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Dias de cinefilia em outubro: 8 filmes
205. Passion (2012) ★★★ e 1/2 Tomei coragem pra ver esse ame/odeie, não entrei em um desses lados radicais mas sou suspeito pra elogiar porque adoro o filme original, com todo o bitch fight e as vinganças novelescas. De Palma continua afiado, adicionando seus elementos à história e brincando até com quem viu o original (invertendo a loira sensível e a morena forte de papel; além do final hitchcockiano). Sempre vibro quando ele divide a tela e aconteceu aqui.
206. Os 7 Suspeitos (1985) ★★★★ Uma paródia descompromissada do gênero "quem matou?", inspirada no jogo de tabuleiro Detetive/Clue e com overactings deliciosos de Tim Curry, Eileen Brennan e Madeline Kahn: se eu não adorasse esse conjunto, podiam me internar. Adorei também os finais alternativos, se é que algum é definitivo.
207. A Música mais Triste do Mundo (2003) ★★★★ É uma viagem vintage por um mundo distinto, com uma lógica interna onde ser ninfomaníaca é uma nacionalidade e pernas de vidro preenchidas com cerveja podem andar. Elementos tão peculiares podem tornar o filme tão fascinante quanto irritante, mas a presença absurdamente hipnotizante de Isabella Rossellini nos conecta com esse mundo e deixam o passeio divertido.
208. Searching for Debra Winger (2002) ★★★★★ Uma atriz envelhece e os papeis vão desaparecendo. Hollywood começa a pressioná-la. Não se é mais a protagonista, é a mãe dela. Aí vêm as cirurgias, papeis ruins, aposentadorias... Dezenas de atrizes que sentem na pele o envelhecimento em frente às câmeras discutem essas e outras questões nesse documentário interessantíssimo (e o fato de ser dirigido por uma atriz, Rosanna Arquette, faz toda a diferença).
209. Peppermint Frappé (1967) ★★★★ Trama macabra de Carlos Saura sobre um homem que tenta transformar uma tímida enfermeira na imagem de uma mulher sedutora que o rejeitou, uma espécie mais homicida de 'Um Corpo que Cai'. O destaque é Geraldine Chaplin encarnando suas duas, três personagens com uma presença hipnotizante e o final destruidor mesmo.
210. Ata-Me! (1990) ★★★★ Não achei que ia dizer isso de um filme de sequestro e obsessão, essa mistura de horror e sexo com os filmes da Doris Day, mas: que coisa lindinha! Acho que a síndrome de Estocolmo me pegou.
211. Hoje (2013) ★★★ Adoro um teatro filmado (e quem não curte pode correr pras colinas, o clima é bem esse), e embora o texto aqui não tenha a intensidade que se espera de uma experiência dessas, tem seu brilho e a interpretação da Denise Fraga faz valer demais a pena. Gostei também das cenas de reconstituição e do final.
212. Gata Velha Ainda Mia (2014) ★★★★ Thriller metalinguístico e cheio de reviravoltas (umas menos convincentes que outras), que abusa dos close-ups e do trabalho das atrizes pra construir a claustrofobia. Bárbara Paz faz o que pode, mas é escada de uma S̶a̶l̶l̶y̶ ̶F̶i̶e̶l̶d̶ Regina Duarte totalmente entregue à loucura de sua personagem: amarga, engraçada, macabra.
213. Meu Amigo Totoro (1988)[RE] ★★★★★∞ Rever Totoro é trazer pra vida mais um pouco da doçura que só o mexxxxtre Miyazaki me proporciona, é me envolver de novo com a aventura, a inocência, as descobertas. É infância pura batida com nescau.
Dias de Cinefilia em 2014: setembro, 9 filmes
195. Miss Violência (2013) ★★★★★ Uma história de horror, de silêncios intimidadores, de uma revolta tão grande que o sorriso só tem vez na hora da morte. Fazia um tempinho que eu não tomava uma cadeirada nas costas assim, viu?
196. Deixe-me Viver (2002) ★★★★ Drama bem adorável amparado por um elenco feminino no mínimo interessante, especialmente pelas interpretações de Alison Lohman (cuja montanha-russa emocional é ilustrada pelos diferentes cortes de cabelo) e Michelle Pfeiffer em uma personagem intensa. Final lindo demais.
