




#interview with the vampire#iwtv#the vampire armand#assad zaman
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A música e a “cena LGBT”
Movimento que dá referência e representatividade = representatividade tem limites = somos atuantes do cistema, agentes de cultura
“Meu corpo é político, mas o seu corpo também é político”; “Quais são os seus espaços de atuação política?”
Cena LGBT, Música MPbICHA, MPTrans = não é novo, mas ganha força; nos enxergarmos enquanto grupo; conexão; ações e estratégias;
“Movimento de dar nome à nós é sempre de certa forma dar nome ao que é “exceção”. Porque ninguém dá o nome da música “heteronormativa” [...], o branco, o normativo, o padrão, nunca é denominado. Ele continua sendo o universal, o Todo Poderoso”.
“Atuantes do cistema, atuantes da cultura”. (Obs: noção de que podem mudar a estrutura, possuem agência).
“A arte nunca foi um espaço receptivo à mim assim como nenhum outro espaço são receptivos a corpos estranhos como o meu e eu tô problematizando pra encontrar solução”
“Mas acho que nos delimitar e nos colocar como um tema a ser esgotado é muita crueldade. Eu não sou um tema. Eu não vou ser esgotada. Eu tô produzindo sobre as minhas inquietações que são inclusive muito maiores que eu”.
BIXA TRAVESTY - filme
Documentário “comigo”. Atuou no roteiro, construiu o documentário junto com a produção.
“Importância do documentário pra mim, na minha própria investigação de mim mesma. De pensar e num ato de nomear quem eu sou. Quem é esse corpo?! De pensar o feminino e e o masculino nesse corpo. De pensar que eu não chego nem ao patamar de mulher, nem ao patamar de homem. Eu sou a falha. Eu sou a falha desse cistema. É quase como se eu fosse realmente o que não deu certo. E me apropriar dessa falha e me assumir essa falha para então dar um nome a esse processo: bixa travesty. E nisso foi um processo de descoberta pra mim, um processo arqueológico mesmo, sabe?! E perceber o que é ser uma bixa travesty? Quem ama uma bixa travesty, o que come uma bixa travesty, quem come uma bixa travesty, com quem vive, com quem se relaciona, onde trabalha, quem são suas parceiras? Eu acho que o filme vem desse processo, então é um processo muito importante pra mim.
Mas acho que é muito importante que a gente saiba que temos que colocar as nossas na estrutura. Eu ainda vejo e sinto poucas de nós atuantes na estrutura. No que faz, no que constrói. A gente tá na frente das câmeras... A gente ainda serve de... se antes a gente era abjeta, eu sinto que hoje nós somos objeto. Então eu acho que a gente tem que ocupar outros espaços dentro dessa estrutura. Porque se a gente não mudar a estrutura, só muda os temas em volta, a estrutura permanece a mesma. Então eu tô investigando e pensando como que nós colocamos as nossas dentro. Não apenas sob o olhar, mas olhando também, pensando junto, construindo junto”.
Se as pessoas trans quiserem, de fato, derrubar o cis-tema, elas terão que parar de tentar se encaixar nele.
O sistema é cis. Ou derrubamos ele, ou continuaremos a viver na margem.
Disforia
Passar anos evitando usar bigode, a não ser quando ele faz parte da barba completa. Agora, evitar totalmente a barba completa, me sentir estranhíssima quando estou com barba por fazer a la George Michael, só se permitir costeletas suíças ou um pequeno cavanhaque sem bigode, passar duas semanas aguentando um pouco o desconforto da barba por fazer pra que as costeletas cresçam direito e jogar fora essas duas semanas por conta de um desconforto maior, embora momentâneo, com todos os pelos no rosto.
Esse é um *pequeno* exemplo de disforia não binária.
Disforia, ou disforia de gênero na verdade, é toda sensação de desconforto gerada por uma inadequação sentida entre o seu gênero real e o gênero que lhe foi imposto.
Não deve ser na verdade um transtorno mental de personalidade, desses que você nasce com ele; é mais uma ansiedade social, mesmo. É causada pelo Cis-Tema que está em todos os lugares, incluindo a sua cabeça.
Muitas pessoas transgênero como eu sofrem de disforia num tal nível que se mutilam.
Não, não estou falando de cirurgias para modificar genitálias... essas são um direito de qualquer pessoa ao qual infelizmente o acesso é dificultado. Falo na verdade de quem fere a si mesma para tentar aliviar as dores da disforia. Eu nunca passei por isso e espero que nunca passe...
...embora seja verdade que, pelo menos psicologicamente, já me feri bastante com a disforia. Ela surgiu na minha vida desde criancinha, só que não tinha esse nome exótico. Uma desconexão, uma apatia, uma desalegria com algo que não tem nome.
Quando a Transfinge saiu do ovo, por assim dizer, essa disforia passou a ser mais direta. Ao mesmo tempo que venho me livrando da apatia (acredite, eu estou muito mais emocional do que antes de assumir ser trans, mesmo sem estar tomando hormônios que afetem meu psicológico), fiquei exposta às garras da disforia direta.
Minha própria fluidez de gênero é um rio de duas mãos: ela pode tanto me ajudar na transição, quanto me causar disforia repentina e surpreendente.
Acho que a transfinge Malena precisa aprender a surfar melhor!
eu e Francis