Dizem que o amor acontece quando se menos espera. Não concordo com essa frase, embora eu admita que ela não seja verdade. Mas por acreditar ao pé da letra nisto, me vi mentindo para mim mesmo durante muito tempo. Estou há muito tempo esperando o amor acontecer. Ainda espero. Nos últimos anos sempre esperei. Mesmo às vezes dizendo que não esperava, eu dizia isso tentando me convencer de que não estava à espera de um amor. Mas sabia lá no fundo que isso não era verdade. Até porque contradizendo meus textos sobre não estar procurando alguém ou as coisas que eu dizia sobre não estar com expectativas de algo, eu estava no Tinder julgando e sendo julgado através de umas três ou quatro fotos e uma frase careta pseudo-relevante. Eu que dizia não estar olhando a procura de alguém, ironicamente olhava as pessoas que via na rua ou nas festas que ia. Não que seja algo ruim ou errado, mas sinto que de certa forma eu estive a mentir para mim esse tempo todo. Não que eu tenha ficado este tempo todo, a procura de alguém em combinações do Tinder ou olhando todas as pessoas pelas ruas. Houve dias, semanas ou meses em que eu não conseguia procurar nada. Talvez seja nesses períodos que eu tenha dito que não procurava ou não esperava o amor. Era quando eu desistia de procurar pelo Tinder ou de por qualquer outro lugar. Eu baixava o aplicativo e depois de umas semanas, cansado apenas excluía. Depois de meses, tornava a baixar e mais uma vez cansado, tornava excluir. Apenas um ciclo (vicioso) de procuras e desilusões. E apesar de todos os “fracassos” aos quais estive sujeito, não posso negar que fui apenas infeliz. Alguns encontros foram legais e me renderam boas amizades ou alguns quase namoros. O aprendizado e as experiências, boas ou ruins, me fizeram amadurecer mais um pouco e isso tudo valeu a pena. Lá no fundo eu sabia que não havia desistido do amor. Percebo que amadureci muito nestes últimos anos. Percebo que esperar por um amor, coisa que eu dizia para mim mesmo para não procurava por um por acreditar que fosse algo ruim. E eu estava errado. Procurar pelo amor não é uma coisa absurda ou sintoma de carência. Seremos errados quando deixarmos de amar e de esperar que o amor aconteça. Hoje eu não tenho vergonha de admitir que espero ou que procuro um amor. Acho que me amo o suficiente para não mentir para mim mesmo sobre isso e o suficiente também para admitir que eu já procurei por amor nas combinações do Tinder, nas pessoas pelas ruas, nas festas ou em qualquer lugar. E procurando amor, eu encontrei. Vi amor em muitas mães carregando seus filhos bebê, enquanto transbordava amor no brilho dos olhos delas quando olhavam seus filhos. Vi pais cuidando de filhos pequenos e felizes com a felicidade e carisma deles. Quem pode dizer que isso não é amor? E os tantos casais apaixonados, de todas as idades, que vi de mãos dadas ou que mesmo sem dar as mãos, em gestos discretos demonstravam cumplicidade e amor. São amores imperfeitos. Mas é amor. É imperfeito enquanto somos imperfeitos humanos, mas é humano e enquanto somos humanos é amor. E está por aí, para quem se atreve a acreditar nele. Está por aí para quem se atreve a procurar e olhar para o amor... Rafael Gonçalves – 22 de novembro de 2016