Não sei como começar essa carta. Tenho boas noticias, eu venci o câncer.
Eu tenho muito que agradecer ao Burle, sua família e a minha amiga Fernanda.
Eu conheci o surf alguns meses antes de descobrir que estava doente, e então estudei um pouco sobre e comecei admirar o Surf. Vários fatores me levou á desistir, tinha perdido minhas amizades, minha madrinha e meu amigo tinha acabado de falecer de leucemia. Não tava aguentando mais perder pessoas que amava, eu estava cansada e sem força.
Foi difícil tomar essa decisão, eu ia morrer se não voltasse ao tratamento logo, afinal estava avançado o diagnóstico. Nada me fazia mais volta atrás, nem meu sonho de ver o mar era capaz de me fazer mudar de ideia, tantas pessoas tinha me prometido ir ver o mar comigo, ir na praia e nenhuma dessas promessas tinha sindo comprida.
Era um sonho meu, e eu tinha medo de ir sozinha. Esse era meu problema, eu tinha medo da solidão. E foi através do surf que esse meu medo foi sumido. Quando eu via uma foto de um surfista em uma onda, ou vídeo eu percebia que nunca estávamos sozinhos, a mãe natureza estava ali junto com surfista, eles estavam compartilhando energias boas e vibrações de paz, felicidade e todas as energias boas que podemos imaginar.
Minha amiga chegou uma certa manhã e colocou ao meu lado várias revistas, reportagem sobre o Carlos Burle, ela tinha feito uma pesquisa gigantesca sobre o surfista e levou no hospital onde eu estava internada e iria sair no dia seguinte pela minha decisão de parar o tratamento.
Lembro bem o que ela disse esse dia: “Marina, ler e veja a historia desse homem. Pensar no que você passou até hoje, e veja a burrice que estar fazendo”
Foi um tapa na cara. Chorei e olhei para o lado e peguei um revista, acabei lendo todas revistas e reportagem. Ouvir um áudio de uma entrevista de Burle: https://soundcloud.com/penomar-esurf/carlos-burle
Meu médico entrou no quarto e chorei muito e perdi socorro. Ele me deu um abraço e disse que tudo dependia da minha escolha e só eu poderia fazer minha história tomar um novo rumo.
Eu não desistir e fui até o fim! Depois de seis meses curada, fiz um exame de rotina. E tive a triste noticia que o câncer estava de volta em minha vida. Eu era uma pessoa diferente, eu estava mais forte e determinada. Minha situação ficou pior ao saber dos obstáculos que eu tinha que vencer.
Tive minha última chance. Me preparei novamente para ficar no hospital, já conhecia bem aquele ambiente. Foi difícil.
Minha amiga Fernanda, que estava morando no Estado Unidos com sua família, voltou para o Brasil assim que soube para me ajudar no que fosse preciso. Eu não me sentia sozinha, medo eu tinha, mas minha vontade de viver era maior.
E hoje dia 23/01 estou em casa e feliz. Cheia de vontade de viver, de conhecer todas as praias possível, e de dizer á todos vocês para nunca desistirem do sonhos de vocês. Eu tive sorte, ou melhor um herói, chamado Carlos Burle que me motivou, me fez ver que não tô sozinha, que sou forte e sou capaz de vencer, basta querer.
Burle, obrigada por tudo. Você me motivou a lutar pelo que me fazia mal. Hoje vejo a vida de uma forma diferente, quero viver cada minutinho dela. Tenho sonhos novos, quero aprender a surfar e quero vive cada minuto da minha vida como se fosse o último. Obrigada por ser o melhor ídolo do mundo e por ser um amigo.
Gratidão eternas ao Burle e todos da sua família!