Eu tenho tanto a falar. Nada que o interesse ou cative. Na verdade, nem se quer acredito que já tenha se interessado por alguma palavra minha. Então, se quiser, nem precisa me escutar, dê uma desculpa qualquer, desapareça, é isso o que você sempre faz. Mas, se por uma mínima curiosidade quiser saber o que sinto, ou o que penso, ou até mesmo, quem eu realmente sou, a menina que talvez nunca tenha conhecido; não o impeço de ler o que escrevo, ler-me. Eu sei que sempre te apoiei nas mais diversas controvérsias que criou, sei que, se você viajar por décadas, trocar seu corte de cabelo mal-feito, aprender outros idiomas, culinária, ou até formar, por mais milagroso que seja; eu irei amá-lo, odiá-lo, na mesma intensidade em que tenho esses sentimentos pelo menino que é hoje, desengonçado, um pouco retardado e anti-futuro. Porque eu não me apaixonei pelas suas características, nunca me apaixonaria por um joão-bobo, um sem-futuro, um babaca como você. Eu me apaixonei pela sua essência, assustador não? Aposto que nem imaginava ter uma. Aposto que ninguém nunca tinha falado sobre isso com você, mas você a tem e essa essência te difere de qualquer um e, apesar de que um dos meus poucos dons seja saber descrever, eu nunca consegui descrevê-la, as vezes até penso que é fruto da minha imaginação. Mas eu não quero, de forma alguma, acreditar que todos esses sentimentos que embaralham minha mente tenham sido criados pela minha própria insanidade. No entanto, como eu disse, não é só amor, eu te odeio "com a intensidade de mil sóis", odeio-te por ser perdoável, por me deixar irritada e apaixonada ao mesmo tempo, por ser bobo, infantil, por ser péssimo com palavras, por ter tanta falta de moral e tanto excesso de auto-confiança, por não se importar, por me iludir, confundir. E odeio, principalmente, você ser capaz de me fazer esquecer todas esses motivos sempre que quer, e me ter, até mesmo quando nem eu me tenho.