Eram dez horas da noite. A lua estava cheia e minha vida não tinha sentido.
Charles Bukowski. (via mthsovnd)
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@olhinhosdegato
Eram dez horas da noite. A lua estava cheia e minha vida não tinha sentido.
Charles Bukowski. (via mthsovnd)
aprenda a ser sozinho, também. a ir ao cinema, escutar uma música, passar mais de meia hora lendo só um livro, saia de casa, toma um café. mas aprenda a não depender [tanto] do outro para viver.
há dias que você tem multidão
há dias que você tem solidão
há dias que você precisa entender que você só terá você com você.
r.
1. estive aqui semana passada. você me viu? chovia na cidade e você parecia feliz. eu sentia que estava. a felicidade é um vício, né? quando ama-se alguém, a felicidade é um vício. você acorda na quinta-feira querendo amar ainda mais e a pessoa está lá, ao seu lado da cama, roncando. e você acha aquele ronco o mais bonito da face da terra. de toda a terra. poderiam colocar aquele momento em algum livro de literatura, você pensa. mas é melhor preservá-lo na memória. afinal, a felicidade é uma cócega no coração. e ainda há amor demais para ser compartilhado. estive aqui semana passada.
2. eu também já fui a pessoa viciada na felicidade. quando estive com um cara meses atrás, costumava costurar meu peito com a risada dele. nada de anormal, para uma geração desesperada por afeto. mas veja bem: eu tentei ser tão feliz, mas tão feliz, que poderia explodir feito fogos de artifício. acabei explodindo nele num dia comum. ele não soube como me segurar nas mãos dele e eu sangrei, sangrei e sangrei até não querer mais. ele me viu ir embora e não fez nada. acredita? nada. aprendi que vícios - em solidão, felicidade, cigarro, qualquer coisa - não te leva a lugar algum. ou até leva. para onde? não sei.
3. é que existia entre eu e você um deserto gigantesco. não havia como eu aparecer na sua casa e te pedir pra voltar. bom senso, né? eu até que tive muito. mas você não voltou depois de um tempo e eu fiquei me perguntando se havia feito alguma coisa. acho que fiz: te amei. e o problema em amar alguém que não te ama de volta não é a falta de reciprocidade. é o buraco que existe entre a vontade de querer estar com alguém e o não-saber se aquilo ali vai ‘vingar’, ir para frente. com você não foi. mas tudo bem também, a gente só pode agradecer pelo que sente, pela capacidade de ainda brotar fagulha na alma. estive aqui semana passada para desabrochar uma conversa marota no seu peito. iria te dizer que gosto ainda de você, e que segui a vida de coração. você também o fez. e estamos aqui. cada um no seu lado favorito do mundo. o meu ainda é aquele onde posso ser fogo de artifício.
4. eu vi você esses dias numa balada. parecia bem e feliz. cheguei à conclusão de que as pessoas podem ser felizes, sim, se não com a gente. porque seria egoísmo querer que elas não fossem felizes pois a ruptura ecoou uma ferida na pele. é preciso, urgentemente, que as pessoas sejam felizes. sem você, principalmente. entende? se alguém é feliz sem você, ela conseguirá, talvez, ser feliz com você. e lá estava ele, felizão. e eu fiquei feliz também. alguém estava sendo para ele o que eu não havia sido. estava dando o que eu não poderia dar, muito menos doar. alguém fazia cócegas em seus ombros com dedos que eu não possuía. e alguém sussurrava palavras que minha boca não sabia proferir.
5. estou aqui hoje, como na semana passada. de lá pra cá, pouca coisa mudou. continuo queimando como um vulcão que infla-se para dentro. as chaves do apartamento têm as linhas de expressão de outra história. a minha, nossa, não existe mais, no agora. o tempo é transitório, efêmero e por vezes tardio. esta não é uma história de amor. é uma história de como o tempo é soberano e a vida, passageira. de repente acordar do lado de alguém que você ama já não faz sentido. e o ronco não é poético, mas sim irritante. e o quarto fica pequeno para os dois. estive aqui há pouco tempo que bom que você se encontrou
a felicidade é um vício. cuidado com ele.
Eu só quero poder ligar para alguém no fim do dia e confessar uma dor escondida no corpo, e aceitar um lanche no bar mais perto, e ir mancando mais um sobreviver. Poder fazer algo grande, sabe? Que alguém me olhe entendendo que é por amor. E continuar sem que te falte uma perna.
“eu te amo. notei que eu te amava quando o que eu sentia de bom por você se mostrou mais forte do que qualquer um dos meus incômodos. e quando eu me apaixonei até pelo formato do seu nariz. eu te amo. soube quando acordei no meio da noite às 3 da manhã porque seu rosto se misturava aos meus sonhos e eu não conseguia mais dormir. porque você não estava aqui pra me acalentar nos seus braços e me proteger do resto do mundo. eu te amo. senti, quando às 16h52 indo embora da terapia eu tive vergonha e medo do que tinha dito e a única pessoa com quem eu quis conversar foi você. e enquanto eu era toda urgência e tempestade, você era todo calor de fim de tarde e calmaria. eu, explosão. você, reconstrução. eu te amo. vi quando resolvi insistir em nós mesmo sabendo que a gente queria coisas diferentes e vivia em mundos quase opostos. que eu precisava da certeza pra acalmar minhas urgências e você precisava do afrouxamento pra continuar com a sua tranquilidade. e eu queria respostas. eu queria que você acreditasse que a gente realmente poderia dar certo, além do amor. que a gente tinha o que bastaria pra querer estar junto, apesar das incompatibilidades. mas você não conseguiu notar. você não consegue. ainda assim, eu te amo. e talvez, por isso, eu precise ir embora. porque você merece mais do que alguém que não é capaz de acompanhar o seu ritmo. você precisa de alguém que não necessite de tantas certezas. alguém mais parecido contigo, que te permita confiar. então, talvez eu precise mesmo ir embora. mas eu não vou mentir dizendo que faço isso apenas por você. eu também me amo. e eu me amo mais do que amo você e, ao menos dessa vez, eu me coloco em primeiro lugar.”
— Textos cruéis demais
a gente insiste em querer que alguém fique pelos motivos errados. mas escuta aqui baixinho: deixar ir também é um ato de amor.
as idas não são poéticas, g. fodam-se os tais bons textos que você finge que sente prazer em ler mas depois sai pingando pela casa feito roupa molhada. é teu sangue que escorre na pia do banheiro. não tem que ser bonito só porque não volta mais
você ainda vai chorar porque dói muito
e sentir como se fosse infinito
mas eu te garanto: passa, sim.
sempre passa.
Eu nunca quis e nem vou agradar todo mundo
perceber que perdeu a si mesmo é a coisa mais triste do mundo, querido.
“Eram dez horas da noite. A lua estava cheia e minha vida não tinha sentido.”
— Charles Bukowski.