Parece ser um conto incrível de suspense... #contos #terror #historias #suspense
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Parece ser um conto incrível de suspense... #contos #terror #historias #suspense
Sinal
No coração de um milharal, um espantalho erguia-se solitário, os braços abertos como quem recebe os corvos que ali pousavam ao entardecer. Diante dele, uma velha casa de madeira abrigava a família Morgue: Jack e Clara, pais de Keity, a filha adolescente; Erick, o primogênito; e July, a caçula.
A vida corria serena. De manhã, o sol entrava pelas janelas como um convidado pontual, aquecendo os quartos com luz dourada. O ar era fresco ao amanhecer, tornava-se quente durante o dia e voltava a refrescar à noite. Jack levantava cedo para cuidar da fazenda, quase sempre com a ajuda de Erick. Clara tomava conta da casa e da pequena July, enquanto Keity seguia sua rotina de estudante.
Numa noite tranquila, com a família reunida na sala, um estrondo sacudiu a casa inteira, como se o chão tivesse sido erguido e largado de volta. Pela janela, todos viram uma luz intensa, branca e ofuscante, que emitia um som agudo e fino, semelhante ao de um alfinete riscando vidro. Os vidros das janelas explodiram em estilhaços. Partículas luminosas, minúsculas como vaga-lumes, entraram dançando no ar.
Jack correu para pegar a espingarda. Clara o segurou pelo braço.
— Pode ser perigoso — sussurrou.
— Preciso ver o que está acontecendo — respondeu ele, firme.
Erick o acompanhou. No milharal, uma esfera luminosa pairava sobre as espigas, pulsando. Formas de luz subiam e desciam, como se dançassem em silêncio. July, assustada, perguntou à mãe:
— O que está acontecendo?
Clara a abraçou, sem tirar os olhos da janela. Keity, atraída por uma força invisível, caminhou até a porta e ficou parada, em transe, fitando a luz.
Jack e Erick avançaram pelo milharal com os dois cães. De repente, os animais recuaram, ganindo. Pai e filho sentiram a cabeça girar; alucinações os derrubaram entre as fileiras de milho. O sangue escorreu de seus narizes. Quando se recuperaram, estavam próximos da esfera. A luz era tão forte que ofuscava tudo ao redor. Formas humanoides, feitas de pura luminescência, moviam-se com graça alienígena.
Uma delas aproximou-se de Jack. Ele recuou, tropeçou e caiu, mas não desviou o olhar. A figura pairou por um instante e desapareceu. Um tremor violento sacudiu a terra. Um clarão absoluto engoliu o mundo. A cidade inteira apagou-se por um segundo — ou uma eternidade.
Quando a luz voltou, Jack e Erick acordaram em suas camas, ao lado de Clara, Keity e July. O clarão havia apagado suas consciências. Aos poucos, as lembranças voltavam: o estrondo, a luz, as formas, o sangue, o vazio.
A vida retomou seu curso. O sol continuou a visitar as janelas. O milharal cresceu. Mas, no centro da plantação, um sinal permanecia: um círculo perfeito de milho queimado, onde nada mais cresceria. Aquela noite nunca seria esquecida.
Sam O Escolhido (on Wattpad) https://www.wattpad.com/1578506683-sam-o-escolhido?utm_source=web&utm_medium=tumblr&utm_content=share_reading&wp_uname=TiagoAmaral731 SAM - Entre o Horror e o Infinito Em uma noite tempestuosa, Sam desperta de um pesadelo que parece mais real do que um simples sonho. O que começa como terror psicológico em sua própria casa se transforma em uma jornada cósmica inimaginável. Abduzido por seres de luz e lançado em meio a um universo em guerra, Sam descobre que seu destino vai muito além da Terra. Mistério, suspense, ficção científica e espiritualidade se encontram neste conto que mistura o medo do desconhecido com a grandiosidade do cosmos. Prepare-se para conhecer SAM, uma história que atravessa o terror, a ficção e a fantasia - e que pode mudar sua visão sobre o universo para sempre.
