15 Betrayal
AMERICA'S POV
Alguma coisa estava errada. O caminho não era aquele! Eles estavam me levando na direção errada! Droga! Eu deveria estar voltando para aquela prisão do setor cinco na Clark, mas não, eles estavam me levando para longe do centro, longe do lugar que eu deveria estar. O plano não iria funcionar nunca. Eu me debatia nos braços daqueles homens, tentando fugir mais uma vez, mas perdi as esperanças no momento em que me colocaram em uma grande van toda preta, meus pulsos algemados.
- Aonde estão me levando? – gritei.
- Para seu novo lar, America – Jeremy estava no banco da frente, e assim que reconheci sua voz um frio me subiu a espinha, o medo tomando conta de mim.
JUSTIN’S POV
Eu havia mentindo para America. Uma mentira que poderia custar minha vida se alguma coisa qualquer não ocorresse como planejado.
Eu não iria para a Clark e tentaria destruir o computador geral, assim causando a pane em toda indústria, e nem teria como avisar nenhuma autoridade. Eu estava indo para a base subterrânea da Clark, que ficava em uma parte deserta de Atlanta, em uma área completamente inabitada, rodeada de areia e nada mais. Quem iria ajudar America era Andrew. Ele já deveria estar na Clark esperando o momento de se juntar com a minha garota e assim acabar com meu pai.
Eu estava sozinho e era quase certo que eu não iria conseguir ver o sorriso da minha garota ao perceber que ela finalmente poderia viver. Eu não iria poder viver com ela.
Eu estava quase chegando à base e repassava em minha mente todas as instruções que Andrew tinha me dado. Se pelo menos isso ele tivesse feito para me ajudar eu não iria morrer antes de conseguir entrar.
Estacionei a moto em um lugar bem afastado da entrada do local e segui meu caminho inteiro andando. Quando cheguei à entrada não havia segurança algum, o que achei estranho. Digitei o código que Andrew tinha me dado e assim a porta se abriu. Segui pelo imenso corredor com passos lentos, tentando não chamar muito a atenção caso alguém pudesse aparecer. Incrivelmente a sorte estava do meu lado hoje. Entrei em uma pequena sala e na mesma haviam inúmera prateleiras lotadas de roupas brancas, todas idênticas. Peguei a blusa e a calça branca e logo troquei minha roupa. Aquele deveria ser o uniforme que todos os clones usavam naquele local.
Saindo da sala segui por muitos corredores, todos iguais, e no fim de um deles vi a porta que Andrew me falou para entrar. Atrás dela estava um enorme salão todo branco, o teto alto, centenas de pessoas vestidas de forma igual circulando. Eu estava no meio do caminho e ainda não tinha sido morto. Isso era ótimo!
AMERICA’S POV
- Que lugar é esse? – eu estava parada atrás de uma grande parede de vidro observando um grande salão cheio de pessoas.
- Já falei, querida. Seu novo lar, enquanto você seguir viva – Jeremy falou com calma, um sorriso doentio em seus lábios.
- Você é um monstro! – gritei e logo seus seguranças me seguraram com força – Covarde! Não acredito que você tem medo de um ratinho de laboratório! – eu gritava – Medo do que você mesmo criou!
- Fale comigo desse jeito mais uma vez e eu acabo com você agora! – ele se aproximou e os seguranças me soltaram, e então Jeremy me tocou contra a grande parede de vidro. Caí no chão no mesmo segundo, minha cabeça latejava. Levantei de vagar, a mão na cabeça, meus olhos querendo se fechar. Eu me sentia mole – Você não é nada, America! Não sei como Justin teve a capacidade de se envolver com algo como você. Mas ele também vai pagar, e de uma forma muito pior – e no mesmo momento senti meu sangue ferver de raiva e medo.
- O que você vai fazer com ele? – perguntei firme. Jeremy passou a mão de forma teatral sobre seu pescoço, como se o cortasse – Você não seria capaz de fazer isso com o próprio filho...
- Falando em Justin... Por que ele não estava com você?
- Nos perdemos na multidão... Eu procurava por ele quando você me encontrou – eu havia ensaiado aquela frase milhões de vezes, e eu teria acreditado se eu não soubesse da verdade. Justin já deveria estar dando um jeito em todos os sistemas da Clark e logo tudo estaria um caos. Andrew teria que cumprir sua parte do plano sem mim.
- Uma pena que o casal não vai poder se despedir – Jeremy fingia tristeza -, mas vou fazer questão de colocar vocês dois na mesma cova – e o sorriso estava em seu rosto mais uma vez. Ele me dava nojo e medo.
