O “Career Chronicles” é uma série de entrevistas criada pelo ator Noel Clarke como modo de levar entretenimento e inspiração em tempos de pandemia e confinamento. Noel convida sempre pessoas com quem já trabalhou, ou que admira, para conversar a respeito de diversos assuntos... E foi assim que ele chamou o amigo de longa data para ser entrevistado.
Colin e Noel trabalharam juntos no filme “Storage 24″ (2012), com direção de Johannes Roberts.
A tradução a seguir é apenas um resumo de toda entrevista, publicada no IGTV de Clarke, para ajudar aqueles que não compreendem o idioma. Apenas os diálogos entre aspas estarão na íntegra, o restante estará apenas parafraseado.
Pergunta #1 (01:34): Noel começa perguntando sobre como foi a escolha da carreira e como foi contar aos pais que gostaria de ser ator.
Resposta: Similar a resposta que deu na entrevista para o irmão Allen, Colin contou que tudo aconteceu quando ele tinha 15 anos, quando foi se encontrar com alguns amigos que faziam teatro. Nesse dia, um dos atores acabou faltando e, mesmo recusando de início, todos o convenceram a apenas ler as falas do personagem. Isso não só o encantou, como também garantiu que, mais tarde, Colin interpretasse aquele mesmo papel na peça. Ele ainda se lembra de que aquele encontro era algo que faziam todo sábado e acabou se tornando uma possibilidade para ele se expressar mais. Por ele ser um garoto muito quieto e retraído, o teatro o oferecia essa liberdade de se “vestir” como outra pessoa.
Pergunta #2 (03:35): Colin diz que, após esse episódio e seu interesse pela atuação, acabou estudando teatro por 2 anos na faculdade. Sobre isso, Noel comenta a respeito da diferença entre o conhecimento natural anterior e os conhecimentos adquiridos na escola de teatro, o questionando se as práticas se convergiam ou se Colin acreditava tender mais para uma direção (seja técnica ou emotiva/sentimental/experimental).
Resposta: Colin acredita que essa é uma pergunta difícil de ser respondida, pois ele já atua há quase 20 anos e não está certo se pode distinguir essas duas direções. De todo modo, acredita que se encaixa mais como um ator instintivo, que gosta de trabalhar com o que seus parceiros de cena tem a oferecer e não já vir com algo totalmente planejado. E, concordando com Noel, ele acredita que sempre arquitetar tudo e ser inflexível pode dar muito errado, mas, novamente, isso depende da pessoa e do nível de nervosismo da cena. Além disso, tudo faz parte do processo de habilidades e descoberta profissional.
Pergunta #3 (05:40): Quais são as três coisas que Colin mais se orgulha na carreira ou as três que ele colocaria como os principais destaques?
Resposta: Essa foi outra pergunta que ele achou difícil responder, pois se diz muito sortudo e orgulhoso por cada projeto que fez parte. Entretanto, tendo que escolher apenas três deles, Colin listou:
1) Uma peça de teatro que ele fazia parte, aos 16 anos, e que apresentaram numa competição no Olivier Theatre em Londres. Seu grupo acabou vencendo e ele recebeu o prêmio das mãos de Anthony Minghella (”O Paciente Inglês” e “O Talentoso Ripley”);
2) Seu papel em “The Rite”, já que o filme, além do sucesso e elenco extraordinário, foi o primeiro projeto de cinema que o Colin participou. Ele já estava seguindo carreira artística com trabalhos em TV e peças de teatro há 10 anos, então também coloca isso como marca de sua jornada. Ele comenta, ainda, que as pessoas não entendem que há todo um percurso antes de grandes projetos como esse chegarem, e são poucos os que tem sucesso da noite para o dia, pois é um trabalho árduo e constante. E por mais que, às vezes, se faça um teste e tenha certeza de que é a melhor opção para o papel, os outros podem não concordar com você e aí também tem todo um conflito com tantas negações numa carreira de ator. Por essa razão, “The Rite” foi um marco em sua carreira, especialmente porque ele estava no set de filmagens com um dos maiores atores de todos os tempos e que ele aprendeu muito com o “Tony”. (Noel brinca com o fato do Colin chamar o Anthony Hopkins dessa forma).
3) E, por fim, seu papel em “Once Upon a Time” que, em suas palavras, “mudou sua vida”.
Pergunta #4 (10:17): Noel questiona o que Colin espera e está mais ansioso para o fim do lockdown.