197. O Lobo Atrás da Porta (2013) ★★★★★ Suspense doloroso, contado de forma a encontrar humanidade em um crime tão terrível. É daqueles filmes que apertam mais a cada segundo perto do final, que eu não consigo evitar ficar pensando (vi faz uma horinha), esperando a poeira baixar, pensando no conjunto. E que elenco, hein? Leandra Leal destruidoríssima, dona do filme até dizer chega e Thalita Carauta marca em sua curta aparição.
198. Feitiço da Lua (1987)[RE] ★★★★★ "A lua une a mulher e o homem, capisce?" Que filme mais apaixonante, gente! Vi há muito tempo e sempre tive mt carinho pelas poucas coisas que eu lembrava dele, como a cena da ópera que eu acho linda de viver e o drama da Olympia Dukakis. Na revisão isso só melhorou, é um filme hipnótico (e Cher está igualmente encantadora, não reclamo desse Oscar nem a pau), muito agradável de ver e cheio de sorrisos gostosos. Coisa linda.
199. Os Outros (2001)[RE] ★★★★★ Uma inesquecível Nicole Kidman caminhando com uma lamparina na mão, uma neblina hipnotizante que encobre a ilha, toda a reconstituição de época... A combinação desses elementos na atmosfera que o filme levanta sempre me deixou uma impressão mt forte e essa revisão só fez bem. Suspense lindo.
200. As Irmãs Diabólicas (1973) ★★★★ e 1/2 O primeiro thriller hitchcockiano de Brian De Palma, seu Psicose com um toque de Festim Diabólico, já dava sinais dos grandes filmes que viriam. Adorei as reviravoltas macabras e o efeito da tela dividida cria cenas interessantíssimas.
201. Mapas para as Estrelas (2014) ★★★★ O passeio de Cronenberg pela cidade dos sonhos é obscuro e divertido, não ao mesmo tempo mas em um ritmo confortável, com um roteiro que metralha referências (tem até Mommie Dearest!) uma atmosfera que não perturba apesar de sérias consequências. Chamam a atenção Julianne Moore e Evan Bird, encarnando pessoas que Hollywood destruiu: a primeira como uma bitch queen atormentada e o segundo como um ex-astro mirim em constante reabilitação.
203. Vestida para Matar (1980) ★★★★★ Um dos meus suspenses favoritos, De Palma sabe referenciar e ao mesmo tempo criar algo muito seu. Por que diabos Gus Van Sant fez um remake de Psicose se ele já existia e se chamava Vestida para Matar?! Eu hein.
204. À Procura do Amor (2013) ★★★★ e 1/2 Até esperava que fosse uma delícia de filme, mas conseguiu me surpreender mais com sua perspectiva do que vem depois do "felizes para sempre" e com a humanidade dos personagens, como a protagonista errante. Gandolfini tá um fofo e Julia Louis-Dreyfus arrasa com uma interpretação que, mesmo cômica, é mais dramática que a de costume (que mulher FDP! hahaha)
Dias de Cinefilia em 2014: agosto, 11 filmes.
183. Cría Cuervos (1976) ★★★★★ Geraldine Chaplin não é atriz, é uma mestra da hipnose. Filme extremamente comovente, angustiante, agridoce, às vezes ternurinha. Ana Torrent é uma pérola. 184. Valerie e Sua Semana de Deslumbramentos (1970) ★★★★★ A chegada da puberdade e a perda da inocência ganham contornos vampirescos nesse envolvente conto surrealista. O título está certíssimo: é deslumbre a cada frame. 185. Smiley Face - Louca de dar Nó (2007) ★★★★ De 0 a 10, quais as chances de você me internar em um hospício se eu disser que Anna Faris dá um tour de force nesse filme? 11? Ah. Ok. Talvez tour de force não seja a expressão adequada, mas vá lá: Anna arrasa. Ela está presa a esse estereótipo de loira burra quando é mais do que isso, e neste filme não é diferente, mas ela arrasa como pode. E o filme é bem melhor do que deveria ser. Baita performance cômica (e não, comédia não é gênero menor). 