Cuidados
Xubair deitou-se ao lado da esposa, esperando que ela icasse boa logo.
"Bom dia, querida." Xubair chamou pela esposa que dormiu durante todo o dia anterior. "Você se sente melhor?"
Daliya acordou meio desorientada.
"O que aconteceu?" ela perguntou.
"Você desmaiou e dormiu o dia inteiro, o médico virá falar com você, mas eu tenho que ir trabalhar, Xerxes tomará conta da casa, chame-o se preciso."
Daliya segurou na mão do marido, não querendo que ele fosse embora enquanto estava tão fragilizada.
"Queria poder ficar, mas preciso ir trabalhar." disse ele "Tudo bem, eu vou descansar."
Daliya ficou sozinha no quarto tentando por a cabeça em ordem. Lembrou-se da noite em que Xubair brigou com ela, de como ela se sentiu tonta e com dor de cabeça até tudo se apagar.
"Será que eu tenho a mesma doença da minha mãe?" se questionou ao relembrar a morte prematura de sua mãe dos tempos modernos.
Daliya se levantou da cama, não queria passar o dia deitada enquanto tinha uma missão a cumprir, mas sua cabeça ainda doía.
"Cunhada?" Xerxes bate na porta. "Pode entrar."
Xerxes se sentiu envergonhado de encontrar sua cunhada ainda na cama e sem véu, ele se mantém olhando apenas para as costas dela.
"Cunhada está se sentindo mal? Quer que eu chame o médico?"
"Não precisa, eu estou bem."
Xerxes ousa se aproximar um pouco mais dela, hipnotizado por sua beleza.
"Meu irmão mandou eu tomar conta de você, se não estiver bem, preciso saber."
"Você é muito gentil, Xerxes." ela virou-se para ele, o que fez o coração do homem quase parar, pois ele a achava muito linda.
Kavita se lembrou da briga que teve com o marido e ter uma voz doce e gentil se preocupando com ela, a acalmava.
"Estou só fazendo o meu trabalho de cunhado." disse ele, com o coração a mil. "Você parece tão triste."
"Não é nada, é só que seu irmão brigou comigo antes de isso tudo acontecer."
"Não fique brava com o meu irmão, ele sempre teve um temperamento difícil, mas tudo o que ele faz é para nos proteger, ele não deseja seu mal." Xerxes pulou para o outro lado da cama, se aproximando de Daliya "Ele gosta de você, cunhada, apenas seja mais paciente."
Daliya prometeu que não iria mais pensar na briga.
Kavita admirou a lealdade de Xerxes com seu irmão. Ele sabia falar tão bem, que sentia que ele podia convencê-la a fazer qualquer coisa, inclusive perdoar Xubair.
O médico veio ver Daliya. Ele contou a ela sua doença do coração. Kavita ainda tinha dúvidas se era realmente uma doença do coração ou ela teria a mesma doença de sua mãe, já que a medicina daqueles tempos não eram avançadas.
"O que preciso fazer para evitar novos desmaios?" ela perguntou.
"Mantenha a calma, não se estresse com o seu marido, peça para os empregados tomarem conta da maioria das atividades domésticas, procure fazer atividades que não exijam esforço como bordados."
Kavita pôs a mão sobre as têmporas só se imaginando como uma mulher do lar de 1890, não era isso que ela planejava, como iria escapar escondida de casa para coletar metais e cristais se ela corria risco de desmaiar novamente?
"Senhora Ali Shah? Está sentindo alguma coisa?" o médico perguntou.
"Estou pensando que será difícil não me estressar com o meu marido como o senhor disse." Daliya riu, fingindo que era isso mesmo sobre o que pensava.
O médico acreditou em suas palavras e também riu. Desejou melhoras e a deixou sozinha no quarto para descansar.
Xubair decidiu preparar um jantar para Daliya após ela melhorar, ele contratou um chef para fazer seus pratos favoritos, porém, o nawab pediu para se retirar antes mesmo do jantar começar, ele pediu desculpas a esposa e disse que iria compensar no futuro.
Daliya foi desabafar com sua mãe, como Xerxes brigou com ela, depois saiu no meio do jantar que ele mesmo preparou. Ela pediu que não se preocupasse, pois homens sempre estavam ocupados ou preocupados com alguma coisa, mas logo ele voltaria para ela.
As duas aproveitaram um momento mãe e filha.
Sem a presença do marido na mansão, Daliya aproveitou para escapulir e buscar seus cristais e metais, ela achou uma rocha, mas infelizmente encontrou apenas uma garrafa velha. Nenhuma sorte.
Por outro lado, Xubair correu do jantar com a esposa, porque ele não conseguia mais se conter. Ele correu para longe e se jogou no chão após sentir uma dor latente.
"Isso de novo não!" resmungou consigo mesmo.
Ele passou o resto da tarde até o anoitecer sentindo uma dor monstruosa até que não conseguiu mais se controlar e se transformou em uma fera amaldiçoada.
Daliya odiava fazer as atividades domésticas. De tanto lavar roupas a henna em seus braços desbotaram.
Vendo-a tão chateada Xerxes a convidou para um passeio.
"Ainda está chateada com meu irmão?" perguntou ele.
"Claro! Depois da briga ele tentou compensar o comportamento com um jantar, mas ele desapareceu!"
"Isso é típico dele." Xerxes riu "Seja mais paciente com ele, ele deve ter esquecido que é lua cheia."
"Ele não pode jantar na lua cheia?" Daliya também riu "Qual o problema dele?"
"Digamos que você não é a única com problemas de saúde, toda lua cheia ele precisa se ausentar porque, digamos que ele fica doente."
"Isso é sério?"
"Vamos nos sentar para conversarmos melhor."
"Quando pequeno nossos pais notaram algo estranho com ele, uma espécie de problema de raiva por conta da lua. Então toda lua cheia ele fica sozinho para se controlar."
Daliya imaginou que talvez ele tivesse um problema para controlar a raiva e naquela época eles associavam tal comportamento a lua.
"Poxa, eu o julguei tanto... achei que ele fosse só um isensível controlador."
"Não fique triste, ele queria estar com você, tenho certeza disso, só deve ter esquecido que é lua cheia."
"E não se preocupe." Xerxes se aproximou mais dela "Eu posso lhe fazer companhia nas lua cheias, é a minha função, cuidar da minha cunhada."
Daliya não sabia dizer o que aconteceu. Talvez o cheiro do perfume das flores, a luz da lua brilhando sobre eles ou a aproximação de Xerxes, lhe deixaram louca o suficiente para que roubasse um beijo.
Os irmãos eram tão diferentes. Xerxes era tão fácil de conversar, amigável e gentil, como resistir?
O rapaz se afastou com o rosto corado, Daliya riu.
"Nós não deviamos ter feito isso." disse ele "Meu irmão vai me matar."
"Tem medo do seu irmão? Porque eu não tenho."
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