100 BULLETS (Brian Azzarello, Eduardo Risso) - Vertigo/DC Comics
Muito tempo sem postar aqui e muitas boas leituras para registrar nesse espaço. Tentarei não repetir o mesmo erro de deixar isso aqui acumular poeira.
No já longínquo primeiro semestre de 2016 (há uns 1348 anos, de acordo com tudo o que aconteceu no mundo de lá pra cá) peguei essa coleção que eu tinha completado há bem mais tempo. Quando os encadernados americanos começaram a ser publicados, fui comprando e lendo conforme saíam, mas lá pelo terceiro parei e fiz questão de comprar tudo para só então ler a obra inteira de cabo a rabo.
Essa foi uma das melhores decisões de que tomei. A história é uma intrincada teia de aranha, onde os acontecimentos não fluem numa só direção, seguindo o padrãozinho começo-meio-fim, mas tem idas e vindas, flashbacks, histórias mal contadas, personagens amnésicos, tramas mirabolantes e uma surpresa a cada história.
Tal qual uma teia, começa sendo elaborada de forma lenta, sem ser possível vislumbrar-se a forma final que ela terá, mas que aos poucos, conforme o leitor vai descobrindo os detalhes através de pistas aqui e ali no roteiro, ganha contornos elaborados capazes de deixar qualquer um sem fôlego. Mas não espere explicações fáceis e detalhezinhos mastigados aqui não, o esforço que o leitor tem que fazer para compreender o todo é um exercício árduo, mas bastante divertido.
Uma leitura fantástica, que creio que exerce sua óbvia fascinação para leitores de quadrinhos, mas que creio ter aquele algo a mais que pode impressionar positivamente mesmo quem não tem o (saudável) hábito de ler quadrinhos.
A coleção foi toda lançada no Brasil também, porém quem se garante no inglês (tem que se garantir MESMO) recomendo tentar achar edições originais. Realmente não sei dizer se há tradutor com capacidade para manter o mesmo ritmo de diálogos da história, com toda sua fluência, sotaques, gírias, maneirismos e trocadilhos que aparecem no original.
A arte do Eduardo Risso é fantástica, uma espécie de Frank Miller com John Romita Jr, carregando nos traços sombrios e numa narrativa frenética e totalmente adequada aos tons pesados que a história exige. A arte aqui postada é do Dave Johnson, que também de forma bastante sutil consegue pontuar a trama através de capas que fogem do lugar comum e acrescentam detalhes à narrativa.
Essa coleção fica lá guardadinha pra daqui um tempo eu reler - certamente é daquelas histórias tão sensacionais que uma segunda leitura, já com o final da trama sendo conhecido, pode ser inclusive ainda mais recompensadora.
Nos próximos dias espero manter minha promessa e relatar aqui as boas leituras que fiz nesse período de inatividade por aqui.