03:30
Maldito seja quem disse que ir embora é mais fácil que ser deixado.


#dc comics#dc#batman#bruce wayne#dc fanart#tim drake#dick grayson#batfam#batfamily


seen from Australia

seen from United States
seen from T1
seen from China

seen from Malaysia
seen from Türkiye
seen from Germany
seen from Ireland

seen from United States

seen from India
seen from Malaysia

seen from United States
seen from United States

seen from Malaysia
seen from Argentina

seen from Malaysia

seen from United States

seen from Malaysia
seen from Germany
seen from United States
03:30
Maldito seja quem disse que ir embora é mais fácil que ser deixado.
Ela sempre foi luz. Não era a toa que o girassol era sua flor preferida. Mas parando pra pensar, ela gostava de girassol porque ela era o sol, e no final, os girassóis éramos nós.
Sobre ele
(e intensidade)
Ele nunca disse que o problema não era eu. Ele nunca nem disse QUAL era o problema.
Qual era a barreira.
Nem espero que ele diga, não mais.
Enquanto eu me debatia com as minhas inseguranças, enquanto eu gritava afogando no meu mar de lágrimas encarando o olhar que eu julguei tão frio ao me ver ali listar tudo o que eu acreditava ser insuficiente em mim.
Ele nem se mexeu.
Ao ver toda a dor que eu estava expondo. Ao me ver implorando por amor.
Ele nem se mexeu.
Ao ver eu me julgar insuficiente, minúscula e vazia.
Ele não desmentiu.
Ele não conversou, ele não propôs nenhuma saída.
E, tudo bem. Talvez eu seja, de fato, insuficiente.
Talvez o amor dele não seja pra mim.
Ou, talvez eu tenha o afogado no meu amor doido.
Eu não amo pequeno, não amo leve, meu amor não é pouco.
Eu sou presente, sou carinho e afeto. Até mesmo quando não consigo demonstrar. Estar ali é minha maior demonstração no momento.
Mas também sou 8 ou 80.
E se num dia eu acordei querendo externar todo o meu amor por ele, sem deixar por um segundo que ele tivesse paz. Noutro eu não conseguia nem me amar. Por vezes me perdi e me assustei tanto com o quanto eu era capaz de amá-lo.
Havia dias em que eu agia como se já soubesse, como se já sentisse o quanto ele estava se cansando de mim.
Eu sempre tentei ser o motivo do riso dele.
Aquela gargalhada gostosa e espontânea.
Ser a segurança de um lar. A melhor amiga.
Ser aquela que ele quisesse e topasse tudo. Desde uma ida breve ao mercado até a conquista do mundo, se necessário fosse.
Com ele vivi o amor mais intenso e avassalador de toda a minha vida.
Sou grata imensamente por isso, foi incrível. E fica aqui o meu muito obrigada.
Mas, hoje peço todos os dias ao universo para que nunca mais eu ame assim novamente.
Porque dói. Ir embora dói. Não ser mais amada assim doeu. Não ser mais teu ponto de segurança e de amor doeu. Não me sentir suficiente pra ser amada doeu.
E dói todos os dias.
O amor intenso entrou pro top 5 maiores dores que senti. Que sinto.
E tudo bem.
Ele agora é "aquele cara"
Bem vindo ao pódio.
Nele temos "aquele cara que quebrou meu coração" "aquele cara que me apresentou ao amor livre" e "aquele cara que eu amei mais do que a mim mesma"
Ao mesmo tempo em que carrego a dor me sinto grata em ter experimentado esse amor. Poder dizer que vivi, que senti, que abri mão de coisas em mim, cresci e que amei tão intenso assim.
Eu não sei amar com medidas. Me perdi amando tanto, querendo e esperando tanto.
Por vezes esse amor me paralisava.
Mas as expectativas eram todas minhas. Eu que as criei. Eu que lide com a quebra delas.
O meu "para sempre" vai ser para sempre aquela lembrança gostosa e dolorida.
Agradeço a ele por não ter lutado. Por ter tido a coragem de me mostrar que eu estava certa.
Que o nosso amor, no final das contas, foi compatível até onde deu.
E que até o mais forte dos amores se perde no tempo.
Com amor, eu.
“Eu leio livros para completar o vazio que há em minha alma. Quando eu leio, eu sinto como se não estivesse sozinha mais, eu me sinto amada, mesmo que só por alguns instantes.”
— elô.
Ver você com a nova vida é um tiro. E ando vendo todos os dias. Sendo baleada todos os dias. Olho pra mim e estou no fundo do poço, enquanto você está ao lado do sol, radiante. Tão feliz como nunca esteve antes.
encant-ad4
“Acho que não sirvo para o amor. Talvez tenha outra coisa na vida que me dê mais felicidade e que vá de encontro comigo, porque eu não fui feita pra esse negócio de amar, mas acho que sou boa em outras coisas... mas aprendi que, depois desse tempo todo, não é bom amar. Nunca ame na vida, porque amar é sofrer, é enlouquecedor, é perder o que não se tem”. Certamente poderia ser a voz que ecoa na minha cabeça ou um diálogo no espelho. Porém foi uma voz de fora, com olhos tão preto e branco quanto os meus. Os olhos da minha mãe. Não precisa de microscópio pra ver a desilusão em moléculas porque reconheço em mim mesma, talvez seja genético. Estou acostumada a discursar isso para as pessoas, mas não a ouvir. E ouvir uma parte dolorosa de si na boca de outra pessoa ressoa na mágoa feito vento forte batendo na janela. Talvez se escutar em alguém seja a forma mais primitiva de identificação. Simplista e sem muita profundidade emocional, eu respondo a ela que essas ideias sobre amor passam na minha cabeça todo o tempo e que penso em me dedicar ao meu futuro profissional. Observei mamãe com seus