Resposta: “Eu espero que as pessoas percebam que outras pessoas são importantes”. Colin comenta sobre o egoísmo das pessoas e como, com o auxílio das mídias sociais, estão todos muito mais obcecados consigo mesmos. E, falando sobre esse “não olhar para o outro”, ele ainda comenta de como esse tempo de confinamento é solitário e como outras pessoas estão enfrentando tudo isso completamente sozinhas.
Noel acrescenta que percebe muita toxicidade no mundo e que, mais do que nunca, precisam da gentileza. E, sobre as mídias sociais, não sabe se elas apenas destacam mais o egoísmo que sempre esteve ali ou que piorou. De todo mundo, espera que, ao final da pandemia, as pessoas saiam mais empáticas. Colin concordou com o amigo e disse que admira o que muitos estão fazendo nesses tempos, ao ficarem em casa e encontrarem meios de se juntar por um bem maior. Também diz que sabe que existem pessoas que desrespeitam isso e todas as regras, mas que sente que a maioria das pessoas estão se cuidando e protegendo uns aos outros... Mas que também espera que esse senso de comunidade continue pós pandemia.
(Vale lembrar que o Colin está se referindo de seu próprio país, Irlanda, que está com medidas de prevenção severas e com bons resultados. Não se trata de uma visão da situação mundial, até porque sabemos que o Brasil está claramente na direção oposta...)
Pergunta #5 (12:49): Primeiro “jogo” da entrevista. Noel apresenta a Colin sua ideia de “realismo” e pede que o amigo “mande a real” dizendo algo que o comove e provoca muito, seja de uma perspectiva positiva ou negativa. Algo de extrema importância e que não é abordado em muitas entrevistas.
Resposta: Colin diz que “a real” pra ele é sua família e que essa é a coisa mais importante no mundo. No final das contas, para ele, são seus familiares as pessoas que ele realmente pode contar. Mas também sabe que, embora essa seja sua realidade, existem pessoas em situações completamente diferentes. Para ele, tudo que mais importa é ver os filhos brincando ao ar livre, correndo atrás de abelhas, brincando com o cachorro e coisas desse tipo. Em resumo, seu “mundo real” e aquilo que lhe toca é acompanhar o crescimento dos filhos e estar lá pela família, pois nada é tão importante para ele quanto isso.
Pergunta #6 (14:20): Voltando a falar sobre carreira, Noel o questiona sobre as pequenas participações que ele fez, como, por exemplo, “The Tudors” e “Tales of Arcadia” (Trollhunters, 3Below e Wizards).
Resposta: Ele disse que sempre quis fazer algo relacionado à animação e que se divertiu muito fazendo. Além disso, Guillermo del Toro está envolvido, então é algo incrível, mas não pode falar muito a respeito. (Para quem não acompanhou, a terceira e última parte - Wizards - chegará ao catálogo da Netflix em Julho!)
Sobre The Tudors, afirmou ter ficado encantado com a oportunidade porque não estava trabalhando muito antes disso, mas também porque era um dos maiores programas que tinham na época. Contou que teve apenas 8 minutos em um único episódio, mas que foi isso que o deu oportunidade de ir para os EUA e assinar contrato com agentes.
Ainda sobre essa passagem de carreira para outro continente, ele disse que sua esposa Helen o deu muito apoio. Eles iriam se casar em dois meses e não tinham muito dinheiro, mas ela disse que ele deveria ir para os EUA e aproveitar a oportunidade mesmo assim. E, enquanto isso, algumas pessoas o aconselhavam a esperar por algo melhor e maior, mas, assim como Helen, ele sentia que não podia perder isso. Por esse motivo, “The Tudors” acabou sendo grande parte de sua carreira.
Noel comenta que muitas pessoas não compreendem a importância dessas pequenas participações, mas elas tem sua relevância. O ponto não é a quantidade de tempo, mas sim o que você é capaz de fazer com aquilo que lhe é ofertado. Sobre isso, Colin fala que vivemos em um tempo que os outros esperam sucessos instantâneos, mas que na maioria dos casos isso não acontece. É necessário ter um ofício, uma habilidade e treinar em cima disso. É saber se posicionar diante de uma câmera, pensar em ângulos e todas essas coisas, além de criar seu personagem. E são esses pequenos projetos que te ajudam a moldar suas próprias habilidades e se conhecer na profissão, como um treinamento constante.
