07 I care
Justin Bierber's point of view
No caminho para casa só fiquei pensando que America matou um homem. Planejava chegar no apartamento e a questionar sobre isso, mas já no corredor do meu apartamento conseguia escutar a voz de Beyonce ecoando e assim que abri a porta vi America cantando alto e dançando como se fosse a própria Beyonce. Ela jogava seu cabelo ruivo de um lado para o outro e imitava quase com perfeição a coreografia do clipe que passava na grande tela em minha parede, e então minha raiva e confusão deram espaço para a felicidade e um sentimento que fez meu coração se contorcer. Meu coração fazia isso muitas vezes desde que a conheci.
09:02 pm
Eu estava esperando a lasanha ficar pronta enquanto colocava os pratos e outras coisas na bancada tentando encontrar uma forma de perguntar para America como ela tinha matado um homem e porque não havia me contado.
- Por que tão sério? – America tinha os dois braços apoiados na bancada e me encarava curiosa.
- Você já matou alguém, America? – fui direto e perguntei de uma forma rude, então vi o sangue fugir de sua face e seus olhos encherem de lágrimas.
- Sim – ela respondeu de uma forma dura e em suas palavras eu pude sentir pavor e dor. – Quando fugi do laboratório matei um homem chamado Matt. Ele havia sido encarregado por seu pai para me matar e então quando tive a oportunidade peguei a primeira coisa que vi enfiei no lugar mais viável. – ela estava chorando e tinha uma mão como se estivesse segurando seu coração – Eu não sabia que aquilo iria machuca-lo tanto! Eu só queria que ele se distraísse me dando a chance de fugir, mas então quando eu vi minhas mãos já estavam cheias de sangue e ele caído no chão – minha vontade era de contornar a bancada e abraçar, mas me contive.
- Como era esse objeto e em parte do corpo você o colocou, America?
- Ele era prateado, fino e parecia ser um pouco afiado – ela me encarou com os olhos cheios de dor. – Eu furei o pescoço dele, Justin. – ela se levantou e contornou a bancada, logo pegando uma de minhas mãos e a apertando. Seus olhos vidrados nos meus – Me perdoa! Eu não queria matar ninguém! Eu não sou ruim e, Justin, não te contei por medo. Medo de você me abandonar por eu ser uma assassina – eu não conseguia pronunciar uma palavra. Tudo o que fazia era repetir mil vezes a imagem de America esfaqueando alguém no pescoço e então ver o sangue em seu corpo. De repente senti seus braços me puxando para si e me envolvendo em um abraço desesperado, seu cheiro doce invadindo minha mente, afastando aquela imagem horrível. – Não faça isso comigo. Fala comigo, Justin – ela chorava em meu pescoço e eu podia sentir sua respiração quente indo de encontro à minha pele.
- Teria sido melhor se você tivesse me contado antes, Meri – quando dei por mim já estava afagando seu cabelo e a apertando mais contra mim. Eu não conseguia ver maldade nela.
- Eu tinha tanto medo, e eu não gosto de pensar nisso – ela falava com a voz falha por culpa do choro.
- Foi com isso que você sonhou ontem à noite? – ela assentiu fraco. – Hey, olha pra mim – e ela fez o que eu pedi, me encarando com seus olhos verdes e tristes. – Droga! Eu me importo tanto que não consigo me entender, meu Deus. Mesmo que você tivesse matado 100 homens eu não iria te abandonar, America. Eu só quero te proteger e não consigo entender isso. Você acaba de confessar que matou um homem e só o que eu quero agora é que essas lágrimas desapareçam e te ver dançando como quando cheguei e... – não consegui terminar de falar porque nesse instante senti os lábios macios e quentes de America tocando nos meus lábios, os pressionando rápido e nesses segundos foi como se meu coração tivesse dado um triplo mortal e feito contorcionismo.
- Me desculpe – ela se afastou e manteve a cabeça baixa. – Foi um impulso... eu não entendo porque eu fiz isso. Hoje à tarde assisti o diário de uma paixão e eles se beijaram e eu não entendi e não entendo porque acabei de fazer isso – e então eu estava sorrindo como um bobo. Toda a conversa de morte e lágrimas já não ocupavam nem 5% dos meus pensamentos. De repente eu estava feliz e tudo o que fiz foi sentar no banco alto e pedir para que America fizesse o mesmo. Ela parecia confusa com a minha atitude.
- A lasanha vai ficar fria logo se não comermos – expliquei enquanto pegava os talheres e dava uma abocanhada na lasanha.
- Você não está brabo nem nada? – ela parecia cada vez mais confusa.
- Por que eu estaria? – a olhei divertido.
- Por eu ter beijado você... – ela havia corado e logo tentou esconder o rosto com o cabelo.
- Pode fazer isso sempre que quiser – e pude ver um sorriso surgir em seus lábios.















