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Me impressiona como um punhado de palavras ritmadas podem eternizar alguém.
Alguma coisa me diz que só foi perfeito porque nunca foi realizado.
No meu coração estrelado, você como astro rei.
Eu queria escrever um poema que coubesse nas linhas, mas só tenho linhas de sorriso e de crochê. Recentemente, fui ensinada a não caber, e o mundo ficou pequeno desde então.
Entretanto, pra caminhar, é necessário expandir. Mas eu amo, e vivo trancafiada em mim.
Há um sol lá fora, que transforma o rio em espelho. Eu rio no espelho dos olhos que não me cabem.
É sempre interna, a noção de desequilíbrio na linha, seja a da mão que gostaria de apertar a sua, seja a da corda bamba do espetáculo externo.
Eu faço poema com o sangue que percorre as linhas do meu corpo. E, uma hora, por não caber, eu morro repleta de letras que às vezes meu coração não quer escrever.
Só por hoje, eu quero me esconder do mundo. Me refazer, depois que meu próprio olhar me fez pequena e covarde. Logo eu, que sempre peço coragem aos deuses mais diversos, aos orixás mais guerreiros. Me fiz pó. E me pergunto: tá tudo bem se eu não desatar o nó? Se eu ficar presa, só, De mim mesma, sentir dó? Desejando força para realizar tudo aquilo que meu coração se atreveu a sonhar.
Meu silêncio reverberou na sombra da tua alma — essa que já não é mais o lar da potente luz do meu olhar. Eu vi teus olhos, teus sonhos e teu coração. Mas nada impediu que gritasses meu pequeno nome junto de um não. Fiquei sem teu amor, e o que restou foi o temor de nunca mais encontrar calor nem num aperto de mão — sem sabor, sem cor, sem dor. Entretanto, vibro na luz do meu olhar. Me alimento da minha alegria de sonhar. Olho pro céu — que nunca me fez réu — quando meu coração fez um escarcéu só pra insistir em te amar.
Olhei em volta e só vi destroços de sua partida. Você partiu, mas quem se subtraiu fui eu. Eu dei ausência quando seu pedido era só mais um pouco de permanência. Foram ligações a fio que não puderam reatar o laço que interliga nossas almas no espaço. Tudo podia ser diferente, mas, se há algo que iguala a gente, é a teimosia em negar que nossa companhia é respiro puro no ar mais poluído dessa cidade à parte. Para finalizar, te desejo sorte e uma dose de tempo para curar aquilo que só você sabe que dói aí dentro. Aqui tem uma reza para ti, que vi partir da face- o sorriso. Aqui tem um paraíso lhe esperando, para lhe dar cura e lhe tirar a armadura que só você sabe vestir.
Não quero me fazer casa das minhas palavras, Quero endereça-las ao seu coração.