Pergunta #7 (18:22): Noel o questiona sobre sua experiência com “Storage 24″, filme que trabalharam juntos há 9 anos. Os dois se conheceram no set de filmagens e, desde então, mantém contato. E eles se impressionam com quanto tempo passou desde então, especialmente após Clarke lembrar que O’Donoghue tem uma foto com seu filho pequeno e, em 2019, quando se encontraram em Orlando, refizeram a foto com o garoto já bem grande.
Resposta: Colin disse ter se divertido muito durante as filmagens e que teve uma conexão boa com Noel desde o princípio. Ele também faz elogios à direção de Johannes Roberts e comenta que também estão sempre em contato. Ele acha interessante como, mesmo com um orçamento baixo, o filme teve um bom resultado - e muito disso ele atribui à direção de Johannes, pela criação do suspense e tudo mais.
Pergunta #8 (21:00): Segundo “jogo” da entrevista, sendo basicamente uma troca de respostas com “qual o/a melhor...”.
Resposta: Nesse momento, Colin compartilha que a melhor viagem que fez na vida foi sua lua de mel. Ele e Helen passaram cinco semanas na Oceania, visitando Austrália e Nova Zelândia.
Pergunta #9 (22:46): Noel despeja elogios a Colin ao falar de seu papel como Captain Hook/Killian Jones em “Once Upon a Time”. E, na sequência, pergunta como foi a trajetória para conseguir o papel e sua mudança total de vida (tendo que sair da Irlanda para gravar no Canadá).
Resposta: Colin diz que no ano em que OUAT estreou, ele havia feito um piloto de série para a ABC que não foi aceito (”Identity”), então o estúdio meio que já o conhecia antes do teste. De todo modo, seu agente o enviou o comunicado para as audições do papel de Hook e ele riu, acreditando que não iriam escolhê-lo, pois provavelmente pegariam algum ator mais velho. E mesmo com seu agente o dizendo que queriam alguém mais jovem, Colin ainda não acreditava que iria conseguir o papel, então fez o teste sem qualquer tipo de expectativa. Nesse pensamento, ele colocou o Hook de sua própria maneira, sendo o oposto de sua real personalidade, charmoso e com traços de um “bad boy”. Ele diz ainda que essa pegada mais sexy do personagem foi também uma forma de responder a um antigo feedback que recebeu por não conseguir um papel, em que disseram que ele não era “sexy o suficiente”. E, embora ache que isso seja ridículo e redundante (pois, em uma audição você apresenta o personagem do modo como você o vê, não necessariamente de acordo com o que eles pensam), Colin acreditou que era o momento de mostrar que ele podia fazer aquilo.
E, sobre a mudança, ele disse que assim que o comunicaram de que ele tinha conseguido o papel, assinar o contrato foi uma grande decisão a ser tomada. Contou que, nas primeiras temporadas, ele e a esposa ficavam indo e vindo entre Vancouver e Drogheda, mas que também coincidiu com a época em que Helen estava grávida e isso complicou um pouco todas as viagens. Foi então que eles decidiram se realocar em Vancouver porque, querendo ou não, eles passavam nove meses do ano em gravação. Além disso, ao assinar o contrato, estava se comprometendo com o programa por seis anos, o que não necessariamente garantiria que você fosse trabalhar todo esse tempo, mas era um compromisso firmado. Contudo, em sua concepção, ele nunca se mudou definitivamente da cidade natal, pois ali é sua casa, e Vancouver era apenas o local de trabalho.
De todo modo, Colin adorou seus tempos de OUAT, afirmando que se divertiu bastante durante os anos e, é claro, mencionando sua alegria em usar jaquetas de couro e delineador. E, para além disso, ele também gostava do quão diverso era o universo da série: cada semana estavam em um mundo completamente diferente e não ficavam sempre num ambiente similar de trabalho (como, por exemplo, nas séries médicas).
Pergunta #10 (27:55): Colin é questionado sobre como se sentia ao pensar que, agora, ele faz parte desse “legado” do Hook. Como ele se sentia em ser um dos nomes na lista dos atores que interpretaram o personagem tão icônico?
Resposta: Quando ele foi contratado para trabalhar em OUAT, a primeira temporada já tinha estourado com números incríveis nos EUA e já era uma série grandiosa. Por esse motivo, na Comic Con daquele ano, eles divulgaram um vídeo teaser que anunciava a chegada do Hook na próxima temporada, então teve muita pressão vinda disso. Mas, felizmente, o elenco e todo pessoal por detrás das câmeras, escritores, Adam Horowitz e Eddy Kitsis o ofereceram muito apoio. E, quando seus episódios foram exibidos, logo os fãs começaram a da retorno sobre seu personagem, o que foi incrível. Em resumo, Colin demonstra muita gratidão por tudo que o Hook representa e fala com orgulho sobre ter seu figurino exposto na D23 Expo e adicionado aos arquivos oficiais da Disney, em 2017.