187. O Conselheiro do Crime (2013) ★★★ e 1/2 Malkina é daquelas ladras-de-cena que nos fazem desejar que o filme seja sobre ela e, felizmente neste caso, talvez seja mesmo. Crime, castigo e muita verborragia tomam conta do roteiro de Cormac McCarthy, que traz a personagens superficiais insights interessantíssimos. O conjunto é bagunçadinho, mas tem uma vibe incendiária que me fez gostar dele. 188. Crô (2013) whatever Vamos fingir que eu dei uma justificativa maravilhosa por ter visto, sei lá, sou um pesquisador conceituadissimo fazendo uma monografia sobre o fundo do poço. Pelo menos é melhor que O Diário de Tati. 190. As Pequenas Margaridas (1966) ★★★★★ "Se tudo no mundo está indo mal, podemos ser más também." 73 minutos da mais pura alegria em tocar o terror. Filme-vida. 192. Aconteceu Perto da sua Casa (1992) ★★★★★ Um projeto universitário resultou nesse falso documentário sobre o dia-a-dia de um serial killer, um filme que aproveita sua premissa brilhante para uma execução deliciosamente perversa. O protagonista, apesar dos absurdos que faz e diz, é tão carismático que nós (equipe e espectador) viramos seus cúmplices. 194. A Garota Morta (2006) ★★★ e 1/2 Cinco mulheres, cinco segmentos, um cadáver. A narrativa de cinco histórias que têm em comum o cadáver de uma jovem começa pouco promissora, mas melhora a cada segmento. O elenco é dos sonhos, com váários nomes que me agradam, mas o segmento mais intenso cai na mão da mais desconhecida do conjunto, Mary Beth Hurt.
Dias de Cinefilia em 2014: Julho, 8 filmes.
Brasil copa olé olé olé olá olé olá olé olá!
Continuando a megamaratona de filmes vistos em 2014 acompanhados por textos tão superficiais que fazem Pauline Kael se revirar no túmulo, falaremos agora de julho. Um mês marcado por um número miserável de filmes (bem menos da metade do mês anterior!) e um número apavorante de gols da Alemanha.
174. Wolf Creek - Viagem ao Inferno (2005) ★★★★ visto em: 6 de julho, 9 dias depois do filme anterior Tenho problemas em julgar filmes que me fazem sofrer, mas ao escolher esse eu sabia que não seria ele a me fazer sorrir no domingo. É um pesadelo angustiante, repulsivo até, e a força disso vem de um diabólico John Jarrett estranhamente simpático, sem ser dissimulado ("ele é do interior, é normal ser cordial").
175. Raquel, Raquel (1968) ★★★★ e 1/2 visto em: 11 de julho. terceiro filme em 15 dias Esse filme reúne duas das atuações mais impressionantes que passaram por mim e que merecem ser lembradas, muito mais que o filme. De um lado, Joanne Woodward despida de qualquer vaidade como uma professora solteirona com suas excentricidades, neuroses, pensamentos suicidas... Do outro Estelle Parsons dando uma aula de roubo de cena, com uma presença tão iluminada que o filme se perde sem ela... E quando volta, salva tudo.
176. Três Mulheres (1977)[RE] ★★★★★ visto em: 16 de julho. estou vendo um filme a cada 5 dias? "Sonhos não podem te machucar." Um filme sobre duas mulheres, talvez uma ou as personalidades que elas tomam pelo caminho. O sonho filmado de Robert Altman (e o filme que me fez amar seu cinema) é um desenvolvimento de personagens incrível, amparado por belas imagens, uma obsessão intrigante e duas performances iluminadas. Shelley Duvall, a senhora é destruidora mesmo, viu?
177. A Escolha Perfeita (2012)[RE] ★★★★★ 178. O Diário de Tati (2012) Emoticon poop 179. Sete Psicopatas e um Shih Tzu (2012) ★★★★ 180. 48 Horas (1982) ★★★ os quatro vistos em: 22 de julho. um triunfo!!!!
Ok, eu menti. Não terminei de ver Tati, só precisava compartilhar meu desprezo.
181. All About Evil (2010) ★★★★ visto em: 23 de julho. Uma trama ridícula, extravagante, hilária. Atuações over-the-top. Centenas de referências ao cinema de horror. Dirigido por uma drag queen que se intitula a rainha dos "midnight movies". E estrelado por uma maravilhosa Natasha Lyonne, com Cassandra Peterson (a eterna Elvira) e Mink Stole (musa do John Waters). A história da dona de cinema que mata pessoas e grava para exibir em suas sessões pode divertir horrores se você gosta dos elementos envolvidos. Eu adoro.
