AS CAMPEÃS DO SAMBÓDROMO E O MELHOR SAMBA DE 2010
Vem chegando mais um carnaval. Com a velha mania estatística que me persegue e influenciado pelo tema da Grande Rio, que vai relembrar grandes momentos dos últimos 25 carnavais (ou seriam 26?), resolvi demonstrar em números como anda a divisão dos campeonatos na Passarela do Samba:
Impératriz 89 - O primeiro de uma série de 6 campeonatos
1º - Imperatriz Leopoldinense e Beija-Flor (6 campeonatos);
4º - Mocidade Independente (4);
5º - Vila Isabel e Salgueiro (2);
7º - Portela, Estácio de Sá e Viradouro (1).
Já se dependesse do seleto júri do Jornal O Globo, os títulos estariam assim divididos (considerando o Estandarte de Ouro de melhor escola dado pelo jornal):
Salgueiro 94 - o segundo Estandarte de melhor escola no Sambódromo
2º - Mangueira e Beija-Flor (4);
4º - Unidos da Tijuca (3);
5º - Vila Isabel e Mocidade Independente (2);
7º - Caprichosos, Estácio de Sá, Portela, Imperatriz, Viradouro e Império Serrano (1).
Vale lembrar que esses números são referentes à era Sambódromo (1984 a 2009). Do primeiro desfile, no início dos Anos 30, até os dias de hoje, a maior vencedora continua sendo a Portela. Lembro ainda, para não contrariar nenhum amigo mangueirense, que considerando o supercampeonato de 1984 a escola também somaria 6 títulos na Passarela do Samba.
Acadêmicos de Santa Cruz 2002 - último título de uma das principais forças do Acesso
1º - Unidos da Tijuca, Tradição, Santa Cruz, São Clemente e Império Serrano (3 campeonatos);
7º - Unidos do Cabuçu, Unidos do Jacarezinho, Arranco do Engenho de Dentro, Viradouro, Grande Rio, Vila Isabel, Acadêmicos da Rocinha, Estácio de Sá e União da Ilha (1).
Ao longo da história, a maior campeã do grupo é a Estácio de Sá, que, desde os tempos em que se chamava Unidos de São Carlos, soma 6 campeonatos. Em segundo lugar, vem a Santa Cruz, com 5 títulos.
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Antes de opinar sobre os sambas, quero deixar clara a minha insatisfação com relação à capa do cd do Grupo Especial. O belo abre-alas do Salgueiro morreu na foto, num trabalho gráfico que beirou o amadorismo. As escolas merecem mais respeito e o "produto" samba-enredo também. A capa ficou tão apagada que tornou-se complicado encontrar o cd nas prateleiras das lojas.
Quanto às gravações, houve um salto de qualidade visível (ou seria audível?). A valorização do coro das escolas e de alguns instrumentos fez com que o cd ficasse mais quente. Isso, porém, não chega a melhorar o nível discutível de várias obras que serão cantadas na Passarela. Os sambas de quatro escolas se destacam positivamente: Vila Isabel, Mangueira, Beija-Flor e Imperatriz. Mas é claro que esta é apenas uma opinião baseada na audição de um cd, que, como bem dizia o saudoso Albino Pinheiro, não representa a verdade do samba-enredo, que é um hino que acontece na Avenida. Portanto, qualquer observação antecipada, como esta, pode estar carregada de alguma imprecisão. Torço então para estar completamente enganado com relação à qualidade duvidosa dos sambas de algumas escolas.
E ainda discutindo o assunto samba, o melhor que será cantado em 2010 não é de nenhuma escola grande, que esteja no Grupo Especial, mas sim de uma agremiação que já sonhou alto e que hoje está no antigo Grupo B (RJ1). Também não é um samba de 2010, mas sim uma reedição de 1986. A Tradição vai apresentar pela segunda vez (pela primeira na Sapucaí, já que em 1986 o desfile do grupo era na Avenida Rio Branco): “Rei Senhor, Rei Zumbi, Rei Nagô”, de autoria dos excelentes compositores João Nogueira e Paulo César Pinheiro. O samba é tão bom que, se bobearem, a Tradição, mesmo com o seu condor um tanto quanto cansado, poderá voltar a surpreender.
Carnaval de 1986 - Tradição na Avenida Rio Branco (foto original extraída do blog do carnavalesco João Rosendo)