Era um dia calmo, o céu não estava aluminado, estava nublado para falar a verdade. Estava do jeito que ela gostava, nem calor, nem frio, estava agradável. Entre todas aquelas vindas do sonho e voltas para a realidade, todas aquelas situações irreais em que ele a salvava de tudo e de todos,aquela praia, deserta, onde ninguém passava e tudo parecia fazer sentido, era um bom lugar para se estar. Parecia, pela primeira vez algo concreto, real, e sem perigo algum. Ela sentou-se em uma imensa pedra, abraçou as próprias pernas e ficou olhando o mar, o vento estava forte batendo contra seu pálido corpo frágil que aos poucos tornava-se gélido. Não parecia feliz, não parecia triste, somente estreitava os olhos em direção ao mar, não em busca de algo, ou alguém, mas pelo simples fato de que o vento estava forte. Aquele abraço lhe aqueceu,e como aqueceu, ela foi até o outro extremo da rocha, assustada, temerosa. Ele sorriu e passou a mão na nuca, afagando-a. Ela riu e voltou, ajeitando-se em seus braços novamente. Lá ficou, minutos, ambos calados, somente abraçados, ela se sentia em uma paz divina, extrema e então arregalou seus olhos. " Mas eu não estou em perigo " Ela pensou e deixou escapar levemente de seus lábios, baixo, quase inaudível. Ele sorriu, a apertou no abraço e acariciou seu cabelo novamente em seguida. " Não precisa de perigo para eu vir a ti, minha pequena " Ela riu e depositou-lhe um beijo na bochecha em seguida, voltando a se ajeitar em seus braços em seguida, mas não perceberam, não tinha sinal de asas, de perigo, e nem de vida nenhuma além deles naquele mundo inteiro. " E as asas, onde estão?. Ele acariciou o cabelo da pequena e demorou um pouco para lhe responder. E então, conjunto de um beijo na testa ele sussurrou em seu ouvido: " Não preciso delas para te proteger , pequena . " Ela não respondeu, na verdade, nunca duvidou que ele sempre esteve a seu lado, protegendo-a, mesmo a milhas de distância,mesmo sem ela estar em perigo. Ela virou-se e encarou-o, seus lábios tocaram os dele, seria algo que ela normalmente teria vergonha, mas não tinha agora, e nem sabia a razão de tanta confiança. Mas ela estava feliz agora, ele estava ali, e ela estava segura. Isso era o suficiente. ( Acredite Anne )