19 Worries
Os lábios de America colado nos meus. Nosso beijo apaixonado, mas ao mesmo tempo cheio de desejo. Ambos gostávamos de sentir o fogo que nos consumia cada vez que nossos corpos nus se chocavam. Tudo o que sentíamos era o amor, desejo, calor e o ar nos faltando e sorríamos como amantes prestes a ser pegos no flagra. Dois apaixonados completamente loucos um pelo outro, não importando o mundo à nossa volta. Senti-la tão entregue a mim, suspirando meu nome em meio aos gemidos que ela tentava conter, arranhando minhas costas, suas pernas enlaçadas em meu corpo suado eram as únicas coisas que me importavam no momento.
Desde a primeira vez que a vi ela já me teve. Pertenço a ela de todas as formas humanas e inumanas possíveis, assim como ela é minha de corpo e alma. Já nos pertencíamos antes mesmo de nos encontrarmos. Ela foi feita para mim, desde o início e não há como negar. Tudo o que passamos serviu para tornar ainda mais forte a certeza desse sentimento.
Estávamos deitados em nossa cama tentando regular nossa respiração, antes quase inexistente, e ter seus braços em volta de minha cintura era tudo o que eu precisava. Suas mãos acariciando meu peito nu me causando arrepios era a melhor sensação.
- Justin – ela fazia traços abstratos em meu peitoral enquanto eu acariciava seu ombro desnudo -, como será que Mary está?
Havia se passado um ano desde que finalmente conseguimos acabar com o Chronos Project e Mary era a “irmã gêmea” de America. Ela assumiu a culpa pelas vidas que ela e eu tiramos, mas não foi presa. Na verdade, muita coisa aconteceu.
Naquele fim de tarde e durante algumas semanas foi tudo uma confusão. Depois que a impressa e uma equipe de policiais apareceram no local onde se localizava a Base fomos interrogados durante horas. Eles não conseguiam entender como o Chronos fora mantido por tanto tempo sem que fosse descoberto, e infelizmente nem eu, mas contamos tudo o que sabíamos e havia acontecido naqueles dias – modificando algumas coisas, como o fato de eu ter matado Andrew e Jeremy.
O corpo de meu “pai” não foi encontrado, já que depois de alguns minutos o fogo havia tomado conta de toda a parte mecânica da Base e quase chegando ao Grande Salão, e então Jeremy foi dado como fugitivo. Eu tentava ao máximo pensar da mesma forma, assim seria uma morte a menos para carregar comigo.
America, no caso, Mary, foi uma das mais interrogadas, contando tudo o que sabia, como funcionava a vida dentro da Base e no fim foi considerada “inocente” das acusações, pois não teve a mesma educação e conhecimento da sociedade como nós, humanos “normais”, conhecíamos. Mesmo achando esse papo de “humanos normais” uma bobagem, fiquei feliz por ela ter a chance de viver sua vida, exceto pela parte que muitos cientistas queriam usar, não apenas ela, como muitos dos outros clones para “testes”, mas isso não aconteceu. Agora Mary vivia em uma pequena cidade em Georgia e tentava construir uma vida – mas sendo vigiada 24 horas por dia por guardas do governo. Todos os clones eram protegidos e estudados à distância pelo governo americano, inclusive Meri. Muitas vezes podia perceber que ela ficava um pouco incomodada com isso, mas era necessário. Durante algum tempo nossos rostos ficavam passando em vários noticiários e curiosos não faltavam.
Os “donos” dos clones não foram reembolsados por “perderem seu seguro de vida” e Julie foi presa, já que ela colaborou para o Chronos sabendo exatamente do que se tratava e como funcionava. O velho Joseph apodreceria na cadeia.
Tudo estava tomando um bom rumo na vida de todos. Meri e eu nos mudamos para Los Angeles e agora moramos em uma casa branca de dois andares, com janelas azuis e um jardim enorme já que nossa cachorra, Lola, uma labradora cheia de energia, precisava de espaço. Eu trabalhava com Ryan – que também estava morando em LA – e America estava estudando publicidade – depois de ter feito inúmeras provas atestando aptidão para o nível superior, já que ela nunca havia estudado antes.