Sam O Escolhido (on Wattpad) https://www.wattpad.com/1578506683-sam-o-escolhido?utm_source=web&utm_medium=tumblr&utm_content=share_reading&wp_uname=TiagoAmaral731 SAM - Entre o Horror e o Infinito Em uma noite tempestuosa, Sam desperta de um pesadelo que parece mais real do que um simples sonho. O que começa como terror psicológico em sua própria casa se transforma em uma jornada cósmica inimaginável. Abduzido por seres de luz e lançado em meio a um universo em guerra, Sam descobre que seu destino vai muito além da Terra. Mistério, suspense, ficção científica e espiritualidade se encontram neste conto que mistura o medo do desconhecido com a grandiosidade do cosmos. Prepare-se para conhecer SAM, uma história que atravessa o terror, a ficção e a fantasia - e que pode mudar sua visão sobre o universo para sempre.
Sam O Escolhido
Era uma noite densa, cortada por uma tempestade implacável. Sam despertou abruptamente, como se arrancado do sono por uma força invisível. Ainda atordoado, movido por um impulso sonâmbulo, abriu a porta do quarto. Lá fora, trovões rugiam com fúria, como se anunciassem o fim do mundo, acompanhados por ventos violentos que faziam as janelas chacoalharem e os vidros vibrarem com um tremor inquietante.
Meio grogue, ele voltou-se para fechar a janela, tentando conter a invasão da chuva e do vento naquela noite estranha. Foi então que se deparou com um corvo, imóvel no parapeito, seus olhos negros fixos nele. O susto de Sam fez o pássaro alçar voo, desaparecendo na escuridão.
– Tive um pesadelo horrível – murmurou, ainda envolto pela névoa do sono. – Sonhei que caía num abismo sem fim, que acordei no corredor de casa, estirado no chão, com algo... algo estranho me observando.
Fechada a janela, ele saiu do quarto, enquanto a tempestade lá fora continuava a soar como o clangor de metal puro, pesado e opressivo. Ao chegar ao corredor, parou, confrontado pela memória vívida do pesadelo.
– Foi exatamente aqui – refletiu, a voz baixa. – Parecia tão real que quase posso jurar que não foi apenas um sonho.
Enquanto permanecia ali, imerso em pensamentos, o medo o acometeu como uma onda gelada. Os trovões, incessantes, rugiam sem trégua, e, de repente, a casa mergulhou na escuridão com uma queda de energia. Seu coração disparou, batendo em um ritmo frenético, como se quisesse escapar do peito e subir pela garganta, pronto a explodir.
Na escuridão que engoliu o corredor, Sam tropeçou e caiu, o chão frio sob suas mãos. Um barulho ecoou pela casa – um som indefinível, mas perturbador o suficiente para fazer seu corpo estremecer. Ele ficou paralisado, o medo crescendo com cada ruído que parecia se aproximar.
Então, como um milagre fugaz, a luz retornou, lançando um brilho salvador sobre o ambiente. Sam se levantou, já livre da embriaguez do sono, e caminhou até a cozinha. Abriu a geladeira e pegou um copo d’água, mas, no mesmo instante, um raio pareceu explodir ao lado da casa. O copo escorregou de suas mãos, estilhaçando-se no chão em uma chuva de cacos brilhantes.
O mesmo barulho misterioso retornou, mais próximo agora. Sam sentiu o peito apertar, a certeza de que algo surreal acontecia crescendo dentro dele. As luzes da casa começaram a piscar, acendendo e apagando em uma dança frenética, e ele exclamou, com a voz trêmula:
– O que está acontecendo? Será que estou enlouquecendo?
Sua aflição, porém, foi abruptamente substituída por um espanto avassalador. Ele ficou petrificado, incapaz de mover um músculo, os olhos arregalados diante do que via. Diante dele, surgiram silhuetas luminosas, pairando como espectros. Uma delas, dourada e com traços femininos, destacou-se entre as demais. Com um gesto, ela acalmou as outras figuras e disse:
– Deixem-no comigo. Eu cuido dele.
A silhueta aproximou-se de Sam, um homem solitário que vivia isolado em sua casa. Com uma voz suave, mas firme, ela declarou:
– Você foi escolhido, Sam. Precisa vir conosco agora.
– Como assim? – retrucou ele, confuso. – Para onde?
– Não há respostas agora, apenas a necessidade de nos acompanhar – respondeu ela, com uma autoridade serena.
Sam hesitou, mas algo em seu íntimo o convenceu. – Tudo bem – disse, resignado. – Eu vou com vocês.
Ele sabia que não havia escolha. Assim, foi levado em uma abdução que desafiava sua compreensão. Durante todo o trajeto, um frio na barriga misturava-se a dúvidas que giravam em sua mente, enquanto ele tentava processar o que estava acontecendo.