- Você vai se arrepender de tudo o que fez – falei de um jeito calmo, minha cabeça já não doía como antes.
JUSTIN’S POV
Eu já estava naquela droga havia uma hora e ainda não tinha encontrado a sala que eu queria. Eu estava em uma área que só era permitida para quem trabalhava naquele lugar. Eram corredores com pouca iluminação, com o ar muito “pesado”, quente e abafado. Muitas máquinas se estendiam pelos corredores. Minha roupa já não estava tão branca e o suor escorria por meu rosto e minha respiração estava ofegante. Olhei para frente e vi mais uma daquelas escadas que ficam acopladas na parede, levando para um andar inferior. Depois que a desci encontrei o que eu procurava: o coração daquela base subterrânea. Ele estava protegido por portas de vidro que com toda a certeza não poderia ser quebrado facilmente. O objeto era enorme e tinha no mínimo uns dois metros. Seu interior era refletido por uma luz azul. Se eu conseguisse ultrapassar as portas de vidro e chegar ao centro da máquina que alimentava a base, todo o lugar entraria em pane. Portas seriam abertas, toda a ilusão criada para aquelas pessoas acabaria, as máquinas não iriam funcionar, talvez alguém que estivesse pronto para ter ser coração arrancado de seu corpo seria poupado dessa morte. Eles iriam ver o mundo lá fora e o mundo iria conhecer o que se passava por trás de todo aquele projeto, inclusive o governo. O governo iria saber que o Projeto Chronos não era apenas incubação de células clonadas, mas sim um matadouro humano.
Tentei abrir a porta, mas não consegui nada além do disparo do alarme ecoando por aquele lugar. Olhei em volta e eu estava rodeado por diversas máquinas e então fiz o que passou primeiro em minha cabeça. Usei toda minha força e arranquei uma parte grande de uma das máquinas. Era pesado, e então o toquei contra o vidro. Mais uma vez não obtive resultado. O alarme não parava de tocar por um segundo e eu podia sentir que meu fim seria ali.
ANDREW’S POV
America não havia aparecido. Tudo estava fora de controle agora. Ela estava na Base com Jeremy, e ele iria mata-la. Eu precisava fazer algo.
Saí rápido da Clark e dirigi em alta velocidade até o deserto onde se localizada a Base. Eu iria propor uma troca, e esperava que Jeremy a aceitasse. Na verdade, eu duvidava que ele não aceitasse. O que ele mais sentia agora era raiva de Justin. Jeremy o queria morto e eu daria isso a ele com o maior prazer.
Talvez eu estivesse me tornando tão doente quando Jeremy, mas eu precisava ter America para mim, e eu faria de tudo para isso. E afinal, ela matou meu irmão! Por que eu não poderia matar seu namoradinho? Eu estava apenas devolvendo o que ela me deu.
Digitei o código de acesso no painel eletrônico de entrada da Base e atravessei aqueles enormes corredores. Fiz um caminho diferente do qual eu havia instruído Justin e então cheguei no observatório central, uma sala com todas as paredes de vidro. Ao entrar encontrei America encolhida em um canto, com uma das mãos na cabeça. Jeremy a encarava com um olhar assassino.
- Jeremy! – gritei seu nome e ele me encarou, obviamente surpreso com minha chegada – O que está acontecendo aqui?
- Você sabe muito bem o que está acontecendo – e então o alarme começou a ecoar por todos os cantos. Um dos seguranças avisou que era na máquina de alimentação central da Base. Provavelmente Justin estava tentando abrir as portas. Oh! Eu tinha me esquecido de avisar para ele que ela só poderia ser aberta com um cartão passe, como um que eu tenho.
- É seu filho que está causando esse tumulto. – falei calmamente e Jeremy me encarou agora assustado – Justin está tentando destruir o Chronos.
- E como você sabe disso? – Jeremy se aproximou sério.
- Ele me pediu ajuda, e eu disse o que ele deveria fazer para conseguir entrar aqui.
- Como assim Justin está aqui? – America gritou e então se aproximou rápido de mim. Eu conseguia sentir seu cheiro doce de morango. Os seguranças foram segurá-la, mas Jeremy fez sinal para que não o fizessem – Eu esperava qualquer coisa de você, Andrew, menos algo tão baixo como o que você está fazendo – ela me encarava com uma expressão de nojo.
