13 Andrew
Estávamos correndo pela cidade de Atlanta como loucos, tentando chegar logo ao nosso destino.
Depois de muito pensar resolvemos voltar para Atlanta, já que agora teríamos um aliado: Andrew Miller, lembram dele? O cara que estava sempre ao lado do velho Joseph... O irmão de Matt, o homem que America matou para conseguir fugir. No primeiro momento achei que ele não fosse querer nos ajudar pelo fato de ela ter matado seu irmão, mas depois de tudo o que ela me contou percebi que ele a ajudaria de qualquer jeito, afinal, estava apaixonado por ela assim como eu.
America estava vestida de preto dos pés à cabeça, assim como eu. Na noite passada, antes de encontrar America enrolada em uma toalha transparente tremendo de frio, antes de a ter como parte de mim, arrombei um dos quartos do pequeno hotel e roubei algumas peças de roupa.
- Tem certeza que esse é o endereço, Justin? – ela perguntou, entrelaçando seus dedos nos meus.
- Andrew Miller, por favor? – pedi para o porteiro e ele interfonou.
- Quem gostaria? – o velho perguntou.
- Diga que é a loirinha – America sorriu, parecendo se lembrar de algo e meu coração se contorceu de ciúmes.
- Podem subir. Décimo primeiro andar.
- Eu sou o filho do chefe, mas ele é quem mora na cobertura? – falei irônico e America riu da minha cara.
- Mas você tem a garota – ela piscou e foi minha vez de rir.
Quando o elevador abriu demos de cara com Andrew escorado na parede branca do corredor, e assim que ele viu America um sorriso enorme surgiu em seu rosto. Ela soltou minha mão e foi correndo na direção dele, pulando em seus braços em um abraço apertado. Eu queria socar a cara daquele imbecil.
- America – era impossível não notar a alegria contida em sua voz -, você não é mais minha loirinha.
- Agora sou a ruiva do Justin – ela falou completamente inocente e o riso escapou de meus lábios, e então finalmente Andrew pareceu me notar naquele corredor. Sua expressão mudou em fração de segundos.
- Justin Drew Bieber – ele suspirou.
- Drew? – America me encarou sorridente – Ok! Agora tenho um apelido pra você.
Me aproximei dos dois e peguei sua mão novamente, a trazendo para perto de mim. Andrew observou isso com ódio nos olhos.
Ele já imaginava o motivo de o termos procurado e disse que ajudaria America em tudo o que ela precisasse, estando ou não ao seu alcance. Ênfase em “ajudar America”. Justin não estava incluído na lista de pessoas a serem ajudadas.
- O bom é que se precisar, America sabe lutar – ele disse animado.
- Lutar? Hey, ninguém vai bater nela!
- Exato! – ele revirou os olhos – Ela vai bater em muita gente.
- Faz tempo que não luto, And – ela sorriu como quem se desculpa.
- Não seja por isso! Tenho um campo de treinamento no andar de cima – e foi pra lá que nós três fomos. Eu sabia que Meri tinha treinamento de luta enquanto estava na Clark, mas não que ela era tipo um kickass das artes marciais.
Entramos em uma grande sala com paredes de vidro, e no centro dela havia uma espécie de ring de luta redondo e branco. Meri e Andrew se dirigiram a lados opostos, cada um se posicionando em um círculo individual e então dois hologramas surgiram no centro do ring. Ambos sorriram ao verem seus corpos computadorizados na área da luta e então começou a pancadaria.
- Temos um plano, certo? – Andrew nos encarava sério.
- Temos um plano – Meri e eu falamos juntos e então sorrimos.
Depois da luta que vi me senti seguro em envolver America no plano, mesmo a função dela não sendo tão arriscada. Já era noite e iríamos dormir no apartamento de Andrew que gentil e apaixonadamente estava nos ajudando.
Andrew’s pov
Ela estava mais linda que nunca com aquele cabelo cor de fogo. Ela parecia inatingível, forte e segura. A ver sentada ao lado dele, segurando sua mão como um vício, o olhando com um brilho no olhar e perceber que o motivo de ela ter mudado tanto e estar tão feliz era ele me matava. Deveria ser eu o cara que a faria a mulher mais feliz do mundo, e isso não era possível por culpa dele. Se ele não a tivesse encontrado no beco antes de mim ela poderia estar do meu lado, sem precisar fugir dessa forma, porque claro que eu iria dar um jeito na situação dela, e poderíamos viver felizes juntos, mas não. Ela estava feliz com ele.
Eu aceitei ajudá-la, mas ele não estava em meus planos. Se algo desse errado na parte dele de toda a armação eu não moveria uma palha para ajudá-lo, mas com toda a certeza eu iria fazer de tudo para salvar America.
- Andrew. – ela sussurrou no momento em que entrou na cozinha, se escorando na geladeira – Finalmente sei o nome do meu melhor amigo – ela sorriu.
- Fico feliz em ver que você está bem, America – sorri para ela.
- Se não fosse por Justin não sei o que teria acontecido comigo. O que seria de mim.
- Você estaria comigo, porque eu fui te procurar aquela noite – ela sorriu.
- Mas não seria a mesma coisa.
- O que você sente por ele? – deixei escapar um pouco de frustração – O que você vê nele.
- Eu sinto como se ele fosse a única coisa capaz de me manter respirando, And. Quando estou com ele parece que meu coração vai saltar de meu peito, que as borboletas em meu estômago estão em uma rebelião, que o mundo finalmente está no lugar certo. Cada célula nesse meu corpo falso pertence a ele. Eu o amo.
- Mas vocês se conhecem tem pouco tempo – e seu sorriso aumentou.
- Não importa o tempo quando se tem uma vida como a minha, And. O tempo se aplica de uma forma diferente para mim.
Ela não conseguia conter a felicidade ao falar dele. Aquilo me dava ódio daquele projeto de marginal com aspiração a super-herói.
- America? – escutei sua voz desagradável se aproximar da cozinha.
- Aqui na cozinha, Justin – ele sorriu e se virou indo em direção à porta. Ela já não estava mais com a roupa preta que usava quando chegou. Estava com um moletom num tom de vermelho e uma calça que Justin havia roubado no meio do caminho. Seu cabelo estava preso em um coque bem bagunçado e ela parecia não se importar. Quando Justin apareceu na porta da cozinha ela entrelaçou sua mão na dele e lhe deu um selinho fazendo com que o mesmo abrisse um sorriso de orelha a orelha. Os dois me davam ânsia de vômito.
- Vamos dormir, Meri? – ele não tirava os olhos dela. Era como se eu não estivesse no mesmo lugar que eles. Era como se eu não existisse.
- Boa noite, And – ela se virou e sorriu, logo saindo da cozinha.
- Obrigado por ajuda-la, Andrew – Justin falou de forma sincera e se retirou.
Ainda bem que ele sabia que eu estava ajudando apenas America e não poderia contar com muita ajuda minha.
Amanhã seria o dia em que colocaríamos o plano em prática, salvando a vida de America e destruindo a Indústria Clark.