Após o que pareceu uma eternidade, Sam despertou em um ambiente estranho. Estava em um quarto de paredes metálicas, com um brilho frio e futurista. A cama, suspensa a pouco mais de um metro do chão, era acolchoada, feita de um material resistente, mas surpreendentemente confortável. Uma tela embutida na parede parecia ser o meio de comunicação com seus captores. O ar era fresco, puro, como o de um campo verdejante, trazendo uma calma inesperada.
Ao perceber que estava completamente nu, Sam levou um susto e, desajeitado, caiu da cama, o impacto deixando-o atordoado. Ainda no chão, ouviu a porta atrás de si se abrir com um zumbido suave. Ele murmurou, em pânico:
– O que vem agora? Estou em condições de receber visitas? Que situação!
Levantou-se rapidamente, e o que viu o deixou boquiaberto. Era algo tão extraordinário que qualquer um, desacostumado a tais visões, ficaria maravilhado.
Sam não sabia, mas estava a anos-luz da Terra, em uma nave que cruzava o espaço sideral, muito além da Via Láctea. O cosmos, vasto e deslumbrante, revelava que a humanidade não estava sozinha em um universo repleto de mistérios.
A nave movia-se a uma velocidade estonteante, superando a luz, com a capacidade de se teletransportar entre pontos do universo em um piscar de olhos. Num instante, estava em um lugar; no outro, em um canto completamente diferente do cosmos. Era uma tecnologia simplesmente fantástica.
Naquele momento, a nave encontrava-se em um sistema solar exótico, composto por doze planetas, sete deles habitados por seres dotados de consciência, semelhantes aos humanos, mas espiritualmente muito mais avançados. Esses seres viviam em harmonia com a natureza há milênios, utilizando tecnologias que pareciam mágicas.
Aquele sistema, similar ao nosso, era iluminado por dois sóis, fontes primordiais de energia para todas as raças que o habitavam. Os Sírius, os seres que abduziram Sam, eram criaturas luminosas, de uma serenidade quase etérea. Sensíveis, inteligentes e conscientes de uma forma que transcendia a falha consciência humana, eles estavam anos-luz à frente em evolução.
A raça Sírius era composta por energias femininas e masculinas, sem corpos materiais. De estatura média, relacionavam-se por meio de um amor puro e incondicional.
Contudo, tinham a capacidade de se materializar em formas humanas, refletindo o gênero de sua energia – feminina ou masculina –, assemelhando-se aos homens e mulheres da Terra.
Dotados de poderes extraordinários, os Sírius moviam-se mais rápido que a luz, comunicavam-se por telepatia – seu método preferido – e possuíam clarividência, capaz de vislumbrar o futuro. Eram mestres da invisibilidade e da levitação, flutuando com a leveza de borboletas. Eram, em essência, seres magníficos, cuja existência desafiava a compreensão humana.
Os Sírius eram seres extraordinários, dotados de clarividência que lhes permitia vislumbrar o futuro e outras realidades. Podiam tornar-se invisíveis, levitar com a graça de borboletas e mover-se a velocidades que desafiavam a luz. Sua presença era um testemunho da maravilha do cosmos.
– Mas por que precisariam de um simples mortal humano? – perguntou uma voz interna, ecoando a curiosidade de Sam.
– Você entenderá em breve – respondeu a silhueta dourada, com um tom enigmático.
Enquanto isso, no sistema solar onde a nave pairava, um conflito milenar agitava o equilíbrio. Duas raças, os Dragos e os Lianos, travavam uma guerra secular, e os Sírius, apesar de sua superioridade, mantinham-se neutros, proibidos de interferir.
Os Dragos eram guerreiros reptilianos humanoides, com peles escamosas e resistentes, capazes de suportar golpes devastadores. Machos e fêmeas, igualmente robustos, podiam saltar grandes distâncias e erguer blocos colossais de pedra. Apaixonados por batalhas, treinavam incessantemente, mas também buscavam sabedoria e conhecimento, tanto no combate quanto na vida. Suas armas eram lendárias no planeta Verdiam: escudos de resistência inquebrável, lanças perfurantes e espadas tão afiadas que cortavam o ar com um silvo mortal. Os Dragos eram mestres na arte da guerra, forjando os melhores equipamentos bélicos daquele mundo.
