Antarctica, 2007-11-09

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Antarctica, 2007-11-09
Crary
Credit Agricole SA (CRARF) Q1 2023 Earnings Call Transcript https://seekingalpha.com/article/4604182-credit-agricole-sa-crarf-q1-2023-earnings-call-transcript
In spite of its insubstantiality and abstraction as a slogan, the implacability of 24/7 is its impossible temporality. It is always a reprimand and a deprecation of the weakness and inadequacy of human time, with its blurred, meandering textures. It effaces the relevance or value of any respite or variability. Its heralding of the convenience of perpetual access conceals its cancellation of the periodicity that shaped the life of most cultures for several millennia: the diurnal pulse of waking and sleeping and the longer alternations between days of work and a day of worship or rest, which for the ancient Mesopotamians, Hebrews and others became a seven-day week. In other ancient cultures, in Rome and in Egypt, there were eight- and ten-day weeks organized around market days or the quarter phases of the moon. The weekend is the modern residue of those long-standing systems, but even this marking of temporal differentiation is eroded by the imposition of 24/7 homogeneity. Of course, these earlier distinctions (individual days of the week, holidays, seasonal breaks), persist, but their significance and legibility is being effaced by the monotonous indistinction of 24/7.
Jonathan Crary, 24/7 Late Capitalism and the Ends of Sleep
O regime 24/7 oferece a ilusão de um tempo sem espera, de um atendimento instantâneo, do isolamento - mesmo em presença do outro. (...) O mais importante talvez consista no fato de o 24/7 causar a atrofia da paciência e da deferência individual - essenciais a qualquer forma de democracia direta: a paciência de escutar os outros, de esperar nossa vez de falar. O fenômeno dos blogs é um dos muitos exemplos do triunfo do modelo unidirecional de diálogo consigo mesmo, no qual a possibilidade de jamais ter de esperar e escutar outra pessoa foi eliminada. Blogar, não importa com qual intenção, é assim um dos muitos sinais do fim da política.
24/7: Capitalismo tardio e os fins do sono
(...) a enfatizar o vínculo entre as palavras "comunidade" e "comunicação" - comunicação não como a transmissão de mensagens, mas, de alguma maneira, um éthos de compartilhamento. O espetáculo, ele diz, é a expropriação daquela possibilidade, é a produção de um tipo de comunicação unidirecional que ele define como "um autismo generalizado". Debord compreendeu que, por volta dos anos 1960, o capitalismo havia promovido o colapso sistemático da faculdade de encontro (rencontre), substituindo-a "por uma alucinação social, uma ilusão de encontro". A relevância contemporânea desses textos - em particular nesse momento em que, em nome do potencial revolucionário das mídias sociais, são feitas afirmações bizarras e ambíguas - está no fato de eles nos permitirem pensar quais encontros, hoje, são de fato possíveis. Mais especificamente, quais encontros podem levar a novas formações, a novas capacidades de insurgência, e onde podem ocorrer - em quais espaços ou temporalidades? Quanto da troca e da circulação de informação eletrônicas hoje é uma amplificação colossal do que Sartre chamou de "inversão da práxis em atividade prático-inerte"? Quanto da energia investida em blogar, no mundo todo - por cerca de milhões de pessoas, muitas vezes utilizando a linguagem da resistência - é equivalente ao autismo em massa identificado por Debord?
24/7: Capitalismo tardio e os fins do sono
O empobrecimento sensorial, a percepção reduzida ao hábito e as respostas programadas são resultados inevitáveis de nosso alinhamento aos inúmeros produtos, serviços e "amigos" que consumimos, administramos e acumulamos durante a vigília.
24/7: Capitalismo tardio e os fins do sono