabelos um pouco enrolados, enquanto nos beijávamos em perfeita sincronia, já suas mãos andavam pela minha cintura, descendo devagar até chegar em minha bunda, logo com uma segurava minha nuca. Não vou mentir, queria realmente beijá-lo e aquilo estava sendo um sonho realizado, porque eu nunca quis beijar tanto um garoto quanto ele. Já terminando, chupou levemente meu lábio inferior, acompanhado de dois selinhos. Fiquei sem palavras. Que beijo. Que homem. Que sorriso. Que covinhas. Fudeu.
- Eu... É... – me afastei, enrolando meu cabelo em um coque
- O que? – sorriu
- Nada, nada mesmo. Eu estou ótima, nunca me senti tão bem em toda minha vida. – ri, de nervosismo
- Percebi. – deu uma risada gostosa
- Ai não, não porque eu te beijei, já beijei muitos garotos e com você não foi diferente. Não fique se sentindo. – cruzei os braços
- Nossa, que pena. – se aproximou, segurando meu queixo – Sério que não foi diferente? – sua voz estava um pouco mais rouca, que droga
- Não... – fiquei encarando seus lábios – Quero dizer, um pouco... Intenso.
- Quando fica intenso é porque tem sentimento no meio. – enfiou uma mão em meus cabelos
- Não pode ter sentimento, eu não quero te fazer sofrer. Você sabe o que eu passo e a minha vida não é a mesma que as garotas da sua faculdade.
- Então larga tudo e fica comigo.
Senti um arrepio fora do comum. Ninguém nunca tinha dito isso, aliás ninguém nunca tinha me feito gostar tanto de um beijo quanto eu gostei do dele (Para ser sincera, eu quase tive um orgasmo porque ele beija tão bem que o meu desejo por aquele garoto só se multiplicou).
- Preciso de um tempo.
- Tempo pra que? – levantou, estava sentado na sacada – Rose você não tem nada a perder comigo, eu posso te tirar dessa vida!
- Preciso de um tempo para conseguir outro emprego, um tempo para colocar minha vida no lugar e eu não sei... Adicionar você nela.
- Eu não gosto de lembrar que você está trabalhando naquela merda de lugar enquanto poderia estar levando uma vida muito melhor, estudando e até mesmo trabalhando em outra coisa. Mal tenho conseguido dormir sabendo... Que você fica com outros caras. – senti uma decepção em sua voz
Naquele momento me deu pena dele, senti meu coração apertar de vez. Era o que eu mais queria, largar tudo e ficar com ele, independente se o que eu estava sentindo era apenas desejo ou um gostar muito forte (Não gosto de usar a palavra amor, ela é muito forte para algo tão repentino).
- Escuta – fiquei em sua frente – Não posso abandonar tudo assim, tenho a Vivian também... Não posso ir embora e larga-la, ela não merece isso, esteve comigo todo esse tempo. Só quero me ajustar, tudo que é feito com pressa não termina bem.
- Eu vou esperar... – sorriu
- VÃO FICAR AQUI FORA? – Zayn abriu a porta, eufórico
- Mas você é muito empata foda. – Niall chegou, batendo no ombro de Zayn
- Não chega a ser empata foda, mas sim empata conversa. – sorri
- Já estávamos entrando, não é? – Harry pôs um braço em torno de mim
- Sim, íamos entrar agora. – segurei sua mão
- Aham, sei. – Zayn riu, irônico
- Vai atrás de uma mulher, Zayn. – Harry entrou, o empurrando de leve
- Bem que eu queria irmão! – disse, óbvio
Harry tentou entrelaçar nossas mãos, a tirei.
- Calma, ainda não estamos nesse nível. – andei, sorrindo
Curtimos mais um pouco a festinha, não estava ruim, até que estava legal. Algumas horas se passaram, vi a hora e alertei a Vivian para irmos embora pois já estava ficando tarde. Me despedi dos meninos, ainda falei para marcarmos algo novamente pois eles são loucos e divertidos, gosto de gente assim. Harry foi me levar até a rua, assim como Liam acompanhava Vivian bem atrás de nós. Eles estavam tão fofos juntos e ela tão tímida que eu não queria queimar o filme dela, mas bem que eu podia. Queria ser uma amiga má.
- Obrigada por hoje, me distraí. – falei
- Obrigado por isso ou pelo beijo? – sorriu, convencido
- Você entendeu. – o cutuquei
- Eu que agradeço. – olhava para o chão, enquanto caminhava
- Não somos os únicos que saímos bem disso. – falei, me referindo a Vivian e Liam
- Isso é bom, Liam é um bom partido, um cara certinho.
- E Vivian também. Ela só está no lugar errado e no momento errado.
Chegamos ao ponto.
- Adorei te conhecer Liam, espero nos vermos mais e mais e mais e mais-
- Não exagera. – a cutuquei, sussurrando
- Vezes. – sorriu, tímida
- Nos veremos bastante ainda. – sorriu, que fofo ele sorrindo parece um labrador filhote
- É isso, tchau. – sorri
Harry me deu um beijo no rosto, acompanhado de um sorriso malicioso. Subimos no ônibus, eles já estavam longe. Passávamos pela ponte e eu olhava pela janela o Big Bem e a London Eye. A cena do beijo não saía da minha cabeça e dessa vez não tinha sido um sonho, foi real. Harry mexe comigo e mexe muito mais do que eu esperava. Como ainda faltava um pouco para chegarmos, coloquei meu fone de ouvido e comecei a imaginar quando novamente aquela cena iria se repetir e eu espero que não demore muito. Que assim seja.