182. Maus Hábitos (1983) ★★★★ visto em: 29 de julho, forçado por um trabalho acadêmico. A doce blasfêmia de Almodóvar cria um ambiente aconchegante para estas mulheres que há tempos abandonaram (ou foram abandonadas) a fé e se identificam mais com o pecado. Só cresce no coração por ser recheado de ingredientes que mt me agradam: freiras from hell, um número musical que é uma delícia e um senso de humor ultrajante.
O QUE?? JÁ ACABOU O MÊS???
Balanço do mês:
Superficialmente, um fiasco.
Mas como eu faço essa retrospectiva para me convencer de que 2014 não foi uma tragédia... Vi pouquíssima coisa em comparação com os outros meses, mas revi filmes que muito me alegram, visitei uma pérola desconhecida (All About Evil), então é... junho não foi tão ruim assim. Tive meses piores.
então, Billy, o que você esteve fazendo neste período? o tal do trabalho acadêmico? memes da copa do mundo? cantando o hino da Copa da Inês Brasil? fazendo maratona de O Rebu? todas essas coisas, mas principalmente:
THE ANIMALS, THE ANIMALS
TRAPPED TRAPPED TRAPPED TIL THE CAGE IS FULL ai que saudade que me bateu de Orange is the new Black.
E no próximo mês...
Onze filmes e um Crô.
Dias de cinefilia em 2014: Junho, 21 filmes
Continuando o humilde balanço de tudo o que aconteceu nesta barra pesadíssima em forma de ano chamada: 2014, mais um mês bacana, apesar de uma certa bomba do Lifetime que vos falo já já. Segura na minha mão e vem! 152. May - Obsessão Assassina (2002) ★★★★ Vendido como um terror perturbador, mas está mais para um drama sobre a solidão que vai crescendo a passos lentos para algo mais obscuro, amedrontador e natural para May. Que ano maravilhoso pra Angela Bettis, que também arrasou naquele telefilme de 'Carrie - A Estranha', outra desajeitada que reage com violência ao mundo que a apavora. 155. Ernest e Celestine (2012) ★★★★★ Filme simples mas poderoso sobre amizade e preconceito, os protagonistas têm personalidades tão cativantes que não dá pra não torcer por eles (e não são poucas as cenas de chorar açúcar, segura a diabetes). O visual, meio livro ilustrado, também é uma delícia. 157. Saneamento Básico, O Filme (2007) ★★★★★ Olha quem vem lá! Quem? A Silene. Que Silene? Silene Seagal... Ahh... bom dia, Silene! Bom dia. Aonde vai tão bonita a esta hora? À minha festa de formatura. Que vestido bonito, foi sua mãe que fez? Não, comprei na Só Lindezas. Decorei esse diálogo e uso até hoje. Sim, é estranho. 158. Travessuras de Casados (1952) ★★★ É a história de sempre: o filme nunca me prometeu que seria grande coisa, eu sempre soube e tivemos um relacionamento agradável e sem grandes interesses. O elenco tá mt divertido (o segmento da Eve Arden é o melhor) e é uma pena que as histórias não se cruzem. 160. I Am Divine (2013) ★★★★★ "...e acabou que a mulher mais linda do mundo era um homem." Sou doido por esse filme desde que começou a levantar financiamento no Kickstarter, então quando soube que caiu no cine torrent não esperei nem a legenda... Não precisa ser fã para se deliciar com a história do garoto obeso que queria ser Elizabeth Taylor e acabou virando rainha underground, mas pra quem é amante de Divine (e Waters, claro!) é um registro emocionante não só de uma personalidade maravilhosa, mas de uma filmografia deliciosamente fora do convencional. 161. Rejeitados pelo Diabo (2005) ★★★★★ FUCK GROUCHO! Já ouvi falar que era melhor que o antecessor (que eu adoro), mas que subida de nível! 165. Neblina e Sombras (1992) ★★★★ Amorzinho de filme! O estilo ambicioso de homenagem ao expressionismo alemão encobre uma comédia que agrada pela simplicidade, ouço falar dele como um "filme menor" mas curti demais, foi crescendo tanto no coração que no final eu já tava entregue. O elenco é um dos mais surpreendentes que o Woody já reuniu, tem até a Madonna, e eu nunca amei TANTO a Mia Farrow quanto aqui (ok, Broadway Danny Rose chega pertinho). 