circevonstein:
Flashback na floresta encantada
Apenas revirou os olhos por que as palavras dele não eram qualquer surpresa e geralmente lhe faziam se arrepender de sequer dirigir a palavra a ele em primeiro lugar, como alguém poderia ser tão cheio de si? Não que ele estivesse errado, ainda que isso nunca seria dito em voz alta, mas ainda assim superava o ego de qualquer um. Não se deu ao trabalho de responder aquela parte, por independente do que dissesse ele diria alguma gracinha, isso já era costumeiro e esperado vindo de Rasputin. Era quase impossível que o canto dos lábios não se curvassem em um sorriso mínimo sempre se sentia os olhos dele em si, claro, não havia muito mais o que se olhar no quarto, mas ela gostava de pensar que mesmo que houvesse ele ainda escolheria olhar apenas para ela. ❝Se parar de falar besteiras, talvez realmente esteja… Afinal, não lhe enxotei daqui ainda, imagino que tenha notado minha gentileza.❞ Pontuou já que geralmente apenas o mandaria embora pouco depois, por que era melhor manter as coisas dessa forma, que o mantivesse o mais longe de si possível. Mas bem, ele ainda poderia ser um bom aliado e isso era motivo o suficiente para que não o afastasse tanto. Claro, ele não faria qualquer esforço para se vestir novamente, não esperava que ele o fizesse sinceramente e deixou que os olhos percorressem o corpo alheio por alguns segundos antes que voltassem a se fixar no rosto de Grigori. Se xingando mentalmente, por que sabia que não teria como ele não perceber aquilo. Se permitiu rir baixo, almejava um dia ter uma auto estima tão boa quanto ele tinha, queria poder gostar de quem ela era ao menos por um dia. ❝Ambição é algo bom, especialmente quando se tem o poder para se obter tudo que se deseja.❞ Concordou sem se afastar dele, ainda que uma voz no fundo de sua cabeça lhe aconselhasse a se afastar, acabou por suspirar ao sentir os lábios dele contra sua pele, o praguejando mentalmente enquanto colocava a mão direita sob o peito dele. Uma tentativa mediocre de o impedir de se aproximar mais, de que fizesse qualquer outra coisa que lhe tirasse o foco. Se sentiu tentada a perguntar quem ele queria, por que desejava que ele dissesse que era ela, no entanto, a mera ideia de que não fosse lhe deixava um tanto irritada, era como se um sussurro em sua mente repetisse o nome de Sarah de forma consecutiva, a Sanderson tentava ao máximo ignorar aquilo. ❝E o que você quer? Talvez, caso se prove útil para mim… Talvez eu possa lhe conceder o que almeja.❞
Já deveria ser difícil imaginar Rasputin em qualquer espécie de relacionamento. Primeiro; porque ele parecia justamente a personificação da solteirice e sem vergonhice. Segundo; porque esperava-se que pessoas seriam inteligentes demais para cair na lábia de alguém como ele (pelo menos por tempo suficiente para engajar em algo além de um one night stand). Ficava ainda mais impressionante que era com Winnifred que ele se deitava, considerando que a bruxa não era nenhuma garotinha ingênua. Mas às vezes, nem tudo se explicava da forma mais lógica. Claro, eles não estavam a caminho do casamento e na realidade, estavam longe até mesmo de um rótulo para aqueles encontros casuais que tinham. Mas muito embora ambos escondessem, disfarçassem e ignorassem, havia algo ali. Algo forte, único, e que não poderia ser simplesmente compreendido - como se uma poção ou equação matemática. Grigori mesmo não precisava e nem pretendia analisar o que poderia significar aqueles momentos compartilhados que ficavam cada vez mais frequentes e duravam mais horas. Ele se sentia bem junto da Sanderson, e era o que importava. “Não passou despercebida, garanto. Inclusive, temo dizer que tem ficado um pouco mais gentil comigo nos últimos tempos. Tem certeza que não está doente?” Fez graça, resistindo a vontade do corpo de tocar a testa alheia como quem buscava por febre, apenas porque ele sabia que a tocasse demais, logo arriscaria lhe retirar o vestido do corpo outra vez. E, bem, a não ser que pudesse garantir que a ruiva quisesse o mesmo; não estava a fim de ser efetivamente expulso de sua casa. O olhar curioso da outra não passou despercebido, com certeza, e ele ajeitou um pouco a postura a fim de parecer o seu melhor. A Sanderson não se afastava dos toques do feiticeiro, e isso o fizera encher o peito de oxigênio e satisfação, quase que fazendo com que ele se sentisse maior do que de fato era. Os olhos semicerraram levemente ao notar que ela não havia questionado quem ele queria. Seria por desinteresse? Ou por ter consciência de que o único possível nome a deixar os lábios de Rasputin era o dela? Ou... será que simplesmente tinha medo de ouvir outra coisa? “Me sentir invencível.” Respondeu, com franqueza. “Não sei se pode me conceder isso assim, tão... facilmente. Mas tenho certeza de que se trabalharmos juntos, lyubimaya¹, conquistaremos o mundo.” A mão direita desceu por seus ombros e, tocando seu braço, chegou nas mãos alheias. Rasputin segurou a mão da moça e a levou até os lábios, deixando ali um beijo. “Sei que a ideia te agrada.” Arriscou, confiante. “Você é incrível demais para não conquistar algo tão grandioso. Sei que nunca estaria satisfeita até lá. E eu sou assim. Nunca estarei satisfeito, também.” Talvez fosse aquilo o mais próximo de uma explicação para o que raios acontecia entre os dois. Eles eram mais parecidos do que se poderia imaginar.























