A parte mais perigosa do esgotamento é que ele não chega fazendo barulho. Ele chega fazendo você perder o interesse por tudo o que antes gostava.
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A parte mais perigosa do esgotamento é que ele não chega fazendo barulho. Ele chega fazendo você perder o interesse por tudo o que antes gostava.
Mesmo quando estou no meu limite, eu sei quando você está no seu, somos tão previsíveis. Música alta, canta alto, várias músicas até chegar às suas de conforto. Só de ouvir a sua voz, ouço o que era para ter saído antes de começarmos a nossa briga de hoje. Você canta pesado, como se quisesse soltar o que estivesse preso, queria que você entendesse que a conversa é para retirar o peso, mas toda vez que tentamos acabamos brigando de novo e acaba virando uma bola de neve.
-Souza Cantor
"Quando você vem. Meu coração já se alegra. Meus olhos já brilham, só de pensar que eles irão encontrar os seus. Meu corpo já se estremece, só de pensar em encontrar o teu abraço."
- lp
Hoje recebi a devolutiva de uma entrevista e informaram que encerraram a vaga por um erro. Mas falaram para eu ficar tranquila, porque quando abrissem de novo — se abrissem —, eu iria ser chamada novamente. O que me pega é que me deram esperança de que vou poder tentar de novo. Muitas das vezes na minha vida, basta um "talvez" para eu seguir esperando uma oportunidade para tudo, seja para emprego ou para uma nova fase no meu relacionamento. É o tipo de esperança que me condena sempre.
-Souza Cantor
A paixão segundo um profundo desassossego
Sou o vitorioso da minha própria história. Soldado na frente de batalha em terreno de celulose pantanosa, de caneta em riste pronta para confrontar todos os milímetros de mim, de parágrafo inscrito na sua armadura pois a única coisa que me defende é a sílaba e suas regras gramaticais de plasticina e ferro por fundir.
Ler faz-me magia sensata; ler-me é a destruição de mim.
Ninguém escreve regras mais duras do que uma pessoa machucada.
Na minha cabeça, troquei a fechadura, recolhi as chaves, passei a corrente. Repeti que não faria papel de idiota outra vez. Se um dia ele voltasse, encontraria a porta fechada e teria de conviver com isso. Eu dizia essas coisas pra mim mesma como quem testa a maçaneta duas vezes antes de dormir.
Com o tempo, parei de testar.
A casa se acostumou com a falta. O chão deixou de esperar determinados passos. As conversas que eu ainda guardava foram perdendo o volume. E eu segui, talvez não exatamente em paz, mas sem precisar discutir todos os dias com alguém que não estava ali.
Até que não houve uma batida.
Houve menos do que isso.
Um sinal pequeno. Uma passagem rápida diante da janela. Quase nada. O tipo de coisa que uma pessoa equilibrada vê, registra e volta a dormir.
Eu fiquei acordada.
O corpo, esse animal sem nenhum compromisso com a minha dignidade, reconheceu primeiro. Reconheceu antes que eu pudesse lembrar a ele tudo o que tinha acontecido. Por alguns segundos, não veio a raiva, não veio a mágoa, não veio a mulher que jurou nunca mais. Veio o carinho. Inteiro, inconveniente, sem a menor vergonha de ainda existir.
Achei um desaforo.
Eu tinha passado tanto tempo construindo argumentos, ensaiando respostas, imaginando a serenidade com que não abriria aquela porta. Só não tinha previsto que, do outro lado, ainda estaria alguém que eu saberia receber. Alguém com uma risada que eu não preciso reaprender. Alguém que amei de tantas formas que nem a ausência conseguiu transformar completamente em estranho.
O carinho é péssimo de conta. Não pega o que doeu, subtrai do que foi bom e entrega um saldo honesto. Guarda tudo junto. A falta de consideração ao lado das conversas que salvaram noites difíceis. O sumiço e o conforto. A raiva e a vontade de contar alguma coisa engraçada.
Talvez seja por isso que eu não saiba o que fazer com a porta.
Não quero abrir como se nada tivesse acontecido. Também não quero mantê-la fechada só para provar que consigo. Não sei qual das duas coisas me faria sentir mais idiota.
A verdade é que eu ainda me levanto ao menor barulho.
Só depois lembro por que decidi não abrir.
Talvez eu não abra. Talvez ele nem bata.
Quando fiz a promessa, achei que ele é que teria de conviver com a porta fechada.
Não pensei que eu também teria.
Fui feita de coragem, por isso em mesmo ao medo, as frustrações, as decepções, eu sempre sigo em frente, as vezes demora um pouco mais, mas sempre encontro forças para persistir mais uma vez. Meu processo de habilitação sem dúvidas foi o que mais me desgastou, desmotivou, me fez perder a fé e a esperança, eu caí, fui no fundo no poço, mas agora eu me reergui, e agora estou pronta para mais uma tentativa. Agora não tem espaço para não, talvez, e se, a única coisa que existe é o SIM, o sim que espero há meses, o sim da minha independência, liberdade que sonho desde criança de ir e vir para onde eu quiser, conhecer lugares que sempre sonhei e viver a vida que realmente mereço. Deixo bem evidente que o resultado não é sentença, mas apenas uma etapa muito importante para eu chegar aonde sempre sonhei. Lembro dos lugares que minha mente já viajou dirigindo na infância, eu dirigindo para a praia, para o campo, para as cachoeiras, para a visita a família, para tantos lugares, e obcecada pelo resultado da aprovação eu me paralisei no medo e esqueci o quanto essas memórias eram importantes para mim.
Mas agora estou mais forte, mais experiente e a vitória vai chegar, no momento certo tudo se concretiza e agora tenho a certeza que essa hora chegou. Então hoje escrevo não só para reforçar minha fé, mas para lembrar a mim mesma o que sou e porque estou aqui, o que me sustenta, o que aprendi, o que devo superar e onde quero chegar.
Daqui há um mês estarei aqui agradecendo pela vitória de estar habilitada e realizada, por fechar um ciclo doloroso e iniciar um ciclo maravilhoso e cheio de alegria. Que Deus e a espiritualidade me acompanhe até o fim me dando força, coragem e determinação, me proteja de qualquer mau e me dê sabedoria e prudência para jamais prejudicar alguém.
AMÉM!!!