"How many times do I have to tell you, leave me alone!" + @circevonstein
Verdade fosse dita, os filhotinhos haviam tomado sua atenção meramente como meios para um fim, considerando o quão importante eram para Circe. E se eles não o odiassem logo de cara já seria um avanço, chegou a pensar na primeira vez que descobrira que a mulher tinha filhos, porque era assim com toda e qualquer criança há… bom, muito mais tempo que ele poderia lembrar. Provavelmente desde que havia escolhido vender a sua alma pelo acesso à magia das trevas, nada demais. Mas as duas crianças não apenas lidaram bem com sua presença, como de fato gostaram de Grigori. Isso, sim, era inesperado. Apenas não mais inesperado do que o fato de que o próprio feiticeiro também gostara e muito dos dois pequenos. Motivo pelo qual, naquele momento, encontrava-se batendo na porta da mulher. A grosseria era tão comum quanto um mero “oi” de outra pessoa poderia vir a ser, o que tornava a expressão impaciente da loira algo que falhava em atingi-lo. “Em minha defesa, eu só vim aqui para ver outra garota bonita” Argumentou, com algum humor na voz, e sem esperar que ela o convidasse para entrar (pois não o faria), ele adentrou a casa que àquela altura era tão familiar que parecia mais sua do que a mansão que a maldição lhe havia garantido. O som da TV ligada, o aroma que parecia uma mistura do perfume cítrico de Circe, biscoito e sabão de camomila, e os tantos brinquedos espalhados por ali complementavam o cenário. Qualquer um que o conhecesse (ha, se soubesse o quanto ‘Circe’ de fato sabia quem ele era) poderia pensar que ele havia perdido a cabeça completamente. Ele também pensaria, caso se permitisse analisar demais sua situação. Preferia ignorar, porém, que o grande feiticeiro Grigori Rasputin efetivamente estava caidinha por duas criaturinhas de olhos brilhantes. Imagine se os outros vilões descobrissem que ele tinha largado seus compromissos porque Michael enviara uma mensagem dizendo que Francesca estava doente? Inclusive, Circe provavelmente odiaria saber daquela pequena traição por parte do filho mais velho. Manteria segredo. “Carrapatinho” Chamou atenção da garota que assistia televisão, que daquela vez não tinha o sorriso tão animado quanto de costume. “Você não vai acreditar no que eu encontrei” Ela pareceu curiosa; muito embora não demonstrasse muito entusiasmo. Então o homem entregou um pequeno saquinho em que a garotinha encontrou um esmalte igualzinho ao que tinha pedido há alguns dias, com a coloração rosa chiclete e repleto de glitter. Como se recuperasse boa parte da energia, a menininha se sentou, analisando o presente e falando sobre como iria ficar muito linda com as unhas daquele jeito. Em meio à afobação da garotinha, Michael se aproximou de Ruzgar e sussurrou em seu ouvido como ela vinha se recusando a tomar os remédios. Rasputin observou a menina mais alguns segundos, até dizer algo. “Sabe o que eu acho? Que podemos brincar de salão de beleza depois que você tomar os seus remédios” Sugeriu, e a menina se encolheu um pouco. “Porque se você ficar assim, não vai ter força para brincar” Explicou, e ela o encarou com um pouco de desconfiança. Depois, pegou a mão do feiticeiro, e lançou sua contra-proposta: tomaria o remédio. Mas ele teria que deixá-la pintar suas unhas também. Garota mafiosinha! Tinha como não gostar daquelas crianças? “Ta, combinado. Mas tem que tomar tudo hein”
@circevonstein









