POV: Nos seus braços, o mundo é você.
[Antes de Arcanum]
No salão, o som dos sapatos no chão de madeira no ritmo da música tocada pelos músicos em seu tablado no canto imundava os ouvidos de Ozzy que em seu vestido vermelho sangue caminhava com um sorriso no rosto e uma taça de champanhe entre os dedos. Cumprimentava com acenos de cabeça os seres da noite escondidos entre os humanos, uma cumplicidade que apenas semelhantes poderiam entender.
E então, ela o vê.
Vladislav, em seu terno da mesma cor que o dela, seu sorriso largo enquanto conversava com seus pares do clã. Ozzy o observa ao longe, o sorriso em seu rosto incapaz de ser recolhido, ao longe, se emociona sem motivo algum, os olhos marejam, Vlad parece brilhar para si. Ele é luz e calor.
E então, ele a vê.
O sorriso do vampiro se alarga ainda mais, ele para, dispensa seus companheiros, dá alguns passos na direção de Ozzy. Nota suas lagrimas. O sorriso desaparece, ele acelera o passo, a pega pela mão livre, a traz para perto de si. Leva sua outra mão ao rosto da bruxa e seca seus olhos gentilmente com o dedão, pergunta preocupado o que houve, meu amor, Ozzy sorri.
“Não é nada, não se preocupe” responde em um suspirou, o cheiro inebriante do perfume que ela o deu de presente tomando seu olfato. Desejava sentir aquele cheiro para sempre, nele, nela, em seus lençóis pela manhã, nos camisões roubados, nos abraços.
Vlad apenas assentiu, os músicos iniciando mais uma balada, agora mais lenta, os casais reunindo-se no meio do salão, o vampiro a convida para uma dança e ela aceita. A taça em sua mão é entregue para o primeiro garçom que passa, ele a guia para a pista de dança, coloca a mão em sua cintura. A guia, nos primeiros passos, sorriem um para o outro.
Todo o resto parece em câmera lenta. As pessoas ao fundo, apenas borrões, naquele salão agora, só há os dois e seus passos em harmonia. Os giros, os risos, os olhares que não se desgrudam. Vlad a puxa para mais perto de si, para seus braços. Mas Ozzy não nota o olhar de reprovação dos mais conservadores.
Pois, o mundo inteiro cabia perfeitamente dentro daquele abraço.
