braços envolvendo as pernas dobradas como uma forma se abraçar, junto com as lágrimas e a cabeça baixa. Me perguntei se aquilo era um aviso do que eu posso vir a ser daqui a 30 anos e isso me deu medo. Medo das próprias crenças enraizadas, da solidão que não é passageira, da experiência materna tão devastadora quanto a minha, embora bastante diferente. Sei que concordo das sentenças, mas não quero bater o martelo e concluir minha vida toda em função delas. Sei que, no fundo, ela também não. Na estrada louca da vida, ninguém quer ter como destino uma rua sem saída, isolada, vazia. Vez ou outra é natural fazer um pit stop, mas não estagnar-se. Eu me conformei na solidão porque sinto que amar era sofrer, enlouquecer e perder o que não se tem. Aprendi isso nas minhas vivências. Como é que vou aprender o contrário? Eu não sei. Talvez amar seja tudo isso sim, mas não apenas isso. Acho que o grande problema é que o sofrer, enlouquecer e perder é sentido como se fosse uma martelada forte que fizesse o meu eu se despedaçar todinho. Mas é muito pelo contrário: acho que toda essa carga de afeto só vale a pena quando eu sei o que sou, o que o outro é e no que esse encontro pode resultar. Além do mais, minha psicóloga disse que as relações são vivas e que posso remodelar o que eu quero que elas sejam, de acordo com o meu momento. Me dei conta que ver somente o que trás dor é ter um olhar viciado, é ser determinista sem dar possibilidade para outras variáveis. Não existe nada pior no mundo do que se prender cegamente às convicções. Quero que exista tempo e espaço para me encontrar em alguém, mesmo correndo o risco de sofrer, enlouquecer e perder, porque posso dar sentido pra isso, porque o amor não exige requisitos além de estar disposto. Disposto a não dar amarras pra algo que é vivo, sem se ater exclusivamente nos próprios antecedentes, mas principalmente a dar rosto para as experiências como elas são e como eu posso recebê-las. Culpamos o amor por não ser algo bom, mas ao mesmo tempo nós não fomos boas o suficiente em ver a potência que o amor representa. Talvez eu sirva para o amor, sim. Talvez minha mãe também. Apesar de tudo, ela nunca parou de querer o novo, na esperança que aquilo se encaixe e faça algum sentido. Será que ela sabe disso? Contarei as descobertas desse novo mundo na próxima conversa.
pise em ovos
tenha seu teto de vidro
seus receios
seus preceitos
suas mandingas
tradições
acredite em deus
em buda
oxalá
ganesha
beyoncé
só não condene quem pensa diferente
Despertador toca. Silencio por mais dez minutinhos. “É a última vez, na próxima levanto, senão vou me atrasar de novo”, penso, como um alerta. Mentira. Silencio por mais duas vezes antes de levantar. Atrasada. Culpo a festa do dia anterior – meia verdade. Prometi pra mim mesma que iria tomar só uma ou duas cervejas, mas acordei com uma dor de cabeça que me denunciava pulsando: mentirosa, mentirosa. Aos tropeços e atordoada, procuro na bagunça uma roupa para vestir. Meu quarto está bem bagunçado, tão bagunçado que preciso defender mentalmente, como se estivesse num tribunal, que talvez ele não esteja tão bagunçado assim. Com essa constatação duvidosa, puxando do cabide o primeiro vestido que encontro pela frente, respiro aliviada me sentindo confortável na minha própria desorganização. Me olhando no espelho, percebo que estou péssima. Dormi menos de quatro horas essa noite. “Tudo bem! Não preciso de mais do que isso, preciso?”, indago sabendo a resposta, mas finjo que na minha realidade ela é “não”. Prendo os cabelos num coque e, tentando fugir da realidade desastrosa que será meu dia, digo em voz alta triunfante: – Tá tudo sob controle. Vai dar tudo certo! – Rio nervosa. Parece que tirei essa ideia daquele livro de autoajuda O Segredo que afirma que se você mentalizar com convicção que vai dar certo, vai realmente dar certo (mesmo que seja uma grande de uma mentira). Saio de casa muito tarde e desvio da rota tradicional para passar na farmácia. Com pressa, paro o carro bem embaixo de uma placa de proibido estacionar. “É só por cinco minutos, vou rapidinho comprar uma aspirina. Não tem problema”, minto, tentando aliviar o peso da irresponsabilidade. Retorno para carro, depois de quinze vezes o tempo estipulado, com o remédio, uma bota nova irresistivelmente barata (talvez não tão barata, nem tão irresistível) e torcendo para não ter levado nenhuma multa. Continuo meu caminho com pressa prometendo que vou estudar para a próxima prova, que vou parar de beber, que não vou mais mandar mensagem para aquela pessoa, que vou cumprir a dieta. Prometo que é a última vez que cometo os erros que venho cometendo. Prometo que vou mudar. Ensaio um discurso para me convencer que dessa vez é verdade. “É pra valer mesmo, senão…”, invento punições. Mais mentiras. Uma atrás da outra. Me tranquilizando. Me confortando. Amenizando a situação. Parada no trânsito, ligo o rádio para esquecer a culpa e justo Renato Russo vem me lembrar que mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira. Dou um sorriso amargo. “Não tenho tempo para pensar nisso agora, mas quando as coisas se acalmarem, eu vou tomar jeito”. Tenho tempo. As coisas estão calmas. Não vou. Mais uma nota mental. Mais três mentiras.
Ana Aires