Os Lianos, por outro lado, assemelhavam-se mais aos humanos. Alguns tinham pele negra, com olhos azuis ou verdes brilhantes; outros, de pele clara e cabelos loiros, exibiam olhos castanhos ou negros. Suas madeixas, quase sempre lisas, eram especialmente marcantes nas mulheres lianas. Dotados de uma inteligência profunda e espiritualidade elevada, viviam em harmonia com a natureza de Verdiam, cuidando de sua saúde e do equilíbrio ambiental com devoção.
Embora nem Dragos nem Lianos fossem nativos de Verdiam, ambos compartilhavam uma certeza cósmica: todos eram filhos do universo, criações divinas. Os Lianos organizavam-se em classes distintas: os anciãos atuavam como sábios e mentores, enquanto os jovens treinavam para se tornar guerreiros. Possuíam habilidades sobrenaturais, como cura, telepatia, manipulação de energia vital e força sobre-humana. Moviam-se com leveza, capazes de caminhar sobre galhos finos, contemplando a beleza exuberante de Verdiam.
Nas batalhas contra os Dragos, os Lianos usavam arcos com flechas precisas e espadas finas, forjadas em um metal de resistência incomum, capaz de cortar rochas sem se partir. Sua juventude era longeva, sustentada por uma dieta de frutas, vegetais e água pura. A classe guerreira, composta majoritariamente por homens, formava a linha de frente, enquanto as mulheres lianas cuidavam dos lares, com as guerreiras servindo como força reserva, prontas para entrar em combate quando necessário.
O cerne do conflito entre Dragos e Lianos era a Pedra Dourada, um artefato sagrado situado no topo da Montanha de Gelo desde os primórdios de Verdiam. Para os Lianos, ela pertencia à Mãe Natureza, um símbolo intocável do equilíbrio do planeta. Os Dragos, porém, desejavam removê-la, enquanto os Lianos lutavam para mantê-la em seu lugar. Assim, a guerra se arrastava por milênios, um ciclo de violência sem fim aparente.
– Ninguém sabe o desfecho dessa guerra – murmurou uma voz, como se narrasse um mistério cósmico.
– E o que aconteceu com Sam? Por que ele foi levado? – perguntou outra, cheia de expectativa.
– Deixe-me contar o que houve com Sam e o motivo de sua jornada ao espaço com aqueles seres luminosos.
Na nave, Sam ainda se recuperava do impacto de sua chegada. A silhueta dourada que o convencera a segui-los apresentou-se como Niri. Com um convite gentil, ela o levou para explorar a nave. Enquanto caminhavam por um corredor, Sam ficou extasiado com a vista através de um painel de vidro transparente. Naves cruzavam o espaço, e os planetas do sistema, banhados pela luz de dois sóis radiantes, brilhavam em uma dança celestial que nenhum humano jamais testemunhara.
Niri, com uma voz calma, revelou o propósito da abdução:
– Você foi escolhido, Sam, para passar por um processo de evolução humana.
Ele foi conduzido a uma sala onde outros Sírius o observavam através de uma divisória translúcida. Deitado em uma máquina futurista, Sam foi conectado a cabos que pulsavam com energia. O aparelho o envolveu, transportando-o para o interior de um tubo. Apesar da incerteza, ele sentia uma confiança inesperada, certo de que sua vida estava prestes a mudar para sempre.
– Sua existência será transformada, Sam – disse Niri, com um tom que misturava promessa e gravidade.
Sam, sabendo que não tinha nada a perder, respondeu com determinação:
– Estou pronto, Niri.
O processo testou suas capacidades físicas e mentais ao extremo, em uma sessão que durou cerca de oito horas. Alguns Sírius duvidavam que um humano sobrevivesse, mas Sam emergiu do tubo transformado. Ele agora possuía habilidades sobre-humanas: força, agilidade e uma percepção aguçada que o tornavam quase irreconhecível.
– Incrível! – exclamou uma voz, admirada. – Ele se tornou praticamente um super-herói!
– Sim – confirmou outra. – Sam renasceu como um novo ser, iluminado para uma jornada universal.
Sam viveu aventuras extraordinárias pelo cosmos, guiado pelos Sírius. Em um momento crucial, eles o trouxeram de volta à Terra, revelando sua verdadeira missão:
– A partir de agora, Sam, você tem a tarefa de mudar o mundo para sempre.
