Não sabia o que esperar, Matt sempre fazia loucuras, e dessa vez não seria diferente. Sai do carro e encostei-me no capo, fiquei observando-o ir até o meio da praia e parar. Virou de volta para me olhar, revirou os olhos e voltou até onde eu estava.
—Vamos, mulher. Não vai ficar ai com essa cara de besta não. – Ele segurou meu braço e foi me puxando pela areia, parou em frente a uma lancha e me olhou – Anda, sobe ai
Não tinha certeza se devia ou não, mas apesar de tudo, ele me deixava extremamente segura, não importava qual fosse à situação.
—Qual é o propósito disso?
— Por favor, cha, sobe na lancha – Ele me olhou e fez aquela cara de cachorro pidão.
— Ta legal, ta legal, eu subo. Mas se por acaso você esta pensando em me jogar no mar e me servir de jantar pras piranhas, saiba que suas amigas são todas piranhas que comem capim – Ri e subi na lancha estendendo a mão pra ele
— Poxa, acabou com os meus planos, - Ele sorriu e segurou minha mão – Vem.
— Pra onde?
— Só vem – Ele disse isso e segurou minha mão, entrelaçou nossos dedos e me levou até o painel de controle – Agora, eu quero te levar pra longe, só eu e você
— Tá pensando em me sequestrar?
— Talvez
— Péssima ideia, muita gente viria atrás de mim
— Tipo quem?
— Tipo meu gato
— Não tenho medo do seu gato
— Pois deveria, deixa ele sem comida um dia pra voce ver
Ele riu e segurou meu rosto me dando um selinho demorado – Amor, só quero te levar pra ver o por do sol, será que eu posso?
— Não
— Ótimo, vou levar do mesmo jeito – Ele sorriu e ligou a lancha
— isso é sequestro
— isso é romantico - ele virou pra mim e piscou. Matt sabia ser romantico quando queria
Enquanto ele guiava a lancha eu apenas fechei os olhos e senti a brisa daquele fim de tarde batendo contra meu rosto, sorri. Amo essa sensação de liberdade, esse vento que bate no seu rosto e bagunça seu cabelo. Senti o vento cessando, abri os olhos. A lancha estava parada no meio do nada, de todos os lados água e a minha frente uma grande bola vermelha alaranjada que começava a desaparecer no horizonte
— Vem princesa – Ele segurou minha mão e me levou até a frente da lancha, se sentou, olhou pra mim e sorriu – Senta aqui
Sorri de volta e sentei entre suas pernas, conduzi seus braços em volta do meu corpo e entrelacei nossos dedos, encostei a cabeça no seu peito e suspirei – É tão lindo
— Nem tanto quanto você – Ele sussurrou, levando uma das mãos até meu cabelo afastando-o e beijando de leve meu pescoço – Nada no mundo é tão lindo quanto você
— Existe sim uma coisa mais linda que eu
— Mesmo? E o que seria?
— Nós dois – Virei um pouco minha cabeça para olha-lo e ele estava sorrindo, um sorriso bobo e extremamente largo. Sorri junto, era impossível não sorrir
- Te amo tanto cha
-Eu sei – Deslizei minha mão pela sua nuca entrelaçando meus dedos nos seus cabelos, trouxe-o pra mais perto e olhei diretamente em seus olhos – Eu também amo você
— Todos me amam
— Mas nem todos te amam tanto quanto eu
— Nenhum amor é igual ao seu
— Errado, nenhum amor é igual ao nosso
Ele se aproximou de mim, fechei os olhos e pude sentir seus lábios tocando os meus. Meu corpo todo estremeceu, um frio na barriga, fui ao céu e voltei em questão de segundos. Era sempre assim, cada momento ao lado dele era todo céu, ou todo inferno. Então ele me beijou. Talvez um dos beijos mais calmos e apaixonados desde o começo de toda essa historia.