167. The Lady in Number 6: Music Saved My Life (2013) ★★★★★ A senhorinha simpática da foto é Alice Herz-Sommers, a mais velha sobrevivente do Holocausto. Não é um filme de lamentos, lágrimas ou dos horrores da guerra. É uma das coisas mais doces e graciosas que já vi, a vida de uma mulher cujo amor à música e à vida é tão imenso que ela não se cansa de procurar a beleza das coisas, dos momentos, das experiências (e tem memórias positivas até dos nazistas). Alice faleceu em fevereiro, aos 110 anos, uma semana antes do doc ganhar o Oscar. 168. Ela é o Diabo (1989) s2 "Mary Fisher... Mary Fisher mora em uma mansão na praia. É bonita, rica e magra. Apaixonada por meu marido, que é o contador dela. E eu? Amava meu marido... Eu ODEIO Mary Fisher." Não me julguem, eu tenho direito a um guilty pleasure que me faça feliz. Deve estar em algum lugar da Constituição. 170. O Jardim dos Esquecidos (2014) ★★ e 1/2 Não é bom, nem ruim, mas não posso dizer que é inofensivo porque é adaptação de um clássico do incesto. É superior à versão de 1987, mais ousada e tem uma certa tensão mas como o esperado de um drama da Lifetime tem a sutileza de um tanque de guerra invadindo uma creche. E é terrível quando a personagem mais humana e pela qual você tem mais empatia é uma fanática religiosa (Ellen Burstyn, diva) que chicoteia a filha. 172. Selena (1997)[RE] ★★★★ Queria saber por onde anda essa Jennifer Lopez que mergulhou fundo numa performance memorável, nessa revisão ainda vejo muito da Selena real ali (e a sequência em Monterrey é mágica). Baita atuação. 173. Sob a Pele (2013) ★★★★★ Scarlett Johansson devastadora em uma jornada de descoberta, de "ser" humano e toda a vulnerabilidade e horror que isso pode trazer... Só preciso deixar aqui minha gratidão por uma das experiências mais impressionantes que já tive (e infelizmente não deu pra ser no cinema, valeu Província!), por uma trilha sonora sensacional e uma cadeirada nas costas que doeu por um tempinho. E no próximo post... Começa a saga da decadência do hovem que vos fala. Menos de dez filmes vistos, gols da Alemanha e uma ou outra série pra salvarem minha alma.
Dias de cinefilia em 2014: Maio, 22 filmes
Voltei! Primeiro post de 2015 (feliz ano novo, minha gente) segue com aquela retrô marvelous do que teve no ano que passou, porque 2014 foi um ano barra pesada demais pra durar só 365 dias. E pra você que achou que eu ia desistir da retrospectiva porque me dá uma canseira só de pensar que ainda falta meio ano: é, eu pensei mesmo. Mas estou aqui porque o ano teve suas delícias e eu preciso revisitá-lo.
Maio foi um mês bastante especial pela quantidade de filmes amados por metro quadrado.
129. A Casa dos 1000 Corpos (2003) ★★★ e 1/2 Most of all, fuck you! É O Massacre da Serra Elétrica refilmado como um videoclipe, mas como não amar uma família em que a matriarca é a Karen Black brincando de MILF? Ficou a cara da Jennifer Coolidge.
131. For the Love of Movies (2009) ★★★★ e 1/2 É incrível como existem ladras-de-cena até em documentários. Neste aqui, sobre críticos de cinema, quem chama atenção é Pauline Kael. Por mais que ela não apareça (Pauline já é falecida), todos tem uma história sobre ela, sobre essa bitch queen, que causava ultraje por onde passava, que fez David Lean se aposentar por uma década e meia, entre outras ousadias; mas falava de cinema com uma paixão incomparável. Que mulher!
133. Confidências à Meia-Noite (1959) ★★★ e 1/2 141. Eu, Ela e a Outra (1963) ★★★ Maratona Doris Day pra adocicar o mês. PLEASE GIVE ME YOUR LOVE I'M LONGING FOR YOU I NEED ALL YOUR LOVE. HONESTLY, I DO. YOU CAPTURED MY HEART AND NOW THAT I'M NO LONGER FREE... MAKE LOVE TO MEEEEEE MAKE LOOVEEE TOOOO MEEEEEEEE
134. O Iluminado (1980)[RE] ★★★★★ Wendy... Querida... Luz da minha vida. Eu não vou te machucar. Você não me deixou terminar a minha frase: eu não vou te machucar... Só vou esmagar os seus miolos.