Um Eterno Mistério (on Wattpad) https://www.wattpad.com/1572322283-um-eterno-mist%C3%A9rio?utm_source=web&utm_medium=tumblr&utm_content=share_reading&wp_uname=TiagoAmaral731 🔮✨ Um Eterno Mistério ✨🔮 Uma amizade de infância, uma noite comum em 1974... até que algo inexplicável acontece em um quarto de hotel. Entre estrelas, segredos e um silêncio aterrorizante, Pedro se vê diante de uma tragédia que a ciência não consegue explicar. Seria apenas morte? Ou algo vindo das estrelas, faminto e invisível? Um conto sombrio e envolvente, no melhor estilo Stephen King, que mistura nostalgia, terror e ficção. 🌌🕯️ Prepare-se para mergulhar em uma história que vai te fazer olhar para o céu noturno de outra forma. 📖👁️ Alguns mistérios não são feitos para serem resolvidos...
Um Eterno Mistério
Era uma noite comum de 1974, o céu estrelado, cravejado de estrelas, brilhante como um manto de diamantes sobre a cidadezinha sonolenta. O rádio no quarto do hotel chiava uma canção de David Bowie, "Space Oddity", ecoando no ar úmido do verão. Pedro e Carlos, amigos desde a infância, riam de bobagens — histórias de fantasmas e discos voadores que enchiam os jornais daqueles anos de paranoia pós-Vietnã. Pedro apagou o cigarro no cinzeiro, deu uma palmada no ombro de Carlos e saiu para comprar mais cerveja no bar da esquina. "Volto já", murmurou, trancando a porta atrás de si.
A rua estava quieta, o asfalto ainda quente do dia, com o zumbido distante de um carro passando. Pedro não notou nada de errado. Comprou as latas, flertou um pouco com a atendente, Carla — uma morena de vinte anos, olhos escuros e penetrantes que pareciam ver além do que se dizia —, e voltou, a chave tilintando no bolso.
Ao girar a fechadura, o clique soou normal, mas o ar dentro do quarto estava diferente. Pesado, como se algo tivesse sugado o oxigênio. Pedro chamou pelo amigo, mas o silêncio respondeu como um soco no estômago. Carlos jazia na cama, imóvel, os lençóis amarrotados ao redor dele como um sudário improvisado.
Pedro correu até ele, o coração disparado, e tentou reanimá-lo — sacudindo os ombros, procurando pulso nos pulsos frios. Nada. Nenhum batimento, nenhum sopro de vida. Os olhos de Carlos estavam abertos, brancos como leite derramado, vazios de qualquer centelha. Sua pele, pálida como neve fresca, parecia translúcida sob a luz fraca da lâmpada. Pedro não notou de imediato, mas ao tocar o corpo, sentiu: minúsculos furos, milhares deles, perfurando a carne através das roupas, como se agulhas invisíveis o tivessem crivado. Não havia sangue. Nem uma gota. Como se algo — fios finos, talvez, luminosos e implacáveis — tivesse se infiltrado e drenado tudo: o sangue, a energia vital, a essência que fazia Carlos ser Carlos.
O pavor subiu pela garganta de Pedro como bile. Ele tropeçou para trás, o quarto girando. Como isso era possível? Carlos, que horas antes ria de piadas tolas, agora era uma casca vazia. Pedro ligou para a emergência, depois para a polícia, a voz trêmula ecoando no telefone. Ficou ali, sentado no chão, esperando, o cheiro metálico de medo no ar.
A polícia chegou rápido, sirenes cortando a noite. O detetive John, um homem endurecido pelos anos, com olhos cansados e um bigode grisalho, o interrogou no corredor. "Foi você, garoto? Onde estava quando isso aconteceu?"
— Sou inocente — gaguejou Pedro, as mãos tremendo. — Jamais machucaria Carlos. Ele era como um irmão. Estava no bar, comprando cerveja. Carla, a atendente, pode confirmar.
John assentiu, cético, e foi até o bar. A multidão ali — bêbados locais, um ou dois turistas — murmurava, desconfiada. Carla, com seu olhar marcante, confirmou: "Sim, ele esteve aqui. Comprou cerveja e saiu. Parecia normal." Os outros assentiram, aliviados, mas o ar ainda pesava com o mistério.
De volta ao hotel, John balançou a cabeça. "Eu já sabia. Ninguém daqui poderia ter feito isso. Não é coisa deste mundo, garoto."
