[Quando Judite pensou em pular do prédio -há quem diga que foi por amor- senti a derrota em meio ao sangue da avenida]
Judite sabia bem por onde ir, com quem falar de quem ouvir e a quem desprezar… Tanto sabia tanto que, no alto dos seus pensamentos rápidos… Suicidou-se.
Escolheu a roupa e a chinela.
Escolheu a musica de fundo – se jogou ao som de Cartola .
(No rádio: E sei que não é vã, a cor da esperança, a esperança do amanhã...)
Escolheu a ultima decoração da sala.
Escolheu em qual seria a ultima lavanderia a lavar suas roupas.
Escolheu a bebida (De acordo com Judite: - Uísque, para acabar com a alegria).
Judite sabia como fazer, sem cartas e sem dramas visíveis, só ela e ela dentro de si... Juntou-se a janela e pensou no mundo sem ela... ‘’Se bem que o mundo será melhor sem mim... ’’
Pensou, pensou e pensou... ‘’Eu poderia me jogar agora, assim, cheia de Uísque no corpo, no copo... Na janela e nas veias... ’’
Depois de tanto preparo e arrumado, Judite quebrou tudo.
Rasgou a roupa e a chinela.
Mandou Cartola e para qualquer lugar, desde que, seja bem longe dela.
E com as próprias mãos, acabou com toda a decoração.
As roupas limpas da lavanderia da esquina, a ‘’privilegiada’’ por ela, foi-se ao inferno em conjunto dos cortes da sua tesoura velha.
Judite jogou a primeira garrafa de Uísque nas suas pinturas.
Judite jogou a segunda garrafa de Uísque na sala de espera e pensou: ‘’Será que jogando o Uísque aqui eu resolva esperar a morte em vez de partir assim, feito qualquer um?’’
Judite jogou a ultima garrafa de Uísque pela janela, junto ao seu corpo.
‘’Fomos bêbadas, eu e minha bela garrafa de Uísque’’, pensou.
Foi-se Judite e o Uísque.
Foi-se a vida de aquarela cinza.
Foi-se os tantos pensamentos artísticos de Judite.
Foi-se tão bela (ou bêbada?).
Depois do alvoroço ao redor do corpo de Judite, na Avenida, 90% disse que foi por amor e coisas adentro.
‘’Ah, pobre moça. Seu amor deve ter fugido com outra. ’’
‘’Isso se chama coração partido, todos sabem que causa isso... Um belo de um suicídio. ’’
‘’O amor tem essas coisas’’
10% acreditavam na derrota de Judite.
10% confirmavam sua opinião vendo o sangue.
10% não acreditavam no amor.
10% poderiam, sem saber, ou sabendo, acabar como Judite.
100% não sabiam nada da vida de Judite, mas deduziam.
Há quem diga que foi por amor.
Há quem diga que foi bebedeira.
Há quem diga que foi só um suicídio barato.
Há quem diga sobre assassinato.
Há quem chame de derrota.
O que realmente transfundia na mente de Judite?
Bem, ela se foi... Nós vamos também?’’