135. Hair (1979) ★★★★★ Difícil falar de um filme tão multifacetado e envolvente, to encantado aqui... Vamos lá: Treat Williams faz de Berger um personagem apaixonante, o espírito vibrante do filme contagia que é uma beleza e a trilha é um hinário que vai mt além da clássica Age of Aquarius. Quem não viu, corre ver.
136. Bernie - Quase um Anjo (2012) ★★★★ História real mais estranha que a ficção. Esse falso documentário sobre quando a pessoa mais amável da cidade matou a mais insuportável (adivinha de que lado a opinião pública ficou?) fez com que o Bernie da vida real saísse da cadeia, com a condição de viver com Richard Linklater, diretor do filme. Se algum dia sair Bernie 2, não me surpreendo.
137. Polaroides Urbanas (2008) ★★★ e 1/2 aí vc joga o nome do filme no google imagens e a pesquisa relacionada é "Nicolas Trevijano pelado".
olha que eu vi o filme com a minha mãe.
138. Edifício Master (2002)[RE] ★★★★★ Depois de mergulhar mais fundo no universo do mestre (e ter visto Coutinho.doc, sobre os bastidores de Master), fiquei devendo essa revisita ao prédio: achei até mais fascinante que da primeira vez. Amo demais ouvir cada história e as particularidades encantadoras de cada pessoa, passar um tempinho com a mentirosa verdadeira, a sociofobia devastadora da Daniela, até com as loucuras da Maria Pia (pobreza não existe!1!) e, óbvio, chorar no My Way...
140. As Mulheres do Sexto Andar (2010)[RE] ★★★★ Foi falando sobre esse filme que eu usei pela primeira vez o termo "ternurinha" e hoje, muitas ternurinhas e uma revisão depois, continua digno do elogio.
143. Traição (1998)[RE] ★★★★★ Tá aí um filme que me marcou horrores. Conheci em uma madrugada no canal Brasil, numa sessão tão misteriosa que o guia não mostrava o nome. Não sabia nada dele, mas me apaixonei ferozmente por esse elencão, pelas histórias alucinadas (só mais tarde fui saber que eram de Nelson Rodrigues) e por Fernanda Montenegro dando aula de roubo de cena. Na revisão, bateu o medo de gostar menos. Não foi assim: baita filme.
145. La Jetée (1962) ★★★★★ Brilhante é pouco pra descrever esse genial curta que usa fotografias pra contar uma história de horror e encanto em meio à Terceira Guerra Mundial. A quase meia hora de duração é de pura hipnose. Não lembrava que Os 12 Macacos era inspirado nesse aqui, ainda numvi.
146. Mudança de Hábito 2: Mais Loucuras no Convento (1993) Eu sei que tem overdose de Whoopi Goldberg na minha vida mas não é minha culpa que a Sessão da Tarde ame os filmes dela tanto quanto eu. Ain't no mountain hiiigh nooo
147. O Assassino Mora no 21 (1942) ★★★★★ Como não amar um suspense policial em que a única motivação da investigadora (Suzy Delair, hilária) é poder ser famosa o suficiente para ter uma carreira musical?
148. Antes da Meia-Noite (2013) ★★★★★ Still there. Still there. Gone. O círculo se fecha (será??) e eu não poderia ficar menos maravilhado, cada filme é um conjunto de sentimentos novos, do encantamento do primeiro ao choque de realidade desse último, com a maturidade, as consequências da união, a rotina os martelando (e algumas cenas propositalmente desconfortáveis)... Bendito seja Linklater (amei Boyhood!).
150. Eclipse Total (1995) ★★★★★ Uma ilha, duas mulheres, dois fantasmas, duas viúvas que se autodestroem (e eu não estou falando dos mesmos pares) e um céu que só escurece. Stephen King sabe encher de medo mesmo quando não é um filme de terror e, ainda que não seja um filme perfeito, é de uma densidade que me faz amá-lo mais a cada cena. Kathy Bates encarna uma mulher dolorosamente marcante e Jennifer Jason Leigh brilha a cada confronto: o filme é delas.
151. Felicidade (1998) ★★★★★ É o meu segundo filme do Todd Solondz e percebo que além de ter a sutileza mais bizarra do mundo, ele tem o dom de acabar com o meu fim de semana.