Ele disse que minha forma de amar é errada e eu acreditei. Claro que acreditei. Depois daquela madrugada de junho, entendi que sou errada por inteiro, e isso ele também me disse. Me deu de comer aos leões da opinião alheia e remontou meus ossos da forma que melhor sustentava sua história. Os pés na costela, o fêmur na cabeça, a coluna espalhada em pequenos pedacinhos por aí. Eu sou errada por inteiro, lembra? Eu lembro todos os dias desde então. Sou destruidora de sonhos e oprimidos corações. Minha inteligência justificada fere seu ego tão frágil e por isso me culpo. Me falta humildade e me sobra prepotência, hoje sei. Sei porque ele me disse, tão sábio de mim. Sei também de minha intensidade demasiada e da sensibilidade quase teatral, um absurdo aos olhos seus. Eu sou mesmo errada por inteiro, acreditei, e por dias a fio pensei em me moldar. Me diminuir para me encaixar. Para caber na gaiola de sua vida, tão pequena e insalubre. Tão medíocre e impiedosa. Tão indigna de mim. Desisti. Em meio às crises da meia-noite e aos papéis ilustrados de tinta e lágrima, me descobri um pássaro gigante. Um albatroz-errante que vaga pelos mares e ama sem temor. Do outro lado da história, bem distante do meu vôo, o descobri errado. Coitado. Um sabe-tudo cativante e completamente ignorante de amor.