- Nenhum segurança desce comigo! – Jeremy ordenou, me olhando de canto – Você fica com essa coisa, Andrew. Faça o que quiser. Preciso cuidar de meu filho – e então ele saiu da sala.
- Vocês podem sair também – falei para os seguranças que estavam na sala, e eles me obedeceram.
Jeremy não iria deixar por menos minha “traição”, mas ele estava ansioso para acabar com seu filho. Jeremy era quase um psicopata, louco por vingança. Ele não aceitava nada fora dos padrões que ele queria. Sempre foi assim!
- COMO VOCÊ FOI CAPAZ, ANDREW? – America me deu um tapa muito forte no rosto, meu corpo cambaleando devido a surpresa que senti ao ser atacado por ela – EU CONFIEI EM VOCÊ! CONFIEI QUE IRIA NOS AJUDAR! - seus olhos estava cheios de lágrimas, mas não eram de tristeza. Eu sentia sua raiva por toda a sala.
- Eu estou fazendo isso por você, America! – me aproximei dela mais uma vez – Lembra das nossas conversas? Lembra do quanto te ajudei antes de você fugir?
- Andrew – ela limpou as lágrimas. Sua voz estava divertida -, você foi um grande amigo. Obrigada por ter me ajudado na minha infância – ela sorriu -, e obrigada por me dar um lugar para dormir. E obrigada por ter entregado Justin.
- Sabia que você iria me agradecer – eu sorria, feliz por sua atitude.
- Agora finalmente eu vou poder bater em alguém de verdade! – e então fui atingido por um soco no lado esquerdo de meu rosto, e outro no direito. Ela havia praticamente voado para cima de mim, me pegando de surpresa. – Não sabe como a dor e a raiva me deixam forte, Andrew! Se soubesse não teria feito o que fez! – eu cambaleava, tonto por culpa dos golpes que me pegaram de surpresa.
- Pare com isso, America – sussurrei.
- Vamos, Andrew! Reaja! – ela me deu outro soco – Você tem cara o suficiente para ser um mentiroso cruel e sem escrúpulos, mas pra lutar com uma clonesinha de merda você não tem? Qual é! Esperava muito mais de você!
- Você não é assim, America – suas palavras pareciam ser pronunciadas por outra pessoa. Por uma pessoa que eu há muito tempo tentava esquecer. Ela parecia com Julie.
- Sempre soube que você não me conhecia o suficiente, Ands! E pelo visto eu também não sei quase nada sobre você. – ela sorriu – Por exemplo: eu não sabia que você era um covarde! Um bosta! Mais bosta do que seu irmão que nem pra sobreviver me encarou!
AMERICA’S POV
Eu estava com raiva. Eu estava caindo aos pedaços. Eu estava fora de mim.
Meu peito explodia de raiva. Explodia de dor. Eu nunca iria me perdoar se alguma coisa acontecesse com Justin. E eu não deixaria Andrew vivo para me pedir perdão. Talvez fosse algum problema genético no meu cérebro, a parte racional dele, mas quando eu ficava com raiva ou sentia necessidade de sobreviver eu apenas fazia o que deveria ser feito, e naquele momento Andrew deveria pagar pelo que fez, e ele iria pagar.
Minhas palavras sobre seu irmão causaram o efeito que eu queria e vi Andrew vindo rápido na minha direção, me atingindo com um soco certeiro no nariz. Ótimo! Meu rosto virou para o lado, o sangue caindo de meu nariz e sujando o chão branco da sala. Encarei Andrew e então sorri, sentindo o sangue escorrendo por meus lábios. Tinha certeza que a imagem que ele tinha de mim agora era apavorante para ele.
- É disso que estou falando. Finalmente você está começando a atender minhas expectativas, Ands! Agora vamos fazer um pop quiz, okay?
- O quê? – ele me olhou confuso. Seu olho já estava ficando roxo.
- Tenho apenas uma pergunta para te fazer, Ands – dei um soco em seu estômago e ele se contorceu. – Quem conquistou a America? – ele me olhou com uma expressão de dor e confusão, mas pareceu pensar na resposta. Fiquei esperando e não lhe proferi golpe algum nesse meio tempo.
- Foram os espanhóis que conquistaram a maioria da America – e eu sorri com sua resposta, e logo dei uma rasteira nele, e assim que seu corpo caiu no chão peguei a arma que estava em sua calça.
- Errado! – apontei a arma para sua cabeça – É um nome, Ands. Apenas um nome – ele suspirou e então fechou os olhos.
- Justin – ele sussurrou.