- Amanhã ligamos pra ela, amor – falei baixo, com a voz rouca já que eu estava caindo de sono.
- Eu te amo, Justin – ela beijou meu peitoral.
- Eu te amo, Meri – e então deixei o sono me levar.
***
Era sábado e Meri e eu caminhávamos pelo bairro numa tentativa de diminuir a ansiedade. Há algumas semanas ela vem se sentindo enjoada, muitas vezes tontura e cansaço. Não podíamos correr porque logo ela ficava ofegante. Durante a última semana fomos em um médico e hoje iríamos pegar o resultado dos exames. Eu achava que um filho estava a caminho e não conseguia conter minha felicidade.
Um pouco antes da hora do almoço fomos ao médico para saber o resultado dos exames e ambos tínhamos nossas mão suadas enquanto esperávamos que chamasse o nome de America.
- America Andrews? – um senhor com o cabelo um pouco grisalho, bem baixinho e um pouco gordo apareceu à porta, chamando por ela. Balancei a cabeça negativamente ao ouvir o sobrenome que ela havia escolhido, ao invés de Bieber. Ela havia alegado que queria ter a oportunidade de trocar o sobrenome depois do casamento, como uma mulher normal. Sim, nós iríamos nos casar, mas isso ainda iria demorar um pouco.
Entramos na sala do doutor e sentamos nas cadeiras em frente sua mesa. Ele segurava alguns papéis em suas mãos e estava sério.
- E então, Doutor? – ela perguntou, a ansiedade transbordando por sua voz.
- Com todos os sintomas que você me contou que sentia acreditei profundamente que fosse uma gravidez – ele suspirou -, mas não é. Você não está grávida.
Soltei um suspiro pesado e me afundei à cadeira. America segurava suas mãos e também soltou um suspiro. Ela estava triste.
- Eu gostaria que você fizesse mais alguns exames para poder entender melhor o que você tem, senhorita Andrews – ele escrevia algo em uma folha de papel e logo entregou para America. Ela leu o conteúdo do papel e me entregou o mesmo em seguida. Ele havia escrito todos os exames que deveríamos marcar, e achei muitos. Eram raio-x, ecocardiograma, mais um exame de sangue, um de urina ressonância magnética.
- Por que tantos exames, Doutor? – perguntei, um pouco assustado.
- Para não restarem dúvidas – ele sorriu fraco.
Depois que deixamos a sala do doutor fomo em direção ao balcão da clínica e marcamos todos os exames pedidos. No carro, quando voltávamos pra casa, o silêncio predominou. Eu estava preocupado com America.
- Vamos pedir algo? – ela largou sua bolsa no sofá e pegou o telefone. Assenti fraco e voltei para o jardim em frente nossa casa, chamando Lola que veio correndo na minha direção. Meus pensamentos estavam à mil e Lola era uma boa distração. Ela ainda era filhotinha de no máximo uns seis meses, mas ela crescia rápido. Fiquei brincando com Lola até que senti Meri me abraçando por trás.
- Me desculpe – ela sussurrou, beijando meu pescoço em seguida.
- Pelo que? – me virei para que pudesse encara-la.
- Você sabe – ela baixou os olhos.
Sim, eu estava triste por ela não estar grávida, mas não era o fim do mundo. Ainda era cedo para termos um filho, de qualquer forma. Eu queria me consolidar no trabalho e que Meri se formasse e assim iríamos estruturando nossa vida e nossa família aos poucos. O que me deixava abalado não era ela não estar grávida, e sim o que ela poderia ter. O médico não iria pedir todos aqueles exames se não estivesse preocupado.
- Para de falar besteira, Meri. – a abracei forte contra mim – Estou apenas preocupado com todos esses exames.
- Não vai ser nada de mais, você vai ver.










