A menina Clarita, sua “cachorra mulher” chamada Baleia e um visitante papagaio desaforado residem em pequeno quarto no Catete. A tríade, queixosa, vive em pleno silêncio para não incomodar a concentração do pai da menina, o escritor Graciliano Ramos, sempre compenetrado nos seus textos.
Sendo silêncio em casa uma constante, a menina passeava pelo entorno, surpreendendo transeuntes com sua cachorrinha e sempre a defendendo de zombeteiros que estranhassem seu nome. Assim seguia, repleta de bons argumentos, arguições e afazeres, pois, embora ainda não escrevesse, tinha um conto sobre a vida de sua cachorra para por no papel, considerando que, ao contrário da Baleia retratada pelo pai no livro “Vidas Secas”, a sua “cachorra mulher” Baleia tem uma vida sem começo e sem fim.
Clara Ramos, “Memórias da cachorra Baleia”
Ed. Memória Futuras,1993
Ilustrações – Regina Yolanda
Literatura Infanto- juvenil