Pergunta #11 (29:20): Noel fala que, muitas vezes, eles recebem as mesmas perguntas dos entrevistadores e tudo acaba ficando muito repetitivo. A respeito disso, qual pergunta ele gostaria que as pessoas o fizessem?
Resposta: Colin, mais uma vez, elogia a pergunta do amigo e diz ser difícil de pensar em algo. Mas acabou lembrando-se da época de entrevistas de OUAT e disse que era muito perguntado somente a respeito do romance entre Hook/Killian e Emma, mas que gostaria de ser questionado também sobre seu processo de aprendizado e construção do personagem. Que buscassem saber como ele trabalhava na criação do Hook e sua compreensão de quem era o personagem, mas que, geralmente, as perguntas sempre vinham como “Ah, mas você está se divertindo?” ou “Você gosta?”.
Pergunta #12 (31:00): Eles conversam sobre a dinâmica de gravação. Noel o questiona sobre suas táticas de memorização de roteiro, usando OUAT como base, com os diversos episódios na sequência e a grande quantidade de roteiros em um único mês. Clarke pergunta, então, se o amigo decorava tudo ou apenas uns 90%, ficando mais flexível para o que os outros iriam fazer em cena ou quaisquer alterações que seriam feitas de última hora?
Resposta: Colin afirmou que os diálogos ele tentava, basicamente, decorá-los na íntegra, pois os escritores de OUAT eram bem específicos em cada uma das falas escritas e queriam que elas fossem ditas exatamente como no papel. Mas, de modo geral, a memorização era algo complicado porque eles gravavam por várias horas no dia, voltam para casa e já tinham novos roteiros para o próximo dia de trabalho. No final das contas, cada um deles acabava encontrando seu jeito mais natural no processo. Ele apenas lia em voz alta várias vezes (e o máximo que podia), algo que acabou se tornando uma tarefa automática para ele, como uma “segunda natureza”. Mas também brincou dizendo que, sempre que tinham uma pausa prolongada ou férias, já voltava a ser complicado essa rotina quando retornavam para o trabalho.
Pergunta #13 (32:50): Noel volta a perguntar o que é mais importante para Colin, exceto o trabalho. E, embora ele saiba que a resposta principal seja a família, ele gostaria de ouvir algo além disso também.
Resposta: Ele concorda e volta a afirmar que, definitivamente, a coisa mais importante para ele são os filhos e a esposa. Saber que está sempre lá por eles, por seus pais e familiares. Colin cita também o meio ambiente, dizendo que faz o máximo que pode dentro da casa dele com reciclagem e etc, mas que, como já havia dito anteriormente, ele acha que o respeito seja a resposta. “[...] Tratar as pessoas com respeito. Ser gentil. Não importa quem você seja, mesmo que você seja alguém que eu não gosto, eu não vou te tratar mal. Não necessariamente que eu deseje ficar na sua companhia... Entende o que eu quero dizer? Boas maneiras! Boas maneiras é algo muito importante!”. E, para finalizar, diz que as pessoas esqueceram como falar “obrigado” e “por favor” hoje em dia, e que parece que todos querem apenas tirar proveito das coisas ou dos outros. Então o “respeito” seria sua resposta.
Eles terminaram com um novo jogo de palavras, em que Colin deveria dizer a primeira palavra que lhe viesse na mente a respeito das coisas que Noel dizia. Foram respostas como “Andar > Correr”, “Jogos de tabuleiro > Monopoly”, “Abraços > Beijos” e, por fim, “Peter Pan > Hook”.
Noel Clarke agradece Colin pela participação e volta a repetir que é uma honra tê-lo como convidado pela admiração e respeito que sente pelo amigo. Assim que O’Donoghue se despede, ele diz que Colin é uma das pessoas mais incríveis e genuínas que ele conhece, além de praticar exatamente tudo aquilo que ele prega.
Noel Clarke We are live. CAREER CHRONICLES with my dude @colinodonoghue1 is up on my Instagram. Colin drops some real gems of wisdom, and he’s just a really nice dude. Head over and give it a watch. https://instagram.com/noelclarke/ drop me Follow while your there. RT Thanks for your support. (x)