A ambulância levou o corpo para o hospital, onde os médicos, homens acostumados a acidentes de carro e overdoses, ficaram horrorizados. "Nunca vi nada assim", murmurou o legista, examinando os furos minúsculos, a ausência de sangue. A família de Carlos chegou correndo: a mãe, os olhos inchados de lágrimas; Márcio, o irmão mais velho, rígido de choque; Luísa, a irmã, chorando baixinho. Eles se reuniram ao redor do corpo, perplexos, o ar do necrotério frio como o toque da morte. A mãe desabou, soluçando, enquanto os irmãos tentavam consolar uns aos outros, lamentando o irmão perdido, o riso que nunca mais ecoaria.
Dias se passaram, um borrão de interrogatórios e espera. A autópsia veio: Carlos morrera de exaustão vital, como se sua energia tivesse sido sugada primeiro, e depois o sangue drenado por canais invisíveis. Nenhum veneno, nenhuma arma. Inexplicável.
A polícia encerrou o caso, rotulando-o como "morte por causas naturais", mas todos sabiam que era mentira. O corpo foi liberado para o velório e cremação, as cinzas espalhadas em um rio que Carlos amava. O tempo seguiu, implacável, transformando o horror em memória. Para os pais de Carlos, era uma dor que latejava no peito; para Márcio e Luísa, uma sombra nos dias comuns. Pedro, que crescera com Carlos em brincadeiras de rua e segredos compartilhados, carregava o peso como uma ferida aberta. Ele revivia a cena todas as noites, os olhos brancos o encarando no escuro.
Cinco dias após a cremação, um noticiário local trouxe um relato estranho: um fazendeiro da zona rural jurava ter visto algo no mato — fios luminosos, cintilantes como veias de luz, dançando no ar antes de subirem aos céus. "Não era fogos de artifício", disse ele, os olhos assustados. "Era vivo. E veio das estrelas."
Ninguém conectou as coisas. Mas Pedro, assistindo à TV sozinho, sentiu um calafrio. O mistério de Carlos permanecia, um eco no vazio do universo, sussurrando que algumas coisas nunca seriam explicadas. E nas noites de estrelas, ele ainda olhava para o céu, imaginando fios descendo, famintos.
Quartinho de Bebê
Uma casa velha e abandonada, perdida no meio do mato, cravou-se na minha mente como um prego enferrujado. Meu trabalho de investigador me levou até ela, e algo naquela visão — as tábuas tortas, as janelas quebradas, o silêncio que gritava — ficou me assombrando. Mesmo agora, de volta ao conforto relativo do meu quarto de hotel, a imagem não me largava. A ansiedade me devorava, uma fera faminta que não dava trégua.
Passei horas encarando o relógio na parede, suas agulhas movendo-se com uma lentidão cruel. O caso — assassinatos de bebês, uma crueldade que desafiava qualquer lógica humana — pesava sobre mim como uma maldição. Eu queria respostas, precisava delas, mas tudo o que tinha era um vazio que me sufocava. Quando o telefone tocou, o som cortou a noite como uma faca. Era Helena, minha parceira, a voz dela um fio de luz na escuridão.
— John, você está bem? — perguntou ela, preocupação genuína na voz.
— Estou... — menti, minha mão tremendo tanto que mal consegui segurar o isqueiro para acender um cigarro. — Só não consigo dormir. Esse caso... ele tá me matando.
— Tente descansar, John. Você precisa. — A voz dela era suave, quase um bálsamo. — Foi bom te ouvir. Tenta dormir, tá? Até amanhã.
— Até, Helena — murmurei, desligando o telefone com um peso no peito.
A lua cheia brilhava através da janela, fria e distante, como se zombasse de mim. O quarto, apesar de confortável, parecia uma cela. Minha mente girava, obcecada por aquele lugar maldito onde os crimes aconteciam. A casa abandonada. O quartinho de bebê. O horror que eu sabia que ainda nos esperava.
Na manhã seguinte, a campainha tocou, arrancando-me dos meus pensamentos. Era Helena. Abri a porta, tentando esconder o cansaço que me corroía. O hotel era decente, com carpete limpo e móveis que não rangiam, mas minha cabeça estava em outro lugar — naquela casa, naquele quartinho.
— Pronto, John? — perguntou ela, os olhos castanhos me estudando com uma mistura de preocupação e determinação.
