“ser livre e gentil comigo mesma (…) às vezes ler, às vezes não ler. Sair, sim - mas ficar em casa apesar de ser convidada.”
essas eram as resoluções de Virgínia para o ano de 1931 [quem gosta de história sabe que foi um ano péssimo, mas espero que não para Woolf]. e de alguma forma isso bateu forte aqui dentro, como quase tudo que ela escreveu e eu já li, sempre ecoando em alguma parte de quem eu sou.
percebi que as minhas resoluções são muito mais sobre “ler um livro por mês” do que “colocar uma música, me servir uma taça de vinho e me escutar com carinho”. e cá estamos, nos últimos dias do ano de 2023 [não sei se pra posteridade vai ter sido um ano difícil, historicamente falando. mas, pra mim, foi visceral e desafiador do dia 1 ao 31] e parece que as minhas resoluções pra 2024 não são mais tão importantes, se continuarem como eram antes.
eu não quero mais ler um livro por mês, por mais que eu saiba que eu vou ler bem mais que isso, provavelmente. eu quero ser gentil comigo, eu quero ser gentil com os outros. eu quero que os meus ossinhos se fortaleçam, não pelo impacto do mundo, mas pelo toque do amor. eu quero ser tão livre, que ao fechar os olhos eu saiba exatamente pra onde voltar. eu quero escrever mais sobre o que me move, eu quero encontrar mais quem me motiva, eu quero me encontrar mais.
ultimamente eu tenho pensado muito que se perder também é caminho e se encontrar requer coragem. que em 2024 eu saiba percorrer quantas vezes for preciso o caminho de volta pra mim, com o máximo de coragem, mesmo com o coração cheio de medo. porque isso também faz parte.
ainda não escrevi minhas resoluções, mas sinto que escrevi algo ainda maior aqui dentro. será que conta?












