nicotine stains on my fingers
hoje um morador de rua perguntou se podia sentar do meu lado e eu consenti. ele disse que só queria conversar e foi isso que a gente fez. ele não me chegou a falar o nome dele mas disse que que foi parar na rua porque foi traído e depois disso perdeu tudo. eu senti muito por ele, dava pra sentir o peso quando ele tentava falar, como se tivesse alguma coisa entalada na garganta pedindo pra sair e não conseguisse. eu senti porque na maior parte do tempo eu me sinto assim também, e apesar de todo conforto que eu construí pra mim durante minha vida, eu também não tenho pra onde ir.
porque eu tô acostumado com a solidão mas tem dias que ela pesa e quando isso acontece eu não sei a quem recorrer ou pra que deus rezar ou se eu deveria só deixar ela tomar conta de mim por completo.
mas eu sigo tentando e procurando formas mais leves de existir. continuo indo atrás de um pouco de esperança nos dias que às vezes são tristes demais. permaneço, apesar de tudo.
mesmo que o café esfrie. mesmo que o cigarro acabe. mesmo que no fim não sobre nada.
nem mesmo eu.