— Quase — respondi, forçando um sorriso. Tinha engolido um café ralo e um pão amanhecido, mas minha mente gritava que não estava pronta. Não para voltar àquele lugar. — Vamos acabar com isso, Helena. Não aguento mais.
Ela assentiu, e partimos. No carro, o silêncio entre nós era pesado, quebrado apenas pelo ronco do motor e pelo farfalhar das árvores ao longo da estrada deserta. Eu sabia que a resposta estava lá, naquela casa esquecida por Deus, onde uma seita sádica sacrificava bebês em nome de algo que eu nem queria entender. Minha raiva crescia a cada quilômetro, misturada com uma confiança cega de que encontraríamos algo — qualquer coisa — que nos levasse às responsáveis.
— Deve ter alguma pista lá — falei, mais para mim mesmo do que para ela. — Nem que seja um fio de cabelo. Um maldito fio de cabelo.
— Calma, John — disse Helena, a voz firme. — Já revistamos tudo, mas vamos encontrar algo. Eu sinto isso.
Chegamos à estrada de terra que cortava a floresta, o céu nublado lançando sombras sobre o caminho. A casa surgiu à nossa frente, um monstro adormecido com tábuas tortas e janelas que pareciam olhos vazios. Estacionei o carro, o coração batendo forte. Peguei minha arma, olhei para Helena e vi a mesma determinação nos olhos dela.
— Vamos — falei, e ela assentiu.
Revistamos o andar térreo, cada canto, cada sombra, mas, como antes, não havia nada. Subimos as escadas rangentes, o cheiro de mofo e podridão nos envolvendo. Os quartos estavam vazios, as paredes marcadas pelo tempo e pelo abandono. Só faltava o quartinho de bebê.
A porta do quarto, meio aberta, estava caindo aos pedaços, comida por cupins. Segurei a arma com a mão direita, a esquerda na maçaneta fria e enferrujada. Helena me cobria, os olhos alertas. Empurrei a porta, e o fedor nos atingiu como um soco — podridão, sangue, morte. E então, um barulho. Passos rápidos, alguém correndo no andar de baixo.
— Deixe comigo! — gritou Helena, já disparando escada abaixo. — Procure aqui!
Fiquei sozinho no quartinho. O zumbido das moscas era ensurdecedor, o ar pesado com o cheiro de sangue fresco. No centro do quarto, um berço velho, coberto de poeira e manchas escuras. Aproximei-me, o coração na garganta, e vi o horror: um bebê, mutilado, as entranhas expostas como uma oferenda macabra. Símbolos demoníacos riscados em sangue seco cobriam as paredes. A bile subiu à minha garganta, mas forcei-me a continuar.
Foi então que a luz do sol, filtrada por uma janela quebrada, revelou algo no chão. Um fio de cabelo loiro, quase invisível entre o entulho. Peguei-o com cuidado, o coração disparado. Era dela — a mulher que Helena perseguia agora.
Saí correndo, gritando:
— Helena!
— Aqui! — respondeu ela, a voz vindo da floresta.
Corri até encontrá-la. Lá, no meio do mato, Helena dominava uma mulher loira, jovem, com o rosto manchado de terra e sangue. A suspeita, Carla, estava imobilizada, o corpo jogado contra o tronco de uma árvore. Helena, com técnicas precisas de krav maga e jiu-jitsu, a havia neutralizado. A arma de Carla, chutada para o mato, foi encontrada minutos depois.
Na delegacia, Carla quebrou. Seu rosto pálido, uma máscara de frieza e arrependimento, entregou tudo. Com a voz tremendo de raiva e culpa, ela confessou:
— Eu não queria... no começo, não queria. Mas elas me convenceram. Falaram que era o único jeito. O pai era um lixo, e eu... eu só queria me livrar dele. Mas depois, virou um sacrifício. Um ritual. — Ela fez uma pausa, os olhos vidrados. — São 66 mulheres. E seis líderes. Eu sei onde elas estão.
Carla nos levou a outra casa, também no meio do nada. A polícia cercou o lugar, um ninho de horrores disfarçado de lar. As seis líderes foram presas, condenadas à morte. As outras 66, cúmplices daquele pesadelo, pegaram prisão perpétua.
Quando tudo acabou, o peso no meu peito finalmente aliviou. Helena e eu tiramos férias — merecíamos. Mas, mesmo na praia, com o sol quente e o mar azul, o quartinho de bebê ainda me visitava nos pesadelos. Algumas coisas, nem o tempo apaga.