Mas antes de poder demonstrar amor por outra pessoa é preciso sentir amor por tudo que você é.
Clarissa Corrêa.

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Mas antes de poder demonstrar amor por outra pessoa é preciso sentir amor por tudo que você é.
Clarissa Corrêa.
Crescer é difícil, estraçalha a gente por dentro. E é complicado sorrir com a alma em frangalhos.
Clarissa Corrêa.
Quando eu penso que tudo está devidamente encaixotado e muito bem guardado tenho uma surpresa. Não, aquelas coisas todas que tentei organizar, esconder e colocar embaixo do tapete ressurgem. Mais firmes, mais fortes, tentando mostrar que não irão embora assim tão rápido. Bom mesmo seria se os nossos problemas e medos escuros fossem embora ao primeiro pedido. Medo, por favor, me deixa. Medo, por gentileza, sai à francesa. Medo, por obséquio, está na sua hora. Vem que te ajudo a arrumar as malas. Mas ele não arreda o pé. Insiste em ficar. E uma hora as forças te abandonam, uma hora elas chegam ao seu ouvido e dizem "não dá mais". E você se vê meio perdido, exausto de tanta luta, tentando encontrar um lugar onde consiga respirar aliviado. Mas o alívio não chega, a paz não chega, a tranquilidade não chega. E você pensa em desistir de tudo, já que está fraco, sem esperança, sem vontade de seguir adiante nessa batalha que é dura, dolorida e pesada demais. Só que alguma coisa dentro de você grita alto. Essa coisa é a tal força. Ela diz que você não pode se entregar, que é necessário segurar as pontas, aguentar mais um pouco e que sempre há uma alternativa. E te alerta: por que ao invés de obrigar o medo a ir embora você não o acolhe? Por que não pega o medo no colo, faz carinho, dá beijos e abraços? Por que ao invés de lutar contra ele você não o convida para um cafezinho com biscoitos de sequilho? E você repensa tudo, resolve dar uma chance para o medo. Resolve se dar uma nova chance.
Clarissa Corrêa.
Por favor, me ensina essas coisas de gente grande, mas não deixa eu me perder no mar de seriedade, disputa de ego, poder e mesquinharia dos adultos. Me protege do frio que faz lá fora, mas me auxilia a encarar as mudanças de temperatura com valentia. Me ajuda a ser forte, mas me deixa abraçar minhas lágrimas sem me sentir diminuída ou fraca. Me mostra o caminho, mas continua segurando a minha mão se por ventura a gente se perder.
Clarissa Corrêa.
Mas agora nem eu sei quem sou.
Clarissa Corrêa.
O amor tem as suas particularidades, mas não é mais bonito ou mais feio...
Clarissa Corrêa.
A vida é como um parque de diversões, nós somos crianças no gira-gira. Em alguns momentos ficar girando é legal, damos risadas, sentimos friozinho na barriga, ficamos felizes. Em outros momentos aquela "giração" toda começa a dar enjoo, aflição, tontura. Então precisamos parar, aceitar aquela tontura toda, pegá-la no colo e fazê-la passar. Quando tudo se acalma decidimos se queremos tentar de novo ou não. A vida também é uma gangorra: uma hora estamos lá em cima, vendo o mundo sob outro prisma, abraçando as nuvens e outra hora estamos lá embaixo, com os pés no chão, avistando o horizonte de frente. A vida é um balanço: nós vamos para a frente e para a trás. Buscamos impulso, força, estímulo para seguir e recuamos, para pedir ajuda ao passado e andar de encontro ao futuro. A vida também é escorregador: subimos degraus, chegamos ao topo e num piscar de olhos descemos até o chão. Muitas vezes a queda é violenta, caímos de boca no chão, comemos areia, ralamos joelhos e cotovelos, nos machucamos e choramos.
Clarissa Corrêa, doses de realidade.
Não dá pra ficar lamentando o que passou. O que já foi, já foi. Deixa pra lá, deixa pra trás, deixa que o vento leva. O jeito é seguir a vida e tentar não repetir as mesmas mancadas. E tentar fazer tudo do melhor jeito. Sem dramas, sem cobranças, sem lamúrias.
Clarissa Corrêa.