Clara: Na cozinha amor...Céus onde vocês foram? – Ela não disse nada, quando me virei dei de cara com Megan e Vanessa ao seu lado. Fiquei completamente sem reação, intercalei meus olhos entre as duas, tentando entender o que estava acontecendo – Aconteceu alguma coisa com o Junior ou o Max? Aí meu Deus – Meu coração já estava disparado imaginando o pior.
Megan: Não, eles estão bem – ela deu um suspiro e olhou pra Vanessa
Clara: Então, se nada aconteceu. O que ela faz aqui ?
Megan: Vocês precisam conversar
Clara: Não tenho nenhum assunto pra tratar com ela
Megan: Clara, vocês tem assuntos inacabados. Precisam conversar e se entender de uma vez por todas – não pude acreditar no que estava ouvindo, ela queria que me acertasse com a Vanessa. Eu ouvi bem!? – Volto depois.
Ela simplesmente saiu e a Vanessa ficou lá, parada me olhando, como se não soubesse o que fazer ou o que falar. Eu simplesmente suspirei, me dando por vencida. Não sabia por onde começar. Resolvi fazer a coisa mais sensata que surgiu em minha mente, respirei fundo e agi.
Clara: Você aceita um chá? Senta
Vanessa: Não, obrigada – ela se sentou na minha frente, estava nitidamente nervosa – desculpa aparecer sem avisar. Bom…eu eu, meio que conversei com sua namorada. Ela é uma boa pessoa.
Clara: Sim, ela é. Já que está aqui, vamos ao que realmente interessa – respirei fundo – Meses atrás, quando ainda estávamos juntas. O Fabian apareceu do nada na casa dos meus pais, tivemos uma discussão que acabou terminando em ele abusando de mim sexualmente. Eu não consegui te contar, tudo que queria era esquecer o que aquele monstro fez comigo. Foi por isso que me assustei quando você me tocou aquele dia. Eu não sabia que estava grávida dele, você simplesmente despejou tudo aquilo em cima de mim. Sem nem ao menos me dar o direito de explicar, simplesmente me julgou pelo que ouviu dos meus pais. Meus pais Vanessa, você tem noção!? Você preferiu acreditar nas coisas que eles disseram do que em mim. Eu te procurei feito uma condenada, depois que saiu daquele hospital. Eu me alimentava e dormia mal, chorava feito uma idiota. Cheguei até me culpar por algo que não foi minha culpa. Você simplesmente sumiu.
Vanessa: Eu eu sinto muito, eu não sabia – lágrimas desciam por sua face, ela se levantou vindo em minha direção.
Clara: Não, fique onde está – ficamos em silêncio por alguns minutos, talvez horas não faço ideia – Eu o perdi, sofri um aborto espontâneo. Caso esteja se perguntando o que aconteceu com o bebê. Ele não teve culpa de ter sido concebido daquela maneira tão… céus – era difícil falar sobre aquilo, sobre tudo. Me machucava lembrar ou simplesmente falar. Eu já não conseguia mais conter as lágrimas – Eu o culpei, por ter perdido você. Me sinto a pessoa mais horrível desse mundo ao lembrar, que cheguei a culpar um ser indefeso e inocente. Ele não teve culpa alguma, foi uma vítima de algo tão abominável.
Vanessa: Eu sinto tanto Clara, me perdoa por favor!? – ela veio em minha direção, segurou meu rosto com suas mãos, nós duas chorávamos – Me perdoa, eu nunca deveria ter te deixado, deveria ter ficado e enfrentado tudo de frente. Fui covarde, mas eu só sabia sentir dor. Imaginar que tudo que vivemos não havia significado nada pra você, eu deixei o ciúme e o orgulho falar mais alto. Só não queria ouvir que você nunca me amou. Por isso agi daquela forma, sem dar oportunidade de você contestar. Como fui idiota. Me perdoa por favor!?
Clara: Você ao menos pensou no Max!? Uma criança que se apegou a você. Ele ficou tão abalado, tanto quanto eu.
Vanessa: Eu sinto tanto...
Ela simplesmente me beijou, demorei um pouco até que eu simplesmente correspondi ao beijo. Foi no mínimo estranho, devo admitir. Esperei sentir aquela explosão de sentimentos, mas nada aconteceu. Eu a amava.
Clara: Vanessa, por favor… não – eu pedi após romper o nosso beijo – Não faça isso de novo. Eu estou com a Megan e você está noiva.
Vanessa: Desculpa, foi impulsivo – ela pediu e me olhou ao limpar as lágrimas do rosto – Eu te amo Clara, sei que estraguei tudo entre nós. Me perdoa, quero uma nova chance de consertar as coisas entre a gente.
Clara: Te dei todas as chances possíveis, te amei verdadeiramente, mas era só eu por nós duas. A gente só vai se machucar – eu me aproximei e a abracei – Eu te perdoo, está tudo bem. Vamos esquecer isso e seguir em frente.
Vanessa: Você a ama!? - ela me olhou nos olhos e desfez o abraço
Clara: Sim, mas de uma maneira diferente. O que eu sentia por você, foi diferente de tudo que já senti, era intenso e único.
Vanessa: Eu joguei tudo fora… Eu não amo a Pepa
Clara: Van, não fica assim. Olha… se você não a ama, não casa com ela, isso não te fará bem. Se permita conhecer outras pessoas, assim como eu você pode recomeçar e encontrar alguém que realmente vá ti fazer feliz.
Clara: Não, você pode ter minha amizade. É tudo que posso te oferecer, nós duas erramos. Vamos nos dar uma nova oportunidade, se você aceitar minha amizade eu estarei sempre aqui pra você. Van, você sempre será importante pra mim. Mas é tudo que posso te oferecer. Precisamos seguir em frente.
Vanessa: Eu sinto tanto Clara – ela me abraçou chorando – Te amo, espero que ela possa ser aquilo que não fui pra você, vou torcer por sua felicidade. Eu preciso ir
E quando a porta da sala se fechou, eu me permiti chorar. Chorei por tudo que nós vivemos, por tudo que nos machucou e por finalmente conseguir tirar todo peso que havia em meus ombros. Eu a amei tanto, mas eu mudei muito nesses últimos meses. O que eu sentia pela Megan, era lindo e puro, algo genuíno. Eu a amava.
Megan voltou pra casa, um pouco mais tarde. Ela parecia receosa quando se aproximou de mim, pediu desculpas e tudo que eu fiz foi dizer que eu a amava e pedi que ela nunca me deixasse. Porque eu não suportaria perdê-la. Meu porto seguro.