Eu amo clássicos; principalmente os brasileiros e ingleses. Mas devo confessar que pouco me aventurei na literatura russa. Enfim, resolvi ler essa obra tão falada e debatida. Após ler Crime e Castigo eu levei algumas horas para assimilar todo o conteúdo. Fiquei, de certo modo, impactada. A forma como Dostoievsky trabalhou assuntos sociais e econômicos atrelados à questões filosóficas e psicológicas me chamou a atenção. Ele mostrou tão a fundo a mente de Raskolnikov que muitas vezes pôs em xeque os meus próprios ideais. À medida que o autor foi explorando o psicológico do personagem, eu fui me vendo presa a um emaranhado de questões e argumentações que me fizeram refletir sobre a realidade que estamos postos. É incrível como Raskolnikov elabora um plano de assassinato, cria justificativas com argumentos tão plausíveis que chega até convencer. Trata-se de um assassino cruel que não causa repulsa, tudo porque foi apresentado desde o início a sua mente. Suas razões, convicções e personalidade. Raskolnikov não era mau, mas se fez mau por um momento. Dostoievsky mostra que sentir culpa não torna ninguém santo. Raskolnikov tinha que pagar pelo que fez; ele cometeu um crime gravíssimo. Errou e tinha que pagar. Seus argumentos, embora convincentes, não eram justificáveis. Nada justifica tirar a vida de outra pessoa. O desfecho da obra me fez amá-la ainda mais, pois há uma crença em mim que, mesmo na mente dos que cometem crimes, há espaço para remissão. Utopia? Ingenuidade? Não sei. Apenas sei que o mundo é tão cheio de coisas ruins que nunca é demais ter esperança do que é bom. Encerro com destaque a dois personagens de suma importância, uma com sua benevolência e o outro com sua esperança. Sonia e Razumikhin, respectivamente. #literaturarussa #crimeecastigo #livros #dostoievski #leituras https://www.instagram.com/p/CPJZaFeMbQO/?utm_medium=tumblr