I don't care if you don't @Wattson
Era inegável que o novato não nutria amor algum pelas exatas, independente do quão fácil fosse para ele decifrá-las. Suspeitava, na verdade, que tal talento o havia sido dado justamente para que ele não perdesse tempo com algo que tanto desgostava. Infelizmente, os professores pareciam não compartilhar de sua linha de pensamento, para eles, era imprescindível que Theo passasse adiante seu conhecimento, independente da carranca adquirida pelo garoto ao ouvir tal ideia ser sugerida. Estranhamente, não demorou para que acatasse a sugestão - que soara estranhamente como uma ordem -, não era da natureza do menino lutar contra o que lhe era imposto, independente do quão odioso o fardo fosse. Havia sido bem doutrinado pelos pais ao longo dos anos, ao ponto de ter o comportamento imutável apesar da ausência de ambos. Sentia-se, de certa forma, adestrado. Ficou combinado que o rapaz ajudaria um aluno em certos dias da semana, os quais, num acesso de boa vontade, deixaram-lhe escolher.
Logo, lá estava ele, no fim da tarde de sexta-feira, acomodado numa das mesas da cafeteria (coincidentemente, uma das mais afastadas da entrada) tendo como companhia seus livros de matemática e uma xícara de café. Havia feito alguns apontamentos numa folha qualquer, apenas para não se perder em meio ao que deveria explicar. Não era bom com explicações, mesmo quando não eram públicas. Tinha poucos conhecidos, e muito menos amigos, havia se acostumado tanto ao anonimato, a ser um espectador dos outros, que a simples ideia de confraternizar por conta própria com uma colega o aterrorizava. Lhe faltava tato (e outrora, vontade) para lidar com pessoas da sua idade, inconscientemente, reconheceu que estaria mais a vontade se Edward estivesse ali, mesmo com todas as piadas e gracejos desnecessários.
Tamborilou os dedos sobre a mesa, rabiscando algo qualquer no canto de uma página enquanto uma música (que certamente teria feito sua mãe gritar) se fazia ouvir em seus ouvidos através de seu fone. As orbes claras focaram-se outra vez no relógio digital de seu celular, sua ''aluna'' estava, inegavelmente, atrasada. E ele estaria mentindo se dissesse que não estava um tanto aliviado com a possibilidade dela não vir.














